1966 – Vicente e José Pereira na Selecção Nacional que venceu o Brasil na Fase Final do Campeonato do Mundo
Foi uma vitória histórica: era a primeira vez que Portugal e o Brasil se defrontavam numa Fase Final do Campeonato do Mundo. Aliás, era a primeira vez que Portugal ali estava presente.
Antes do Campeonato, ao perspectivar-se este confronto, ninguém poria em causa o favoritismo do Brasil. Portugal tinha o “futebol de tamancos”, como diziam os brasileiros; o nosso adversário era nada mais nem menos que o bi-campeão mundial (tinha conquistado os Campeonatos de 1958, na Suécia e de 1962, no Chile; neste último, a equipa da casa, comandada pelo nosso antigo treinador Francisco Riera, ficou em terceiro lugar).
No entanto, o facto é que, ao chegar este jogo, face ao resultados anteriores do grupo, era o Brasil que estava em situação difícil: para seguir em frente, tinha que ganhar, e por margem folgada.
Portugal impôs-se categoricamente, vencendo por 3-1, com 2-0 ao Intervalo.
Para esta vitória, contribuíram decisivamente os dois jogadores do Belenenses, José Pereira e Vicente. Sobre o primeiro, escreveu-se no jornal “O Século”:
“Foi um guarda-redes terrivelmente calmo mas meteoricamente rápido. Teve duas intervenções de grande categoria...”.
Quanto a Vicente, como era de costume, pura e simplesmente “secou” Pelé. A tal ponto assim foi, que o “Rei” – o melhor jogador do mundo de todos os tempos – foi deslocado para a extrema-esquerda. Ali apanhou com Morais. Segundo se conta, Pelé terá começado por lhe ameaçar partir uma perna mas acabou por ter que sair na sequência de duas entradas bastante duras do jogador sportinguista e português. Vicente, esse, desarmava com uma souplesse surpreendente...
O jogo teve lugar em Liverpool, e Portugal marcou aos 15 minutos, por Simões, e aos 26 minutos, e 85 minutos, por Eusébio. O golo do Brasil foi apontado por Rildo, aos 73 minutos.
quarta-feira, 19 de julho de 2006
terça-feira, 18 de julho de 2006
segunda-feira, 17 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1932 – Belenenses disputa finalíssima do Campeonato de Portugal
Vimos a 3 de Julho como, nesta época, terrivelmente iniciada com a morte de Pepe, o Belenenses reagiu com uma força extraordinária. Foi Campeão de Lisboa. Chegou à final do Campeonato de Portugal. Naquela data, depois de estar a perder por 4-1 com o F.C.Porto, conseguiu, no último quarto de hora, com uma recuperação notável, que a todos encheu de assombro e respeito, chegar ainda ao empate, e quase ganhou o jogo no prolongamento.
Duas semanas depois, disputou-se a finalíssima, novamente em Coimbra.
No meio de grande expectativa, o jogo voltou a ser marcado por grande competitividade. No final, entretanto, o F.C.Porto venceu por 2-1. O nosso golo foi apontado por Bernardo Soares. Os golos dos portistas foram marcados por Acácio Mesquita e, antes disso, de grande penalidade, por Pinga, outra grande legenda do futebol português.
Recordemos que Belenenses e F.C. Porto chegaram aqui com a possibilidade de se destacarem na liderança do maior número de títulos de Campeão – juntamente com o Benfica tinham dois Campeonatos cada um. O F.C.Porto chegou primeiro aos três mas, como também já vimos (2 de Julho), logo no ano seguinte, o Belenenses igualou-o e tendo até a vantagem de ter sido mais vezes finalista.
Grandes tempos, Grande Belenenses...
Hoje, descemos de divisão e (dirigentes, supomos) vêm-nos dizer que devemos estar satisfeitos porque fomos a equipa despromovida com mais pontos...
Como nos pôde suceder isto? Onde começou a cadeia de traições e de menoridades que têm destroçado o Belenenses?
2005 – Sebastião Cunha e Diogo Mateus sagram-se Campeões Europeus de Sevens (Râguebi)
Pouco depois de se sagraram Campeões Nacionais de Sevens, como referimos em 25 de Junho, Sebastião Cunha e Diogo Mateus foram seleccionados por Tomaz Morais para o Campeonato da Europa de Sevens, em Râguebi, a decorrer em Moscovo.
A selecção portuguesa já tri-campeã pelas vitórias obtidas em 2001/2002, 2002/2003, 2003/2004, apresentava-se como natural favorita à revalidação do título.
Na meia-final, disputada no mesmo dia, a outra finalista – a Rússia – afastara a Itália por concludentes 17-0, enquanto Portugal se qualificava batendo a França por 22-7, com quatro ensaios e transformação contra apenas um ensaio e uma transformação dos franceses.
A final foi muito disputada e decidida apenas no último minuto de forma dramática. A apenas quatro minutos do final, a selecção russa vencia por 26-7 fruto de quatro ensaios e três transformações, contra um ensaio apenas de Portugal e a sua respectiva transformação. Foi aliás a capacidade total de converter as transformações que se viria a revelar vantagem decisiva nesta final. Nos quatro minutos finais, Tomaz Morais opera alterações na equipa que resultam em melhor eficácia ofensiva. De tal forma que neste curto período de tempo, a Selecção Portuguesa consegue converter três ensaios, dois pelo belenense Sebastião Cunha e um por Frederico Sousa. Encarregado das respectivas transformações Pedro Leal não falharia passando Portugal definitivamente para a frente do marcador.
Como se pode ver, Sebastião Cunha, jogador do Belenenses que também já tinha participado na vitória europeia de 2002/2003 (além de se ter sagrado campeão nacional de Râguebi também nessa época, assim como o seu companheiro de selecção David Mateus), teve prestação que se revelou determinante na vitória final e na conquista do tetra-campeonato europeu.
