segunda-feira, 3 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1932 – Quarta presença na final do Campeonato de Portugal

Depois de ter sido Vice-Campeão em 1926 e Campeão em 1927 e 1929, o Belenenses chegou pela quarta vez à final do Campeonato de Portugal.

Este facto, já de si notável, tinha tanto mais valor quanto é certo que no início dessa época, o clube e a equipa tinham sido duramente atingidos com a morte... do imortal Pepe.

A resposta que foi dada, feita de garra, de vontade e de homenagem ao companheiro desaparecido, demonstra a Alma que o Belenenses então abrigava em si.

Assim, o Belenenses ganhou o Campeonato de Lisboa dessa época (era a quarta vez que o conquistava). O caminho para a vitória incluiu um triunfo por 4-0 sobre o Benfica.

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Ao iniciar-se o Campeonato de Portugal, havia a expectativa de repetir a dobradinha de 1928/29.

A primeira eliminatória, o Belenenses superou a União Operária por 4-2.

Seguiu-se, nos Oitavos de final, o Sporting, agora a duas mãos, Foi um confronto histórico, de que já falámos em 15 e 22 de Maio. Na primeira das datas, no campo do Sporting, ganhámos-lhes por 6-0; na segunda mão, fomos ainda mais longe: vitória por 9-0. Incrível: 15-0 no conjunto dos dois jogos.

Avançámos para os Quartos de Final. O adversário era o União de Lisboa. Parece fácil? Puro engano. Esse clube, que, mais tarde, fundindo-se com o Carcavelinhos, deu origem ao Atlético, era então uma equipa forte. Vinha de eliminar o Vitória de Setúbal com triunfos por 2-0 e 3-0. De qualquer forma, resolvemos a questão vencendo a primeira-mão por 4-0. A derrota por 1-2 no restante jogo não nos impediu de seguir em frente.

Nas meias-finais, eliminámos o Barreirense, embora não sem dificuldade: empate 3-3 e vitória por 1-0 na segunda mão. Entretanto, o F.C.Porto afastara o Benfica com vitórias por 2-1 e 3-0.

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E, assim, em 3 de Julho, Belenenses e F.C.Porto defrontavam-se em Coimbra para apurar o Campeão. Eram as únicas duas equipas que já haviam sido Campeãs de Portugal por duas vezes; ambas perseguiam o terceiro título.

A nossa equipa apresentou-se com a seguinte constituição: José Miranda; José Simões e João Belo; Joaquim Almeida, Augusto Silva e César de Matos; Alfredo Ramos, Heitor Nogueira, Rodolfo Faroleiro, Bernardo Soares e José Luís.

Foi um jogo mítico – com um dos famosos quartos de hora à Belenenses (à Belenenses, não à Benfica, como despudoramente escreveu Leonor Pinhão...). Ele alinha lado a lado, entre outros, com o do primeiro jogo com o Benfica (em que passámos de 0-1 para 2-1), com o Benfica-Belenenses de 1926 (de 1-4 para 5-4) ou, ainda, com o jogo decisivo em Elvas, em 1946.

Com efeito, a um quarto de hora do fim, o Belenenses perdia por 1-4. No último quarto de hora, os rapazes de Belém encheram-se de brios e chegaram ao empate, com Augusto Silva a fazer o nosso quarto golo (e seu terceiro), a dois minutos do fim.

Na segunda parte do prolongamento, o Belenenses dominou intensamente mas não conseguir fazer o golo da vitória. O Campeonato teria que se decidir numa finalíssima, duas semanas depois.

No Suplemento ao nº 66 do jornal portuense «O Az», de Julho de 1932, encontra-se uma CARTA ABERTA ao Clube de Futebol «Os Belenenses», que aqui reproduzimos, pelo testemunho imparcial (perante o qual, respeitosamente nos inclinamos) que constitui de um grande feito do Belenenses:

Nunca o ‘AZ’ foi uma publicação que se preocupasse com manifestações de bairrismo inferior, porque o nosso conceito filosófico de vida social nos ensina que os homens são todos iguais à face da lei comum da natureza, tenham eles nascido no Porto ou em Lisboa, em Paris ou na Alemanha.

Nesse momento em que vós, peitos a descoberto e um formoso ideal no cérebro, ides encontrar-vos com a aguerrida e simpática equipa do Futebol Clube do Porto, o nosso desejo que triunfeis, não nasce das circunstâncias de temos nascido em Lisboa, como vós, mas assim da estupenda admiração do vosso feito, nesse mesmo campo de Coimbra realizou em 3 de Julho provocou no nosso coração de desportistas.

Depois do que por vós foi feito, ninguém mas absolutamente ninguém com mais direito do que o Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ pode ostentar nesta época, o título de Campeão de Portugal!

O que vós fizesteis em 3 de Julho, deste nunca esquecido para os desportistas de Lisboa ano de 1932, foi qualquer coisa de assombroso, surpreendentemente, quase inverosímil pela fé indomável que pusestes na luta, pela energia fantástica de que destes cabalíssimas provas, pela alma generosa e brava que foi posta nesse combate titânico e extraordinariamente belo que tivestes de sustentar contra o público na sua maioria hostil mas que, por fim, foi forçado a reconhecer o vosso formidável valor de rapazes e desportistas!

E esse foi sem dúvida, o vosso maior e mais indesmentível triunfo! Entraste nessa tarde em campo em condições de inferioridade notáveis: público, estado físico dos jogadores, forçados por duros «matches» que o adversário não teve, ambiente desfavorável e até mesmo a sorte do jogo que vos foi adversa logo de início.

Começando o ‘match’ a toda a velocidade, o Porto consegue, em rápidos minutos, o seu primeiro golo. Vem logo após outro e quando o primeiro tempo termina, vós, cansados e esgotados por mil e um factores, tendes em desvantagem dois golos. Para ganhardes, preciseis de conseguir três pontos.

É difícil, quase impossível…

O público do Porto delira, o entusiasmo chega ao paradoxismo. É impossível a vitória para os rapazes de Belém. O Porto tem o campeonato de Portugal nas mãos…

Que é de Belém? Que é feito do Belém?
Apagou-se, esmagado pela fortíssima vantagem do Porto? Parece que sim, porque aos dez minutos desta parte vem o terceiro ponto dos Campeões do Norte. 3-0!

Que formidável punição para o vosso brio de homens do desporto, em que confiavam os que estavam em Lisboa lendo assiduamente os placards dos jornais, ou ouvindo, emocionados, os relatos da T.S.F.!

Mas este ponto acorda-vos as energias e desperta-vos o sentimento do dever. Decorrem oito minutos. E oh! Augusto Silva, o vosso o nosso Augusto Silva, num golpe assombroso de energia marca o ponto de honra. Supõe-se que é o ponto de honra… Palmas aos lisboetas.

3-1. Mas é tão pouco… Nada vos livra da derrota. Pinga acaba agora mesmo de marcar o quarto golo do Futebol Clube do Porto… É o fim. Os «belenenses» estão perdidos, sucumbidos, e têm de deixar fugir o título máximo para o Porto.

O público de Lisboa descrê.

Faltam só 15 minutos para o jogo terminar. A vitória do Porto é inevitável. Os portuenses rejubilam, delirantes, embriagados pelo triunfo que é certo, certíssimo, fatal como o destino.

Mas, eis que se opera o milagre!

E vós, jogadores de Belém, jogadores de Lisboa, vontade, energia, alma brio, valentia, ralé, essa vossa sagrada e bendita ralé, tudo amassado no mesmo cadinho de fé e de valor, sois sacudidos por um empurrão violento de dignidade, de consciência da responsabilidade que sobre vós impede!

Um alto e nobre sentimento de luta leal e digna sacode-vos dos pés à cabeça!

Vamos a isso rapazes!

E foi belo, e foi bonito, e foi comovente até às lágrimas!

Todos vós como um só, porque uma vontade vos absorvia e embriagava, vos lançastes nesse glorioso prélio desportivo, não disposto a vender cara a derrota, mas antes, com o terrível handicap de três golos, dispostos a vencer, vencer, vencer!

Luta homérica, foi essa, em que todos nós emocionados, olhos brilhantes, escaldando de febre, doidos, apopléticos, assistimos a esse espectáculo até então inédito nos anais da história do desporto português.

E de 1-4, triste record que vos era legado por um team que não merecia tanto, veio o 2-4, 3-4 e 4-4, e só não veio a vitória almejada, porque uma infelicidade cruel e caprichosa a impediu.

Desde esse momento solene o grandiloquente, o Clube de Futebol «Os Belenenses», merecia, sem nenhuma espécie de favor, o título de Campeão de Portugal!

Isto que vós fizestes, foi escrever a mais linda e embriagadora página de que se pode orgulhar o desporto português.

Nunca ninguém o tinha feito!

Nunca ninguém, a não ser vós, o poderá repetir!


Essa maravilhosa página que escrevestes nos faustos do vosso Clube, e na História das nossas lutas desportivas, foi a razão desta carta que supomos interpretar os votos de quarenta, de cinquenta mil desportistas de Lisboa!
”.



1950 – Conquista do Campeonato Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas, pela quarta vez

10 Campeonatos Nacionais em Equipas
13 Campeonatos de Lisboa em Equipas
3 Campeonatos Nacionais de Juniores em Equipas
4 Campeonatos de Lisboa de Juniores em Equipas
1 Campeonato Nacional de Juvenis em Equipas
1 Campeonato Individual de Corta Mato

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É este o riquíssimo palmarés do Belenenses em Atletismo Feminino, por equipas.
A nível individual, a figura máxima é indubitavelmente a extraordinária atleta Georgete Duarte a quem nos referimos em várias ocasiões nestes apontamentos. Foi Campeã Nacional por 46 vezes (!), em cerca de década e meia de carreira. Foi recordista de 60 metros, 80 metros, 150 metros, 200 metros, 400 metros, 800 metros, 100 metros barreiras, pentatlo e, ainda em estafetas (note-se que, embora a crescente expressão de capacidades físicas mulheres tenha feita desaparecer algumas destas provas, substituindo-as por outras mais duras, naquele tempo todas elas constavam do núcleo de provas oficiais. É em grande parte por ela que se viveu este período excepcional.

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A lista completa de títulos obtidos nesta época de 1950, segundo Acácio Rosa (Factos, Nomes e Números, 1919-60), tanto no Campeonato de Lisboa como no de Portugal é a seguinte:

Georgete Duarte:
Campeã de Lisboa dos 80 metros barreiras, 100 metros e salto em altura e Campeã de Portugal nos 80 metros barreiras, 100 metros e salto em comprimento.

Lívia Alvarez:
Campeã de Lisboa no lançamento do dardo e do peso e na estafeta de 4 x 100 metros. Campeã de Portugal no lançamento do dardo e na estafeta de 4 x 100 metros.

Maria Orminda
Campeã de Lisboa em salto em comprimento e na estafeta de 4 x 100 metros. Campeã de Portugal na estafeta de 4 x 100 metros.

Rosália Alvarez
Campeã de Lisboa em 200 metros.

Maria Celeste Carvalho
Campeã de Lisboa no lançamento do disco e na estafeta 4 x 100 metros. Campeã de Portugal na estafeta 4 x 100 metros.

Adelaide Faria
Campeã de Lisboa na estafeta 4 x 100 metros.

Maria Margarida
Campeã de Portugal na estafeta de 4 x 100 metros.



1960 – Belenenses ganha Taça de Portugal, pela segunda vez

O Belenenses da década de 50 procurava afanosamente um título. Da equipa Campeã em 1946, só restaram, até meio da década de 50, Serafim e Feliciano. Mas, entretanto, chegavam os imensos Matateu e Vicente (ambos graças a esse formidável belenense que foi Francisco Soares da Cunha), mais tarde, também, Yaúca; da Argentina vieram Di Pace, Perez e Benitez (este, ao que parece, o melhor de todos, mas inutilizado por lesões); emergiam jogadores como José Pereira, Castela, Figueiredo, Pires, Carlos Silva e Dimas...

O campeonato escapou-se-nos a quatro minutos do fim, em 1955, num revés da fortuna; escapou-se-nos em 1959, com muita intervenção de arbitragens; até em 1951/52, chegamos a estar muito perto do título...

Mas a década não acabaria sem algumas alegrias desportivas. Em 1959, vencemos a Taça de Honra, com grande brilho, criando grandes expectativas para o Campeonato; este não correu tão bem como se sonhava, ficando o Belenenses em terceiro lugar, mas indo na última jornada à Luz quebrar a invencibilidade do campeão Benfica.

Na Taça de Portugal, as coisas vieram a correr auspiciosamente na época de 1959/60.

Na primeira eliminatória, saiu-nos o Atlético, rival sempre difícil. Ultrapassámos, contudo, a equipa de Alcântara com segurança, vencendo por 3-0 no Restelo e por 3-2 na Tapadinha.

Nos desasseis-avos de final, defrontámo-nos com o Lusitano de Évora, que então se encontrava na Primeira Divisão. Também este adversário foi deixado para trás, com vitórias no Restelo, por 3-1, e em Évora, por 4-1.

Nos oitavos de final, superámos o Sporting de Braga, com dois triunfos por 1-0. Seguimos em frente, pois, como previa Alves dos Santos na edição de “A Bola” de 26 de Março de 1960 (ver imagem)

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Vieram os quartos de final e a tarefa foi relativamente fácil, com triunfos por 6-0 e 3-0 sobre o Sporting Clube de Portugal (de Lourenço Marques)..

Nas meias-finais, estavam, pois, os Quatro Grandes. Defrontavam-se, por um lado, Benfica e Sporting e, por outro, Belenenses e F.C. Porto.

Para o Campeonato, o Belenenses (terceiro, como vimos), superara o F.C.Porto (quarto) nos dois jogos: 1-0 no Restelo e 3-2 nas Antas. Mas, tínhamos, sem dúvida, um adversário difícil pela frente.

No entanto, o jogo da primeira-mão, nas Antas, constituiu uma grande jornada para o Belenenses, que ali ganhou, espectacular e categoricamente, por 3-1. Pudemos, assim, gerir a vantagem no Restelo, dando-nos até ao luxo de perder por 1-0.

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Em 26 de Junho ficaram, pois, apurados os dois finalistas – Belenenses e Sporting – que se defrontariam a 3 de Julho.

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Era a terceira vez que se defrontavam na final da Taça de Portugal, levando até então vantagem os “leões”, com duas vitórias. Repare-se, contudo, que “A Bola”, na antevisão do jogo, considerava juntamente com a Taça de Portugal os Campeonatos de Portugal; e, assim, era o quinto confronto em finais, com os sportinguistas a liderarem por 3-1 em vitórias. Em qualquer das contagens a diferença iria ser reduzida.

No jogo das expectativas, havia um grande equilíbrio. O favoritismo repartia-se quase por igual.

O Estádio Nacional transbordou de público e os jornais assinalaram a presença impressionante da massa de adeptos do Belenenses – metade dos 50.000 espectadores presentes – e o facto de se ter posto fim ao mito de que o Jamor só enchia em jogos da Selecção ou em confrontos Benfica-Sporting: naquela tarde, o estádio encheu totalmente.

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A divisão dos apoiantes em metade não é de surpreender: se hoje haverá um adepto do Belenenses por cada quinze do Sporting (se é que a desproporção não é maior), a proporção, na altura, devia andar em perto de 10/15, projectando-se os dados comparativos do número de sócios que os dois clubes tinham então (10.500 do Belenenses; 17.500 do Sporting; já agora, 30.000 do Benfica). Lembremos que, mesmo nas duas finais com o Benfica no fim da década de 80, os adeptos azuis teriam ocupado cerca de 40% dos lugares do Estádio Nacional.

O Onze do Belenenses que subiu ao relvado foi o seguinte: José Pereira; Rosendo e Moreira; Vicente, Pires e Castro; Yaúca, Carvalho, Tonho, Matateu e Estevão. O treinador era Otto Glória.

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A equipa Azul entrou a dominar o jogo. Do relato do jornal “A Bola” do dia seguinte, reproduzimos:
Ainda a primeira dezena de minutos mão se havia escoado e já o Belenenses perdera duas excelentes oportunidades, numa das quais, a segunda, o remate de Tonho levou a bola a bater na trave, enquanto uma parte do público, como que impelido por mola eléctrica, se erguia sobre o granito dos assentos, soltando um grito, que devia ser de júbilo e se transformou em brado de desalento”.

