sábado, 8 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1923 – Belenenses conquista pela segunda vez consecutiva a Taça «Mutilados da Guerra», que assim fica na sua posse

Como vimos em 19 de Junho, o Belenenses, vencendo o Sporting, conquistara este troféu em 1921.

Entretanto, foi decidido que o troféu ficaria definitivamente na posse do clube que o conquistasse duas vezes.

Ora, foi isso que aconteceu na edição seguinte, justamente essa que se realizou em 1923. O Belenenses voltou a sair vencedor e o troféu ficou definitivamente como sua propriedade. Pode ser admirado na nossa imensa Sala de Troféus (no caso, a meio do 1º Piso, onde estão as taças mais significativas do Futebol).

Para chegar à vitória, o Belenenses venceu o Internacional por 3-1; depois, nas meias-finais, afastou o Império por 3-0. Por sua vez, na outra meia-final, o Carcavelinhos superou o Sporting por 2-1.

Na final, disputada nesta data, o Belenenses venceu o Carcavelinhos por 3-1. Ao intervalo o resultado estava em 1-1 e os golos do Belenenses foram marcados por Joaquim Rio e Veloso (no caso, os dois da segunda parte).

Na imagem, retirada da História do Belenenses 1919-1960 (de Acácio Rosa), pode ver-se a nossa equipa, os nomes e fotografia dos conquistadores desta conquista que, na época, deu brado e ajudou a continuar a projectar o clube.


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2003 – Inauguração do Campo Polidesportivo, no Restelo

A partir desta data, passou a estar disponível mais uma infraestrutura de apoio às modalidades de pavilhão. Esta estrutura, inicialmente apenas coberta no topo recebeu entretanto protecções laterais que permitem abrigar um pouco melhor do vento e da chuva a chuva no Inverno. Não é um espaço para a competição mas serve de suporte aos treinos e a escalões etários de formação.

Na inauguração esteve presente Pedro Feist, Vereador responsável pelo pelouro do desporto da Câmara Municipal de Lisboa e adepto Belenense.

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Após a inauguração do campo, realizou-se nesse mesmo espaço a apresentação dos novos equipamentos para a época de 2003/04.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Porque não nos esquecemos: Barcelos, 7 de Maio de 2006

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Neste dia, em . . .

1940 – Belenenses disputa pela primeira vez a Final da Taça de Portugal, na sua segunda edição

Algumas pessoas, olhando para a efeméride deste dia, poderão achar que aconteceu, nesta Final da Taça de Portugal, o que era de esperar, presumindo que o favoritismo seria do Benfica.

No entanto, não era realmente assim. No Campeonato Nacional, o Belenenses, terceiro classificado, ficara à frente do Benfica, quarto classificado, situação que se repetiria exactamente no Campeonato seguinte.

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Acresce que, em ambos os Campeonatos, o Belenenses teve a melhor Defesa (em 1940/41, também o melhor ataque...).


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Para além disto, na Taça de Portugal, o percurso do Belenenses até à final fora bem mais difícil do que o do seu adversário, revelando, aliás, muito mérito. Se não, vejamos:

Nos Oitavos de Final, o Belenenses vencera o Vila Real por 7-0 e 6-0. Na mesma altura, o Benfica ganhara ao Casa Pia por 9-0 e 2-1.

Nos Quartos de Final, o Benfica superou o Carcavelinhos com triunfos por 6-1 e 2-1. Enquanto isso, o Belenenses teve um tremendo duelo com o Sporting – a vitória por 4-1 nas Salésias, permitiu que a derrota Fora por 3-1 não o impedisse de seguir em frente.

Enfim, nas Meias-Finais o Benfica ganhou ao Barreirense por 5-2 e 2-1. Mais uma dura peleja se deparou ao Belenenses: face ao Bi-Campeão F.C.Porto, só um terceiro jogo decidiu a questão. Depois de empates por 1-1 e 4-4, o Belenenses, no jogo de desempate, derrotou os portistas por 2-0.

Por isso, a haver algum favorito, ele seria mais o Belenenses do que o Benfica.

Nessa tarde, porém, no Campo do Lumiar, as coisas não nos correram como todos os nossos esperavam. O Benfica ganhou por 3-1. O Belenenses teve que esperar mais 2 anos e ir a mais 2 finais, para, enfim, inscrever o seu nome nos vencedores da Taça de Portugal.

O nosso Onze, nesta Final, foi o seguinte: Salvador Jorge; Francisco Gatinho e Tárrio; Amaro, Gomes e Alberto; Perfeito Rodrigues, Artur Quaresma, Horácio Tellechea, Scopelli e Rafael Correia.

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O nosso golo foi apontado por Perfeito Rodrigues. Tanto quanto sabemos, foi uma oportunidade perdida, porque a nossa equipa era francamente superior.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

BELENENSES: Comunicado Oficial sobre o «Caso Mateus»

Na sequência da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, a direcção do Belenenses emitiu, através do Portal Oficial, o seguinte comunicado que publicamos em seguida.

Há decisões oficiais. Há reacção do Clube. Finalmente há factos, razão pela qual publicamos.




«CASO MATEUS»: Comunicado Oficial
06-07-2006 21:33


Face ao teor do acordão do Conselho de Justiça da FPF, «Os Belenenses» Soc. Desp. Futebol, SAD e a Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses» entendem informar do seguinte:

1. Tendo o CJ da Federação Portuguesa de Futebol concluído pela irregularidade da intervenção do Dr. Domingos Lopes no Acordão da Comissão Disciplinar da LPFP, em clara violação da legislação aplicável, não se admite outra posição do Juiz Desembargador Gomes da Silva que não seja o seu imediato pedido de demissão.

2. A conclusão lógica que se extrai do Acordão do CJ da FPF é que, não tivesse havido um gravíssimo atropelo à legalidade, mesmo contando com a incrível e bizarra mudança de opinião do Dr. Juiz Gomes da Silva, a decisão teria sido favorável ao Belenenses.
3. Em sede própria, «Os Belenenses» responsabilizarão pelos graves prejuízos causados quem, ao atropelo da Lei e conforme referido no Acordão do Conselho de Justiça da FPF, permitiu a ilegal votação no seio da CD da Liga, adulterando a decisão face aos factos provados.

4. «Os Belenenses» reafirmam a sua posição de levar este assunto, se as circunstâncias a isso obrigarem, até às mais altas instâncias internacionais do futebol.

5. Face à gravidade deste processo para «Os Belenenses» e para o futebol português, foram de imediato solicitadas audiências com carácter de urgência ao Secretário de Estado do Desporto, ao Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ao Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

Lisboa, 6 de Julho de 2006.

A Administração de «Os Belenenses» SAD

A Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses»

Neste dia, em . . .

1959 – Belenenses vence Benfica e conquista Taça de Portugal em Basquetebol pela segunda vez

Nestes apontamentos em que relatamos o muito do que o Belenenses representa no panorama desportivo nacional, a verdade é que não temos oportunidade de relatar muitos triunfos ou feitos relativos ao Basquetebol. Embora seja uma modalidade muito popular noutras latitudes, em Portugal apenas em anos mais recentes se pode dizer que o é verdadeiramente. E muito por força da popularização da competição rainha ao nível mundial – a NBA, a liga norte-americana.

Apesar de grande evolução sofrida pelo basquetebol europeu a verdade é que a espectacularidade da modalidade nos Estados Unidos da América do Norte ainda não foi alcançada no velho continente. E a sua popularidade também não. Portugal não foge à regra.

Não obstante, no Belenenses pratica-se o Basquetebol desde 1927. Quanto a títulos principais no primeiro escalão e no âmbito nacional apenas três: os Campeonatos Nacionais de 1938/39 e 1944/45, as Taças de Portugal de 1944/45 e, a edição a que nos referimos nesta data, a de 1958/59.
No Basquetebol Feminino dois títulos nacionais 1954/55 e sete de Lisboa.

A referência máxima do Basquetebol do Belenenses é ainda Rómulo Trindade, a quem nos referimos por ocasião da sua festa de despedida em 9 de Maio de 1948.

No Campeonato, o Belenenses não fora além da quarta posição. Tinha na Taça de Portugal a sua oportunidade de brilhar, após eliminar, nas meias-finais, a equipa do F.C. Porto por 57-52.

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Na final disputada frente ao Benfica viria a vencer por margem curta (um cesto apenas) mas foi o suficiente. Desde então e no principal escalão mais nenhum título voltaria a ser conquistado.

Neste dia, na final, estiveram presentes: Fernando Fernandes, João Franco, Francisco Neves, José Guerreiro, João Almeida, Alberto Patinho, Jacinto Boavista, José Delgado, Carlos Brito e Carlos Ribeiro.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Recordando 1927: PORTUGAL, 4 - França, 0

(Parte do artigo publicado a 16 de Março, na rúbrica «Neste dia, em ...»)


1927 – Pepe marca 2 golos na vitória de Portugal sobre a França. É levado em ombros, em triunfo

José Manuel Soares (Pepe) foi um dos maiores jogadores de sempre, e porventura o maior mito da história do Belenenses e do futebol português. O seu talento genial e precoce, o fulgor da sua breve carreira, a sua veia goleadora ao serviço do Belenenses (10 golos num só encontro, continua a constituir record nacional num jogo oficial) e da selecção de Portugal e, por fim, a sua morte trágica aos 23 anos, conducente a um funeral multitudinário e a uma imensa dor colectiva, não podem jamais ser apagadas.

O Belenenses deve-lhe muito e tributou-lhe a sua homenagem dando o seu nome ao Estádio das Salésias, de que fomos espoliados pela Câmara Municipal de Lisboa, e erguendo-lhe o monumento que ainda hoje está no Estádio do Restelo (obra de Mestre Leopoldo de Almeida).