Uma demonstração mais da grande qualidade do Râguebi do Belenenses, do seu fervor clubista mas também da sua extraordinária capacidade de formação, gestão desportiva e não só. São um exemplo de como deve ser gerida uma modalidade.
2005 – Bruno Pais conquista o terceiro lugar em Etapa da Taça do Mundo de Triatlo
Em Corner Brook no Canadá, disputava-se mais uma prova a contar para a Taça do Mundo de Triatlo, Bruno Pais, fruto de uma excelente prova, terminava a etapa em terceiro lugar.
Não podia, no entanto, ter começado pior. A primeira prova da etapa, a de natação correu mal ao belenense. Não desanimando, Bruno Pais viria a recuperaria bastante no ciclismo, prova em que realizou o menor tempo absoluto da etapa.
Na prova de atletismo, Bruno Pais conseguiu, embora com grande luta, resistir à perseguição movida pelos tri-atletas Frank Bignet (França) e Marko Alberto (Estónia).
Assim mesmo, Bruno Pais ficou na terceira posição e a 46 segundos de Tim Don, tri-atleta britânico que ocupava então o primeiro lugar do ranking mundial. Com esta presença no podium, feito até então inédito no triatlo português, Bruno Pais ascendeu também ao 14º lugar do Ranking mundial e terceiro no ranking europeu.
Vimos a 3 de Julho como, nesta época, terrivelmente iniciada com a morte de Pepe, o Belenenses reagiu com uma força extraordinária. Foi Campeão de Lisboa. Chegou à final do Campeonato de Portugal. Naquela data, depois de estar a perder por 4-1 com o F.C.Porto, conseguiu, no último quarto de hora, com uma recuperação notável, que a todos encheu de assombro e respeito, chegar ainda ao empate, e quase ganhou o jogo no prolongamento.
Duas semanas depois, disputou-se a finalíssima, novamente em Coimbra.
No meio de grande expectativa, o jogo voltou a ser marcado por grande competitividade. No final, entretanto, o F.C.Porto venceu por 2-1. O nosso golo foi apontado por Bernardo Soares. Os golos dos portistas foram marcados por Acácio Mesquita e, antes disso, de grande penalidade, por Pinga, outra grande legenda do futebol português.Recordemos que Belenenses e F.C. Porto chegaram aqui com a possibilidade de se destacarem na liderança do maior número de títulos de Campeão – juntamente com o Benfica tinham dois Campeonatos cada um. O F.C.Porto chegou primeiro aos três mas, como também já vimos (2 de Julho), logo no ano seguinte, o Belenenses igualou-o e tendo até a vantagem de ter sido mais vezes finalista.
Grandes tempos, Grande Belenenses...
Hoje, descemos de divisão e (dirigentes, supomos) vêm-nos dizer que devemos estar satisfeitos porque fomos a equipa despromovida com mais pontos...
Como nos pôde suceder isto? Onde começou a cadeia de traições e de menoridades que têm destroçado o Belenenses?
2005 – Sebastião Cunha e Diogo Mateus sagram-se Campeões Europeus de Sevens (Râguebi)
Pouco depois de se sagraram Campeões Nacionais de Sevens, como referimos em 25 de Junho, Sebastião Cunha e Diogo Mateus foram seleccionados por Tomaz Morais para o Campeonato da Europa de Sevens, em Râguebi, a decorrer em Moscovo.
A selecção portuguesa já tri-campeã pelas vitórias obtidas em 2001/2002, 2002/2003, 2003/2004, apresentava-se como natural favorita à revalidação do título.
Na meia-final, disputada no mesmo dia, a outra finalista – a Rússia – afastara a Itália por concludentes 17-0, enquanto Portugal se qualificava batendo a França por 22-7, com quatro ensaios e transformação contra apenas um ensaio e uma transformação dos franceses.
A final foi muito disputada e decidida apenas no último minuto de forma dramática. A apenas quatro minutos do final, a selecção russa vencia por 26-7 fruto de quatro ensaios e três transformações, contra um ensaio apenas de Portugal e a sua respectiva transformação. Foi aliás a capacidade total de converter as transformações que se viria a revelar vantagem decisiva nesta final. Nos quatro minutos finais, Tomaz Morais opera alterações na equipa que resultam em melhor eficácia ofensiva. De tal forma que neste curto período de tempo, a Selecção Portuguesa consegue converter três ensaios, dois pelo belenense Sebastião Cunha e um por Frederico Sousa. Encarregado das respectivas transformações Pedro Leal não falharia passando Portugal definitivamente para a frente do marcador.
Como se pode ver, Sebastião Cunha, jogador do Belenenses que também já tinha participado na vitória europeia de 2002/2003 (além de se ter sagrado campeão nacional de Râguebi também nessa época, assim como o seu companheiro de selecção David Mateus), teve prestação que se revelou determinante na vitória final e na conquista do tetra-campeonato europeu.
Uma demonstração mais da grande qualidade do Râguebi do Belenenses, do seu fervor clubista mas também da sua extraordinária capacidade de formação, gestão desportiva e não só. São um exemplo de como deve ser gerida uma modalidade.
2005 – Bruno Pais conquista o terceiro lugar em Etapa da Taça do Mundo de Triatlo
Em Corner Brook no Canadá, disputava-se mais uma prova a contar para a Taça do Mundo de Triatlo, Bruno Pais, fruto de uma excelente prova, terminava a etapa em terceiro lugar.Não podia, no entanto, ter começado pior. A primeira prova da etapa, a de natação correu mal ao belenense. Não desanimando, Bruno Pais viria a recuperaria bastante no ciclismo, prova em que realizou o menor tempo absoluto da etapa.
Na prova de atletismo, Bruno Pais conseguiu, embora com grande luta, resistir à perseguição movida pelos tri-atletas Frank Bignet (França) e Marko Alberto (Estónia).