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Contra a corrente do jogo, porém, antes dos 20 minutos, o Sporting adiantou-se no marcador, com um golo de Diego.

Logo no minuto seguinte, Tonho perdeu soberana oportunidade de empatar.

A conjugação destes dois lances perturbou a nossa equipa, passando o Sporting a jogar melhor. No entanto, o Belenenses não se desuniu, voltou à carga e ao comando das operações e, ao minuto 32, chegou ao empate. Na sequência de um livre marcado por Rosendo, Yaúca rematou, o guarda-redes do Sporting defendeu para a frente e, oportuno, Carvalho surgiu a apontar o golo.

A partir daí e até ao intervalo, o Belenenses continuou a dominar e, em duas ocasiões, esteve muito perto de marcar.

Na segunda parte, foi a vez do Sporting entrar melhor. Mas, aos 62 minutos, foi o Belenenses a surpreender o seu adversário, fazendo o 2-1: jogada de Estevão, primeiro remate de Yaúca e, na recarga, Matateu a atirar para o fundo da baliza. (do topo Norte).

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Daí até ao fim do encontro, o Belenenses patenteou uma superioridade que tornou incontestável o triunfo.

Assim, o capitão Vicente foi receber o troféu e a festa foi azul!

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Com esta vitória, os triunfos nas edições até então disputadas da Taça de Portugal estavam assim distribuídos:

Benfica – 10
Sporting – 5
F.C.Porto – 2
Belenenses – 2
Académica – 1

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Se, entretanto, considerássemos juntamente com as Taças de Portugal os Campeonatos de Portugal, então, os números seriam estes:

Benfica – 13
Sporting – 9
F.C.Porto – 6
Belenenses – 5
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1
Académica – 1.


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1982 – Conquista da Taça de Portugal de Andebol, pela terceira vez

O ano de 1982 é terrível para todos os Belenenses que o viveram. É algo de indescritível e que nunca mais esqueceremos, por mais que 24 anos volvidos pareça que o aconteceu nesse dia foi uma coisa que se tornaria banal aos «acomodados do sistema». Mesmo quem não o viveu, não era nascido ou não tinha consciência ou percepção o que significou, bastaria gostar do Belenenses e beber a sua história e feitos para o entender ou pelo menos tentar. Ao invés, assistimos um acomodamento e, pior que resignação, a uma descaracterização completa, com graves culpas no cartório por parte de quem tem dirigido os destinos do Clube desde então. Com raras excepções, apesar de tudo.

O Belenenses descera de divisão. No entanto pulsava, vibrava e reagia. Revoltava-se, tinha honra e orgulho. Mobilizava-se, recuperava massa associativa, mesmo no clima mais adverso, mesmo no completo descalabro financeiro.

Prova disto era a vitalidade de modalidades amadoras. As tradicionais. Neste caso o Andebol. Nesta data a conquista da Taça de Portugal. A terceira em três presenças na final, à 11ª edição.

O Belenenses vencerá já na terceira edição, em 1973/74, cuja final foi disputada em Faro, frente ao Benfica, por 17-14. Qutro anos volvidos, em 1977/78, venceria o Oriental em Leiria, por 33-12, naquela que foi a maior diferença de golos registada em finais da competição.

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À terceira dsputada neste ano em Cascais, a «fava» coube ao Benfica (que pouco antes se sagrara Campeão Nacional), saíndo derrotado por 26-24. O Belenenses, então treinado por Fonte Santa, apenas por uma vez esteve atrás no marcador. Foi aos sete minutos com o resultado em 3-2. No entanto foi um jogo muito emotivo e equilibrado, com uma curta vantagem de três golos ao intervalo (11-14) o que está bem patente na marcha do marcador:
0-1; 1-1; 1-2; 3-2; 3-4; 4-4; 4-7; 6-7; 6-8; 7-8; 7-9; 8-9; 8-11; 10-11; 10-13; 11-13; 11-16; 12-16; 12-17; 14-17; 14-18; 16-18; 16-19; 17-19; 17-20; 19-20; 20-22; 22-22; 22-23; 23-23; 23-24; 24-24; 24-26.

Final dramático, com o Benfica a igualar o marcador a 22 golos aos 28 minutos da segunda parte. Só no último minuto e com o jogo empatado a 24 golos, o Belenenses resolveu a questão com dois golos de rajada por Espadinha e Mendonça, num final electrizante e perante uma massa belenense assinalável e muito activa no apoio da equipa. Resultado justo apesar da excelente réplica dada pelo adversário o que so valorizou a vitória. Foi uma justa recompensa para todos e uma festa tremenda no final.

Pelo Belenenses, alinharam nesta partida: Prezado (Valverde); Filipe, Guerreiro (1), Mendes (4), Veiga, Napoleão, Ricardo (2), Hernâni (7, com 3 de «penalty»); Mendonça (4), Bento (3) e Espadinha (5). Participaram também na caminhada vitoriosa, apesar de não terem alinhado na final: Raúl (guarda-redes); Peixoto (segunda-linha); Nascimento (segunda-linha); Diegues (primeira-linha); Guerreiro (primeira-linha) e Florêncio (primeira-linha). Um plantel jovem, com uma média de 24 anos de idade. Um Belenenses vivo.


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domingo, 2 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1933 – O Belenenses conquista o Campeonato Nacional de Futebol pela terceira vez

Esta é uma data que os belenenses que prezem a identidade e a grandeza do seu clube devem preservar no coração.

Nela, ainda antes de completar 14 anos de existência, o Belenenses guindava-se à posição de primeira potência do futebol português. Não nos referimos apenas a essa época mas a tudo quanto tinha decorrido durante esses 14 anos da nossa existência.

Para explicarmos esta afirmação, é necessário desmontar, antes de tudo, uma completa falácia. O Belenenses não foi uma vez Campeão de futebol no nosso país. Foi-o por 4 vezes.

Desde 1921/22 até 1933/34, houve uma prova que se destinava a apurar o campeão, a melhor equipa de futebol do nosso país. Era a forma vigente, e não há nenhuma razão para, tendo existido essa competição, com esse fim, e com regras aceites por todos, não serem considerados os campeonatos conquistados nesses anos.

Ora, esses Campeões devem, justamente, ser adicionados aos que, desde 1934/35, ganharam os Campeonatos da I Liga, os Campeonatos Nacionais, as Superligas e a Liga Betandwin. Nessas 12 edições, foram assim distribuídos os títulos:

F.C.Porto – 3
Belenenses – 3
Benfica – 2
Sporting – 1
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1

Donde, em rigor, os Campeões do nosso país, desde o momento em que passou a apurar a melhor equipa até hoje, foram os seguintes:

Benfica – 33
F.C. Porto – 23
Sporting – 18
Belenenses – 4
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1
Boavista – 1

Dir-se-á: mas o Campeonato de Portugal era uma prova a eliminar; não pode, pois, ser vista em igualdade de circunstâncias com uma prova em que jogam todos contra todos.

Porque não, respondemos? No Campeonato do Mundo ou no Campeonato da Europa também as selecções não jogam todas entre si – e nem por isso se questiona a qualidade de Campeão Mundial ou Europeu.

Pela mesma ordem de ideias, ao Benfica, por exemplo, não se deveria reconhecer o facto de ter sido duas vezes campeão europeu: então chamava-se Taça dos Campeões Europeus, agora chama-se Liga dos Campeões; então era uma prova puramente a eliminar, agora tem a fase de grupos...

Outro argumento ainda avançado é o de que, nos Campeonatos de Portugal participavam poucas equipas. É verdade que, nas primeiríssimas edições (não aquelas que o Belenenses ganhou), os participantes eram poucos. Mas, diga-se, também os primeiros Campeonatos da Europa se resumiam, na fase final, a 4 selecções, e nem por isso deixam de ser considerados.

De qualquer forma, não é verdade que, nas edições que o Belenenses ganhou, os participantes tenham sido poucos. Já agora, refira-se que os primeiros Campeonatos da Liga ou Nacionais, ganhos pelo F.C.Porto e pelo Benfica, tiveram só 8 participantes – e por tal razão não deixam de ser computados.

Em contrapartida, neste Campeonato de Portugal de 1932/33, participaram 28 equipas! Acresce que, para lhe acederem, os clubes tinham que ser bem sucedidos nos Campeonatos Regionais – que, no caso de Lisboa, eram disputadíssimos, quase com o mesmo afã e denodo com que hoje se disputa um Campeonato Nacional, pelo Benfica, pelo Sporting, pelo Belenenses, pelos então poderosos Carcavelinhos e União de Lisboa e, até, durante vários anos, pelo Vitória de Setúbal.

A partir de 1934/35, surgiram, então, os Campeonatos da I Liga/Nacionais, que realmente apuravam os melhores de Portugal; e os Campeonatos de Portugal que se disputaram desde essa época até 1937/38, deviam ser considerados juntamente com a Taça de Portugal, que lhe sucedeu a partir de 1938/39.

No mínimo dos mínimos, os Campeonatos de Portugal deveriam todos ser considerados juntamente com a Taça de Portugal – e, então, o Belenenses teria sido o vencedor de 6 edições (não de 3). Note-se, de resto, que nos troféus das primeiras Taças de Portugal está inscrita a designação de Campeão de Portugal (veja-se, na sala de troféus, a que conquistámos em 1942). Como veremos amanhã, quando Belenenses e Sporting se defrontaram na final da Taça de Portugal, o jornal “A Bola” considerou que era o quinto confronto entre as duas equipas – ou seja, três para Taça de Portugal e duas para o Campeonato de Portugal.

Agora, o que não lembra ao diabo e constitui um escândalo autêntico, é não se considerar em absoluto os Campeonatos de Portugal.
No entanto, eles existiram! E os dirigentes do Belenenses – e seus sócios e adeptos – devem lutar pela reposição da verdade!

Bem, e centremo-nos agora neste Campeonato de Portugal de 1933, que brilhantemente conquistámos. Na mesma época, o Belenenses foi Vice-Campeão de Lisboa. O Benfica ficou à nossa frente (apesar de termos tido o melhor Ataque e a melhor Defesa), e não conseguimos revalidar o título alcançado no ano anterior.

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Iniciou-se então o Campeonato de Portugal. Vejamos a marcha da prova, não somente com os nossos resultados mas, também, os dos nossos maiores rivais;

Na primeira eliminatória, o Belenenses venceu o Lusitano de Évora por 5-1 (para que conste, o Lusitano de Évora participou em 14 Campeonatos da Primeira Divisão); o F.C. Porto bateu o Vianense por 8-0; o Benfica ganhou ao Marinhense por 6-0 e o Sporting venceu a União Operária por 2-1.

Nos oitavos de final, já disputados a duas mãos, a tarefa do Belenenses foi mais difícil: frente ao Carcavelinhos (que, recorde-se, fora Campeão em 1928), perdemos o primeiro jogo por 3-2 mas seguimos em frente ganhando na segunda mão por 5-1; o Benfica venceu ambos os jogos com o Comércio e Indústria por 2-0; o Sporting desembaraçou-se do Luso do Barreiro, com um triunfo por 6-0 e um empate 1-1; o F.C. Porto arrumou a questão no primeiro jogo, com uma vitória 9-1 sobre o União de Lisboa, sendo insuficiente a vitória desta última equipa, na segunda mão, por 4-2.

Até aqui, tínhamos tido os adversários mais difíceis. E nos quartos de final, a tarefa não foi fácil, pois o nosso adversário, o Barreirense, era então um grupo muito forte.

Perdemos o primeiro jogo por 2-1, marca com que ganhámos a segunda mão. Houve, pois, necessidade de um desempate, que o Belenenses venceu por 4-1. Também o Sporting teve dificuldades: face ao Marítimo (que fora Campeão em 1926) ganhou por 3-1 mas sofreu depois, perdendo por 1-0. Por sua vez, F.C. Porto e Benfica defrontaram-se, com resultado invulgar: no seu campo, na Constituição, os portistas triunfaram por 8-0, só de consolação valendo a vitória do Benfica em Lisboa por 4-2.

Nas meias-finais, o Sporting e o Porto tiveram que ir a terceiro jogo, depois de empates 1-1 e 0-0, prevalecendo a equipa verde-branca por 3-1. Quanto ao nosso Belenenses, praticamente resolveu a questão na primeira mão, triunfando por 4-1 sobre o Vitória de Setúbal. No segundo jogo, um empate 3-3 foi suficiente.

E, assim, no dia 2 de Julho de 1933, Belenenses e Sporting disputavam a final no Campo do Lumiar, perante grande expectativa.

Perto de 25 mil pessoas, algo de gigantesco para a época, assistiram ao jogo. Foram até criadas carreiras especiais...

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No estimável livro “Pontapé na Bola – Histórias do Futebol Português”, de Fernando Correia (Sete Caminhos, Lisboa, 2006), podemos ler:

Às três horas da tarde já os eléctricos iam apinhados de público para o jogo, que só começava às cinco e meia.

No Estádio não havia um único lugar vago e, no camarote presidencial, lindas colgaduras punham uma nota de bom gosto e elegância que emprestavam ao espectáculo uma maior beleza, tal como escreviam os jornais da época
”.

(Neste livro de Fernando Correia, pessoa que até nos parece simpática, há também uma muito infeliz referência a Matateu: “...conseguiu a celebridade fora dos circuitos normais dos três ‘grandes’ clubes portugueses”.
Isto é reescrever a história!!! Quando Matateu jogou no Belenenses – e ainda depois, por muitos anos – havia fora de qualquer discussão QUATRO grandes! Aliás, até 1955, já Matateu estava há quatro épocas no Belenenses, a nossa equipa tinha mais pontos acumulados em todos os Campeonatos Nacionais que o F.C. Porto, apesar deste ter participado em duas edições graças a alargamentos. O triste é os nossos dirigentes máximos nada, absolutamente nada, se importarem com isto!).

O Belenenses apresentou o seguinte onze: Morais; José Simões e João Belo; Joaquim Almeida, Rodrigues Alves e César de Matos; Alfredo Ramos, Heitor Nogueira, Rodolfo Faroleiro, Bernardo Soares e José Luís.

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Ao intervalo, o Sporting ganhava por 1-0, golo marcado aos 27 minutos. Aos 10 minutos, o Belenenses desperdiçara soberana oportunidade, com a bola sobre o risco de baliza da equipa sportinguista.

Os nossos bravos rapazes voltaram determinadíssimos para a segunda parte. Apesar do vento contra, Rodolfo Faroleiro, a passe de José Luís, fez o empate ainda no primeiro quarto de hora. Porfiou a nossa equipa, ciosa da vitória. Aos 73 minutos, depois de boa jogada de Alfredo Ramos, veio o segundo golo, novamente por Rodolfo Faroleiro. O título adivinhava-se!

E aos 87 minutos, veio a confirmação: José Luís assinava o 3-1. Eramos Campeões! A festa era belenenses, com muitos adeptos do Sporting a abandonar o campo.

A nossa vitória, além do mais, fora valorizada pelo facto de o jogo se ter disputado no campo habitualmente utilizado pelo Sporting e pela ausência do nosso grande capitão Augusto Silva. Assim, neste jogo, o nosso capitão foi João Belo, que recebeu o troféu das mãos do Presidente da República.

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Aos jogadores foram entregues medalhas. O grande homem, futebolista, atleta e belenenses que foi Joaquim de Almeida, teve mais uma das suas nobres atitudes, correndo para Augusto Silva e oferecendo-lhe a sua medalha.

E ali estávamos! O Belenenses não era apenas o Campeão desse ano: era o mais poderoso clube de futebol em Portugal, no período de 14 anos que decorrera desde a sua fundação.

De facto, em Campeonatos de Portugal, o Belenenses e o F.C. Porto lideravam com três troféus (tendo ambos sido igualmente duas vezes Vice-Campeões). O Benfica tinha dois, o Sporting (e o Marítimo, o Carcavelinhos e o Olhanense), apenas um.

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No mesmo período, o Belenenses vencera quatro Campeonatos de Lisboa, o Sporting, cinco, o Benfica (e o Vitória de Setúbal), dois.