Entretanto, como já dissemos, quantos Campeonatos mais não teria conquistado o Belenenses nos 10 ou 12 anos que, normalmente, Pepe teria ainda de carreira? Ainda assim, com uma morte tão jovem, Pepe foi, pelo Belenenses, 2 vezes Campeão de Portugal e 3 vezes Campeão de Lisboa.

A Selecção Nacional, que representou por 14 vezes, deve-lhe também alguns dias de glória.
Lembramos que Pepe esteve nos Jogos Olímpicos de 1928, a primeira grande competição em que a Selecção Nacional participou; de resto, com Pepe, Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, o Belenenses era, nela, o clube mais representado.

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Foi justamente neste jogo com a França, que Pepe, com 19 anos acabados de fazer, se estreou. E fê-lo de forma auspiciosa e apoteótica. Marcou dois dos sete golos que apontou ao serviço da selecção portuguesa foi levado em ombros, pelo público, no final. O desafio teve lugar no Porto, Portugal ganhou por 4-0, e estiveram presentes mais três outros jogadores do Belenenses (ver gravura). Também neste caso, éramos o clube a dar mais jogadores à Selecção.

Curiosamente, cerca de três anos mais tarde, em 23 de Fevereiro de 1930, no mesmo local, Pepe também marcou por duas vezes à França (e o Belenenses continuava a ser o clube mais representado). Só que, no caso, os golos de Pepe foram os únicos do desafio.
Foi a última vez que envergou a camisola nacional.

Pepe marcou também dois golos na vitória por 4-2 sobre o Chile, para os Jogos Olímpicos de 1928, e o golo da vitória 1-0 sobre a Checoslováquia em 12 de Janeiro de 1930.

UM APELO

A título excepcional, face à atitude previamente tomada pelos editores deste blog, fazemos o eco possível deste caso que nos chegou à atenção, através do nosso companheiro belenense Alfredo Azinheira e do seu blog Belenenses Timor.

Trata-se de um caso real, uma situação grave e muito triste, que se está a passar com o nosso antigo jogador Abdul (1956/57 a 1959/60).

Pedimos por isso a vossa atenção para o texto publicado no Blog
BELENENSES TIMOR e ajude como puder.

Para o Alfredo Azinheira enviamos o nosso especial abraço e o nosso obrigado por nos chamar a atenção para este caso.

Neste dia, em . . .

1936 – Belenenses disputa final do Campeonato de Portugal pela sexta vez

Depois do brilhante período que vai de 1926 a 1933, no qual o Belenenses foi três vezes Campeão de Portugal (e duas vezes Vice-Campeão) e quatro vezes Campeão de Lisboa (e três vezes Vice Campeão), o Belenenses entrou numa fase de menos fulgor.

Isso deveu-se, por um lado, ao final de carreira de grandes jogadores como os olímpicos Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, sem falar já na morte de Pepe; por outro lado, aos grandes investimentos que estavam a ser feitos nas Salésias, dos quais já aqui abundantemente se falou, e que nos puseram na vanguarda das instalações desportivas do nosso país.

Mesmo assim, em 1934/35, no primeiro dos Campeonatos da Liga, estivemos a um passo de ser Campeões. O quarto lugar final, a quatro pontos do F.C.Porto, a dois do Sporting e a um do Benfica, é enganador. Com efeito, a três jornadas do fim, o Belenenses liderava, com uma vantagem de um ponto sobre o Sporting e dois sobre o F.C.Porto e o Benfica. Uma derrota com os encarnados tornou as coisas mais difíceis mas, à entrada da última jornada, o Belenenses ainda podia ser campeão, encontrando-se a um ponto do Porto e do Sporting. No entanto, a vitória do F.C.Porto e a nossa derrota nessa última jornada deitaram tudo a perder. Mesmo assim, tivemos o melhor Ataque e a melhor diferença de golos.

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Também no Campeonato de Lisboa podíamos ter triunfado: chegámos ao fim empatados em pontos com Sporting e Benfica, acabando, porém, por ceder nos jogos de desempate.

Em 1935/36, o Campeonato de Lisboa terminou com a nossa equipa numa decepcionante terceira posição. O quarto lugar no Campeonato da Liga – embora somente a um ponto do Sporting, a três do Porto e a quatro do Benfica – não nos trouxe qualquer satisfação: um quarto lugar era bastante frustrante para o Belenenses de então; na verdade, era quase visto como um último lugar.

Já no Campeonato de Portugal, as coisas foram bem diferentes.

Nos oitavos de final, ultrapassámos o Leixões, graças à concludente diferença entre uma vitória caseira por 7-0 e uma derrota fora por 1-0.

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Nos quartos de final, o adversário era o F.C. Porto. Tínhamos atravessada a derrota por 9-1 sofrida para o Campeonato da Liga, só compensada nas Salésias por um triunfo de 2-1.Pois bem, para o Campeonato de Portugal, foi o Belenenses a superiorizar-se: depois de empates 1-1 e 0-0, em Casa e Fora, respectivamente, vencemos o jogo de desempate por 1-0 (o Belenenses de então, não era mesmo de se ficar perante um mau resultado: no Campeonato da Liga da época seguinte, em que ficámos em segundo lugar a um ponto do Campeão Benfica, ganhámos 2-1 no Porto e 3-0 nas Salésias).

Nas meias-finais, tínhamos outro adversário forte, o Benfica. No entanto, depois de empatarmos Fora por 2-2, resolvemos a questão nas Salésias, ganhando a segunda-mão por 2-1. Apurámo-nos, assim, para a final, a disputar com o Sporting, que tivera um percurso mais fácil, desembaraçando-se do União de Lisboa, do Carcavelinhos e do Marítimo.

O Belenenses alcançava, deste modo, a sua sexta presença na final em dez edições!

Se ganhássemos, passaríamos a ser a equipa com mais vitórias: até aqui, Belenenses e F.C.Porto tinham três, o Benfica, dois. De qualquer modo, ao assegurar esta presença na Final, pusemo-nos de algum modo à frente dos portistas, visto que chegávamos mais vezes (seis contra cinco) ao jogo derradeiro.

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Infelizmente, a vitória não foi do Belenenses. O Sporting ganhou por 3-1 à nossa equipa, que alinhou assim: José Reis; José Simões e João belo; Mariano Amaro, Jaime Viegas e Rodrigues Alves; Prefeito dos Santos, Elias, Varela Marques, Bernardo Soares e Rafael Correia.

O jogo foi disputado no campo do Lumiar, habitualmente utilizado pelo nosso adversário. O nosso golo foi apontado por Rafael.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1948 – Belenenses disputa a final da Taça de Portugal pela quarta vez

A época de 1947/48 foi de bastante bom nível para o Belenenses, embora, a dizer a verdade, tenha ficado aquém das expectativas que se chegaram a criar.

Com efeito, no Campeonato ficámos em terceiro lugar mas o facto é que, à 18ª de 26 jornadas, liderávamos a classificação. E acabámos com a melhor Defesa, pela terceira vez consecutiva.

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Na Taça de Portugal, outra oportunidade de conquista se nos ofereceu. E realmente, ficámos novamente a um passo de arrebatar o troféu, perdendo a final para o Sporting.

No caminho para a final, eliminámos sucessivamente o Leixões, por 3-1; a CUF, por 1-0; a Oliveirense, por 8-1 e, nas meias-finais, o Barreirense (que eliminara o F.C.Porto) por 5-1. Na outra meia-final, o Sporting superou o Benfica por 3-0.

Vivendo a melhor fase da sua história, a meio da sua série de quatro Campeonatos, com os famosos cinco Violinos – um dos quais, Jesus Correia, curiosamente, era adepto...do Belenenses – o nosso adversário detinha algum favoritismo. O Belenenses, porém, tinha creditado a seu favor, além da sua valia, o facto de para o Campeonato ter ganho um dos jogos (3-2, nas Salésias) e empatado o outro (4-4, Fora).

Infelizmente, o Belenenses apresentou-se bastante desfalcado, tendo que jogar vários jovens. Quatro dos habituais titulares não poderam alinhar. Mas, de todas as faltas, o grande golpe veio da ausência do capitão Amaro que, por doença, tinha sabido na véspera que, tinha de pôr termo à sua carreira.

Assim, esta final iria ditar a nossa única derrota com o Sporting na época. Perdemos por 3-1, com o nosso golo a ser apontado por Teixeira da Silva. Para mais, na segunda parte, ficámos reduzidos a 10 unidades, por lesão de um jogador nosso (embora isso, de alguma forma, compensasse a inferioridade física de Azevedo, o valoroso guarda-redes sportinguista). Note-se, já agora, que foi anulado um golo a ambas as equipas.

Para terminar, aqui fica o registo dos jogadores que, vestidos de azul, alinharam nessa tarde no Estádio Nacional:

Sério; Vasco e Serafim; Figueiredo, Feliciano e Castela; Matos, Nunes, Teixeira da Silva, Pinto de Almeida e Artur Quaresma.

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Apesar desta derrota, o facto é que, em nove edições da prova, o Belenenses tinha estado presente em quatro finais!



1955 – Belenenses vence Vasco da Gama (Brasil), por 2-1

Desengane-se quem julgar que estes jogos eram a feijões e que estas vitórias que o Belenenses obteve sobre grandes equipas do futebol mundial pouca importância tinham. Antes pelo contrário. Eram encontros rijamente disputados como daremos conta mais adiante.