Assim mesmo, Bruno Pais ficou na terceira posição e a 46 segundos de Tim Don, tri-atleta britânico que ocupava então o primeiro lugar do ranking mundial. Com esta presença no podium, feito até então inédito no triatlo português, Bruno Pais ascendeu também ao 14º lugar do Ranking mundial e terceiro no ranking europeu.
domingo, 16 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1944 – Nasce Alfredo Quaresma
Tempos houve em que o nome Quaresma fazia história no Belenenses.
Não vimos jogar o grande Artur Quaresma, embora mais tarde tivéssemos a grata ventura de o conhecer; mas, vimos, sim, jogar um outro Quaresma, também ele jogador de relevo do nosso Belenenses, nas décadas de 60 e de 70.
Alfredo Quaresma está mesmo entre os primeiros nomes de jogadores do Belenenses que nos lembramos de fixar. Não sei se estamos a ser injustos para alguém mas o Belenenses da minha meninice tinha dois rostos, de jogadores que vestiam a sua camisola, que o representavam por excelência: Quaresma e Godinho. Não esquecemos, certamente, a idêntica ou, até, porventura maior valia futebolística de Murça, Pietra, Gonzalez, Freitas ou mesmo Félix Mourinho (o pai de José Mourinho, que antes fora Guarda-Redes do Vitória de Setúbal e que pediu – sim, pediu! – para ingressar no Belenenses, apesar do Vitória passar então pelo maior período da sua história); mas Godinho e Quaresma eram jogadores em quem víamos um verdadeiro e nunca traído amor ao clube. Foram dos últimos assim. Sabemos que esses tempos acabaram, e que, desde há décadas, o que podemos e devemos exigir é que os jogadores sejam bons profissionais. Tal não nos impede, contudo, de afirmar que o futebol tinha então um outro encanto.
Significativa desta ligação afectiva, entre Alfredo Quaresma e o Belenenses, é a entrevista que lhe foi efectuada por Alberto Ferreira para o jornal “O Mundo Desportivo”, em 1973. É um documento de grande valor, não só pelas declarações de Quaresma mas, também, pela bela e significativa prosa de Alberto Ferreira – já não há jornalistas destes!... Reproduzimo-lo, por isso, a partir da citação que dele faz Acácio Rosa na História do Belenenses de 1960 a 1984:
“Temos Belenenses. Não temos Belenenses. Os ‘pastéis’ para a direita e para a esquerda. Pastéis, canela e açúcar. ‘Matateu, cravo e canela’. Acácio Rosa, saudosista, Di Pace e Perez. Campeonato perdido no último minuto. Lágrimas nas Salésias, uma raiva tremenda do Martins, do Sporting. Fernando Vaz, Palico e Peres. A bola chutada da bandeirola de canto e que deu a volta ao Tejo antes de entrar na baliza do Benfica. Recordam-se? E foi golo ou não foi, a bola saiu ou não saiu?
Até há relativamente pouco tempo, o Belenenses, a gente Belenenses, vivia destas coisas, para distrair, para ajudar a ‘esquecer’. Quando Carlos Serafim [um jovem jogador que parecia destinado a ser um fora de série] partiu a perna, adeptos dos ‘azuis’ morderam os lábios para não chorar. Era de mais. A família ‘azul’ vive destas coisas. Lamúrias e fatalismos. Um dia, um motorista de táxi declarou-me: ‘Eu já disse a um amigo meu que é do Belenenses: vocês, adeptos dos ‘pastéis’, mereciam uma estátua. Não ganham campeonatos mas continuam. Isto assim é bestial, é mesmo gostar, caramba!’.
Era uma homenagem rudemente proferida mas de uma verdade transcendente, serena, poética e nobre. A gente do Belenenses não merece uma estátua: merece que a respeitem e isso representa um poema. Aprendê-lo-ão as crianças. O poema andará na boca do porvir.
Estas reflexões estou a fazê-las e, a espaços, também, a escrevê-las já em Belém, nesta manhã de terça-feira. Belém é um património curioso, multifacetado. A Torre. Os Jerónimos. O rio. O Restelo, o estádio, dispõe-se nas pontas dos pés, nessa pequena colina atrás dos Jerónimos. A Torre faz-me pensar em Capela, Vasco, Feliciano e Serafim. O Gomes também era alto. Só o Amaro destoava um pouco. Esse grande jogador em talento, em técnica de execução. Vi-o há dias, ao fim da tarde, no Rossio. O Amaro, com cabelos brancos.
Estas ruas, algumas delas estreitas, sinuosas, cheiram a navegação e ao esforço de viver de muitas pessoas. São ruas que a ‘malta’ do Belenenses trilha sem cessar. Passam por aqui os jogadores. Os miúdos apontam-nos. Nem sempre é cómodo ser-se jogador do Belenenses. Há piadas. Os risinhos. Mas, é-se qualquer coisa quando se é jogador do Belenenses. Estranha sensação que muitos jogadores, quase todos, têm dificuldade em explicar.
O Belenenses teve sempre jogadores com os quais o seu público se metia indevida e injustamente. O Narciso e a Teixeira da Silva aguentaram muita piada. Ultimamente, muitos adeptos entendiam que a culpa era do Quaresma, o defesa central, hoje na linha média.
Vejo daqui a Junqueira. Penso nas Salésias. Nos defesas e nos médios que o Belenenses tem tido. Vasco Oliveira, não virava a cara a ninguém. Nem nas Salésias, nem em parte alguma. Frade, Pinto de Almeida, o Rebelo, o Diamantino, jogaram na linha média. Feliciano, marcava as grandes penalidades com o pé esquerdo: era uma salva de canhão que podia ser utilizada em cerimónias militares. O Belenenses devia estar agradecido ao Quaresma. Porquê? Pensem só na maneira como o Belenenses vinha jogando nos últimos anos. Mais sobre a defesa que outra coisa. Quaresma ‘esteve’ em muitos golos sofridos? Esteve, deve ter estado em alguns. Mas, evitou muitos. Foram mais os golos que evitou. Foram mais as tardes em que a sua presença na equipa belenense, no eixo da defesa, resultou positiva.