A nossa superioridade sobre os rivais lisboetas era, pois, um facto numérico.

Quanto aos nossos adversários portistas, não podendo encontrar forma de desempate em Campeonatos Regionais (concorríamos em diferentes provas), outros factores dirimiam a questão: o Belenenses era o clube com mais jogadores representados na Selecção Nacional desde o início da sua actividade. Augusto Silva era o mais internacional dos jogadores portugueses e o Capitão da Selecção.

Todos estes feitos se verificavam apesar de, com apenas 23 anos, se ter dado a morte trágica de Pepe em 1931. Com mais 10 ou 12 anos de actividade desse jogador enorme, quantos mais títulos não teríamos conquistado!

Não admira, pois, que o 14º aniversário do clube tenha sido festejado com enorme alegria e pujança (num livro de poemas já mencionado em outra ocasião, Perfeito Rodrigues refere-se a isso). Na altura, o Belenenses foi condecorado como Comendador da Ordem Militar de Cristo. Era o reconhecimento da força e do mérito do clube dos rapazes da praia.

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Era então Presidente da Direcção José Rosa, o pai de Acácio Rosa. O Vice-Presidente era Francisco Mega.

sábado, 1 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1942 – Constantino Fernandes inicia o seu primeiro mandato como Presidente

Constantino Fernandes foi Presidente da Direcção do Belenenses por duas vezes: entre 1942 e 1944 e em 1946. Mais tarde, entre 1962 e 1964, foi ainda Presidente da Mesa da Assembleia-Geral.

Enquanto Presidente da Direcção, ele bem poderia, à imagem do rei D. Manuel, ser chamado “o venturoso”. Com efeito, da primeira vez, tendo tomado posse em 1 de Julho, viu, onze dias depois, o Belenenses arrebatar a Taça de Portugal. Depois, em 1946, tendo sucedido ao Dr. Octávio de Brito, era também Presidente quando o Belenenses se sagrou Campeão Nacional.

A estas conquistas, deve-se juntar, no Futebol, o Campeonato de Lisboa de 1943/44 – na altura, o nosso quinto título lisboeta. Nas épocas de 1941/42 e 1942/43, o Belenenses ficou em terceiro lugar no Campeonato Nacional.

No entanto, nos anos das suas Presidências, houve também conquistas e proezas em outras modalidades.

1942
Campeão de Lisboa em Andebol
Vice-Campeão de Lisboa, em Basquetebol.
Vice-Campeão de Lisboa, em Râguebi.

1943
Campeão de Lisboa, em Andebol.
Vice-Campeão de Portugal, em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Râguebi.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Basquetebol Feminino.
Ana Linheiro vence Prova Paço d’Arcos-Cascais, em Natação.
Maria Lopes Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação.

1944
Finalista da Taça de Portugal em Basquetebol.
Campeão de Portugal em Equipas Femininas de Atletismo.
Campeão de Lisboa em Equipas Femininas de Atletismo.
Vice-Campeão de Lisboa, em Râguebi.
Ana Linheiro bate três records nacionais, em Natação.
Maria Helena Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação.
Francelina Moita, Recordista Ibérica de Lançamento do Dardo.


1946
Campeão de Lisboa em Andebol (de 11).
Finalista da Taça de Portugal em Basquetebol (terceira consecutiva).
Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino (segunda consecutiva).
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol.
Vice-Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Vice Campeão de Lisboa, em Hóquei em Campo.
Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.

Deve ainda destacar-se a justíssima homenagem prestada a Artur José Pereira em 25 de Dezembro de 1942.


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No Boletim do clube de Junho de 1946, Constantino Fernandes congratulava-se com a conquista do título de Campeão Nacional. Entre outras considerações, escrevia ele:

Dos quatro grandes clubes portugueses de desporto, o C. F. ‘Os Belenenses’ é o mais novo. Mas é curioso notar que já nasceu grande clube.
Desde os seus primeiros passos, que foram certos e seguros, jamais deixou de manter-se na mesma altura, no mesmo nível que os seus fundadores logo se propuseram dar-lhe. .
” (...)
De modo que nasceu-se grande clube porque se quis! Um conjunto de circunstâncias que foram previamente estabelecidas e sempre observadas serviram de tábua de recurso para se manter e elevar cada vez mais o renome de que goza muito legitimamente o nosso clube.” (...)
Na curva ascendente da marcha do clube, sempre este em todas as modalidades impôs a sua condição de valor”.

Mais tarde, numa entrevista publicada no jornal “Os Belenenses” de 23 de Junho de 1954, - edição que nos foi facultada pelo grande belenense Álvaro Antunes – interrogado sobre as suas maiores recordações, ele respondeu a dada altura:

Recordo a época de 1945-46. O clube foi Campeão Nacional de futebol.
Disse alguém que, nessa época, o campeonato queria fugir-nos e perseguimo-lo até à fronteira onde o conseguimos agarrar... É consolador viver o jogo final em Elvas, onde estivemos quase a soçobrar, mas um arranco genial de Vasco, aproveitado maravilhosamente por Rafael, trouxe a vitória.

A chegada a Lisboa depois da jornada de Elvas, a caravana de viaturas, as saudações entusiásticas pelo caminho, a recepção aqui e a emoção geral não são coisas que se esqueçam facilmente. E o clube precisava que isso tivesse repetição
”.

Esteve para ser no ano a seguir...


De qualquer forma. bons tempos esses, em que o Belenenses era um grande clube, e os seus dirigentes, sem egos inchados, queriam sempre ganhar mais, e tinham capacidade para tornar o clube temido e respeitado.

1945 – Quinta e última final da Taça de Portugal nas Salésias

A excelência do nosso Estádio das Salésias, especialmente desde o seu arrelvamento, pioneiro em Portugal, em 1937, impuseram-no como o grande palco do futebol lusitano, até à inauguração do Estádio Nacional em 1944.

Por isso, ali se realizaram jogos da Selecção e finais da Taça de Portugal. Já agor, também ali se realizavam finais do Campeonato da Segunda Divisão. Por exemplo, em 22 de Junho de 1941, o Olhanense venceu o Leça por 4-1.

Quanto às finais da Taça de Portugal, realizaram-se cinco, a última das quais nesta data:


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1938/39: Académica, 4 – Benfica, 3
1940/41: Belenenses, 1 – Sporting, 4
1942/43: Benfica, 5 – V. Setúbal, 1
1943/44: Benfica, 8 – Estoril, 0
1944/45: Sporting, 1 – Olhanense, 0.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1929 – António Marques ganha Porto – Coimbra, em Ciclismo

A Volta a Portugal em Bicicleta, competição máxima do ciclismo português, iniciara-se em 1927, como referimos a 28 de Abril e 15 de Maio).

Como também então referimos, o ciclismo era então já uma modalidade mobilizadora de multidões que percorria o país de lés-a-lés e que era recebida invariavelmente com grande entusiasmo. Numa época em que os meios de comunicação e as vias de transporte não abundavam e quantidade ou qualidade, o ciclismo constituía forte meio de projecção de um Belenenses que se pretendia afirmar como clube de âmbito nacional.

Mas, obviamente, nem só da “Volta” vivia o ciclismo nacional. Esta durava apenas cerca de duas semanas. Multiplicavam-se competições, maioritariamente durante a Primavera e Verão. Dessas destacavam-se as mais importantes como a Porto – Lisboa, Porto – Coimbra, Lisboa – Cartaxo – Lisboa, entre tantas outras, como os Campeonatos Nacionais de Fundo em que tivemos um Campeão de Portugal – António Augusto Carvalho.

O ano de 1929 foi especialmente profícuo, com o Belenenses a conquistar várias excelentes classificações nestas competições.

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Por exemplo, António Marques foi segundo na classificação individual na Lisboa - Cartaxo - Lisboa disputado em final de Maio de 1929, e terceiro na Taça Olímpica (prova de 100 Km); João Francisco venceu a prova Coimbra - Porto (prova de 100 km) com o já mencionado António Augusto de Carvalho a ficar logo atrás, conquistando a primeira posição por equipas; João Francisco venceu a prova Tomar - Lisboa (prova de 142 km), com António Augusto Carvalho a ficar em terceiro numa prova rijamente disputada e terminada ao sprint com uma diferença de quatro décimos de segundo a separar o primeiro do terceiro classificados. Nessa prova António Marques ficaria em quinto lugar a dois minutos e meio do primeiro classificado.

Melhor sorte teria, porém, a 30 de Junho, dia em que venceu a primeira edição da Porto – Coimbra.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1961 – Resgate do Estádio do Restelo

Subjacente ao assunto hoje aqui abordado, está toda a informação, apresentada em muitos dias anteriores referente ao modo como nos foram concedidos terrenos das Salésias, a obra magnífica e pioneira que ali realizou o Belenenses, o modo como fomos intimados a sair e sem indemnização – contrariamente aos outros dois grandes clubes lisboetas –a pedreira que nos foi facultada como local para construir o Restelo, o nosso belo estádio construído com tanto sacrifício, e o modo como o Belenenses, incapaz de fazer face às dívidas contraídas para a construção e aos pagamentos a que estava obrigado diante da Câmara Municipal de Lisboa, se viu obrigado a abrir mão da sua casa.

Em todo o processo, transparece o tratamento desigual que o Belenenses recebeu da Câmara Municipal de Lisboa, em comparação com o Benfica e o Sporting, pondo-nos em dificuldades de rivalizar com esses clubes.

Na verdade, este tratamento desigual permanece até hoje. Ainda recentemente, por pressão de uma Comissão de Moradores que evocou o belo sítio habitacional que é o Restelo (local desolado, antes do Belenenses para ali ir), o famigerado projecto imobiliário foi inviabilizado.

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Na altura escrevemos abundantemente para repor a verdade dos factos e deixar claro as injustiças de que o Belenenses já fora vítima ao longo dos anos; mas, nisso, como nas iniciativas para protestar contra uma comunicação social que só vê três clubes, não reparámos que tivesse havido nenhuma palavra nem nenhuma solidariedade de alguns (alguns, repetimos) dos actuais valentes cabos de guerra. Mas cada um sabe de si, tem os seus momentos e as suas razões.

Não é nosso hábito limitar-nos a reproduzir secamente ou de modo puramente objectivo o que já foi escrito; sempre procuramos dar vida e colorido à história. Mas, neste caso, vamos praticamente cingir-nos a citar as eloquentes palavras contidas no livro de Acácio Rosa “Factos, Nomes e Números – História do Clube de Futebol Os Belenenses; 2º Volume: 1960 a 23 de Setembro de 1984”, de que reproduzimos o seguinte:

1 – Em escrituras públicas celebradas entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Clube de Futebol «Os Belenenses» (escrituras de 1952, 1956 e 1957) ficaram consignados os seguintes princípios fundamentais:

a) concessão dada pela Câmara para a utilização dos terrenos a título precário, pelo prazo de 25 anos;
b) regresso dos terrenos à plena posse da Câmara, no termo da concessão, com todas as construções, parques e jardins neles implantados sem direito, por parte do Clube, a qualquer indemnização;

c) resgate, pela Câmara, da concessão, a todo o tempo, mediante indemnização ao Clube;

d) pagamento pelo Clube à Câmara de uma renda mensal de 83.304$70 de Janeiro de 1958 a Dezembro desse ano e a partir de Janeiro de 1959 até 1979 de uma renda mensal de 149.874$70;

e) pagamento da percentagem de 10% pelo Clube à Câmara sobre todas as explorações não desportivas realizadas no Estádio;

f) na falta de pagamento da renda, dentro dos prazos estabelecidos, (de 1 a 8 de cada mês), o direito da Câmara à posse plena do Estádio sem pagamento de qualquer indemnização ao Clube.


(...)

Iniciado em 1958 o pagamento da renda à Câmara (nesse ano, 83 304$70 por mês, como já se referiu) verificou-se a impossibilidade de o Clube suportar tal encargo. Pagaram-se os primeiros quatro meses. E nada mais.

Daí ter a direcção presidida pelo Dr. Santos Pinto, depois de consciencioso e detalhado exame à situação do Clube, tomado a iniciativa de, em fins de 1958, propor à Câmara a suspensão das rendas ou o resgate do Estádio e o seu subsequente arrendamento. As direcções que se lhe seguiram chegaram à mesma conclusão e renovaram por isso junto da Câmara aquela proposta.

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Entretanto, o Clube caminhava a passos agigantados para a agonia, esmagado com as dívidas, juros (muitas centenas de contos por ano), reformas de letras, etc., etc. Tudo se desarticulava. Na própria actividade desportiva se reflectiam em grande os efeitos da crise financeira. As portas mantinham-se abertas graças ao sacrifício de cinco ou seis dezenas de dedicados consócios que assumiram perante os bancos responsabilidades da ordem dos oito mil contos, comprometendo, muitos deles, tudo quanto tinham e até o que não tinham, além dos embaraços que esses compromissos acarretavam às suas próprias actividades profissionais. Não havia, assim, alternativa.

A dificuldade estava, no entanto, em convencer a Câmara de que só o resgate do Estádio e o seu arrendamento posterior ao Clube o podia salvar do desastre.

Disposta a Câmara a encarar o resgate, comunicou por intermédio do seu presidente ao Clube, em 8 de Fevereiro, essa sua disposição, acentuando logo que o Estádio ficaria em puro regime municipal e indicando a seguinte condição basilar: pagar o Clube, antes do resgate, todas as rendas em dívida, acrescidas dos respectivos juros de mora.

Esta condição impunha ao Clube a grave dificuldade de arranjar mais de 5 mil contos (nessa altura) para liquidar, antes do resgate, o que devia ao município. A indemnização nesse momento proposta pela Câmara deixava, apenas, o saldo líquido de cinco mil e quinhentos contos, já que à própria indemnização tinha de se ir buscar o que se pedisse emprestado para pagar, antecipadamente, as rendas.

As condições postas eram severíssimas. Não quis por isso a direcção prosseguir nas negociações sem ouvir o Conselho Geral, no qual têm assento muitos dos belenenses que mais ajudaram a enraizar e engrandecer o Clube. Por unanimidade e em votação nominal deu aquele alto órgão em reunião de 16 de Fevereiro parecer no sentido de não haver outra saída para as nossas dificuldades, concedendo todo o apoio à direcção e aconselhando-a a prosseguir nas negociações.

Em 29 de Junho de 1961, em sessão pública deliberou a Câmara resgatar o Estádio. Na tarde desse mesmo dia foi celebrada a respectiva escritura.

Foi com profundo desgosto, com a alma enlutada, que se assinou a escritura do resgate, sem a garantia do arrendamento, mesmo parcial, do belo estádio que nas suas entranhas guarda o suor honrado de milhares de Belenenses. Nesse acto não foi preferida uma só palavra!...


(...)

A Direcção e os demais corpos gerentes, bem como outros prezados e distintos consócios, tudo fizeram, absolutamente tudo, para obterem da Câmara o arrendamento do Estádio.

Recordaram-se-lhe as condições em que abandonámos as Salésias – ainda hoje campo bastante para as nossas necessidades; alegou-se que o Restelo foi produto de esforços indescritíveis e de sacrifícios sobre-humanos de milhares de belenenses ricos, pobres e remediados; que a implementação do Estádio naquele local contribuiu decisivamente para a urbanização e valorização daquela zona da cidade; que o Belenenses é instituição reconhecida pelo Governo de utilidade pública, em atenção aos relevantes serviços prestados ao País; que o Belenenses sofreria rude golpe nos seus pergaminhos se não ficasse arrendatário do Estádio.

Tudo isso e muito mais se disse, se expôs, se recomendou e nos pareceu mais do que bastante a justificar o arrendamento.

A Câmara, no entanto, foi sempre dizendo não poder conceber o resgate sem pôr o Estádio em regime de pura municipalização. Em face disto, limitámo-nos depois de pedir para que só a parte arrelvada, com as suas bancadas e anexos fosse objecto de arrendamento, ficando então em regime municipal todos os demais campos e rings.

Esta proposta não obteve, igualmente, aprovação.