O Vasco da Gama que fora campeão em 1950 com o famoso «expresso da vitória» e a base da selecção brasileira no mundial desse ano (de triste memória para o Brasil) era uma equipa poderosa e conceituada internacionalmente. Dessa geração já poucos restavam, Ademir (o artilheiro do mundial de 1950) e pouco mais, em virtude da profunda renovação que se iniciara em 1953.

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Surgiram então jogadores como Vavá, Belini, Sabará e outros de talento e força. Se estes três disputaram este encontro com o Belenenses, os dois primeiros viriam a sagrar-se Campeões do Mundo pelo Brasil em 1958. Belini era o Capitão do «escrete» e o seu gesto de levantar a Taça (a Jules Rimet) acima da cabeça ficou famoso e viria a ser sempre repetido a partir daí.

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Era, assim, uma poderosa equipa vascaína que se apresentava nas Salésias nesta data em 1955, com: Gonzalez; Paulino e Bellini; Eli, Orlando e Coronel; Sabará, Vavá, Alvinho, Pinga e Parodi.

O Belenenses recuperava ainda da perda do campeonato a quatro minutos do fim do último jogo. Mas a vida continua. O Belenenses alinhou com José Pereira; Pires e Serafim; Carlos Silva, Figueiredo e Vicente; Pellejero, Dimas, Perez, Vaccari e Tito.

O jogo começou com a equipa brasileira a dominar, obtendo o seu golo quando estavam decorridos apenas 5 minutos. Uma jogada de Sabará que tirou vários jogadores belenenses da jogada e centrou para Parodi que não falhou.

Na segunda parte assistiu-se ao mesmo mas para o lado do Belenenses. Via-se uma equipa em busca do empate e pouco demorou a obter o seu golo. Após uma jogada pelo lado direito, Tito centrou para a área descobrindo Perez que aplicou uma cabeçada imparável. Estava feito o empate.

Aos 35 minutos da segunda parte, por Pires, o Belenenses coloca-se em vantagem, na sequência de um livre no meio campo do Vasco da Gama, o guardião do «Vasco» entrou pela baliza dentro com a bola evitando a carga de Perez. O golo foi muito contestado, embora limpo e a atitude da equipa brasileira mudou tornando-se violenta. Até final do jogo não se voltou a ver futebol. Isto só ilustra o que começámos por dizer. Estes não eram jogos a brincar, apesar de serem particulares.

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Ainda mais um pormenor quanto a este jogo. Disputou-se à noite. De facto, o Estádio das Salésias não tinha iluminação artificial permanente. Mas o jogo não foi iluminado a lampiões. Não. Foi através de uma instalação eléctrica provisória. A um ano da inauguração do moderno Estádio do Restelo este jogo só evidenciou as vantagens dos novos estádios de então em possuírem iluminação para jogos nocturnos. As competições europeias começariam pouco depois.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1932 – Quarta presença na final do Campeonato de Portugal

Depois de ter sido Vice-Campeão em 1926 e Campeão em 1927 e 1929, o Belenenses chegou pela quarta vez à final do Campeonato de Portugal.

Este facto, já de si notável, tinha tanto mais valor quanto é certo que no início dessa época, o clube e a equipa tinham sido duramente atingidos com a morte... do imortal Pepe.

A resposta que foi dada, feita de garra, de vontade e de homenagem ao companheiro desaparecido, demonstra a Alma que o Belenenses então abrigava em si.

Assim, o Belenenses ganhou o Campeonato de Lisboa dessa época (era a quarta vez que o conquistava). O caminho para a vitória incluiu um triunfo por 4-0 sobre o Benfica.

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Ao iniciar-se o Campeonato de Portugal, havia a expectativa de repetir a dobradinha de 1928/29.

A primeira eliminatória, o Belenenses superou a União Operária por 4-2.

Seguiu-se, nos Oitavos de final, o Sporting, agora a duas mãos, Foi um confronto histórico, de que já falámos em 15 e 22 de Maio. Na primeira das datas, no campo do Sporting, ganhámos-lhes por 6-0; na segunda mão, fomos ainda mais longe: vitória por 9-0. Incrível: 15-0 no conjunto dos dois jogos.

Avançámos para os Quartos de Final. O adversário era o União de Lisboa. Parece fácil? Puro engano. Esse clube, que, mais tarde, fundindo-se com o Carcavelinhos, deu origem ao Atlético, era então uma equipa forte. Vinha de eliminar o Vitória de Setúbal com triunfos por 2-0 e 3-0. De qualquer forma, resolvemos a questão vencendo a primeira-mão por 4-0. A derrota por 1-2 no restante jogo não nos impediu de seguir em frente.

Nas meias-finais, eliminámos o Barreirense, embora não sem dificuldade: empate 3-3 e vitória por 1-0 na segunda mão. Entretanto, o F.C.Porto afastara o Benfica com vitórias por 2-1 e 3-0.

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E, assim, em 3 de Julho, Belenenses e F.C.Porto defrontavam-se em Coimbra para apurar o Campeão. Eram as únicas duas equipas que já haviam sido Campeãs de Portugal por duas vezes; ambas perseguiam o terceiro título.

A nossa equipa apresentou-se com a seguinte constituição: José Miranda; José Simões e João Belo; Joaquim Almeida, Augusto Silva e César de Matos; Alfredo Ramos, Heitor Nogueira, Rodolfo Faroleiro, Bernardo Soares e José Luís.

Foi um jogo mítico – com um dos famosos quartos de hora à Belenenses (à Belenenses, não à Benfica, como despudoramente escreveu Leonor Pinhão...). Ele alinha lado a lado, entre outros, com o do primeiro jogo com o Benfica (em que passámos de 0-1 para 2-1), com o Benfica-Belenenses de 1926 (de 1-4 para 5-4) ou, ainda, com o jogo decisivo em Elvas, em 1946.

Com efeito, a um quarto de hora do fim, o Belenenses perdia por 1-4. No último quarto de hora, os rapazes de Belém encheram-se de brios e chegaram ao empate, com Augusto Silva a fazer o nosso quarto golo (e seu terceiro), a dois minutos do fim.

Na segunda parte do prolongamento, o Belenenses dominou intensamente mas não conseguir fazer o golo da vitória. O Campeonato teria que se decidir numa finalíssima, duas semanas depois.

No Suplemento ao nº 66 do jornal portuense «O Az», de Julho de 1932, encontra-se uma CARTA ABERTA ao Clube de Futebol «Os Belenenses», que aqui reproduzimos, pelo testemunho imparcial (perante o qual, respeitosamente nos inclinamos) que constitui de um grande feito do Belenenses:

Nunca o ‘AZ’ foi uma publicação que se preocupasse com manifestações de bairrismo inferior, porque o nosso conceito filosófico de vida social nos ensina que os homens são todos iguais à face da lei comum da natureza, tenham eles nascido no Porto ou em Lisboa, em Paris ou na Alemanha.

Nesse momento em que vós, peitos a descoberto e um formoso ideal no cérebro, ides encontrar-vos com a aguerrida e simpática equipa do Futebol Clube do Porto, o nosso desejo que triunfeis, não nasce das circunstâncias de temos nascido em Lisboa, como vós, mas assim da estupenda admiração do vosso feito, nesse mesmo campo de Coimbra realizou em 3 de Julho provocou no nosso coração de desportistas.

Depois do que por vós foi feito, ninguém mas absolutamente ninguém com mais direito do que o Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ pode ostentar nesta época, o título de Campeão de Portugal!

O que vós fizesteis em 3 de Julho, deste nunca esquecido para os desportistas de Lisboa ano de 1932, foi qualquer coisa de assombroso, surpreendentemente, quase inverosímil pela fé indomável que pusestes na luta, pela energia fantástica de que destes cabalíssimas provas, pela alma generosa e brava que foi posta nesse combate titânico e extraordinariamente belo que tivestes de sustentar contra o público na sua maioria hostil mas que, por fim, foi forçado a reconhecer o vosso formidável valor de rapazes e desportistas!

E esse foi sem dúvida, o vosso maior e mais indesmentível triunfo! Entraste nessa tarde em campo em condições de inferioridade notáveis: público, estado físico dos jogadores, forçados por duros «matches» que o adversário não teve, ambiente desfavorável e até mesmo a sorte do jogo que vos foi adversa logo de início.

Começando o ‘match’ a toda a velocidade, o Porto consegue, em rápidos minutos, o seu primeiro golo. Vem logo após outro e quando o primeiro tempo termina, vós, cansados e esgotados por mil e um factores, tendes em desvantagem dois golos. Para ganhardes, preciseis de conseguir três pontos.

É difícil, quase impossível…

O público do Porto delira, o entusiasmo chega ao paradoxismo. É impossível a vitória para os rapazes de Belém. O Porto tem o campeonato de Portugal nas mãos…

Que é de Belém? Que é feito do Belém?
Apagou-se, esmagado pela fortíssima vantagem do Porto? Parece que sim, porque aos dez minutos desta parte vem o terceiro ponto dos Campeões do Norte. 3-0!

Que formidável punição para o vosso brio de homens do desporto, em que confiavam os que estavam em Lisboa lendo assiduamente os placards dos jornais, ou ouvindo, emocionados, os relatos da T.S.F.!

Mas este ponto acorda-vos as energias e desperta-vos o sentimento do dever. Decorrem oito minutos. E oh! Augusto Silva, o vosso o nosso Augusto Silva, num golpe assombroso de energia marca o ponto de honra. Supõe-se que é o ponto de honra… Palmas aos lisboetas.

3-1. Mas é tão pouco… Nada vos livra da derrota. Pinga acaba agora mesmo de marcar o quarto golo do Futebol Clube do Porto… É o fim. Os «belenenses» estão perdidos, sucumbidos, e têm de deixar fugir o título máximo para o Porto.