Quaresma está à minha frente:
- Eu? Nasci precisamente aqui em Belém. Chamo-me Alfredo.
- Logo em Belém, Quaresma! – disse-lhe eu.
- Nasci na Rua do Galvão. Sou mesmo daqui.
Era de perguntar. E perguntei.
- Quaresma, o que é que se sente quando se é jogador do Belenenses?
O jogador ‘sentiu’ a pergunta. E disse:
- Ser jogador do Belenenses é ter a alegria de ser do Belenenses. Por vezes, essa alegria desaparece para deixar passar grandes tristezas. Não é muito fácil ser-se jogador do Belenenses mas é bom ser do Belenenses.
Quaresma pensa e abandona o tema:
- Muitas vezes experimentei no Belenenses a imensa tristeza de não oferecer alegrias aos seus adeptos.
- Ouviu falar do êxito do Belenenses no campeonato nacional de 1946?
- Nessa ocasião eu só tinha dois anos mas depois lá fui ficando a conhecer a história desse título que o clube deseja ardentemente voltar a conquistar...
- Apenas quatro minutos! Eu sei, sei! Por isso mesmo o maior desejo que guardo dentro de mim é não sair do Belenenses sem que o tenha ajudado a ser novamente campeão nacional. Sei que muitos sócios, adeptos e jogadores do Belenenses choraram de dor quando perdemos esse encontro com o Sporting a poucos minutos do final”.
Pois é, os tempos são outros. Mas no Belenenses, deixámo-nos cair demais. Qualquer coveiro ou rebenta-canelas ou jornalista semi-letrado fala de nós como se fôssemos uma coisa qualquer. E calamos, admitimos, e alguns até aplaudem. Perdemos a mística que embelezava o Belenenses.
Não, não são só os maus resultados que afastam gente. É todo um discurso, toda uma maneira de (não) estar que não contagia ninguém – pelo contrário, só afasta.
Quaresma passou uma vida no Belenenses. Veio das camadas jovens. Em 20 de Abril de 1962, estreou-se na Selecção Nacional de Juniores, no primeiro de quatro encontros que disputou nessa qualidade.
No ano seguinte, subiu à equipa principal do Belenenses. A partir de 1966, começou a fixar-se como titular.
O Belenenses vivia então os piores momentos dos seus, na altura, quase 50 anos de vida. Com uma terrível crise financeira, via, um após outro, partir os seus melhores jogadores, em fim de carreira. De um hábito de ser terceiro, - a classificação que ainda hoje é, de longe, a que mais vezes obtivemos -, às vezes indo mais além, outras vezes ficando (só) um pouco mais embaixo (o quarto lugar é a segunda classificação mais vezes obtida), o Belenenses andava agora pelos sétimos e oitavos lugares.
Foi ainda em sétimo lugar que, em 1971/72, sob o comando de Zezé Moreira, ficámos situados; mas foi já um sétimo lugar bem mais em cima dos primeiros, e com a equipa em crescendo, depois de um péssimo início de Campeonato.
Então, em 1972/73, veio Alejandro Scopelli (e vieram alguns bons reforços, como já vimos, e alguns jogadores chegavam à maturidade, e Manuel Bulhousa ajudava financeiramente o clube, e a direcção de Baptista da Silva queria devolver o Belenenses ao topo); e, com ele, e com todos os outros factores conjugados que indicámos entre parêntesis, o Belenenses ressurgiu. Fomos, nessa época, Vice-Campeões (infelizmente, não havia então a Champions League...).
E, no entanto, a época começou de forma que deixou Alfredo Quaresma muito apreensivo. Ele que, aos 28 anos, tinha sido sempre Defesa Central, era agora colocado a médio por Scopelli. Alfredo chegou a temer que fosse uma forma de o queimar. Mas não. Scopelli, um grande senhor, tinha razão.
Quaresma atingiu na nova posição um brilho que nunca alcançara como defesa. Se, por um lado, transmitiu ao meio campo azul maior capacidade de recuperação de bola, encontrou também a sua veia goleadora. Tanto em 1972/73 (Belenenses em segundo lugar), como em 1973/74 (Belenenses em quinto lugar), Quaresma marcou quase uma dezena de golos no Campeonato.
Chegou, assim à Selecção Principal. A sua estreia teve lugar em 3 de Março de 1973, como já vimos. Com outro jogador nosso, Freitas, a titular, Portugal bateu a França, em Paris, por 2-1. Fez ainda mais dois jogos pela Selecção Nacional, ambos com a Bulgária. No último dos jogos, curiosamente disputado oito anos depois do Portugal-Bulgária da Fase Final do Mundial de 1966 (ver apontamento a seguir deste mesmo dia), Alfredo Quaresma marcou um golo, estabelecendo o resultado final de 2-2. Era um jogo para a Fase Prévia do Campeonato do Mundo.
Na época de 1973/74, Quaresma estreou-se na Taça UEFA. O Belenenses foi eliminado pelo então poderoso Wolverhampton.
Em 1975/76, fez parte da nossa equipa que ganhou a Taça Intertoto – Série IX e que ficou em terceiro lugar no Campeonato Nacional (sendo, aliás, a única equipa invicta em casa – ver tabela e melhores marcadores publicada no jornal “A Bola”, de 31 de Maio de 1976).
Com esta classificação, o Belenenses voltou à Taça UEFA em 1976/77. Com muito azar, capitulámos ante o poderoso Barcelona de Cruijf, Neeskens e Herédia (entre muitas outras vedetas), com 2-2 no Restelo e 2-3 na Catalunha. Em ambos os jogos, o Barça marcou mesmo nos últimos minutos.