Por fim já só se pediu que ao menos fosse arrendado a sala das Taças e as suas dependências onde funcionam os depósitos de material, o posto médico e rouparia. Pediu-se isto por todas as vias, mas também não fomos atendidos. Mais: a Câmara fez questão de as Taças serem retiradas do Estádio e subordinou o deferimento desse requerimento à condição de tudo o que era do Clube, incluindo as Taças, ser retirado previamente do Estádio
”.

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No relatório da Direcção de 1961 [presidida pelo Dr. Vale Guimarães], escreviam-se estas belas palavras: “Pagaram-se honrosamente as dívidas, pela segunda vez nos levaram as nossas instalações, conseguidas com muito suor e os sacrifícios de muitos anos de toda a família belenenses”.

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E, assim, entrámos no calvário da década de 60. Enquanto a Câmara Municipal de Lisboa nos punha os troféus e outros pertences do clube encaixotados à porta da rua, e nos exauria os recursos em pesadas exigências financeiras para podermos utilizar o Restelo, Benfica e Sporting recebiam da mesma Câmara Municipal a propriedade plena dos seus estádios!...

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Não admira, pois, que esses clubes avançassem para os sucessos europeus, enquanto o Belenenses, que os havia acompanhado, e que inúmeras vezes fizera vergar alguns dos maiores clubes do mundo, ficasse a lutar pela sua sobrevivência, incapaz de contratar jogadores para colmatar os grandes que iam saindo: Matateu, Yaúca, Vicente, José Pereira. Não admira que esses clubes dessem um grande salto em frente, enquanto nós nos agarrávamos desesperadamente para não cair no abismo.

Mas a honra, essa, não a tínhamos perdido; a noção da grandeza do clube, essa, não se havia esfumado. No acto de assinatura do resgate, os nossos dirigentes, repete-se, não proferiram uma só palavra! Assim fazem os que estão de pé. E Acácio Rosa, na época, sintetizava tudo, nestas palavras em entrevista ao jornal «A Bola»:

Sim, o clube fez uma cessão de direitos à Câmara, mas não negociou a honra nem a dignidade”.

Assim, era, de facto. Hoje, sorri-se ao lado de um Secretário de Estado que na nossa própria Casa diz que podemos ser um entreposto – e, porventura, tal é mesmo considerado como um elogio!

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1996 – Morte de José Coelho da Fonseca

José Coelho da Fonseca nasceu em 15 de Outubro de 1905. Cedo despertou a sua veia belenense e em 1929, tinha o Belenenses 10 anos de existência, tornou-se sócio. Em 1938, com apenas 32 anos, foi eleito Presidente da Direcção para a época 1938/39, sem nunca antes ter tido qualquer cargo dirigente no Clube.

Desde essa altura ficou para sempre ligado ao Belenenses e ao dirigismo desportivo. Em 1943 foi eleito Presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em representação do Clube da Cruz de Cristo, numa altura, tal como hoje, em que a Presidência da AFL era dividida pelos três maiores Clubes da Associação.

Em 1947 voltou a ser eleito para cargos dirigentes no Belenenses, tendo sido sucessivamente Vice-Presidente da Assembleia-Geral nesse ano e no seguinte e, finalmente, em 1949, ocupado o cargo hierárquico Nº1 no Clube, sendo eleito Presidente da Assembleia-Geral.

É um dos grandes impulsionadores da construção do Estádio do Restelo em 1956, juntamente com o então Presidente da Direcção Major Pascoal Rodrigues, com o Major Baptista da Silva, entre outros, e também com a figura maior da construção do nosso Estádio, Capitão Soares da Cunha. Por todo o percurso efectuado até então, é-lhe atribuído o galardão de Sócio de Mérito nesse mesmo ano.

Em Setembro de 1958 torna-se Presidente da Comissão Central de Árbitros, dada a sua figura consensual de imparcialidade, justiça e honestidade entre todos os Clubes nacionais. Recorde-se que já nessa altura, como quase sempre no futebol Português, havia um clima de enorme suspeição na arbitragem, basta lembrar o caso Inocêncio Calabote que Coelho da Fonseca teve de resolver com mestria.

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Em 1962 é eleito Presidente do Conselho Fiscal para o triénio 1962/64, durante o qual presidiu à Comissão de Assuntos Administrativos e Económicos do Conselho Geral, órgão que sempre integrou dada a sua condição de ex-Presidente da Direcção em 1938.

Em 1967, durante um dos períodos mais conturbados estatutariamente da história do Belenenses, e numa altura em que a nossa situação era crítica, havendo pouca gente disponível para tomar as rédeas do Clube, respondeu presente, e integrou a Junta Directiva, ao lado de Acácio Rosa e de Gouveia da Veiga. E o Belenenses cresceu.

Em 1970 volta a ser Presidente do Conselho Fiscal, 32 anos depois de ter sido eleito Presidente da Direcção. Integrou o Grupo dos Mil desde a sua fundação, grupo criado no final dos anos setenta com a finalidade de cada um dos seus membros pagar uma quota extra, para lá da normal, de 1.000$00 por mês para ajudar o Clube.

Durante toda a sua vida nunca deixou de assistir aos jogos do Belenenses, até algumas vezes na Segunda Divisão, no seu lugar cativo, ao lado dos seus familiares e amigos de toda uma vida.

No início de 1996, já então com 90 anos, mas com uma lucidez e um espírito extraordinários, sofre o maior revés da sua vida, a morte da sua companheira de sempre, a eterna D. Adelina Coelho da Fonseca. Ainda viria a resistir e a continuar a frequentar o Estádio do Restelo quinzenalmente para ver os jogos do seu Clube de coração, mas a 28 de Junho de 1996, infelizmente, acabaria por não resistir a tão dolorosa perda.

José Coelho da Fonseca seria nove anos mais tarde reconhecido em toda a sua obra, empenho e dedicação ao Belenenses, com a atribuição póstuma em Assembleia Geral de 29 de Novembro de 2005, por unanimidade e aclamação, da Cruz de Cristo de Ouro – Dedicação e Valor, galardão maior do nosso Clube.

A José Coelho da Fonseca “apenas” lhe faltou ser Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, para fazer o pleno em cargos directivos relevantes no futebol Português.

Era o sócio nº 43 do Clube de Futebol "Os Belenenses" à data do seu falecimento.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1917 – Nasce Artur Quaresma (Campeão em 1946)

É uma das maiores referências vivas do clube, esperamos que por muitos e bons anos.

Vindo do respeitável Barreirense, clube da sua terra natal, Artur Quaresma chegou ao Belenenses em 1936. Logo nessa época, de 1936/37, foi Vice-Campeão Nacional. O Belenenses ficou apenas a um ponto do Benfica, com três pontos de vantagem sobre o Sporting e nove sobre o F.C. Porto (uma surpreendente derrota caseira contra a Académica impediu-nos do título). Esteve ainda nas meias-finais do Campeonato de Portugal.

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A época seguinte, de 1937/38, foi pior para o Belenenses, que se quedou num decepcionante quinto lugar no Campeonato Nacional, considerado vergonhoso pelos dirigentes e adeptos (hoje um quinto lugar...a contar do fim, constitui motivo de orgulho para alguns...), e um também desagradável terceiro lugar no Campeonato de Lisboa.

No entanto, Artur Quaresma estava em excelente condição e, assim, em 28 de Novembro de 1937, estreou-se na Selecção Nacional A, em jogo com a Espanha. Ele e os dois outros jogadores do Belenenses presentes (Mariano Amaro e José Simões) foram os únicos a recusarem-se a fazer a saudação fascista.

Na época de 1938/39, foi Vice-Campeão de Lisboa, com o Belenenses a ficar somente a um ponto do Sporting. No Campeonato Nacional, ficámos em quarto lugar.

Desde 1939/40 a 1942/43, o Belenenses (e, portanto, Artur Quaresma) obteve sempre o terceiro lugar no Campeonato Nacional. Como já referimos, fomos esbulhados do título em 1942/43, por arbitragens insólitas; mas também em 1939/40, fomos seriamente prejudicados, nomeadamente em jogos com o Sporting e o F.C. Porto, com os encontros a serem encurtados (quando perdíamos) ou suspensos (quando estávamos em situação vantajosa). Destas situações, e dos enérgicos protestos do nosso clube, dá conta Acácio Rosa na pág. 351 (aqui reproduzida) do seu livro sobre a História do Belenenses que compreende o período de 1919 a 1960.

Note-se, entretanto, que o Belenenses teve o melhor Ataque dos Campeonatos de 1940/41 e 1942/43; e Artur Quaresma integrava, justamente, a nossa linha atacante.

Curiosamente, nas mesmas épocas, o Belenenses foi também sempre terceiro no Campeonato de Lisboa.

Já na Taça de Portugal, as coisas foram diferentes: o Belenenses foi finalista em 1939/40, 1940/41 e 1941/42 (à quarta edição, o Belenenses era o clube com mais presenças na final). Perdemos as duas primeiras edições mas ganhámos a de 1941/42. Foi o primeiro grande título de Artur Quaresma. Note-se que ele não pôde estar presente na final do ano anterior (22 de Junho), o que não foi pequeno contratempo para a nossa equipa. De qualquer modo, colaborou no percurso para chegar a essa três finais consecutivas.

Em 1943/44, Artur Quaresma obteve o seu segundo grande título ao serviço do Belenenses: fomos Campeões de Lisboa, com o melhor Ataque e a melhor Defesa.

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A época de 1944/45 foi excelente para Artur Quaresma: obteve mais três internacionalizações, em jogos de Portugal com a Espanha (11 de Março de 1945, em Lisboa; empate 2-2; Serafim das Neves e Rafael Correia igualmente presentes), novamente com a Espanha (6 de Maio, na Corunha; derrota 4-2; Mariano Amaro, Feliciano e Rafael também presentes) e com a Suíça (21 de Maio, em Basileia; derrota 1-0; os mesmos quatro jogadores azuis presentes).

Por outro lado, brilhou a grande altura nos dois jogos que o Belenenses realizou com o Real Madrid: empate 2-2 em Espanha e vitória 1-0 nas Salésias (15 e 31 de Maio) .

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Mostrou-nos, um dia, quais relíquias, recortes de jornais espanhóis referentes ao primeiro desses jogos. Admirámo-los e admirámos essa nossa grande figura; e, porém, “porca miséria”, ninguém estava interessado no grande Artur Quaresma, nem parecia conhecê-lo, em plena época de euforia com o rolador Rodolfo Lima! Enfim, sintomas da decadência do Belenenses!... Nada já nos espanta, desde que, por exemplo, há dias a Ana Linheiro foi aqui insultada e os defensores dos “bons costumes” (?) – sempre tão incomodados se se diz alguma coisa de quem põe o clube na lama e nem dá explicações – não se incomodaram nada.

No Campeonato Nacional do mesmo ano (1944/45), ficámos em terceiro lugar, com os mesmos pontos do Sporting e a três do Benfica, tendo o Belenenses novamente sido afastado do título por factos anómalos, em especial uma vergonhosa arbitragem em jogo com o Sporting (24 de Junho).

E chegou a célebre época de 1945/46. O Belenenses, com Artur Quaresma, foi Campeão de Lisboa e Campeão Nacional. Quaresma foi, uma vez mais, determinante. No Campeonato de Lisboa, tivemos o melhor Ataque (e, de resto, também a melhor Defesa); no Campeonato Nacional, só à sua conta marcou 14 dos nossos 74 golos, tendo estado em grande evidência no jogo decisivo em Elvas.

Em 14 de Abril de 1946, obteve a sua quinta e última internacionalização. O Belenenses venceu a França por 2-1 e estiveram presentes cinco jogadores azuis: Serafim, Amaro, Feliciano, Rafael e Quaresma. Note-se que o número de internacionalizações de Artur Quaresma teria certamente sido muito superior se, por causa da Segunda Guerra Mundial, a Selecção Nacional não estivesse estado inactiva entre de Janeiro de 1942 e 11 de Março de 1945 e se, mesmo antes e depois disso, os jogos internacionais não fossem muito mais raros.

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Em 1947/48, Artur Quaresma esteve na inauguração do Estádio do Real Madrid e contribuiu para o terceiro lugar do Belenenses no Campeonato Nacional, que liderámos várias jornadas, mesmo já na segunda volta, e que acabámos a quatro pontos de Sporting e Benfica.

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Em 5 de Outubro de 1948, apenas com 31 anos, teve a sua festa de despedida, e ainda marcou um golo na nossa vitória por 4-1 sobre o Sporting.

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Mas a sua ligação com o futebol do Belenenses não terminou aí: ocupou-se na formação e no treino de jovens jogadores durante cerca de uma década e meia, com significativo sucesso.

Para além disso, Artur Quaresma esteve e estará sempre no Belenenses e o verdadeiro Belenenses estar-lhe-á sempre grato e pronto a tributar-lhe o seu imenso respeito...

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1952 – Rui Ramos faz 15,54 metros no triplo salto, segunda marca europeia e terceira mundial da época, record nacional durante 14 anos

Hoje em dia o Belenenses tem uma pista de atletismo muito bonita, que pode ser vista como motivo de orgulho, o Engº Cabral Ferreira que esteja descansado que não esquecemos que enquanto Vice-Presidente esteve ligado à sua implantação e reluzente inauguração, mas cabe perguntar: valeu a pena o investimento? Ou antes: valeu a pena o investimento se não temos um único praticante de Atletismo capaz de um feito notável? Valeu a pena, se atletas de outros clubes vão lá treinar?

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A verdade é que formámos ou ajudámos a formar campeões como Francis Obikwelu e Naide Gomes (ou, no Triatlo, Vanessa Fernandes) mas, depois, o mérito das medalhas é creditado aos clubes para onde os deixamos transferirem-se...

Longe, pois, vão os tempos em que a nossa Equipa Feminina sénior foi dez vezes Campeã Nacional (décadas de 40 e 50); longe vão os tempos em que Georgete Duarte arrebatava títulos nacionais atrás de títulos (46, um máximo imbatido, desde meados dos anos 40 até 1958); longe vão os tempos em que José Pinto foi a três Jogos Olímpicos (1984, 1988 e 1992); longe vão os tempos (fim da década de 40 e começo da de 50) em que Joaquim Branco chegou a ser recordista Nacional de oito provas (e ibérico de uma).

E longe vão os tempos (década de 50) em que Rui Ramos cobria de glória o Belenenses e era, provavelmente, a figura maior do atletismo nacional de então.

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Tendo obtido vários títulos, ao longo dos anos, no Salto em Comprimento e no Triplo Salto, Rui Ramos viveu em 1952 o seu ano de maior glória. Assim, nesta data, com a marca de 15,54 metros, ele pulverizava o Record Nacional do Triplo Salto por nada mais nada menos do que 78 cms!!! Esse registo constituía, nesse ano, o segundo melhor europeu e o terceiro melhor mundial. Em todos os tempos, até então, era a terceira melhor marca da Europa e a 18ª do Mundo.

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De tanta grandeza se revestiu o feito, que só 14 anos depois, em 1966, esse Record foi batido e somente por escassos sete centímetros. E foram precisos mais oito anos para outros dois centímetros serem acrescentados: nove centímetros em 22 anos!

Neste mesmo ano, Rui Ramos participou nos Jogos Olímpicos de Helsínquia. O resultado ficou aquém do esperado mas, mesmo assim, obteve um magnífico 10º lugar. Na altura, para o nível do Atletismo português, era uma excelente e festejada classificação.

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Dois anos depois, Rui Ramos participou nos Campeonatos Europeus, tendo chegado à final do Triplo Salto. Nesse mesmo ano, foi eleito o melhor atleta português pelo jornal “World Sports”.

Em 1956, aquando da inauguração do Estádio do Restelo, foi ele que transportou a gloriosa bandeira do Belenenses desde as Salésias, de onde foi solenemente arreada, até ao Restelo, onde com a mesma solenidade foi hasteada. Depois, no desfile dos 650 atletas azuis, lá ia ele, com Georgete Duarte, Augusto Silva, César de Matos e Joaquim de Almeida, a ladear o nosso porta-bandeira, nem mais nem menos do que Francisco José Pereira, um dos fundadores do clube, e irmão de Artur José...