O público de Lisboa descrê.

Faltam só 15 minutos para o jogo terminar. A vitória do Porto é inevitável. Os portuenses rejubilam, delirantes, embriagados pelo triunfo que é certo, certíssimo, fatal como o destino.

Mas, eis que se opera o milagre!

E vós, jogadores de Belém, jogadores de Lisboa, vontade, energia, alma brio, valentia, ralé, essa vossa sagrada e bendita ralé, tudo amassado no mesmo cadinho de fé e de valor, sois sacudidos por um empurrão violento de dignidade, de consciência da responsabilidade que sobre vós impede!

Um alto e nobre sentimento de luta leal e digna sacode-vos dos pés à cabeça!

Vamos a isso rapazes!

E foi belo, e foi bonito, e foi comovente até às lágrimas!

Todos vós como um só, porque uma vontade vos absorvia e embriagava, vos lançastes nesse glorioso prélio desportivo, não disposto a vender cara a derrota, mas antes, com o terrível handicap de três golos, dispostos a vencer, vencer, vencer!

Luta homérica, foi essa, em que todos nós emocionados, olhos brilhantes, escaldando de febre, doidos, apopléticos, assistimos a esse espectáculo até então inédito nos anais da história do desporto português.

E de 1-4, triste record que vos era legado por um team que não merecia tanto, veio o 2-4, 3-4 e 4-4, e só não veio a vitória almejada, porque uma infelicidade cruel e caprichosa a impediu.

Desde esse momento solene o grandiloquente, o Clube de Futebol «Os Belenenses», merecia, sem nenhuma espécie de favor, o título de Campeão de Portugal!

Isto que vós fizestes, foi escrever a mais linda e embriagadora página de que se pode orgulhar o desporto português.

Nunca ninguém o tinha feito!

Nunca ninguém, a não ser vós, o poderá repetir!


Essa maravilhosa página que escrevestes nos faustos do vosso Clube, e na História das nossas lutas desportivas, foi a razão desta carta que supomos interpretar os votos de quarenta, de cinquenta mil desportistas de Lisboa!
”.



1950 – Conquista do Campeonato Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas, pela quarta vez

10 Campeonatos Nacionais em Equipas
13 Campeonatos de Lisboa em Equipas
3 Campeonatos Nacionais de Juniores em Equipas
4 Campeonatos de Lisboa de Juniores em Equipas
1 Campeonato Nacional de Juvenis em Equipas
1 Campeonato Individual de Corta Mato

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É este o riquíssimo palmarés do Belenenses em Atletismo Feminino, por equipas.
A nível individual, a figura máxima é indubitavelmente a extraordinária atleta Georgete Duarte a quem nos referimos em várias ocasiões nestes apontamentos. Foi Campeã Nacional por 46 vezes (!), em cerca de década e meia de carreira. Foi recordista de 60 metros, 80 metros, 150 metros, 200 metros, 400 metros, 800 metros, 100 metros barreiras, pentatlo e, ainda em estafetas (note-se que, embora a crescente expressão de capacidades físicas mulheres tenha feita desaparecer algumas destas provas, substituindo-as por outras mais duras, naquele tempo todas elas constavam do núcleo de provas oficiais. É em grande parte por ela que se viveu este período excepcional.

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A lista completa de títulos obtidos nesta época de 1950, segundo Acácio Rosa (Factos, Nomes e Números, 1919-60), tanto no Campeonato de Lisboa como no de Portugal é a seguinte:

Georgete Duarte:
Campeã de Lisboa dos 80 metros barreiras, 100 metros e salto em altura e Campeã de Portugal nos 80 metros barreiras, 100 metros e salto em comprimento.

Lívia Alvarez:
Campeã de Lisboa no lançamento do dardo e do peso e na estafeta de 4 x 100 metros. Campeã de Portugal no lançamento do dardo e na estafeta de 4 x 100 metros.

Maria Orminda
Campeã de Lisboa em salto em comprimento e na estafeta de 4 x 100 metros. Campeã de Portugal na estafeta de 4 x 100 metros.

Rosália Alvarez
Campeã de Lisboa em 200 metros.

Maria Celeste Carvalho
Campeã de Lisboa no lançamento do disco e na estafeta 4 x 100 metros. Campeã de Portugal na estafeta 4 x 100 metros.

Adelaide Faria
Campeã de Lisboa na estafeta 4 x 100 metros.

Maria Margarida
Campeã de Portugal na estafeta de 4 x 100 metros.



1960 – Belenenses ganha Taça de Portugal, pela segunda vez

O Belenenses da década de 50 procurava afanosamente um título. Da equipa Campeã em 1946, só restaram, até meio da década de 50, Serafim e Feliciano. Mas, entretanto, chegavam os imensos Matateu e Vicente (ambos graças a esse formidável belenense que foi Francisco Soares da Cunha), mais tarde, também, Yaúca; da Argentina vieram Di Pace, Perez e Benitez (este, ao que parece, o melhor de todos, mas inutilizado por lesões); emergiam jogadores como José Pereira, Castela, Figueiredo, Pires, Carlos Silva e Dimas...

O campeonato escapou-se-nos a quatro minutos do fim, em 1955, num revés da fortuna; escapou-se-nos em 1959, com muita intervenção de arbitragens; até em 1951/52, chegamos a estar muito perto do título...

Mas a década não acabaria sem algumas alegrias desportivas. Em 1959, vencemos a Taça de Honra, com grande brilho, criando grandes expectativas para o Campeonato; este não correu tão bem como se sonhava, ficando o Belenenses em terceiro lugar, mas indo na última jornada à Luz quebrar a invencibilidade do campeão Benfica.

Na Taça de Portugal, as coisas vieram a correr auspiciosamente na época de 1959/60.

Na primeira eliminatória, saiu-nos o Atlético, rival sempre difícil. Ultrapassámos, contudo, a equipa de Alcântara com segurança, vencendo por 3-0 no Restelo e por 3-2 na Tapadinha.

Nos desasseis-avos de final, defrontámo-nos com o Lusitano de Évora, que então se encontrava na Primeira Divisão. Também este adversário foi deixado para trás, com vitórias no Restelo, por 3-1, e em Évora, por 4-1.

Nos oitavos de final, superámos o Sporting de Braga, com dois triunfos por 1-0. Seguimos em frente, pois, como previa Alves dos Santos na edição de “A Bola” de 26 de Março de 1960 (ver imagem)

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Vieram os quartos de final e a tarefa foi relativamente fácil, com triunfos por 6-0 e 3-0 sobre o Sporting Clube de Portugal (de Lourenço Marques)..

Nas meias-finais, estavam, pois, os Quatro Grandes. Defrontavam-se, por um lado, Benfica e Sporting e, por outro, Belenenses e F.C. Porto.

Para o Campeonato, o Belenenses (terceiro, como vimos), superara o F.C.Porto (quarto) nos dois jogos: 1-0 no Restelo e 3-2 nas Antas. Mas, tínhamos, sem dúvida, um adversário difícil pela frente.

No entanto, o jogo da primeira-mão, nas Antas, constituiu uma grande jornada para o Belenenses, que ali ganhou, espectacular e categoricamente, por 3-1. Pudemos, assim, gerir a vantagem no Restelo, dando-nos até ao luxo de perder por 1-0.

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Em 26 de Junho ficaram, pois, apurados os dois finalistas – Belenenses e Sporting – que se defrontariam a 3 de Julho.

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Era a terceira vez que se defrontavam na final da Taça de Portugal, levando até então vantagem os “leões”, com duas vitórias. Repare-se, contudo, que “A Bola”, na antevisão do jogo, considerava juntamente com a Taça de Portugal os Campeonatos de Portugal; e, assim, era o quinto confronto em finais, com os sportinguistas a liderarem por 3-1 em vitórias. Em qualquer das contagens a diferença iria ser reduzida.

No jogo das expectativas, havia um grande equilíbrio. O favoritismo repartia-se quase por igual.

O Estádio Nacional transbordou de público e os jornais assinalaram a presença impressionante da massa de adeptos do Belenenses – metade dos 50.000 espectadores presentes – e o facto de se ter posto fim ao mito de que o Jamor só enchia em jogos da Selecção ou em confrontos Benfica-Sporting: naquela tarde, o estádio encheu totalmente.

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A divisão dos apoiantes em metade não é de surpreender: se hoje haverá um adepto do Belenenses por cada quinze do Sporting (se é que a desproporção não é maior), a proporção, na altura, devia andar em perto de 10/15, projectando-se os dados comparativos do número de sócios que os dois clubes tinham então (10.500 do Belenenses; 17.500 do Sporting; já agora, 30.000 do Benfica). Lembremos que, mesmo nas duas finais com o Benfica no fim da década de 80, os adeptos azuis teriam ocupado cerca de 40% dos lugares do Estádio Nacional.

O Onze do Belenenses que subiu ao relvado foi o seguinte: José Pereira; Rosendo e Moreira; Vicente, Pires e Castro; Yaúca, Carvalho, Tonho, Matateu e Estevão. O treinador era Otto Glória.

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A equipa Azul entrou a dominar o jogo. Do relato do jornal “A Bola” do dia seguinte, reproduzimos:
Ainda a primeira dezena de minutos mão se havia escoado e já o Belenenses perdera duas excelentes oportunidades, numa das quais, a segunda, o remate de Tonho levou a bola a bater na trave, enquanto uma parte do público, como que impelido por mola eléctrica, se erguia sobre o granito dos assentos, soltando um grito, que devia ser de júbilo e se transformou em brado de desalento”.

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Contra a corrente do jogo, porém, antes dos 20 minutos, o Sporting adiantou-se no marcador, com um golo de Diego.