No fim do segundo jogo, Quaresma, desesperado, queixava-se da nossa pouca sorte e confessava que, quando viu o árbitro apontar para o centro do terreno, após o golo decisivo dos espanhóis, lhe apeteceu esmurrá-lo. Apeteceu-lhe...mas não o fez.
Entretanto, em 1977/78, António Medeiros torna-se treinador do Belenenses. Foi com generalizado espanto que dispensou Quaresma e Godinho. Ficou a saudade, esse sentimento tão português...e tão belenense!
E hoje, um seu sobrinho-neto brilha nos relvados. Tristemente, porém, não joga nem nunca jogou no Belenenses...
Bons tempos, em que os grandes Quaresmas eram do Belenenses...
1945 – Conquista do segundo Campeonato Nacional de Basquetebol
A propósito do primeiro jogo internacional de Basquetebol disputado pelo Belenenses, ocorrido a 21 de Abril de 1946, já nos tínhamos referido à extraordinária época de 1944/45. De novo a 9 de Maio, pela despedida de Rómulo Trindade, em 1948.
Foi uma época de facto gloriosa. Não se ficando pelo “simples” repetir de 1939, ano em que o Belenenses conquistou pela primeira vez o Campeonato de Portugal, nesta época de 1944/45 o Belenenses arrebatou tudo o que havia para arrebatar no que a competições oficiais diz respeito.
Campeão de Lisboa: nas três categorias Seniores e em Juniores.
Taça de Honra: primeira categoria.
Campeão Nacional da Primeira Divisão: primeira categoria.
Valemo-nos de Acácio Rosa e do seu inestimável registo para referir os muitos jogadores que contribuíram para este avolumar de títulos:
Primeira Categoria:
Adriano Natividade, Afonso Domingues, António Esteves, Carlos Câmara e Sousa, João da Cruz, João Mendes, José Domingues, Manuel Ceia, Natálio Pereira, Rómulo Trindade e Valério Pacheco.
Segunda Categoria:
Alberto Marvanejo, Augusto Correia, Artur Gomes Carlos Veloso, Carlos Casaca, Jerónimo Soares, José Domingues, Manuel Cardoso, Natálio Pereira, Octávio Pisabarro e Rómulo Trindade.
Terceira Categoria:
Amador Duran, António Lucas, Artur Gomes, Bernardo Câmara e Sousa, Carlos Carvalho, Carlos Casaca, Jorge Marques, José Bicho, Joaquim Varela Marques, João Marques e Jerónimo Soares.
Juniores:
Alberto Coelho, Américo Vaz, António Jacinto, Aventando Inglês, Carlos Sequeira, Eduardo Câmara e Sousa, João Barradas, João Espada Duarte, Mário Charrua e Victor Rosa.
Acácio Rosa, no seu livro «Factos, Nomes e Números, 1919-60», cita Ricardo Ornelas, “crítico imparcial e sereno, jornalista do Diário Popular:
”A extraordinária proeza do Belenenses na Época do Basket-Ball. Parece que mais ganharia se mais provas houvesse.
Terminou ontem a época de 1944-45 do «basketball» e com ela a temporada mais extraordinária que um clube, na modalidade, até agora conseguiu.
O clube que cometeu essa proeza, já se sabe, foi o Clube de Football «Os Belenenses», que chamou a si os seguintes campeonatos:
Divisão de Honra de Lisboa: 1.ª, 2.ª e 3.ª categorias e juniores.
Campeonato Nacional da 1ª. Divisão: 1º. lugar.
Taça de Honra: vencedor.
Quer dizer: o único título ao alcance dos representantes do Belenenses por ele não ganho foi o nacional de juniores!
Nunca se fez semelhante!
E é necessário muita capacidade, muito esforço, resistência férrea e a indispensável sorte (a sorte que favorece os campeões) para se chegar a tão larga colheita de louvores; o êxito valoriza-se portanto a si próprio.
A circunstância, porém, de o Belenenses ter sido obrigado, frequentes vezes, a fazer valer todos os seus recursos, contra adversários da sua igualha, para obter a vitória ou não comprometer moralmente o seguimento da sua senda, mais ainda categoriza o seu triunfo digamos total – expressão incorrecta julgando todas as categorias em conjunto (porque os juniores falharam o seu campeonato) mas rigorosamente exacta em relação às restantes e, claro, à primeira equipa em especial. A respeito da dificuldade dos adversários, Vasco da Gama, Conimbricense, Benfica e outros concorrentes são de lembrar.
Têm assim bastante por que estarem satisfeitos os «basketistas» belenenses, os da primeira equipa, mais que os outros – e o clube, como os seus sócios.
A primeira equipa, realmente, ganhou tudo a que concorreu: os torneios oficiais, os que contam, e vários particulares, no decurso dos quais um ou outro deslize nada queria dizer. Deve ter sido estafante, menos decerto o acto de manejar a bola e jogá-la e, enfim, a equipa praticar o desporto para que está treinada, do que o trabalho do domínio, a partir de certa altura da época, para vencer nervos e a própria saturação.
Vêm a propósito alguns números, os da equipa de honra nas suas três provas:
Para uma equipa conseguir esta colecção, tem de possuir real capacidade. Alguns entendidos, cuja opinião respeitamos, afirmam que o «cinco» em conjunto não corresponderá a determinados pormenores, mas não negam a possibilidade de os seus componentes ainda maior rendimento conseguirem se tais exigências técnicas forem cumpridas. É pois, uma opinião valorizadora do grupo; e desafia até a ideia de que se na sua maneira de agora a equipa já conseguiu tanto – e tudo foi o que esteve ao seu alcance, na comprovação do valor relativo ao dos demais concorrentes – mais ainda pode alcançar, então, decerto, na expressão de todas as suas possibilidades como demonstrativo do seu próprio jogo. Desafia esta ideia, mas, claro, o Belenenses será primeiro a reconhecer que as outras equipas, por seu turno, também podem melhorar...”