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Com toda a justiça, Rui Ramos é sócio de mérito do Belenenses.

domingo, 25 de junho de 2006

BELENENSES SEMPRE: Futuro próximo

O presente, passado recente e futuro próximo do Belenenses é de lama. Mexer na lama, só faz enlamear.

Nem vale a pena estar a falar no meio da alienação alimentada por quem está contente a enterrar o Belenenses, sem mostrar remorsos nem se preocupar com coerências.

Prossegue só à rubrica "Neste Dia, em ...", até à data já previamente decidida.

Obrigado a todos os que amam o grande Belenenses e um abraço particular aos que não suportam tanta pequenez e detestam práticas pidescas.

Neste dia, em . . .

2005 – Belenenses conquista título de Campeão Nacional de Sevens (Râguebi), ao bater na final o CDUL por 31-19

Em 2004/05, o Belenenses classificou-se no terceiro lugar do Campeonato Nacional de Râguebi, em Seniores. Na Taça de Portugal chegou à final mas não conquistou o troféu que ficou nas mãos da equipa de Direito.
Não foi uma época brilhante, longe disso dados os pergaminhos da modalidade no Clube, mas foi uma classificação que se pode considerar honrosa.

Nos escalões de formação o cenário foi bem mais animador. Vitória de Iniciados e Juvenis nos respectivos Campeonatos Nacionais, o que bem atesta a vocação formadora desta modalidade no Belenenses.

Na variante de «Sevens», em Seniores, o campeonato foi disputado no sistema de concentração, com a presença do Belenenses e das equipas: CDUL, Direito, Cascais, Oeiras, Agronomia, Técnico, UTAD, Lousã e Santarém

Seria nesta competição que o Belenenses viria a conquistar o único título da época, no escalão, ao concluir uma caminhada 100% vitoriosa, iniciada na primeira fase contra as equipas do Cascais (por 24-19) e do Lousã (por 26 -7). Nas meias-finais venceria a equipa de Direito por esclarecedores 31-19. Refira-se que o Direito venceu nessa época a Supertaça a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional, pelo que neste jogo se deu uma pequena desforra contra uma equipa que procurava o pleno.

Na final o Belenenses, devido ao elevado número de jogadores ausentes, na sua maioria por lesão, actuou desfalcado dos seus mais conhecidos jogadores. Não seria isso impedimento para mais uma esclarecedora vitória, curiosamente pelo mesmo resultado que na meia-final, desta vez contra a equipa do CDUL.

Sagraram-se Campeões Nacionais os seguintes jogadores Belenenses:
Miguel Mata Pereira (o capitão), João Mirra, Sebastião Cunha, Salvador Cunha, Francisco Cunha, João David, Pedro Silva, Diogo Castro, Gonçalo Lucena, Pedro Jorge e Diogo Castro.

sábado, 24 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1900 – Nasce Octávio de Brito

Por Álvaro Antunes

Octávio de Brito, um Presidente à Belenenses!

Foi o meu presidente nos anos de 1945 e 1947. Advogado dos mais categorizados. Culto. Redigia admiravelmente. Formámos um “duo” unido com muita amizade e confiança. O Belenenses foi campeão nacional, o Belenenses atravessou um dos períodos mais brilhantes do seu historial.
(Acácio Rosa referindo-se a Octávio de Brito, em “Factos, Nomes e Números da História do Clube de Futebol “Os Belenenses” 1960-1984, 2ª Parte)

Filho de António José Luís de Brito e de Maria da Anunciação da Fonseca, Octávio da Fonseca e Brito nasceu no Paul (Covilhã) a 24 de Junho de 1900.
Já em Lisboa, estudou no Liceu Camões, onde se revelou estudante de altos recursos.
Cedo começou a acompanhar o Futebol, que se começava a afirmar como um desporto de cariz popular. O seu ídolo era o grande Artur José Pereira, que seria considerado “o melhor futebolista português de todos os tempos” por Cândido de Oliveira e por Ricardo Ornelas. Quando mestre Artur decidiu fundar um grande clube de futebol em Belém, o Clube de Futebol “Os Belenenses”, Octávio de Brito passou a acompanhar o novel clube, vindo posteriormente a tornar-se seu sócio.

Formado, primeiro, em Ciências Económicas e Financeiras, e depois em Direito, exerceu o professorado no Ensino Técnico, e foi distinto causídico no cível. Como contabilista, fez parte da Comissão das Obras das Águas de Lisboa, vindo depois a ser administrador da Companhia das Águas.

Em Janeiro de 1945, Octávio de Brito, sem que antes tenha exercido qualquer cargo directivo, assume a presidência do Clube. Acompanhou-o, como Vice-Presidente, o incansável Acácio Rosa, seu amigo e admirador.

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Seria durante esta sua gerência, numa Assembleia-Geral realizada a 7 de Março de 1945, que o dia 6 de Setembro passaria a ser considerado “Dia da Saudade Belenenses”, em memória de Artur José Pereira.

A 25 de Março de 1945, o Belenenses viu-se afastado da luta pelo título, a quatro jornadas do fim do campeonato, por uma das mais escandalosas arbitragens de que há memória! Foi numa partida disputada no Campo do Lumiar frente ao Sporting. O árbitro Domjngos Godinho anulou de forma incrível dois golos à nossa equipa e expulsou ainda o nosso jogador Artur Quaresma, depois deste ter sido violentamente agredido por um adversário. O Belenenses, apesar de ter marcado três golos, perderia por 2-1.

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O Clube protestou de forma veemente! No dia imediato ao sucedido, a Direcção presidida por Octávio de Brito emitiu o seguinte comunicado:

A Direcção do Clube de Futebol “Os Belenenses”, reunida em sessão extraordinária, tomou as seguintes deliberações;

1.º - Protestar o desafio realizado no passado domingo com o Sporting Club de Portugal;

2.º - Louvar o jogador Mariano Amaro, capitão da equipa, pela superior orientação e grande desportivismo, revelados no mesmo desafio;

3.º - Agradecer à Imprensa portuguesa a forma compreensiva e de carinhoso conforto que nas suas notícias teve para com os nossos jogadores;

4.º - Saudar em todos os associados o desportivismo do clube e afirmar-lhes o propósito de prosseguir sem desânimo no seu trabalho em prol do progresso moral e educativo do desporto.


No mesmo dia, foi enviado o seguinte protesto à Federação Portuguesa de Futebol:
Lisboa, 26 de Março de 1945

Ex.ma Comissão Administrativa da Federação Portuguesa de Futebol
LISBOA

Ex.mos Senhores:

O Club de Foot-Ball “Os Belenenses”, vem apresentar a V. Ex.as para ser apreciado por quem de direito o seu protesto sobre a validade do jôgo efectuado em 25 do corrente com o Sporting Club de Portugal, no Campo do Lumiar, pelas razões que passa a expor:

1.º - O árbitro Sr. Domingos Godinho por duas vezes, uma na primeira parte, outra na segunda, validou pontos marcados pela nossa equipe e tomou a sua decisão por forma pública e notória ordenando a colocação da bola no centro do terreno.
Porém, contráriamente ao que se dispõe na lei V, que ordena que a decisão árbitro em questões de facto relacionadas com o jôgo é irrevogável, o mesmo árbitro revogou a decisão que havia já tomado, e substituiu-a por outra contrária também às leis do jôgo por assinalar faltas inexistentes.

2.º - O árbitro foi influenciado na revogação das suas decisões directa ou indirectamente por indivíduos estranhos à competição, sendo de notar o facto de o maçagista do Sporting Club de Portugal, de nome Manuel Marques ter sido visto por forma ostensiva dirigir-se ao fiscal de linha Guido Gomes Rosa com quem conversou, e, depois disso, dirigiu-se aos jogadores do Sporting aconselhando-os a insistirem junto do árbitro no seu protesto visto que as suas afirmações seriam corroboradas por aquele fiscal de linha. De tal intervenção resultou em grande parte a revogação da decisão que validou o ponto por nós marcado na segunda parte. O mesmo árbitro havia declarado ao jogador Mariano Amaro:
“Nesse ponto não tenho duvidas, vi a jogada”.

É ainda de notar a parcialidade do árbitro assinalada no facto significativo de ter expulso o jogador belenense Artur da Silva Quaresma quando acabava de ser violentamente agredido por um jogador contrário sem que tomasse qualquer atitude para com o seu agressor apesar de pelo agredido, que sangrava de uma extensa lesão, lhe ter sido revelado o que anteriormente se passara. É de estranhar que para este caso o árbitro não tivesse ouvido os fiscais de linha.

Assim deve de concluir-se que foram anulados dois pontos ao Club de Foot-Ball “Os Belenenses” quando os mesmos tinham já sido validados pelo árbitro o que representa manifesta infracção das leis do jôgo e em especial da lei V.

Nos termos do parágrafo 4º do art. 67º ; do Regulamento Geral vem o Club de Foot-Ball “Os Belenenses” apresentar o seu protesto e consequentemente requerer a anulação do jôgo realizado em 25 do corrente entre o Sporting Club de Portugal e o Club de Foot-Ball “Os Belenenses”
”.

Ainda no dia a seguir ao jogo, seria enviado o seguinte ofício à Comissão Administrativa da Federação Portuguesa de Futebol:

Ex.mos Senhores:

Antes de V.Ex.as decidirem na apreciação do boletim do árbitro Snr. Domingos Coelho, que ontem dirigiu o encontro Belenenses-Sporting, entende a Direcção dêste Clube, por seu dever, apelar para V. Ex.as que se procure a verdade dos factos, absolutamente convicta, que as entidades que orientam o futebol português, saberão pôr cobro a situações desprestigiantes, como aquelas que o árbitro acima, acarretou para o desporto nacional.
Infelismente, não é a primeira vez que êste Clube se dirige a V. Ex.as, chamando a vossa atenção para a forma de agir do árbitro em questão.

Recordamos, que num encontro Belenenses-Sporting e precisamente sôbre o goal que se provou irregular e foi validado ao Sporting, que o nosso Clube protestou, motivou um castigo ao Sr. Godinho.
Ontem, o mesmo árbitro, depois duma série de decisões falhas de autoridade, de errados critérios, de anulação de decisões, depois de julgamento ostensivamente firmado, e também, em dois goals marcados pela nossa equipa, trocados por “off-side”, já quando a bola se encontrava na marca para a continuação do jogo e depois de considerados legítimos pelo árbitro, deu à partida descrédito, e perturbou o espírito dos jogadores lesados.

Podíamos apresentar a V. Ex.as as opiniões de Imprensa do Paiz, e por elas se verificaria, quanto de infeliz foi para êste Clube – a única vítima de todos os êrros – a actuação dêste árbitro.
No único desejo que as nossas palavras não sejam a opinião da parte lesada, tomamos a liberdade de transcrever, o que sobre a expulsão do nosso jogador Artur da Silva Quaresma, publica o jornal Diário Popular, de hoje:

“Ao árbitro cumpre, como todos deveriam saber, ter o máximo cuidado com as decisões que toma e, em especial, quando se trate de “goals”, que só pode dar a noção de os validar imediatamente ao lance se tiver a CERTEZA de que êles foram bem alcançados.
Mas ontem o Sr. Domingos Godinho, tergiversando, por duas vezes e exactamente nas mesmas condições, não seguiu essa prática e a verdade é que estragou o jôgo. Nós somos dos que não se esquecem, por sistema, de verberar maus procedimentos de jogadores, mas a verdade é que ontem, a excitação dos elementos do Belenenses só foi criada, directissimamente, por estas decisões do árbitro e por uma outra, a expulsão de Quaresma, logo ao começo da 2.ª parte, em que não foi justo. E não foi justo porque Quaresma tinha acabado de ser atingido com um pontapé intencional num joelho, que sangrava a olhos vistos, e porque aquele jogador faz menção de responder ao adversário, que o maguou, com um pontapé mas não o atingiu. Talvez se o árbitro tivesse consultado um juiz de linha, antes de dar a ordem de expulsão, pudesse ficar com mais consciência de como as coisas se passaram. Mas não o fez, e esse facto, depois de um “goal” anulado, nas circunstâncias que relatámos, contribuiu para um série de excitações que lhe cabia a todo o transe evitar. Evidente que o acto de Quaresma merecia sanção, mas por não ter tido efeitos, o castigo não poderia ser o máximo que se aplica a um jogador.”

Eis o que se passou e que todos verificaram à excepção do árbitro.
Para a injustiça cometida em campo, só resta apelarmos de V. Ex.as, cientes que um jogador internacional, que há pouco, desportivamente e perante a Espanha, nos deu o verdadeiro modêlo de correcção e abnegação, não pode ser uma vítima.
Para os restantes êrros, o nosso Clube apresentará a V. Ex.as o seu protesto de ordem técnica, tudo fruto da acção de um homem e dois auxiliares, que só compremeteram a Corporação dos Árbitros e o Desporto.
”.

Em Abril de 1945, sob o título “VENCER!”, Octávio de Brito abordaria o mesmo assunto no Boletim “Os Belenenses”:

A finalidade imediata de tôda a competição desportiva é a conquista da vitória sôbre o adversário.
Se porém detivermos a nossa atenção sôbre os verdadeiros fins do desporto, fácilmente concluímos que a vitória é o meio soberano atravéz do qual êles se realizam. A vitória é, por assim dizer, o padrão que nos dá a medida do progresso realizado pelo desportista.
E como para vencer é necessário aliar às qualidades atléticas, a ciência do jôgo e a vontade e o brio que animam e embelezam a luta, o progresso constatado, refere-se sempre ao que é físico e ao que é moral.
Pôsto assim o problema, torna-se evidente que o resultado da competição desportiva importa para o vencedor o justo prémio do seu esfôrço, a recompensa da sua aplicação, o reconhecimento do seu valôr, e faz-lhe nascer o desejo de manter, pelo menos no mesmo nível, o seu esforço. Para o vencido a derrota deve sêr um estímulo que o leve a aperfeiçoar sua forma , a trabalhar mais e melhor para o conseguimento da vitória.
Para ambos, afinal, a competição traduz-se em um factor de aperfeiçoamento, ou seja mais um meio do que um fim, pois é aquêle aperfeiçoamento do desportista a única e verdadeira finalidade do desporto..

Ora para que esta e única verdadeira finalidade se não adultere, necessário se torna que a atribuição da vitória seja feita com justiça e imparcialidade.
Dependendo o resultado oficial da luta desportiva da decisão de terceiros, que orientam a competição, julgam as faltas e a validade dos pontos obtidos pelos contendores, é indispensavel e fundamental que êsses indivíduos tenham idoneidade moral e capacidade técnica para o desempenho do cargo.
Na verdade da sua actuação resulta em grande parte, senão na maior parte, o êxito da missão do desporto.

Sem julgamento sério e verdadeiro não há possibilidade de atribuir a vitória com justiça. E quando o vencedor não é designado de harmonia com o julgamento rigoroso das leis do jôgo, a competição não só perde todo o seu interêsse, mas falseia-se ainda em absoluto a finalidade de que ela é o meio por excelência.
A primeira coisa que se perde, imediata e fatalmente, é o conseguimento da acção educativa do desporto.

Os sentimentos e reações que o errado julgamento produz no público desportivo, atreito a apaixonar-se e fácilmente impressionável, não são, de certo, os que mais se coadunam com a possibilidade da missão educativa do desporto.

Os adeptos do grupo lesado são levados, por natural reacção, a considerar da maior gravidade o êrro cometido e de grande importância a sua influência no resultado final. Pelo contrário os partidários do club favorecido têem a natural tendência de minimisar a vantagem voluntária ou involuntáriamente concedida aos seus favoritos.
Êstes dois afastamentos em sentido contrário cavam entre os dois partidos um abismo que pode, pela continuação, tornar-se difícil de preencher. E quando assim sucede perde-se por completo a serenidade necessária para apreciar com justeza a beleza da luta e, ainda mais, a paixão que ela inspira em logar de servir nobres estímulos vem, pelo contrário, perverter todos os sentimentos que a rodeiam.

Como se vê é da maior gravidade o problema e urge tomar medidas necessárias para o solucionar.
O que se passou na infeliz tarde de 25 de Março no campo do Lumiar, ilustra, melhor do que as palavras acima escritas, a verdade do que afirmamos.
Sem a correcção dos jogadores e sem a feliz actuação dos dois capitães dos grupos adversos, a incompreensível actuação do árbitro poderia ter provocado as mais desagradáveis consequências para o prestígio e grandeza do desporto.