Logo no minuto seguinte, Tonho perdeu soberana oportunidade de empatar.

A conjugação destes dois lances perturbou a nossa equipa, passando o Sporting a jogar melhor. No entanto, o Belenenses não se desuniu, voltou à carga e ao comando das operações e, ao minuto 32, chegou ao empate. Na sequência de um livre marcado por Rosendo, Yaúca rematou, o guarda-redes do Sporting defendeu para a frente e, oportuno, Carvalho surgiu a apontar o golo.

A partir daí e até ao intervalo, o Belenenses continuou a dominar e, em duas ocasiões, esteve muito perto de marcar.

Na segunda parte, foi a vez do Sporting entrar melhor. Mas, aos 62 minutos, foi o Belenenses a surpreender o seu adversário, fazendo o 2-1: jogada de Estevão, primeiro remate de Yaúca e, na recarga, Matateu a atirar para o fundo da baliza. (do topo Norte).

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Daí até ao fim do encontro, o Belenenses patenteou uma superioridade que tornou incontestável o triunfo.

Assim, o capitão Vicente foi receber o troféu e a festa foi azul!

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Com esta vitória, os triunfos nas edições até então disputadas da Taça de Portugal estavam assim distribuídos:

Benfica – 10
Sporting – 5
F.C.Porto – 2
Belenenses – 2
Académica – 1

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Se, entretanto, considerássemos juntamente com as Taças de Portugal os Campeonatos de Portugal, então, os números seriam estes:

Benfica – 13
Sporting – 9
F.C.Porto – 6
Belenenses – 5
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1
Académica – 1.


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1982 – Conquista da Taça de Portugal de Andebol, pela terceira vez

O ano de 1982 é terrível para todos os Belenenses que o viveram. É algo de indescritível e que nunca mais esqueceremos, por mais que 24 anos volvidos pareça que o aconteceu nesse dia foi uma coisa que se tornaria banal aos «acomodados do sistema». Mesmo quem não o viveu, não era nascido ou não tinha consciência ou percepção o que significou, bastaria gostar do Belenenses e beber a sua história e feitos para o entender ou pelo menos tentar. Ao invés, assistimos um acomodamento e, pior que resignação, a uma descaracterização completa, com graves culpas no cartório por parte de quem tem dirigido os destinos do Clube desde então. Com raras excepções, apesar de tudo.

O Belenenses descera de divisão. No entanto pulsava, vibrava e reagia. Revoltava-se, tinha honra e orgulho. Mobilizava-se, recuperava massa associativa, mesmo no clima mais adverso, mesmo no completo descalabro financeiro.

Prova disto era a vitalidade de modalidades amadoras. As tradicionais. Neste caso o Andebol. Nesta data a conquista da Taça de Portugal. A terceira em três presenças na final, à 11ª edição.

O Belenenses vencerá já na terceira edição, em 1973/74, cuja final foi disputada em Faro, frente ao Benfica, por 17-14. Qutro anos volvidos, em 1977/78, venceria o Oriental em Leiria, por 33-12, naquela que foi a maior diferença de golos registada em finais da competição.

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À terceira dsputada neste ano em Cascais, a «fava» coube ao Benfica (que pouco antes se sagrara Campeão Nacional), saíndo derrotado por 26-24. O Belenenses, então treinado por Fonte Santa, apenas por uma vez esteve atrás no marcador. Foi aos sete minutos com o resultado em 3-2. No entanto foi um jogo muito emotivo e equilibrado, com uma curta vantagem de três golos ao intervalo (11-14) o que está bem patente na marcha do marcador:
0-1; 1-1; 1-2; 3-2; 3-4; 4-4; 4-7; 6-7; 6-8; 7-8; 7-9; 8-9; 8-11; 10-11; 10-13; 11-13; 11-16; 12-16; 12-17; 14-17; 14-18; 16-18; 16-19; 17-19; 17-20; 19-20; 20-22; 22-22; 22-23; 23-23; 23-24; 24-24; 24-26.

Final dramático, com o Benfica a igualar o marcador a 22 golos aos 28 minutos da segunda parte. Só no último minuto e com o jogo empatado a 24 golos, o Belenenses resolveu a questão com dois golos de rajada por Espadinha e Mendonça, num final electrizante e perante uma massa belenense assinalável e muito activa no apoio da equipa. Resultado justo apesar da excelente réplica dada pelo adversário o que so valorizou a vitória. Foi uma justa recompensa para todos e uma festa tremenda no final.

Pelo Belenenses, alinharam nesta partida: Prezado (Valverde); Filipe, Guerreiro (1), Mendes (4), Veiga, Napoleão, Ricardo (2), Hernâni (7, com 3 de «penalty»); Mendonça (4), Bento (3) e Espadinha (5). Participaram também na caminhada vitoriosa, apesar de não terem alinhado na final: Raúl (guarda-redes); Peixoto (segunda-linha); Nascimento (segunda-linha); Diegues (primeira-linha); Guerreiro (primeira-linha) e Florêncio (primeira-linha). Um plantel jovem, com uma média de 24 anos de idade. Um Belenenses vivo.


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domingo, 2 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1933 – O Belenenses conquista o Campeonato Nacional de Futebol pela terceira vez

Esta é uma data que os belenenses que prezem a identidade e a grandeza do seu clube devem preservar no coração.

Nela, ainda antes de completar 14 anos de existência, o Belenenses guindava-se à posição de primeira potência do futebol português. Não nos referimos apenas a essa época mas a tudo quanto tinha decorrido durante esses 14 anos da nossa existência.

Para explicarmos esta afirmação, é necessário desmontar, antes de tudo, uma completa falácia. O Belenenses não foi uma vez Campeão de futebol no nosso país. Foi-o por 4 vezes.

Desde 1921/22 até 1933/34, houve uma prova que se destinava a apurar o campeão, a melhor equipa de futebol do nosso país. Era a forma vigente, e não há nenhuma razão para, tendo existido essa competição, com esse fim, e com regras aceites por todos, não serem considerados os campeonatos conquistados nesses anos.

Ora, esses Campeões devem, justamente, ser adicionados aos que, desde 1934/35, ganharam os Campeonatos da I Liga, os Campeonatos Nacionais, as Superligas e a Liga Betandwin. Nessas 12 edições, foram assim distribuídos os títulos:

F.C.Porto – 3
Belenenses – 3
Benfica – 2
Sporting – 1
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1

Donde, em rigor, os Campeões do nosso país, desde o momento em que passou a apurar a melhor equipa até hoje, foram os seguintes:

Benfica – 33
F.C. Porto – 23
Sporting – 18
Belenenses – 4
Olhanense – 1
Marítimo – 1
Carcavelinhos – 1
Boavista – 1

Dir-se-á: mas o Campeonato de Portugal era uma prova a eliminar; não pode, pois, ser vista em igualdade de circunstâncias com uma prova em que jogam todos contra todos.

Porque não, respondemos? No Campeonato do Mundo ou no Campeonato da Europa também as selecções não jogam todas entre si – e nem por isso se questiona a qualidade de Campeão Mundial ou Europeu.

Pela mesma ordem de ideias, ao Benfica, por exemplo, não se deveria reconhecer o facto de ter sido duas vezes campeão europeu: então chamava-se Taça dos Campeões Europeus, agora chama-se Liga dos Campeões; então era uma prova puramente a eliminar, agora tem a fase de grupos...

Outro argumento ainda avançado é o de que, nos Campeonatos de Portugal participavam poucas equipas. É verdade que, nas primeiríssimas edições (não aquelas que o Belenenses ganhou), os participantes eram poucos. Mas, diga-se, também os primeiros Campeonatos da Europa se resumiam, na fase final, a 4 selecções, e nem por isso deixam de ser considerados.

De qualquer forma, não é verdade que, nas edições que o Belenenses ganhou, os participantes tenham sido poucos. Já agora, refira-se que os primeiros Campeonatos da Liga ou Nacionais, ganhos pelo F.C.Porto e pelo Benfica, tiveram só 8 participantes – e por tal razão não deixam de ser computados.

Em contrapartida, neste Campeonato de Portugal de 1932/33, participaram 28 equipas! Acresce que, para lhe acederem, os clubes tinham que ser bem sucedidos nos Campeonatos Regionais – que, no caso de Lisboa, eram disputadíssimos, quase com o mesmo afã e denodo com que hoje se disputa um Campeonato Nacional, pelo Benfica, pelo Sporting, pelo Belenenses, pelos então poderosos Carcavelinhos e União de Lisboa e, até, durante vários anos, pelo Vitória de Setúbal.

A partir de 1934/35, surgiram, então, os Campeonatos da I Liga/Nacionais, que realmente apuravam os melhores de Portugal; e os Campeonatos de Portugal que se disputaram desde essa época até 1937/38, deviam ser considerados juntamente com a Taça de Portugal, que lhe sucedeu a partir de 1938/39.

No mínimo dos mínimos, os Campeonatos de Portugal deveriam todos ser considerados juntamente com a Taça de Portugal – e, então, o Belenenses teria sido o vencedor de 6 edições (não de 3). Note-se, de resto, que nos troféus das primeiras Taças de Portugal está inscrita a designação de Campeão de Portugal (veja-se, na sala de troféus, a que conquistámos em 1942). Como veremos amanhã, quando Belenenses e Sporting se defrontaram na final da Taça de Portugal, o jornal “A Bola” considerou que era o quinto confronto entre as duas equipas – ou seja, três para Taça de Portugal e duas para o Campeonato de Portugal.

Agora, o que não lembra ao diabo e constitui um escândalo autêntico, é não se considerar em absoluto os Campeonatos de Portugal.
No entanto, eles existiram! E os dirigentes do Belenenses – e seus sócios e adeptos – devem lutar pela reposição da verdade!