E Ricardo Ornelas, continua tecendo considerações sobre as individualidades da equipa, saliento as suas “dissemelhanças” como mais-valia para o colectivo pela “constante possibilidade de «compensações» e de «complementos» as jogadas de ataque e defesa”:
“Esteves, em estatura; Valério e Natividade, em firmeza; Rómulo, em «calma adequada»; Seia e Cruz, em fulgor, o primeiro às vezes contrariado pela sua grande rapidez, que o faz precipitar lançamentos, e o segundo capaz de muito que parece «incrível» conseguir-se para se interceptar uma bola que se crê perdida em favor de um adversário ou para se mandar a bola ao cesto nas posições da maior dificuldade, à distância (em que é quasi único) ou debaixo do cesto em desequilíbrio claro. Afonso Domingues, esse, é um atleta perfeito ao serviço do «basketball». E isto para falar apenas em seis. O conjunto da equipa, em andamento, é vivíssimo no seu máximo. Esta amálgama resulta excelente – e proporciona belas noites de «basketball»”.
Perante tal descrição não há mais nada que possamos dizer. Pena é que fosse preciso esperar mais 14 anos para que se vencesse outro troféu nacional (Taça de Portugal em 1959) e, desde aí, mais nenhum foi conquistado até hoje.
Hoje os atletas são profissionais e pagos a peso de ouro. O basquetebol não é, há muito, uma modalidade amadora, pelo que inclui-la no rol do ecletismo não é correcto. O Belenenses gastou fortunas recentemente no escalão sénior da modalidade, ex-amadora, sem que de facto tivesse obtido retorno. Nem de prestígio e muito menos financeiro.
1966 – José Pereira e Vicente na vitória de Portugal sobre a Bulgária na Fase Final do Campeonato do Mundo, em Inglaterra
Em jogo que Portugal venceu categoricamente por 3-0, José Pereira e Vicente, titulares, fizeram do Belenenses o segundo clube com mais jogadores representados.
Tanto Vicente como o “Pássaro Azul” fizeram excelentes exibições neste encontro, contribuindo decisivamente para manter a baliza portuguesa inviolada. São duas grandes figuras do Belenenses, felizmente ainda vivas, embora José Pereira esteja radicado em França.
Tempos houve em que o nome Quaresma fazia história no Belenenses.
Não vimos jogar o grande Artur Quaresma, embora mais tarde tivéssemos a grata ventura de o conhecer; mas, vimos, sim, jogar um outro Quaresma, também ele jogador de relevo do nosso Belenenses, nas décadas de 60 e de 70.
Alfredo Quaresma está mesmo entre os primeiros nomes de jogadores do Belenenses que nos lembramos de fixar. Não sei se estamos a ser injustos para alguém mas o Belenenses da minha meninice tinha dois rostos, de jogadores que vestiam a sua camisola, que o representavam por excelência: Quaresma e Godinho. Não esquecemos, certamente, a idêntica ou, até, porventura maior valia futebolística de Murça, Pietra, Gonzalez, Freitas ou mesmo Félix Mourinho (o pai de José Mourinho, que antes fora Guarda-Redes do Vitória de Setúbal e que pediu – sim, pediu! – para ingressar no Belenenses, apesar do Vitória passar então pelo maior período da sua história); mas Godinho e Quaresma eram jogadores em quem víamos um verdadeiro e nunca traído amor ao clube. Foram dos últimos assim. Sabemos que esses tempos acabaram, e que, desde há décadas, o que podemos e devemos exigir é que os jogadores sejam bons profissionais. Tal não nos impede, contudo, de afirmar que o futebol tinha então um outro encanto.Significativa desta ligação afectiva, entre Alfredo Quaresma e o Belenenses, é a entrevista que lhe foi efectuada por Alberto Ferreira para o jornal “O Mundo Desportivo”, em 1973. É um documento de grande valor, não só pelas declarações de Quaresma mas, também, pela bela e significativa prosa de Alberto Ferreira – já não há jornalistas destes!... Reproduzimo-lo, por isso, a partir da citação que dele faz Acácio Rosa na História do Belenenses de 1960 a 1984:
“Temos Belenenses. Não temos Belenenses. Os ‘pastéis’ para a direita e para a esquerda. Pastéis, canela e açúcar. ‘Matateu, cravo e canela’. Acácio Rosa, saudosista, Di Pace e Perez. Campeonato perdido no último minuto. Lágrimas nas Salésias, uma raiva tremenda do Martins, do Sporting. Fernando Vaz, Palico e Peres. A bola chutada da bandeirola de canto e que deu a volta ao Tejo antes de entrar na baliza do Benfica. Recordam-se? E foi golo ou não foi, a bola saiu ou não saiu?
Até há relativamente pouco tempo, o Belenenses, a gente Belenenses, vivia destas coisas, para distrair, para ajudar a ‘esquecer’. Quando Carlos Serafim [um jovem jogador que parecia destinado a ser um fora de série] partiu a perna, adeptos dos ‘azuis’ morderam os lábios para não chorar. Era de mais. A família ‘azul’ vive destas coisas. Lamúrias e fatalismos. Um dia, um motorista de táxi declarou-me: ‘Eu já disse a um amigo meu que é do Belenenses: vocês, adeptos dos ‘pastéis’, mereciam uma estátua. Não ganham campeonatos mas continuam. Isto assim é bestial, é mesmo gostar, caramba!’.
Era uma homenagem rudemente proferida mas de uma verdade transcendente, serena, poética e nobre. A gente do Belenenses não merece uma estátua: merece que a respeitem e isso representa um poema. Aprendê-lo-ão as crianças. O poema andará na boca do porvir.