Apesar de tudo alguma coisa de amargo ainda ficou e de que não é culpado nenhum dos vinte e dois homens que lutaram nessa tarde sombria de 25 de Março.
Os nossos homens não saíram conformados com a derrota, porque a julgaram imerecida; e os rapazes do Sporting – façâmos essa justiça ao seu brio e pundonor de desportistas que todos apreciamos – não ficaram com a vitória que teriam desejado, pois decerto a ambicionavam sem ser empanada por dúvidas ou incidentes da natureza dos que se passaram.

Mas não é só no futebol que o mal medra e ameaça comprometer a finalidade do desporto.
Muitas outras modalidades atraem hoje a actividade dos atletas e começam a prender o interêsse do público.
Nessas também é necessário resolver o problema, logo de início, formando e educando julgadores competentes e idóneos.

Trabalhemos pois todos com afinco para conseguir que o julgamento em desporto se aperfeiçôe por forma a impôr-se e prestigiar-se aos olhos dos jogadores e do público.
Com isso todos lucraremos, porque lucrará imenso o desporto.

Pela nossa parte podemos afirmar que os atletas do nosso Club têm como aspiração ardorosa aperfeiçoar-se e progredir por forma a vencerem com mérito e com justiça e, assim, pretendemos que as vitórias que por nós fôrem legitimamente conquistadas nos pertençam como justo prémio do nosso esfôrço. E só essas são por nós desejadas, porque as outras não as ambicionamos, nem as queremos, até pela simples razão de que as primeiras são as únicas que nos servem!


Foi nesta época, a 1 de Abril de 1945, na penúltima jornada do campeonato, que o Belenenses goleou a Académica por 15-2. Na última jornada, a 8 de Abril, venceríamos o Salgueiros por 14-1. Estes dois resultados, são ainda hoje, as duas maiores goleadas do Campeonato Nacional.

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O espírito empreendedor de Octávio de Brito e o prestígio que o Belenenses gozava na altura, levaram o Clube a estreitar relações com o Real Madrid. Assim, no dia 15 de Maio de 1945, a nossa equipa deslocou-se a Madrid para participar na Festa de Homenagem ao futebolista Chus Alonso. O resultado final foi um empate a duas bolas, e sobre o que então se passou, escreveria o próprio Octávio de Brito:
A saída do primeiro grupo do Belenenses para jogar em Madrid com uma das melhores, senão a melhor equipa de Espanha, representou um empreendimento que não classificaremos de audacioso, porque foi conscientemente ponderado e medidos todos os riscos que se corriam.
(...)
A segunda parte do desafio acreditou em Madrid o Belenenses como uma equipa de jogo excepcional e verdadeiramente cientifico. E bem merecido foi o conceito.
Raras vezes nos será dado ver uma tão perfeita harmonia entre todos os compartimentos da equipa e um brilhantismo de execução que foi inigualável.
O cavalheiresco público madrileno sublinhou o esforço e o valor dos nossos rapazes com aplausos frenéticos de indubitável sinceridade e que quase nos fizeram esquecer de que nos encontrávamos em país estranho, embora verdadeiramente amigo.

As apreciações que ouvimos depois do desafio a categorizados dirigentes espanhóis, e que eram despidas de todo e qualquer propósito de cumprimento, encheram-nos de orgulho pelo comportamento admirável desses rapazes, a maioria deles estreantes em desafios de responsabilidade jogados em casa alheia.
Por todos os títulos o baptismo foi auspicioso e abre aos Belenenses largas perspectivas de intercâmbio internacional, tão propícias para o aperfeiçoamento e melhoria do nosso futebol, que se acredita já como um dos melhores da Europa.

É claro que as nossas responsabilidades aumentaram enormemente e precisamos, da compreensão e do auxílio, de todos os Belenenses para as enfrentarmos com coragem e decisão iguais àquelas com que nos batemos em Chamartin no dia 15 passado.
”.
(em “Factos, Nomes e Números da História do Clube de Futebol “Os Belenenses” 1919-1960, Acácio Rosa)

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Dezasseis dias depois, a equipa do Real retribuiu a visita. Entrevistado pelo jornal “A Bola” de 31 de Maio de 1945 sobre o encontro a realizar nesse dia à tarde nas Salésias, o então presidente do Clube afirmava:
Contamos ganhar, se a nossa equipa fizer uma exibição igual à de Chamartin.
O jogo de Chamartin dividiu-se em duas partes, uma em que os espanhóis marcaram os “goals”, outra em que os portugueses foram nitidamente superiores. Nesta segunda parte, o público, de uma correcção inexcedível, não regateou aplausos sobre aplausos aos nossos jogadores. O futebol produzido pelo Belenenses agradou e foi brilhante.
”.

Os melhores da equipa lisboeta foram... ” pergunta o jornalista.

Responde Octávio de Brito: “Todos bons. Cada qual cumpriu o melhor que pôde. Feliciano, Quaresma e Rafael, principalmente o primeiro, actuaram muito bem.

Pode considerar-se feliz a exibição do Belenenses?” (pergunta do jornalista).

A nossa visita não podia ser mais auspiciosa. Tratava-se do jogo entre os sub-campeões do campeonato da Liga e do grupo que melhor futebol produz em Espanha, segundo a opinião dos técnicos. E o Belenenses em batalha cerrada, obteve resultado honroso.”.

Ainda sobre a estadia em Madrid, o Dr. Octávio de Brito prosseguiu:
O acolhimento foi o melhor que se podia esperar. Fomos recebidos cordialissimamente, e tudo leva a crer que esta saída do Belenenses ficou bem assinalada por laços de franca camaradagem.

Mais à frente o jornalista pergunta: “Tem, pois, grandes esperanças no resultado?
Octávio de Brito afirma: “As esperanças no resultado são muito aleatórias. Possuímos uma boa defesa, uma razoável linha média e bons avançados.
Precisamos jogar como em Madrid e é quanto basta. Isso não será muito difícil. O adversário é perigosíssimo mas muito leal. Usam do poder atlético sem incorrecções. O nosso público há-de incitar os jogadores, tanto mais se eles repetirem a proeza de Chamartin, trabalhando a bola com mestria, passando em condições e em profundidade


A pugna vai constituir um espectáculo memorável?” pergunta o jornalista a terminar.
Sim. Se tudo sair bem como nós desejamos.” concluiu Octávio de Brito.
O Belenenses venceria o Real Madrid por 1-0, com um golo de Rafael.

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No final do campeonato de 1944/45, ficámos em 3º lugar, o mesmo que ocupávamos quando Octávio de Brito tomou posse em Janeiro de 1945.

Em Outubro de 1945, com Octávio de Brito à frente dos destinos do Clube, o Belenenses sagra-se pela sexta vez Campeão de Lisboa, batendo os rivais do Sporting e do Benfica. O feito, conseguido a duas jornadas do fim da prova, era assim enaltecido na imprensa da época:

Raras vezes o título terá sido tão merecidamente adjudicado, e o Belenenses tem sobrados motivos para estar orgulhoso da sua proeza. Dêle pode dizer-se que tem vencido e convencido”. (jornal “A Bola”);

Os Belenenses, sem perigo de controvérsia, está em forma excelente, é no momento actual a melhor equipa de Lisboa. É um grupo igual de ponta a ponta. Um bloco, onde há homogeniedade, organização, alegria a jogar”. (“Mundo Desportivo”);

As suas exibições e a afinação da equipa já o tinham sagrado campeão de Lisboa de 1945-46 aos olhos de todos, adeptos e adversários. O decorrer das coisas fê-lo ficar com a palma da vitória a duas jornadas do fim”. (“Diário Popular”);

O Belenenses está no cume, joga primorosamente, praticando um jogo sem rival, no presente momento entre nós”. (“Diário de Lisboa”);

O Belenenses continua a ser o grupo n.º 1, em resultados e em jogo. Às vezes os teams ganham e não convencem. Não é o caso dos azuis. O Belenenses é o brilho de um grupo que sabe jogar e executar com arte”. (Revista “Stadium”).

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Durante o ano de 1945, o Clube bateu todos os records na obtenção de títulos. No Campeonato Nacional de Futebol de 1945/46, quando terminou o mandato de Octávio de Brito, a nossa equipa estava em 1º lugar.
Vencemos ainda o Campeonato de Lisboa de Futebol, nas categorias de Honra e de Reserva e fomos Vice-Campeões de Futebol, em Juniores, também no Campeonato de Lisboa.
Nesta sua gerência, cinco dos nossos futebolistas, representaram a Selecção Nacional: Mariano Amaro, Serafim das Neves, António Feliciano, Rafael Correia e Artur Quaresma. As contas do exercício deste mandato fecharam com um lucro de 237.981$37.

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Para termos uma ideia do lugar que o Belenenses ocupava no conceito do mundo futebolístico e desportivo de então, veja-se o que escrevia o jornal “A Bola”, a 24 de Dezembro de 1945, na introdução a uma entrevista, onde Octávio de Brito dava a conhecer a sua intenção de abandonar a direcção no final do mandato:
Tem interesse jornalístico, neste momento, ouvir os dirigentes sobre a sua acção no ano de 45. Alinhar números e resultados. Historiar, sumariamente, um ano de Trabalho. Que fizeram? Que deixaram de fazer? Que projectos há? Tudo isto tem interesse popular, tão grande é hoje a massa desportiva
(...)
Comecemos pel’ Os Belenenses. Campeão de Lisboa 1945/46. Justifica-se a primazia. Outros títulos podiam invocar-se... Belém foi o berço do nosso futebol. O Belenenses, tem sido alfobre de dinastia de grandes jogadores: Artur, Pepe, César, Augusto Silva, Amaro, Simões, Rafael, Quaresma, - um nunca acabar... E de dirigentes: Comandante Reis Gonçalves, dr. Virgílio Paula, coronel João Luís de Moura, comandantes Rodrigues Tomás e António Maria Ribeiro, dr. Constantino Fernandes, dr. Coelho da Fonseca, Salvador do Carmo, Armando Felipe, Mega, Buttuler e tantos outros.

O dr. Octávio de Brito, advogado de renome, inteligência vivíssima, cavalheiresco, autêntico espírito desportivo, é o último de uma série dedicadíssima de dirigentes que deram à ideia de Artur Pereira, de há um quarto de século, as perspectivas actuais de um grande clube!


Na entrevista, o então presidente do Clube afirmava:
Não sabemos ainda se o clube poderá ficar no campo actual, devido os estudos da urbanização da cidade. O ideal seria abandonarmos o campo actual, e instalarmo-nos definitivamente no verdadeiro campo das Salésias – onde nasceu o futebol...

Nos terrenos fronteiros ao campo, onde hoje é campo de manobras dos regimentos do bairro?” (pergunta o jornalista).

Exactamente. No campo das Salésias, o autêntico. A preferência não seria apenas tradicional... A área é vastíssima. O vasto quadrilátero, com acesso de quasi todos os lados, permitiria a instalação desafogada de um estádio local, onde podia fazer-se tudo – com carácter definitivo... Enquanto, porém, não for concluído o estudo do plano de urbanização, afectando aquela zona da cidade, a localização de quartéis, etc. – nada pode fazer-se. Na incerteza de ficarmos ou não no campo actual, há que aguardar... Se continuasse neste lugar...

Se continuasse?...” (interroga o jornalista).
Octávio de Brito esclarece: “Não posso continuar à frente do clube. Não tenho tempo disponível.

Agastamento? ” (pergunta o jornalista).
De modo algum. Ao contrário. Guardarei excelente recordação da minha passagem pela direcção do clube. Dos sócios, dos jogadores e dos dirigentes só tenho recebido gratíssimas provas de estima e de apreço. Mas, é impossível, nas condições actuais ser dirigente...

E desenvolve a sua ideia:
Os clubes, de um modo geral, têm uma estrutura que foi óptima há 25 anos... Nos tempos do amadorismo integral... Quando os clubes eram pequenas instituições da era do puro idealismo desportivo... Nessa altura os dirigentes podiam ser, simultaneamente, atletas e dirigentes, escriturários e contínuos... Hoje, não. O desporto evoluiu, e desenvolveu-se a um nível tal que não é possível, as horas vagas das nossas actividades profissionais chegarem para se exercer toda a acção reclamada pelos clubes. Há que dar nova estrutura. Ao lado dos dirigentes, tem de haver um corpo de funcionários, de funções quasi paralelas aos directores para se ocuparem da administração e da própria direcção das actividades do clube – sob a supervisão dos directores. Não poderá ser de outro modo.

Na fase actual, de duas uma: ou os dirigentes, descuram as suas actividades profissionais para acudir ás exigências do clube, ou não se preocupam com a sua função de dirigentes senão na medida em que dispõem de tempo livre e, nessas condições o clube anda um pouco ao desbarato...


O remédio?” (pergunta o jornalista).
Vou procurar encontrá-lo no novo Estatuto que vou oferecer ao clube! A experiência de um ano de trabalho no meu clube deu-me ideia exacta das deficiências da estrutura actual em muitos aspectos: administração, orientação técnica, regime dos jogadores, etc. Há que remediar tudo isso. Dar ao clube meios de caminhar progressivamente e aos dirigentes possibilidades de dirigirem efectivamente.

Não estamos, hoje – prossegue Octávio de Brito – como quando o clube começou... O amadorismo desapareceu. A situação é muito diferente... Enquanto não existe regulamentação própria, de carácter geral, há que disciplinar as relações “clube-jogadores”. E fazer isso com decência e com sinceridade. Ver as coisas como elas são na realidade. E a realidade é não existir amadorismo. Portanto, há que regulamentar os direitos e deveres dos jogadores e dos clubes. Não pode viver-se em regime de imprecisão e de injustiças... O critério não pode ser oscilante, de época para época, de director para director, porque isso gera perturbações de toda a ordem desde a disciplina interna ao rendimento do atleta...

A experiência – prossegue – deu-nos óptimo resultado. No início da época estabelecemos um “modus vivendi” com os jogadores, caracterizado pela certeza, estabilidade e honestidade da situação. Uma base certa mensal, um prémio por jogo e, mais, um prémio fixo, no final de cada prova, segundo a classificação obtida pela equipa. Estabelecido isto, de comum acordo, cessou todo o motivo de querela entre jogadores e clube.
Este caso dos jogadores, é um exemplo apenas. Mas há que regular e estabelecer em normas fixas todas as actividades: dos dirigentes, dos técnicos, dos jogadores, dos funcionários e não deixar tudo isso ao critério pessoal...

(...)

A entrevista prossegue com o balanço de um ano de trabalho. Octávio de Brito consulta números e afirma:
Sob todos os aspectos esta gerência foi excepcionalmente feliz.
- O clube não tem dívidas!;
- O número de associados subiu de 5 para 7 mil!;
- As receitas normais e extraordinárias cresceram muito;
- As despesas não aumentaram na proporção das receitas;
- A gerência deve findar com um saldo de 150 contos!;
- O futebol, sempre com uma despesa superior ao produto do rendimento dos jogos, deve este ano dar saldo positivo;
- Pela primeira vez o Belenenses figura como o clube com maior receita no Campeonato de Lisboa;

Dois factores pesaram – esclarece Octávio de Brito– na feliz situação financeira do clube:
- Um, o aumento da cotização dos sócios, que subiu este ano para 300 contos;
- Outro, a visita do Real Madrid, que produziu uma receita líquida de 150 contos.
Somando todas as verbas, a receita global deve ultrapassar um milheiro de contos – quasi 3 contos por dia de rendimento!

Desportivamente o ano foi felicíssimo. No futebol, houve dois factores culminantes: a brilhante visita do Belenenses a Madrid e a conquista do título de campeões de Lisboa.
Nos outros desportos:
- Pingue-pongue: Campeão de Lisboa, I Divisão em 1ª, 2ª, 3ª e 4ª categorias;
- Râguebi: Campeão de Lisboa;
- Basquetebol: Campeão Nacional, Campeão de Lisboa nas categorias de honra e juniores; vencedor da Taça de Honra, Campeão de Lisboa em reservas, 2ª categoria, Juniores;
- Atletismo: em 60 metros, estreantes, 5x80 e 80 metros e em comprimento, principiantes;
- Natação: Ana Linheiro bateu três records nacionais;
- E actividade em Andebol, Hóquei e Voleibol.
Ao todo um pequeno exército de 600 atletas em actividade.