Bem, e centremo-nos agora neste Campeonato de Portugal de 1933, que brilhantemente conquistámos. Na mesma época, o Belenenses foi Vice-Campeão de Lisboa. O Benfica ficou à nossa frente (apesar de termos tido o melhor Ataque e a melhor Defesa), e não conseguimos revalidar o título alcançado no ano anterior.

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Iniciou-se então o Campeonato de Portugal. Vejamos a marcha da prova, não somente com os nossos resultados mas, também, os dos nossos maiores rivais;

Na primeira eliminatória, o Belenenses venceu o Lusitano de Évora por 5-1 (para que conste, o Lusitano de Évora participou em 14 Campeonatos da Primeira Divisão); o F.C. Porto bateu o Vianense por 8-0; o Benfica ganhou ao Marinhense por 6-0 e o Sporting venceu a União Operária por 2-1.

Nos oitavos de final, já disputados a duas mãos, a tarefa do Belenenses foi mais difícil: frente ao Carcavelinhos (que, recorde-se, fora Campeão em 1928), perdemos o primeiro jogo por 3-2 mas seguimos em frente ganhando na segunda mão por 5-1; o Benfica venceu ambos os jogos com o Comércio e Indústria por 2-0; o Sporting desembaraçou-se do Luso do Barreiro, com um triunfo por 6-0 e um empate 1-1; o F.C. Porto arrumou a questão no primeiro jogo, com uma vitória 9-1 sobre o União de Lisboa, sendo insuficiente a vitória desta última equipa, na segunda mão, por 4-2.

Até aqui, tínhamos tido os adversários mais difíceis. E nos quartos de final, a tarefa não foi fácil, pois o nosso adversário, o Barreirense, era então um grupo muito forte.

Perdemos o primeiro jogo por 2-1, marca com que ganhámos a segunda mão. Houve, pois, necessidade de um desempate, que o Belenenses venceu por 4-1. Também o Sporting teve dificuldades: face ao Marítimo (que fora Campeão em 1926) ganhou por 3-1 mas sofreu depois, perdendo por 1-0. Por sua vez, F.C. Porto e Benfica defrontaram-se, com resultado invulgar: no seu campo, na Constituição, os portistas triunfaram por 8-0, só de consolação valendo a vitória do Benfica em Lisboa por 4-2.

Nas meias-finais, o Sporting e o Porto tiveram que ir a terceiro jogo, depois de empates 1-1 e 0-0, prevalecendo a equipa verde-branca por 3-1. Quanto ao nosso Belenenses, praticamente resolveu a questão na primeira mão, triunfando por 4-1 sobre o Vitória de Setúbal. No segundo jogo, um empate 3-3 foi suficiente.

E, assim, no dia 2 de Julho de 1933, Belenenses e Sporting disputavam a final no Campo do Lumiar, perante grande expectativa.

Perto de 25 mil pessoas, algo de gigantesco para a época, assistiram ao jogo. Foram até criadas carreiras especiais...

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No estimável livro “Pontapé na Bola – Histórias do Futebol Português”, de Fernando Correia (Sete Caminhos, Lisboa, 2006), podemos ler:

Às três horas da tarde já os eléctricos iam apinhados de público para o jogo, que só começava às cinco e meia.

No Estádio não havia um único lugar vago e, no camarote presidencial, lindas colgaduras punham uma nota de bom gosto e elegância que emprestavam ao espectáculo uma maior beleza, tal como escreviam os jornais da época
”.

(Neste livro de Fernando Correia, pessoa que até nos parece simpática, há também uma muito infeliz referência a Matateu: “...conseguiu a celebridade fora dos circuitos normais dos três ‘grandes’ clubes portugueses”.
Isto é reescrever a história!!! Quando Matateu jogou no Belenenses – e ainda depois, por muitos anos – havia fora de qualquer discussão QUATRO grandes! Aliás, até 1955, já Matateu estava há quatro épocas no Belenenses, a nossa equipa tinha mais pontos acumulados em todos os Campeonatos Nacionais que o F.C. Porto, apesar deste ter participado em duas edições graças a alargamentos. O triste é os nossos dirigentes máximos nada, absolutamente nada, se importarem com isto!).

O Belenenses apresentou o seguinte onze: Morais; José Simões e João Belo; Joaquim Almeida, Rodrigues Alves e César de Matos; Alfredo Ramos, Heitor Nogueira, Rodolfo Faroleiro, Bernardo Soares e José Luís.

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Ao intervalo, o Sporting ganhava por 1-0, golo marcado aos 27 minutos. Aos 10 minutos, o Belenenses desperdiçara soberana oportunidade, com a bola sobre o risco de baliza da equipa sportinguista.

Os nossos bravos rapazes voltaram determinadíssimos para a segunda parte. Apesar do vento contra, Rodolfo Faroleiro, a passe de José Luís, fez o empate ainda no primeiro quarto de hora. Porfiou a nossa equipa, ciosa da vitória. Aos 73 minutos, depois de boa jogada de Alfredo Ramos, veio o segundo golo, novamente por Rodolfo Faroleiro. O título adivinhava-se!

E aos 87 minutos, veio a confirmação: José Luís assinava o 3-1. Eramos Campeões! A festa era belenenses, com muitos adeptos do Sporting a abandonar o campo.

A nossa vitória, além do mais, fora valorizada pelo facto de o jogo se ter disputado no campo habitualmente utilizado pelo Sporting e pela ausência do nosso grande capitão Augusto Silva. Assim, neste jogo, o nosso capitão foi João Belo, que recebeu o troféu das mãos do Presidente da República.

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Aos jogadores foram entregues medalhas. O grande homem, futebolista, atleta e belenenses que foi Joaquim de Almeida, teve mais uma das suas nobres atitudes, correndo para Augusto Silva e oferecendo-lhe a sua medalha.

E ali estávamos! O Belenenses não era apenas o Campeão desse ano: era o mais poderoso clube de futebol em Portugal, no período de 14 anos que decorrera desde a sua fundação.

De facto, em Campeonatos de Portugal, o Belenenses e o F.C. Porto lideravam com três troféus (tendo ambos sido igualmente duas vezes Vice-Campeões). O Benfica tinha dois, o Sporting (e o Marítimo, o Carcavelinhos e o Olhanense), apenas um.

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No mesmo período, o Belenenses vencera quatro Campeonatos de Lisboa, o Sporting, cinco, o Benfica (e o Vitória de Setúbal), dois.

A nossa superioridade sobre os rivais lisboetas era, pois, um facto numérico.

Quanto aos nossos adversários portistas, não podendo encontrar forma de desempate em Campeonatos Regionais (concorríamos em diferentes provas), outros factores dirimiam a questão: o Belenenses era o clube com mais jogadores representados na Selecção Nacional desde o início da sua actividade. Augusto Silva era o mais internacional dos jogadores portugueses e o Capitão da Selecção.

Todos estes feitos se verificavam apesar de, com apenas 23 anos, se ter dado a morte trágica de Pepe em 1931. Com mais 10 ou 12 anos de actividade desse jogador enorme, quantos mais títulos não teríamos conquistado!

Não admira, pois, que o 14º aniversário do clube tenha sido festejado com enorme alegria e pujança (num livro de poemas já mencionado em outra ocasião, Perfeito Rodrigues refere-se a isso). Na altura, o Belenenses foi condecorado como Comendador da Ordem Militar de Cristo. Era o reconhecimento da força e do mérito do clube dos rapazes da praia.

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Era então Presidente da Direcção José Rosa, o pai de Acácio Rosa. O Vice-Presidente era Francisco Mega.

sábado, 1 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1942 – Constantino Fernandes inicia o seu primeiro mandato como Presidente

Constantino Fernandes foi Presidente da Direcção do Belenenses por duas vezes: entre 1942 e 1944 e em 1946. Mais tarde, entre 1962 e 1964, foi ainda Presidente da Mesa da Assembleia-Geral.

Enquanto Presidente da Direcção, ele bem poderia, à imagem do rei D. Manuel, ser chamado “o venturoso”. Com efeito, da primeira vez, tendo tomado posse em 1 de Julho, viu, onze dias depois, o Belenenses arrebatar a Taça de Portugal. Depois, em 1946, tendo sucedido ao Dr. Octávio de Brito, era também Presidente quando o Belenenses se sagrou Campeão Nacional.

A estas conquistas, deve-se juntar, no Futebol, o Campeonato de Lisboa de 1943/44 – na altura, o nosso quinto título lisboeta. Nas épocas de 1941/42 e 1942/43, o Belenenses ficou em terceiro lugar no Campeonato Nacional.

No entanto, nos anos das suas Presidências, houve também conquistas e proezas em outras modalidades.

1942
Campeão de Lisboa em Andebol
Vice-Campeão de Lisboa, em Basquetebol.
Vice-Campeão de Lisboa, em Râguebi.

1943
Campeão de Lisboa, em Andebol.
Vice-Campeão de Portugal, em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Râguebi.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Basquetebol Feminino.
Ana Linheiro vence Prova Paço d’Arcos-Cascais, em Natação.
Maria Lopes Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação.

1944
Finalista da Taça de Portugal em Basquetebol.
Campeão de Portugal em Equipas Femininas de Atletismo.
Campeão de Lisboa em Equipas Femininas de Atletismo.
Vice-Campeão de Lisboa, em Râguebi.
Ana Linheiro bate três records nacionais, em Natação.
Maria Helena Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação.
Francelina Moita, Recordista Ibérica de Lançamento do Dardo.