Estas reflexões estou a fazê-las e, a espaços, também, a escrevê-las já em Belém, nesta manhã de terça-feira. Belém é um património curioso, multifacetado. A Torre. Os Jerónimos. O rio. O Restelo, o estádio, dispõe-se nas pontas dos pés, nessa pequena colina atrás dos Jerónimos. A Torre faz-me pensar em Capela, Vasco, Feliciano e Serafim. O Gomes também era alto. Só o Amaro destoava um pouco. Esse grande jogador em talento, em técnica de execução. Vi-o há dias, ao fim da tarde, no Rossio. O Amaro, com cabelos brancos.
Estas ruas, algumas delas estreitas, sinuosas, cheiram a navegação e ao esforço de viver de muitas pessoas. São ruas que a ‘malta’ do Belenenses trilha sem cessar. Passam por aqui os jogadores. Os miúdos apontam-nos. Nem sempre é cómodo ser-se jogador do Belenenses. Há piadas. Os risinhos. Mas, é-se qualquer coisa quando se é jogador do Belenenses. Estranha sensação que muitos jogadores, quase todos, têm dificuldade em explicar.
O Belenenses teve sempre jogadores com os quais o seu público se metia indevida e injustamente. O Narciso e a Teixeira da Silva aguentaram muita piada. Ultimamente, muitos adeptos entendiam que a culpa era do Quaresma, o defesa central, hoje na linha média.
Vejo daqui a Junqueira. Penso nas Salésias. Nos defesas e nos médios que o Belenenses tem tido. Vasco Oliveira, não virava a cara a ninguém. Nem nas Salésias, nem em parte alguma. Frade, Pinto de Almeida, o Rebelo, o Diamantino, jogaram na linha média. Feliciano, marcava as grandes penalidades com o pé esquerdo: era uma salva de canhão que podia ser utilizada em cerimónias militares. O Belenenses devia estar agradecido ao Quaresma. Porquê? Pensem só na maneira como o Belenenses vinha jogando nos últimos anos. Mais sobre a defesa que outra coisa. Quaresma ‘esteve’ em muitos golos sofridos? Esteve, deve ter estado em alguns. Mas, evitou muitos. Foram mais os golos que evitou. Foram mais as tardes em que a sua presença na equipa belenense, no eixo da defesa, resultou positiva.
Quaresma está à minha frente:
- Eu? Nasci precisamente aqui em Belém. Chamo-me Alfredo.
- Logo em Belém, Quaresma! – disse-lhe eu.
- Nasci na Rua do Galvão. Sou mesmo daqui.
Era de perguntar. E perguntei.
- Quaresma, o que é que se sente quando se é jogador do Belenenses?
O jogador ‘sentiu’ a pergunta. E disse:
- Ser jogador do Belenenses é ter a alegria de ser do Belenenses. Por vezes, essa alegria desaparece para deixar passar grandes tristezas. Não é muito fácil ser-se jogador do Belenenses mas é bom ser do Belenenses.
Quaresma pensa e abandona o tema:
- Muitas vezes experimentei no Belenenses a imensa tristeza de não oferecer alegrias aos seus adeptos.
- Ouviu falar do êxito do Belenenses no campeonato nacional de 1946?
- Nessa ocasião eu só tinha dois anos mas depois lá fui ficando a conhecer a história desse título que o clube deseja ardentemente voltar a conquistar...
- Apenas quatro minutos! Eu sei, sei! Por isso mesmo o maior desejo que guardo dentro de mim é não sair do Belenenses sem que o tenha ajudado a ser novamente campeão nacional. Sei que muitos sócios, adeptos e jogadores do Belenenses choraram de dor quando perdemos esse encontro com o Sporting a poucos minutos do final”.
Pois é, os tempos são outros. Mas no Belenenses, deixámo-nos cair demais. Qualquer coveiro ou rebenta-canelas ou jornalista semi-letrado fala de nós como se fôssemos uma coisa qualquer. E calamos, admitimos, e alguns até aplaudem. Perdemos a mística que embelezava o Belenenses.
Não, não são só os maus resultados que afastam gente. É todo um discurso, toda uma maneira de (não) estar que não contagia ninguém – pelo contrário, só afasta.
Quaresma passou uma vida no Belenenses. Veio das camadas jovens. Em 20 de Abril de 1962, estreou-se na Selecção Nacional de Juniores, no primeiro de quatro encontros que disputou nessa qualidade.
No ano seguinte, subiu à equipa principal do Belenenses. A partir de 1966, começou a fixar-se como titular.
O Belenenses vivia então os piores momentos dos seus, na altura, quase 50 anos de vida. Com uma terrível crise financeira, via, um após outro, partir os seus melhores jogadores, em fim de carreira. De um hábito de ser terceiro, - a classificação que ainda hoje é, de longe, a que mais vezes obtivemos -, às vezes indo mais além, outras vezes ficando (só) um pouco mais embaixo (o quarto lugar é a segunda classificação mais vezes obtida), o Belenenses andava agora pelos sétimos e oitavos lugares.
Foi ainda em sétimo lugar que, em 1971/72, sob o comando de Zezé Moreira, ficámos situados; mas foi já um sétimo lugar bem mais em cima dos primeiros, e com a equipa em crescendo, depois de um péssimo início de Campeonato.
Então, em 1972/73, veio Alejandro Scopelli (e vieram alguns bons reforços, como já vimos, e alguns jogadores chegavam à maturidade, e Manuel Bulhousa ajudava financeiramente o clube, e a direcção de Baptista da Silva queria devolver o Belenenses ao topo); e, com ele, e com todos os outros factores conjugados que indicámos entre parêntesis, o Belenenses ressurgiu. Fomos, nessa época, Vice-Campeões (infelizmente, não havia então a Champions League...).