Na fase final da entrevista, o jornalista pergunta:
E há corrente de oposição no clube?
Depois de sorrir, Octávio de Brito declara:
E depois... É possível. Não claramente estruturadas. Mas é possível...
Não é possível, em cada clube reunir, para todas as decisões, unanimidade... E não há prejuízo em que assim seja. Ao contrário. É um estimulante... Mas, confesso, não tiveram grande vulto. Que eu saiba, ao menos...


Nomes?...” Interroga o jornalista.
Não sei bem. Dizem-me haver um grupo: Salvador do Carmo, Eugénio Moita, Jaime Guedes; outro, Buttuller, Mega, etc. Mas isso creio vem de longe. Quando me convidaram, disseram ser até para neutralizar essas duas correntes que às vezes se têm entrechocado... Mas, durante a minha gerência, creio que reinou calma... A Assembleia-Geral o dirá. ”.

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No final da época desportiva, já em 1946 sob a gerência do Dr. Constantino Fernandes, o Belenenses venceria o Campeonato Nacional. Uma vitória preparada e iniciada por Octávio de Brito...

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Em 1947, mais uma vez acompanhado por Acácio Rosa na Vice-Presidência, regressa à liderança do Clube.
Em sua homenagem, o sócio V. Claro fez os seguintes versos:

DR. OCTÁVIO DE BRITO

É caso p’ra se dizer
que voltou em boa altura
ao lugar de antigamente...
Foi presidente... a valer!
E o “calix da amargura”
vai bebê-lo... docemente!!!

Belém! Belém! Mais Belém!
Sempre (e sempre!) belenense:
e presidente – também...
Se o dr. a turba vence
ele lá sabe! E sabe-o bem!

Vai haver orientação
verdadeiramente nova?!
É uma compensação...
Mas os segredos... de alcova
ficarão na tradição!

Belenenses vai subir,
cada vez, para mais alto?!...
O dr. é capaz de ir
ao cimo do planalto
– pois tem “mão”... no conduzir!

Um mestre, enfim, que ressurge,
com saber e autoridade...
... como quase ninguém tem!
Algo de novo surge
p’ra luz e claridade
no horizonte de Belém!!!


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Em Junho de 1946, a Câmara Municipal de Lisboa havia informado o Clube, de que este teria de abandonar as Salésias dentro de seis anos. Depois de tomar posse para aquele que seria o seu segundo mandato, Octávio de Brito, consciente da gravidade de tal decisão para o futuro do Clube, escrevia no Boletim “Os Belenenses” de Fevereiro de 1947, sob o título “Uma Bandeira”:
Não conhecemos sacrifício mais grato do que o consentido em prol de uma bandeira.
Seguir a bandeira que elegemos, alheios a interesses mesquinhos, por simples e pura devoção, consubstancia ideal gerador de muitas alegrias e satisfações de alma, mas implica também a necessidade dos sacrifícios necessários para manter bem alto e orgulhosamente desfraldado o nosso guião.

Só podemos avaliar o grau do nosso ideal pala medida em que somos capazes de por ele nos sacrificarmos; e esta medida, por sua vez, depende da fé que ele nos inspira.

(...)
O C. F. B. encontra-se num momento grave da sua vida.
Não constitui segredo, por já públicamente revelado que o seu campo atlético, aliás já hoje insuficiente para as necessidades acima apontadas, vai ser imolado às exigências do plano de urbanização da Capital do Império.
A fisionomia de Belém, a sua população, a própria cidade de Lisboa, enfim, só têm a lucrar com a execução dos melhoramentos projectados
[N.R.: ainda hoje, estamos à espera da sua execução...]. Mas para que eles não conduzam a uma amputação irremediável é necessário que o Belenenses encontre a possibilidade de reconstruir o seu campo em sítio definitivo, permitindo-lhe assim continuar a sua utilíssima vida, cujos limites de progresso e de expansão estão muito longe de ser atingidos”. [N.R.: hoje, estão muito mais longe do que estavam em 1947...].
(...)
Se não nos faltar o apoio com que, legitimamente, devemos contar, realizaremos a grande ambição de todos os belenenses e o novo campo atlético, embora sem luxo, ficará dotado com os elementos indispensáveis para preencher as altas finalidades de cultura e de educação desportiva por cuja perfeita realização todos anseamos.
Estádio moderno, num bairro que se moderniza e encerra, ao mesmo tempo, as recordações mais gloriosas da época de ouro das descobertas.
Bandeira onde sangra a mesma Cruz de Cristo que palpitou no pano das caravelas que abriram ao mundo o caminho de mares ignotos; tal é no seu simbolismo a gloriosa bandeira dos Belenenses.
A NOSSA BANDEIRA!


Na época de 1946/47, em juniores, conquistámos os títulos de Campeão de Lisboa e de Portugal em Futebol.

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A nossa equipa sénior de futebol, depois de um início comprometedor – quando Octávio de Brito tomou posse, estávamos na oitava posição – terminaria o campeonato de 1946/47 em quarto lugar.

Fazendo um balanço da época, Octávio de Brito escreveu no Boletim mensal “Os Belenenses” em Junho de 1947:
Terminou a época oficial de futebol de 1946-47 no meio de um geral desinteresse e sem ter deixado saudades.
(...)
Os Clubes que, como o Belenenses, concorreram com avultado número de jogadores para o grupo nacional viram, com frequência, interrompidos os seus horários e perturbados os trabalhos e treinos de conjunto, indispensáveis para a boa preparação das equipas.
Este aspecto da questão não pode deixar de ser ponderado nos programas a estabelecer para o futuro.

(...)
Os resultados financeiros, dentro de um tal quadro, foram, como não podia deixar de ser, simplesmente desastrosos.
Sucederam-se em grande número, os encontros que deram déficit de bilheteira, agravado ainda para o Club pelos seus encargos próprios e fixos.
Os desafios que poderiam cobrir os maus resultados dos restantes, tiveram receitas muito inferiores ao que era lícito prevêr, em vista dos apuros feitos em outros anos.

(...)
A este panorama de ordem geral ainda há a acrescentar, para o C. F. B., certos aspectos particulares que justamente desgostaram os seus adeptos e tornaram mais angustioso o calvário que, neste período, tiveram de percorrer os seus dirigentes.
A ineficácia dos dianteiros da nossa equipa de honra não pode explicar-se sómente por um abaixamento de forma.
Se fôsse esta a causa única prontamente se teria remediado o mal, investigando as suas determinantes e tomando-se depois as medidas necessárias para o debelar. A sua origem infelizmente, deve filiar-se em aspectos de natureza muito mais grave. Na maioria dos casos a condição física dos jogadores era o que menos contribuía para a inferioridade da exibição. A quebra de vontade e um desapêgo e desinterêsse pela luta, que bulia com os nervos dos espectadores mais calmos, foram os factores principais das muitas derrotas que sofremos.
A defesa, apesar do espírito de luta que sempre demonstrou, foi impotente para suportar a enorme sobrecarga de trabalho que o mau rendimento da linha avançada lhe acarretava.
Com os elementos que havia, e eram os únicos que poderiam ser utilizados durante a época, tentou-se o que era possível para ver se poderia atenuar-se o mal.
Uma ou outra vez a linha avançada, apesar de integrada por elementos menos categorizados, mostrou aquilo que era capaz de fazer quando tinha vontade de jogar. Esta circunstância, bem demonstrativa de que os avançados tinham recursos para produzir bom jogo, tornavam ainda mais desesperante as más exibições que se seguiam. Apesar de tudo conseguiu-se que a classificação subisse de 8.º para o 3.º ex aequo com o Porto e o Estoril.
Este estado de coisas não pode persistir e estão já tomadas ou em preparação as medidas destinadas a modificá-lo radicalmente.

Depois de ouvidos os orgãos técnicos do Club, serão feitos os horários da ginástica, dos treinos de conjunto e das sessões de preparação individual e de inspecção médica.
Paralelamente serão completados os regulamentos necessários para definir com clareza os direitos e obrigações dos jogadores e para estipular as sanções indispensáveis ao rigoroso cumprimento dos horários e dos deveres que a cada um competem.

A renovação de alguns elementos permitirá ao novo treinador, Alexandre Scopeli, dispôr do número de atletas necessário para formar grupos disciplinados, eficientes e com a duração precisa para podermos mais tarde continuar a renovação atravez dum processo normal que terá a sua origem na escola de jogadores e será continuado pelas equipas de juniores, equipas em preparação (2.as e reservas) e finalmente a consagração máxima do atleta: o seu ingresso na equipa de honra.
A selecção natural que se irá dando nos vários graus de preparação será garantia suficiente de que os jogadores chegados à categoria de honra tem as indispensáveis qualidades para o desempenho do lugar.
E confiêmos que o pesadêlo deste ano não volte a afligir-nos.
A nossa firme esperança é a de que esta final de época foi também a final dum pesadêlo.


Em Julho de 1947, a Direcção liderada por Octávio de Brito promoveu um jantar de homenagem a Augusto Silva, que pedira a demissão do cargo de treinador. No “Francfort do Rossio” juntaram-se os directores e jogadores do Clube e os jornalistas desportivos que compareceram em massa. O então presidente do Belenenses elogiou o homenageado, afirmando o grande conceito em que o Clube tinha Augusto Silva, “uma das suas grandes figuras de todos os tempos”.

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Depois de uma época considerada como um pesadelo, ainda em Julho, no Boletim “Os Belenenses”, Octávio de Brito assinava um artigo onde falava do programa que a Direcção preparara para fazer face ao que havia ocorrido:

Com o início da nova época vai também começar no nosso clube a execução de um programa que a direcção tem vindo a estudar preparando, ao mesmo tempo, os elementos essenciais para lhe dar realização.
(...)
É sabido que uma direcção, quando toma as rédeas do poder, em pleno decurso do campeonato nacional, pouco mais pode fazer, até ao defeso, do que preparar os elementos da sua acção futura. No resto tem de limitar-se a medidas de emergência, procurando remediar os males que porventura haja encontrado dentro das oportunidades que se lhe apresentem.

A ciência de que isto sucede assim, colhida na dura experiência de uma direcção transacta, levou-nos, mal havíamos assinado o termo de posse, a pensar principal e fundamentalmente no futuro do clube, sem descurar evidentemente a aplicação dos remédios com que, na medida do possível, se ia procurando acudir aos males mais instantes.

Á experiência do passado juntaram-se as duras realidades da época finda, tudo se conjugando para que sentíssemos plenamente o peso das responsabilidades que havíamos assumido.
De há muito que o contacto mais directo com os problemas internos do futebol, confirmando muitas coisas que pensávamos e revelando-nos factos que ignorávamos e nem sequer havíamos suspeitado, nos tinha dado a firme convicção de que era necessário, em um clube com as pesadas responsabilidades desportivas de “Os Belenenses”, enveredar por novos caminhos, perfeitamente definidos, deixando de se viver ao sabor das oportunidades de momento ou da esperança em milagre salvador que nos livrasse de dificuldades.

Nem o ideal desportivo dos Belenenses, tal como nos habituámos a compreendê-lo e a querer-lhe, se poderia compadecer com um tal estado de coisas.
Tornava-se, na verdade, estranho que num clube como o Belenenses, que vai buscar ao futebol os factores de maior prestígio e expansão, não houvesse uma aprendizagem organizada deste desporto e antes se tomassem as inscrições ocasionais de rapazes que já haviam ultrapassado a idade em que se deve começar a aprender, ou as revelações – tantas vezes ilusórias – de habilidades serôdias, como fontes de recrutamento dos jogadores de futebol.

(...)
Não pudemos contudo descurar o presente. Novos atletas vindos de outros clubes envergarão a camisola azul. Veem todos êles de vontade e para servirem com dedicação. Serão por isso bem vindos. Ser-nos-ia com certeza muito mais grato que todos êles fossem de formação puramente belenense, mas as circunstâncias, que de todos os sócios são conhecidas, levou-nos a aceitar gostosamente o concurso de atletas que, todos êles, repetimo-lo ingressam no Belenenses com sincera simpatia pelas suas cores e pelo seu ideal.

Este concurso não contraria a orientação que preconisamos. Pelo contrário a sua necessidade revelou-nos a gravidade do mal e a urgência em o remediar.
Criámos por isso, como já foi dito a escola de jogadores.

(...)
É evidente que a escola não resolverá todos os problemas das equipas de futebol. Há-de solucionar porém a sua maior parte; pelo menos para transformar o problema das transferências de uma regra em uma excepção. E isto é fundamental.
A transferência tornada a regra comum de recrutamento das equipas dos clubes de maior poder financeiro, não é certamente a mesma coisa do que a transferência que pode resultar amanhã dos casos excepcionais em que ela será possível e necessária.
Julgamos que o Belenenses tem neste momento os recursos necessários para constituir equipas que honrem o nome do clube e nos permitam aspirar a obter, com merecimento, as vitórias porque ansiamos.
Estabelecidos como vão ser, em bases leais e justas os regulamentos internos necessários à boa disciplina e valorização do nosso património desportivo julgamos também estar em condições de podermos esperar confiadamente a recolha dos frutos do que agora vamos semear.

(...)
É necessário, em nosso entender, que no Clube de Futebol Os Belenenses se crie a consciência da necessidade dum programa a realizar independentemente dos homens que ocupem os cargos directivos.
Compete à massa associativa dizer se trilhamos o bom caminho.
À Direcção uma única coisa interessa: Servir o C. F. B.


A revista “Stadium” de 1 de Outubro de 1947, para assinalar o vigésimo oitavo Aniversário do Clube, convidou Octávio de Brito a escrever um artigo sobre a ocasião. Antecedendo-o podia ler-se:
O Belenenses perfaz 28 anos e está em festa! O clube, engrandecido pela dedicação dos seus dirigentes e associados e pelo valor dos seus atletas, mantém uma vida pujante que se traduz na ideia de, época a época, fazer mais e melhor.
O sr. dr. Octávio de Brito, seu actual presidente, figura respeitada por toda a gente do desporto incluindo os adversários, a nosso pedido, escreveu o artigo – de fé belenense! – que publicamos com o mais vivo prazer, associando-nos às Festas do grande Clube lisboeta, e destacando ao mesmo tempo as suas mais recentes realizações: o ginásio, e a escola de jogadores.


Do que Octávio de Brito escreveu, destacamos dois excertos:
O crescente aumento do favor que as pugnas desportivas disfructam entre as multidões dão-nos a certeza de que alguma coisa existe que acorrenta o público aos locais onde se exibem os atletas e provoca a sua admiração e entusiasmo. E parece não oferecer dúvidas de que este entusiasmo é despertado pela superioridade revelada na execução dos lances e dos exercícios necessários para levar a melhor aos adversários com o fim de ganhar a competição
(...)
Colocados num dos extremos da cidade, numa zona que se encontra em franco progresso e cuja população, das mais diversas condições sociais, cresce dia a dia, os Belenenses têm hoje como máxima aspiração construir o “Estádio de Belém” que deverá ser o segundo lar de todos os seus associados, desde o mais humilde ao de maior categoria social, pois o mesmo ideal a todos os irmanará no desejo comum de tornar a vida mais bela através das satisfações, ao mesmo tempo simples e profundas, que se encontram na prática dos desportos.”.


A Escola de Futebol dirigida por Artur Quaresma, iniciou a sua actividade em 19 de Novembro de 1947. Octávio de Brito presidiu à sessão de abertura, e a revista “Stadium” de 26 de Novembro publicaria uma reportagem sobre a referida sessão, onde estava patente a atenção que então era dada ao futebol mais jovem do nosso Clube:

O curso de aprendizagem do futebol, a iniciativa do Belenenses que já criou raízes, começou a funcionar “de pleno”. O Curso, a cargo de Quaresma, tem uma certa autonomia, mas a Direcção do clube segue com o maior dos interesses tudo quanto se refere à sua iniciativa, que deseja ver mais aperfeiçoada, de forma a preencher completamente o fim em vista.