1946
Campeão de Lisboa em Andebol (de 11).
Finalista da Taça de Portugal em Basquetebol (terceira consecutiva).
Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino (segunda consecutiva).
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol.
Vice-Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Vice Campeão de Lisboa, em Hóquei em Campo.
Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.

Deve ainda destacar-se a justíssima homenagem prestada a Artur José Pereira em 25 de Dezembro de 1942.


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No Boletim do clube de Junho de 1946, Constantino Fernandes congratulava-se com a conquista do título de Campeão Nacional. Entre outras considerações, escrevia ele:

Dos quatro grandes clubes portugueses de desporto, o C. F. ‘Os Belenenses’ é o mais novo. Mas é curioso notar que já nasceu grande clube.
Desde os seus primeiros passos, que foram certos e seguros, jamais deixou de manter-se na mesma altura, no mesmo nível que os seus fundadores logo se propuseram dar-lhe. .
” (...)
De modo que nasceu-se grande clube porque se quis! Um conjunto de circunstâncias que foram previamente estabelecidas e sempre observadas serviram de tábua de recurso para se manter e elevar cada vez mais o renome de que goza muito legitimamente o nosso clube.” (...)
Na curva ascendente da marcha do clube, sempre este em todas as modalidades impôs a sua condição de valor”.

Mais tarde, numa entrevista publicada no jornal “Os Belenenses” de 23 de Junho de 1954, - edição que nos foi facultada pelo grande belenense Álvaro Antunes – interrogado sobre as suas maiores recordações, ele respondeu a dada altura:

Recordo a época de 1945-46. O clube foi Campeão Nacional de futebol.
Disse alguém que, nessa época, o campeonato queria fugir-nos e perseguimo-lo até à fronteira onde o conseguimos agarrar... É consolador viver o jogo final em Elvas, onde estivemos quase a soçobrar, mas um arranco genial de Vasco, aproveitado maravilhosamente por Rafael, trouxe a vitória.

A chegada a Lisboa depois da jornada de Elvas, a caravana de viaturas, as saudações entusiásticas pelo caminho, a recepção aqui e a emoção geral não são coisas que se esqueçam facilmente. E o clube precisava que isso tivesse repetição
”.

Esteve para ser no ano a seguir...


De qualquer forma. bons tempos esses, em que o Belenenses era um grande clube, e os seus dirigentes, sem egos inchados, queriam sempre ganhar mais, e tinham capacidade para tornar o clube temido e respeitado.

1945 – Quinta e última final da Taça de Portugal nas Salésias

A excelência do nosso Estádio das Salésias, especialmente desde o seu arrelvamento, pioneiro em Portugal, em 1937, impuseram-no como o grande palco do futebol lusitano, até à inauguração do Estádio Nacional em 1944.

Por isso, ali se realizaram jogos da Selecção e finais da Taça de Portugal. Já agor, também ali se realizavam finais do Campeonato da Segunda Divisão. Por exemplo, em 22 de Junho de 1941, o Olhanense venceu o Leça por 4-1.

Quanto às finais da Taça de Portugal, realizaram-se cinco, a última das quais nesta data:


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1938/39: Académica, 4 – Benfica, 3
1940/41: Belenenses, 1 – Sporting, 4
1942/43: Benfica, 5 – V. Setúbal, 1
1943/44: Benfica, 8 – Estoril, 0
1944/45: Sporting, 1 – Olhanense, 0.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1929 – António Marques ganha Porto – Coimbra, em Ciclismo

A Volta a Portugal em Bicicleta, competição máxima do ciclismo português, iniciara-se em 1927, como referimos a 28 de Abril e 15 de Maio).

Como também então referimos, o ciclismo era então já uma modalidade mobilizadora de multidões que percorria o país de lés-a-lés e que era recebida invariavelmente com grande entusiasmo. Numa época em que os meios de comunicação e as vias de transporte não abundavam e quantidade ou qualidade, o ciclismo constituía forte meio de projecção de um Belenenses que se pretendia afirmar como clube de âmbito nacional.

Mas, obviamente, nem só da “Volta” vivia o ciclismo nacional. Esta durava apenas cerca de duas semanas. Multiplicavam-se competições, maioritariamente durante a Primavera e Verão. Dessas destacavam-se as mais importantes como a Porto – Lisboa, Porto – Coimbra, Lisboa – Cartaxo – Lisboa, entre tantas outras, como os Campeonatos Nacionais de Fundo em que tivemos um Campeão de Portugal – António Augusto Carvalho.

O ano de 1929 foi especialmente profícuo, com o Belenenses a conquistar várias excelentes classificações nestas competições.

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Por exemplo, António Marques foi segundo na classificação individual na Lisboa - Cartaxo - Lisboa disputado em final de Maio de 1929, e terceiro na Taça Olímpica (prova de 100 Km); João Francisco venceu a prova Coimbra - Porto (prova de 100 km) com o já mencionado António Augusto de Carvalho a ficar logo atrás, conquistando a primeira posição por equipas; João Francisco venceu a prova Tomar - Lisboa (prova de 142 km), com António Augusto Carvalho a ficar em terceiro numa prova rijamente disputada e terminada ao sprint com uma diferença de quatro décimos de segundo a separar o primeiro do terceiro classificados. Nessa prova António Marques ficaria em quinto lugar a dois minutos e meio do primeiro classificado.

Melhor sorte teria, porém, a 30 de Junho, dia em que venceu a primeira edição da Porto – Coimbra.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1961 – Resgate do Estádio do Restelo

Subjacente ao assunto hoje aqui abordado, está toda a informação, apresentada em muitos dias anteriores referente ao modo como nos foram concedidos terrenos das Salésias, a obra magnífica e pioneira que ali realizou o Belenenses, o modo como fomos intimados a sair e sem indemnização – contrariamente aos outros dois grandes clubes lisboetas –a pedreira que nos foi facultada como local para construir o Restelo, o nosso belo estádio construído com tanto sacrifício, e o modo como o Belenenses, incapaz de fazer face às dívidas contraídas para a construção e aos pagamentos a que estava obrigado diante da Câmara Municipal de Lisboa, se viu obrigado a abrir mão da sua casa.

Em todo o processo, transparece o tratamento desigual que o Belenenses recebeu da Câmara Municipal de Lisboa, em comparação com o Benfica e o Sporting, pondo-nos em dificuldades de rivalizar com esses clubes.

Na verdade, este tratamento desigual permanece até hoje. Ainda recentemente, por pressão de uma Comissão de Moradores que evocou o belo sítio habitacional que é o Restelo (local desolado, antes do Belenenses para ali ir), o famigerado projecto imobiliário foi inviabilizado.

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Na altura escrevemos abundantemente para repor a verdade dos factos e deixar claro as injustiças de que o Belenenses já fora vítima ao longo dos anos; mas, nisso, como nas iniciativas para protestar contra uma comunicação social que só vê três clubes, não reparámos que tivesse havido nenhuma palavra nem nenhuma solidariedade de alguns (alguns, repetimos) dos actuais valentes cabos de guerra. Mas cada um sabe de si, tem os seus momentos e as suas razões.

Não é nosso hábito limitar-nos a reproduzir secamente ou de modo puramente objectivo o que já foi escrito; sempre procuramos dar vida e colorido à história. Mas, neste caso, vamos praticamente cingir-nos a citar as eloquentes palavras contidas no livro de Acácio Rosa “Factos, Nomes e Números – História do Clube de Futebol Os Belenenses; 2º Volume: 1960 a 23 de Setembro de 1984”, de que reproduzimos o seguinte:

1 – Em escrituras públicas celebradas entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Clube de Futebol «Os Belenenses» (escrituras de 1952, 1956 e 1957) ficaram consignados os seguintes princípios fundamentais:

a) concessão dada pela Câmara para a utilização dos terrenos a título precário, pelo prazo de 25 anos;
b) regresso dos terrenos à plena posse da Câmara, no termo da concessão, com todas as construções, parques e jardins neles implantados sem direito, por parte do Clube, a qualquer indemnização;

c) resgate, pela Câmara, da concessão, a todo o tempo, mediante indemnização ao Clube;

d) pagamento pelo Clube à Câmara de uma renda mensal de 83.304$70 de Janeiro de 1958 a Dezembro desse ano e a partir de Janeiro de 1959 até 1979 de uma renda mensal de 149.874$70;

e) pagamento da percentagem de 10% pelo Clube à Câmara sobre todas as explorações não desportivas realizadas no Estádio;

f) na falta de pagamento da renda, dentro dos prazos estabelecidos, (de 1 a 8 de cada mês), o direito da Câmara à posse plena do Estádio sem pagamento de qualquer indemnização ao Clube.


(...)

Iniciado em 1958 o pagamento da renda à Câmara (nesse ano, 83 304$70 por mês, como já se referiu) verificou-se a impossibilidade de o Clube suportar tal encargo. Pagaram-se os primeiros quatro meses. E nada mais.

Daí ter a direcção presidida pelo Dr. Santos Pinto, depois de consciencioso e detalhado exame à situação do Clube, tomado a iniciativa de, em fins de 1958, propor à Câmara a suspensão das rendas ou o resgate do Estádio e o seu subsequente arrendamento. As direcções que se lhe seguiram chegaram à mesma conclusão e renovaram por isso junto da Câmara aquela proposta.

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Entretanto, o Clube caminhava a passos agigantados para a agonia, esmagado com as dívidas, juros (muitas centenas de contos por ano), reformas de letras, etc., etc. Tudo se desarticulava. Na própria actividade desportiva se reflectiam em grande os efeitos da crise financeira. As portas mantinham-se abertas graças ao sacrifício de cinco ou seis dezenas de dedicados consócios que assumiram perante os bancos responsabilidades da ordem dos oito mil contos, comprometendo, muitos deles, tudo quanto tinham e até o que não tinham, além dos embaraços que esses compromissos acarretavam às suas próprias actividades profissionais. Não havia, assim, alternativa.