Os dirigentes de Belém trabalham em profundidade! Eles bem sabem as canseiras a que são obrigados pela falta de jogadores, e a dificuldade em substituir qualquer dos titulares... Assim, o desejo de “fazer escola” corresponde a uma necessidade premente.
Ao lado do ensino do treinador, o Belenenses resolveu portanto levar a cabo uma série de palestras educativas, completando a educação dos alunos: lições de fé belenense, criando e desenvolvendo o amor pelo clube; e páginas de ordem científica.

A inauguração do Curso realizou-se na semana passada. No Ginásio do Belenenses – um aproveitamento útil e uma bela obra! – compareceram não só os jogadores, como pessoas de suas famílias, jogadores de todas as categorias do clube, o antigo internacional e competente treinador Augusto Silva, e todos os elementos da Direcção, com o seu presidente e vice-presidente, sr. dr. Octávio de Brito e Acácio Rosa. Também estiveram presentes, tomando lugar na mesa de honra os nossos prezados camaradas e brilhantes jornalistas, Raul de Oliveira e Neves Reis, e também o sr. dr. Borges de Pinho.

O presidente do Belenenses, abrindo a sessão, referiu-se nos mais elogiosos termos às duas pessoas convidadas para a inauguração, salientando a sua contribuição ao jogo e à própria Organização.”

Tavares da Silva
[N.R.: conceituado jornalista e várias vezes Seleccionador Nacional], focou principalmente os seguintes pontos:
- Há pessoas com mais habilidade e vocação do que outras, mas só uma intensa aprendizagem fará um grande jogador de futebol.
- O futebol é um jogo de equipa, e todo o que quiser vir a ser jogador tem de mostrar-se solidário, desinteressado, completamente não-egoísta.
- O futebol exige do jogador determinadas qualidades físicas (destreza, velocidade, resistência) e morais (domínio de si próprio, sangue-frio, generosidade).
- Um princípio básico é o do jogador saber, em todos os problemas em campo, como resolvê-los.
- Essa perfeição consegue-se por meio de treino individual e estudo e análise do jogo de conjunto.
- Regime de vida do jogador para ele poder treinar com proveito.
- Operações do treino; o jogador de futebol deve ser um corredor de velocidade e um bom saltador.
- Do treino individual para o jogo de equipa.
- Conjunto de meios relativos à Técnica do Jogo.
- A arte de dispor e movimentar os jogadores em campo (Táctica)
- As duas formas puras de ataque: passe largo e passe curto. Qual o melhor ataque?
- Características do jogo de defesa e sua organização.
- Exageros a respeito de “tácticas”; Evolução do futebol com a alteração da Regra do “Offside”.
- Herbert Chapman, o criador do método W.M., e a propósito suas derivantes.
”.
(...)
Por sua parte, o sr. dr. Coelho da Fonseca fez uma verdadeira oração de fé belenense, com carinho, simpatia, numa fala mesmo impregnada de saudade. As grandes figuras do Belenenses, e Pepe mais em pormenor, perpassaram pela retina dos espectadores animadas pela palavra belenense do sr. dr. Coelho da Fonseca.

O Curso de Aprendizagem é hoje uma realidade! Os resultados positivos só se verão mais tarde. Mas sabemos que o Belenenses tem entre mãos outras iniciativas muito interessantes ligadas ao seu magnífico curso.


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Em Dezembro de 1947, mais uma vez sob a égide de Octávio de Brito, deslocámo-nos novamente a Madrid, para no dia 14 defrontarmos o Real na inauguração do Novo Estádio de Chamartin - obra do arquitecto Pepe Castell – que a partir de 1955 se passou a chamar Estádio Santiago Bernabéu. A este propósito, Tavares da Silva escreveu na revista “Stadium” de 17 de Dezembro, com os títulos “A melhor equipa em Chamartin não venceu! Causas? – Falta de remate, a lei da Sorte, a arbitragem de Escartin, e o estado da relva! Amaro e Quaresma, os dois gigantes dominando os pigmeus...”:

Todos os directores, mas principalmente o sr. dr. Octávio de Brito, num aprumo e num trato inexcedíveis de correcção, diplomacia e desportivismo, colocaram o Belenenses num plano muito alto. Falando na Emissora de Espanha, no banquete oficial ou assistindo à missa de benção do Novo Estádio de Chamartin, o presidente do Belenenses foi um dirigente à altura do momento. Acácio Rosa e os seus colegas acompanharam-no bem.

Perdemos por 3-1, mas a nossa exibição foi elogiada tanto pela imprensa portuguesa como pela espanhola:
Magnífica exibição” (Cândido de Oliveira, em “A Bola”);
O Beleneses nunca foi dominado” (Tavares da SiIva, no “Diário de Lisboa”);
Se jugó un buen futbol por los dos equipos” (Eduardo Teus, no jornal “Marca”);
Grata Impresión” (jornal “Pueblo”);
Hay que felicitar” (jornal “Arriba”).

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Em Fevereiro de 1948, no Boletim mensal “Os Belenenses”, a Direcção que acabava de tomar posse, novamente presidida por Octávio de Brito, dava conta dos seus propósitos num artigo intitulado “Palavras Claras” que ocupava toda a primeira página, e de que a seguir reproduzimos parte:
Não estamos aqui para satisfazer ambições inconfessáveis, vaidades balofas ou caprichos de momento.
Viemos para servir e queremos servir com fidelidade o nosso ideal.
E é por isso que aceitaremos de braços abertos toda a cooperação que seja norteada pelo mesmo desejo ardente de contribuir para os progressos do nosso querido clube teremos de repelir tudo o que procura afastar-nos do alvo que buscamos.

Nenhuns sentimentos de ordem pessoal terão influência nas nossas decisões, pudessem ser eles de amizade ou malquerença.
É vasta a tarefa que nos foi confiada e não podemos desperdiçar as vontades e os esforços que são necessários para a concluir com êxito.
Dirigimo-nos por isso, a todos os belenenses de boa vontade para, de olhos fitos na nossa bandeira, nos acompanharem no desejo de cada vez mais alto a vermos pairar.


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Na Assembleia-Geral Ordinária, para discussão do Relatório e Contas, o Dr. Octávio de Brito, Presidente da Direcção, faria uma importante comunicação aos sócios sobre a construção do novo Estádio:
Dou-vos a grata notícia de que S. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas (Eng.º Frederico Ulrich), se dignou receber-me, afirmando todo o seu interesse pela nossa iniciativa. Foi-me permitido anunciar-vos que o Governo dará ao Belenenses um auxílio em absoluto pé de igualdade com o que for prestado a outros Clubes e ainda, o que é mais importante, que podíamos prosseguir nas negociações com a Câmara Municipal de Lisboa, a fim de se demarcar definitivamente onde há-de erguer-se o futuro “Estádio de Belém”!

Meus Senhores, peço-vos que me acompanheis nos sinceros agradecimentos que dirijo ao Governo e a S. Ex.ª o Ministro das Obras Públicas
”. Seguiram-se vibrantes aclamações da Assembleia.

A promessa de Frederico Ulrich a Octávio de Brito seria cumprida, e o relatório da Gerência de 1948 diria o seguinte sobre o “Novo Campo”:
No decurso do ano e depois de várias diligências feitas na C. M. L., onde tivemos sempre acolhimento generoso e amigo por parte do ilustre Presidente Ex.mo Sr. Coronel Salvação Barreto e Chefe dos Serviços Técnicos, Ex.mo Sr. Eng.º Vasconcelos e Sá, foi por estes serviços indicado, em princípio, como local, aconselhável, o que se situa junto à Rua dos Jerónimos, nos terrenos conhecidos pela antiga cerca da Casa Pia.
Portanto, finalmente, foi localizado o “Estádio do Clube”, graças aos esforços incessantes do Presidente da Direcção, Dr. Octávio de Brito.


A 28 de Maio realizou-se uma Festa de Homenagem a Rafael Correia, “internacional” e grande dedicação clubista, que se despedia do futebol aos 33 anos. Octávio de Brito, “em palavras de grande eloquência e fervor clubista, fez a apologia da ideia desportiva e o elogio do homenageado, enquanto Rafael, ladeado por Francisco Ferreira e Bernardo Soares, depunha flores no monumento a Pepe.
(em “Factos, Nomes e Números da História do Clube de Futebol “Os Belenenses” 1919-1960, Acácio Rosa).

Nessa época, a 7 de Julho de 1948, o Belenenses chegou à Final da Taça de Portugal, que perderia por 3-1 frente ao Sporting. No campeonato ficáramos em 3º lugar.

Em 5 de Outubro, teve lugar a Festa de Homenagem a Artur Quaresma que, por vontade própria, abandonava com apenas 31 anos, continuando no entanto a exercer as funções de treinador.

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Ainda em 1948, a Direcção lançaria uma campanha para se chegar aos 12.000 sócios, sob o lema “Já sômos 9.000... queremos ser 12.000”.

Na comemoração do nosso vigésimo nono Aniversário, num discurso considerado por Acácio Rosa como um “Verdadeiro hino de Fé nos Destinos do Clube!”, Octávio de Brito afirmava:
No desempenho do árduo e honroso encargo que há dois anos pesa sobre os meus ombros, nunca me preocuparam os êxitos fáceis, mas momentâneos, e por isso mesmo destinados a passageiro eco, sem repercussão na vida futura do Clube.
As Direcções passam e o Clube fica. E só a vida deste interessa pois é também só ele que representa para todos nós a razão e o fim do que lhe sacrificamos em tempo e em trabalho.
Fez-se este ano uma renovação profunda nos quadros dos grupos representativos do nosso futebol.
Para dar uma ideia da sua extensão basta dizer que do grupo que há três anos ganhou o Nacional, e entre os efectivos e suplentes eram dezassete jogadores, apenas quatro se encontram em actividade no Belenenses.

Podemos afirmar com orgulho que nenhum outro Clube português poderia ter realizado tão extensa transformação. E nós pudemos efectuá-la porque tínhamos trabalhado com empenho, desde há quatro anos, na preparação de novos jogadores; Figueiredo, David de Matos, Pinto de Almeida, Fernando Matos, Rocha, Portas, Henriques da Silva, vieram todos dos juniores, formados e treinados no campo das Salésias por Augusto Silva e por Rodolfo Faroleiro.
Fomos este ano mais longe criando a “Escola de Jogadores”.

Se tivemos ou não razão na medida adoptada di-lo o franco acolhimento que teve a iniciativa do nosso Clube com o Torneio das Escolas e a resolução de tantos outros Clubes que adoptaram a nossa ideia criando as suas Escolas e entrando assim no bom caminho.

É necessário dar continuidade e realização profunda em trabalhos iniciados pois não pode nem deve perder-se o trabalho já realizado. Ele não é de A ou B, é de nós todos belenenses porque está na nossa vontade colectiva determinar que prossiga na rota que nos há-de preparar para maiores cometimentos.


BRILHANTE, brilhante, brilhante”, assim começava a revista “Stadium”, a sua reportagem à Festa de Homenagem a Mariano Amaro, realizada a 26 de Dezembro de 1948.

Na mesma reportagem publicada a 29 de Dezembro podia ler-se:
À volta do popular jogador, capitão dezenas de vezes do seu “team” de clube, jogador inesquecível na equipa dos Belenenses e na selecção nacional, reuniram-se valiosas e comovedoras colaborações.

E mais à frente:
Vimos... Vimos uma festa linda. Uma festa à altura daquilo que Mariano Amaro merecia. Pelas suas qualidades de desportista e de jogador. Pelo infortúnio que o atingiu.
(...)
Repetimos: festa linda, comovedora. A mais bela homenagem até hoje prestada em Portugal a um jogador de futebol. Um jogador que, aliás, fez tudo por merecê-la.

O Dr. Octávio de Brito discursaria na ocasião, pondo em relevo a dedicação de Amaro ao Clube, o seu esforço sempre generosamente despendido, a sua fé e a sua indomável energia de bom belenense!

Em 1949, já sob a presidência de Acácio Rosa, Octávio de Brito aceitou integrar juntamente com Francisco Mega, Constantino Fernandes, Coelho da Fonseca e Casimiro Janeiro, uma Comissão para elaborar uma proposta de remodelação dos estatutos do Clube.

Com a criação do Conselho Geral, passou a ser membro nato deste órgão, onde as suas opiniões e conselhos eram sempre ouvidos com o maior respeito.

Octávio de Brito viria a falecer a 23 de Junho de 1957. O seu funeral, realizado a 24 de Junho, dia em que completaria 57 anos, constituiu uma impressionante manifestação de pesar. Nele incorporaram-se muitos associados do Clube, que não quiseram deixar de prestar uma última homenagem ao grande belenense que ele foi em vida.

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O semanário “Os Belenenses” de 28 de Junho de 1957 assinalava assim o momento de luto para o Clube:
Nada fazia prever o triste acontecimento, pois o Dr. Octávio de Brito, embora de saúde um pouco abalada, resultado de uma vida plena de trabalho e de esforços, numa actividade transbordante, que traduzia perfeitamente o espírito empreendedor e ousado de um homem sempre em luta e insatisfeito, ainda na véspera do seu falecimento fazia a sua vida normal, dedicando-se, com o entusiasmo de sempre às suas actividades profissionais.

Por isso mesmo, o golpe foi mais rude, ferindo profundamente, implacavelmente, não só os seus familiares como quantos o conheciam e que se tinham habituado a admirar e a respeitar as suas qualidades de carácter, os seus dotes de coração e o seu trato fino, correcto e cavalheiresco.

É que o Dr. Octávio de Brito – e a afirmação nada tem de exagero – cativava e prendia, logo ao primeiro contacto, quantos tinham a felicidade de com ele privar, pois logo se descobriam os seus dotes, numa manifestação vibrante de inteligência e vivacidade de espírito.

(...)
Entusiasta e apaixonado do Desporto e do Belenenses, ao qual dedicava, de há muito, grande carinho, foi presidente do clube nas gerências de 1946-47 e de 1947-48, tendo como vice-presidente Acácio Rosa, seu grande amigo e admirador.
A sua acção na gerência do Belenenses foi notável e revelou, mais uma vez, a capacidade realizadora, a inteligência e o tacto que colocava nas empresas a que metia ombros.


No “Diário de Lisboa” de 24 de Junho, noticiando o seu falecimento, podia ler-se sobre Octávio de Brito:
Grande entusiasta pelo Clube de Futebol “Os Belenenses”, presidiu durante alguns anos, à sua direcção, tendo prestado grandes serviços à popular agremiação.

O jornal “A Bola” afirmava então:
Faleceu no passado dia 23 o sr. dr. Octávio de Brito, brilhante figura do foro e contabilista de mérito superior.
Às lides da sua profissão, nas quais marcou lugar do maior relevo, soube contrapor o ilustre extinto o derivativo do Desporto, entregando-se-lhe com a visão e o carinho que são timbre dos desportistas de eleição.
Militou nas fileiras do Belenenses, seu clube de sempre, onde granjeou a maior simpatia e admiração e no qual exerceu cargos de dirigente acrescentando sobremodo o prestígio da popular colectividade.


Ainda em 1957 ser-lhe-ia atribuído o galardão de Sócio de Mérito “pelos relevantes serviços prestados ao Clube”. Foi o único galardão que até agora o Clube lhe concedeu. O mesmo que, por exemplo, em 1982 foi atribuído a Nuno Abecassis e em 2005 a João Soares e a Santana Lopes... (como é possível que isto aconteça no nosso Clube?!!!).

Octávio de Brito foi um dos grandes dirigentes da nossa história gloriosa, e um dos melhores presidentes de sempre.

A ele devemos a primeira Escola de Jogadores de Futebol.

A ele devemos o estreitamento de relações com o Real Madrid (...em pé de igualdade!).

A ele devemos o terreno onde está edificado o Estádio do Restelo.

A ele (e a Constantino Fernandes) devemos o último dos quatro títulos de campeão português que ostentamos. Há já sessenta anos ...


Com ele, sim... CRESCEMOS, INOVÁMOS, VENCEMOS!

Que saudade, Dr. Octávio de Brito... QUE SAUDADES, BELENENSES!