A dificuldade estava, no entanto, em convencer a Câmara de que só o resgate do Estádio e o seu arrendamento posterior ao Clube o podia salvar do desastre.

Disposta a Câmara a encarar o resgate, comunicou por intermédio do seu presidente ao Clube, em 8 de Fevereiro, essa sua disposição, acentuando logo que o Estádio ficaria em puro regime municipal e indicando a seguinte condição basilar: pagar o Clube, antes do resgate, todas as rendas em dívida, acrescidas dos respectivos juros de mora.

Esta condição impunha ao Clube a grave dificuldade de arranjar mais de 5 mil contos (nessa altura) para liquidar, antes do resgate, o que devia ao município. A indemnização nesse momento proposta pela Câmara deixava, apenas, o saldo líquido de cinco mil e quinhentos contos, já que à própria indemnização tinha de se ir buscar o que se pedisse emprestado para pagar, antecipadamente, as rendas.

As condições postas eram severíssimas. Não quis por isso a direcção prosseguir nas negociações sem ouvir o Conselho Geral, no qual têm assento muitos dos belenenses que mais ajudaram a enraizar e engrandecer o Clube. Por unanimidade e em votação nominal deu aquele alto órgão em reunião de 16 de Fevereiro parecer no sentido de não haver outra saída para as nossas dificuldades, concedendo todo o apoio à direcção e aconselhando-a a prosseguir nas negociações.

Em 29 de Junho de 1961, em sessão pública deliberou a Câmara resgatar o Estádio. Na tarde desse mesmo dia foi celebrada a respectiva escritura.

Foi com profundo desgosto, com a alma enlutada, que se assinou a escritura do resgate, sem a garantia do arrendamento, mesmo parcial, do belo estádio que nas suas entranhas guarda o suor honrado de milhares de Belenenses. Nesse acto não foi preferida uma só palavra!...


(...)

A Direcção e os demais corpos gerentes, bem como outros prezados e distintos consócios, tudo fizeram, absolutamente tudo, para obterem da Câmara o arrendamento do Estádio.

Recordaram-se-lhe as condições em que abandonámos as Salésias – ainda hoje campo bastante para as nossas necessidades; alegou-se que o Restelo foi produto de esforços indescritíveis e de sacrifícios sobre-humanos de milhares de belenenses ricos, pobres e remediados; que a implementação do Estádio naquele local contribuiu decisivamente para a urbanização e valorização daquela zona da cidade; que o Belenenses é instituição reconhecida pelo Governo de utilidade pública, em atenção aos relevantes serviços prestados ao País; que o Belenenses sofreria rude golpe nos seus pergaminhos se não ficasse arrendatário do Estádio.

Tudo isso e muito mais se disse, se expôs, se recomendou e nos pareceu mais do que bastante a justificar o arrendamento.

A Câmara, no entanto, foi sempre dizendo não poder conceber o resgate sem pôr o Estádio em regime de pura municipalização. Em face disto, limitámo-nos depois de pedir para que só a parte arrelvada, com as suas bancadas e anexos fosse objecto de arrendamento, ficando então em regime municipal todos os demais campos e rings.

Esta proposta não obteve, igualmente, aprovação.

Por fim já só se pediu que ao menos fosse arrendado a sala das Taças e as suas dependências onde funcionam os depósitos de material, o posto médico e rouparia. Pediu-se isto por todas as vias, mas também não fomos atendidos. Mais: a Câmara fez questão de as Taças serem retiradas do Estádio e subordinou o deferimento desse requerimento à condição de tudo o que era do Clube, incluindo as Taças, ser retirado previamente do Estádio
”.

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No relatório da Direcção de 1961 [presidida pelo Dr. Vale Guimarães], escreviam-se estas belas palavras: “Pagaram-se honrosamente as dívidas, pela segunda vez nos levaram as nossas instalações, conseguidas com muito suor e os sacrifícios de muitos anos de toda a família belenenses”.

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E, assim, entrámos no calvário da década de 60. Enquanto a Câmara Municipal de Lisboa nos punha os troféus e outros pertences do clube encaixotados à porta da rua, e nos exauria os recursos em pesadas exigências financeiras para podermos utilizar o Restelo, Benfica e Sporting recebiam da mesma Câmara Municipal a propriedade plena dos seus estádios!...

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Não admira, pois, que esses clubes avançassem para os sucessos europeus, enquanto o Belenenses, que os havia acompanhado, e que inúmeras vezes fizera vergar alguns dos maiores clubes do mundo, ficasse a lutar pela sua sobrevivência, incapaz de contratar jogadores para colmatar os grandes que iam saindo: Matateu, Yaúca, Vicente, José Pereira. Não admira que esses clubes dessem um grande salto em frente, enquanto nós nos agarrávamos desesperadamente para não cair no abismo.

Mas a honra, essa, não a tínhamos perdido; a noção da grandeza do clube, essa, não se havia esfumado. No acto de assinatura do resgate, os nossos dirigentes, repete-se, não proferiram uma só palavra! Assim fazem os que estão de pé. E Acácio Rosa, na época, sintetizava tudo, nestas palavras em entrevista ao jornal «A Bola»:

Sim, o clube fez uma cessão de direitos à Câmara, mas não negociou a honra nem a dignidade”.

Assim, era, de facto. Hoje, sorri-se ao lado de um Secretário de Estado que na nossa própria Casa diz que podemos ser um entreposto – e, porventura, tal é mesmo considerado como um elogio!

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Neste dia, em . . .

1996 – Morte de José Coelho da Fonseca

José Coelho da Fonseca nasceu em 15 de Outubro de 1905. Cedo despertou a sua veia belenense e em 1929, tinha o Belenenses 10 anos de existência, tornou-se sócio. Em 1938, com apenas 32 anos, foi eleito Presidente da Direcção para a época 1938/39, sem nunca antes ter tido qualquer cargo dirigente no Clube.

Desde essa altura ficou para sempre ligado ao Belenenses e ao dirigismo desportivo. Em 1943 foi eleito Presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em representação do Clube da Cruz de Cristo, numa altura, tal como hoje, em que a Presidência da AFL era dividida pelos três maiores Clubes da Associação.

Em 1947 voltou a ser eleito para cargos dirigentes no Belenenses, tendo sido sucessivamente Vice-Presidente da Assembleia-Geral nesse ano e no seguinte e, finalmente, em 1949, ocupado o cargo hierárquico Nº1 no Clube, sendo eleito Presidente da Assembleia-Geral.

É um dos grandes impulsionadores da construção do Estádio do Restelo em 1956, juntamente com o então Presidente da Direcção Major Pascoal Rodrigues, com o Major Baptista da Silva, entre outros, e também com a figura maior da construção do nosso Estádio, Capitão Soares da Cunha. Por todo o percurso efectuado até então, é-lhe atribuído o galardão de Sócio de Mérito nesse mesmo ano.

Em Setembro de 1958 torna-se Presidente da Comissão Central de Árbitros, dada a sua figura consensual de imparcialidade, justiça e honestidade entre todos os Clubes nacionais. Recorde-se que já nessa altura, como quase sempre no futebol Português, havia um clima de enorme suspeição na arbitragem, basta lembrar o caso Inocêncio Calabote que Coelho da Fonseca teve de resolver com mestria.

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Em 1962 é eleito Presidente do Conselho Fiscal para o triénio 1962/64, durante o qual presidiu à Comissão de Assuntos Administrativos e Económicos do Conselho Geral, órgão que sempre integrou dada a sua condição de ex-Presidente da Direcção em 1938.

Em 1967, durante um dos períodos mais conturbados estatutariamente da história do Belenenses, e numa altura em que a nossa situação era crítica, havendo pouca gente disponível para tomar as rédeas do Clube, respondeu presente, e integrou a Junta Directiva, ao lado de Acácio Rosa e de Gouveia da Veiga. E o Belenenses cresceu.

Em 1970 volta a ser Presidente do Conselho Fiscal, 32 anos depois de ter sido eleito Presidente da Direcção. Integrou o Grupo dos Mil desde a sua fundação, grupo criado no final dos anos setenta com a finalidade de cada um dos seus membros pagar uma quota extra, para lá da normal, de 1.000$00 por mês para ajudar o Clube.

Durante toda a sua vida nunca deixou de assistir aos jogos do Belenenses, até algumas vezes na Segunda Divisão, no seu lugar cativo, ao lado dos seus familiares e amigos de toda uma vida.

No início de 1996, já então com 90 anos, mas com uma lucidez e um espírito extraordinários, sofre o maior revés da sua vida, a morte da sua companheira de sempre, a eterna D. Adelina Coelho da Fonseca. Ainda viria a resistir e a continuar a frequentar o Estádio do Restelo quinzenalmente para ver os jogos do seu Clube de coração, mas a 28 de Junho de 1996, infelizmente, acabaria por não resistir a tão dolorosa perda.

José Coelho da Fonseca seria nove anos mais tarde reconhecido em toda a sua obra, empenho e dedicação ao Belenenses, com a atribuição póstuma em Assembleia Geral de 29 de Novembro de 2005, por unanimidade e aclamação, da Cruz de Cristo de Ouro – Dedicação e Valor, galardão maior do nosso Clube.

A José Coelho da Fonseca “apenas” lhe faltou ser Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, para fazer o pleno em cargos directivos relevantes no futebol Português.

Era o sócio nº 43 do Clube de Futebol "Os Belenenses" à data do seu falecimento.