E, no entanto, a época começou de forma que deixou Alfredo Quaresma muito apreensivo. Ele que, aos 28 anos, tinha sido sempre Defesa Central, era agora colocado a médio por Scopelli. Alfredo chegou a temer que fosse uma forma de o queimar. Mas não. Scopelli, um grande senhor, tinha razão.
Quaresma atingiu na nova posição um brilho que nunca alcançara como defesa. Se, por um lado, transmitiu ao meio campo azul maior capacidade de recuperação de bola, encontrou também a sua veia goleadora. Tanto em 1972/73 (Belenenses em segundo lugar), como em 1973/74 (Belenenses em quinto lugar), Quaresma marcou quase uma dezena de golos no Campeonato.
Chegou, assim à Selecção Principal. A sua estreia teve lugar em 3 de Março de 1973, como já vimos. Com outro jogador nosso, Freitas, a titular, Portugal bateu a França, em Paris, por 2-1. Fez ainda mais dois jogos pela Selecção Nacional, ambos com a Bulgária. No último dos jogos, curiosamente disputado oito anos depois do Portugal-Bulgária da Fase Final do Mundial de 1966 (ver apontamento a seguir deste mesmo dia), Alfredo Quaresma marcou um golo, estabelecendo o resultado final de 2-2. Era um jogo para a Fase Prévia do Campeonato do Mundo.Na época de 1973/74, Quaresma estreou-se na Taça UEFA. O Belenenses foi eliminado pelo então poderoso Wolverhampton.
Em 1975/76, fez parte da nossa equipa que ganhou a Taça Intertoto – Série IX e que ficou em terceiro lugar no Campeonato Nacional (sendo, aliás, a única equipa invicta em casa – ver tabela e melhores marcadores publicada no jornal “A Bola”, de 31 de Maio de 1976).
Com esta classificação, o Belenenses voltou à Taça UEFA em 1976/77. Com muito azar, capitulámos ante o poderoso Barcelona de Cruijf, Neeskens e Herédia (entre muitas outras vedetas), com 2-2 no Restelo e 2-3 na Catalunha. Em ambos os jogos, o Barça marcou mesmo nos últimos minutos.
No fim do segundo jogo, Quaresma, desesperado, queixava-se da nossa pouca sorte e confessava que, quando viu o árbitro apontar para o centro do terreno, após o golo decisivo dos espanhóis, lhe apeteceu esmurrá-lo. Apeteceu-lhe...mas não o fez.
Entretanto, em 1977/78, António Medeiros torna-se treinador do Belenenses. Foi com generalizado espanto que dispensou Quaresma e Godinho. Ficou a saudade, esse sentimento tão português...e tão belenense!
E hoje, um seu sobrinho-neto brilha nos relvados. Tristemente, porém, não joga nem nunca jogou no Belenenses...
Bons tempos, em que os grandes Quaresmas eram do Belenenses...
1945 – Conquista do segundo Campeonato Nacional de Basquetebol
A propósito do primeiro jogo internacional de Basquetebol disputado pelo Belenenses, ocorrido a 21 de Abril de 1946, já nos tínhamos referido à extraordinária época de 1944/45. De novo a 9 de Maio, pela despedida de Rómulo Trindade, em 1948.
Foi uma época de facto gloriosa. Não se ficando pelo “simples” repetir de 1939, ano em que o Belenenses conquistou pela primeira vez o Campeonato de Portugal, nesta época de 1944/45 o Belenenses arrebatou tudo o que havia para arrebatar no que a competições oficiais diz respeito.
Campeão de Lisboa: nas três categorias Seniores e em Juniores.
Taça de Honra: primeira categoria.
Campeão Nacional da Primeira Divisão: primeira categoria.
Valemo-nos de Acácio Rosa e do seu inestimável registo para referir os muitos jogadores que contribuíram para este avolumar de títulos:
Primeira Categoria:
Adriano Natividade, Afonso Domingues, António Esteves, Carlos Câmara e Sousa, João da Cruz, João Mendes, José Domingues, Manuel Ceia, Natálio Pereira, Rómulo Trindade e Valério Pacheco.
Segunda Categoria:
Alberto Marvanejo, Augusto Correia, Artur Gomes Carlos Veloso, Carlos Casaca, Jerónimo Soares, José Domingues, Manuel Cardoso, Natálio Pereira, Octávio Pisabarro e Rómulo Trindade.
Terceira Categoria:
Amador Duran, António Lucas, Artur Gomes, Bernardo Câmara e Sousa, Carlos Carvalho, Carlos Casaca, Jorge Marques, José Bicho, Joaquim Varela Marques, João Marques e Jerónimo Soares.
Juniores:
Alberto Coelho, Américo Vaz, António Jacinto, Aventando Inglês, Carlos Sequeira, Eduardo Câmara e Sousa, João Barradas, João Espada Duarte, Mário Charrua e Victor Rosa.
Acácio Rosa, no seu livro «Factos, Nomes e Números, 1919-60», cita Ricardo Ornelas, “crítico imparcial e sereno, jornalista do Diário Popular:
”A extraordinária proeza do Belenenses na Época do Basket-Ball. Parece que mais ganharia se mais provas houvesse.
Terminou ontem a época de 1944-45 do «basketball» e com ela a temporada mais extraordinária que um clube, na modalidade, até agora conseguiu.
O clube que cometeu essa proeza, já se sabe, foi o Clube de Football «Os Belenenses», que chamou a si os seguintes campeonatos:
Divisão de Honra de Lisboa: 1.ª, 2.ª e 3.ª categorias e juniores.
Campeonato Nacional da 1ª. Divisão: 1º. lugar.
Taça de Honra: vencedor.
Quer dizer: o único título ao alcance dos representantes do Belenenses por ele não ganho foi o nacional de juniores!
Nunca se fez semelhante!
E é necessário muita capacidade, muito esforço, resistência férrea e a indispensável sorte (a sorte que favorece os campeões) para se chegar a tão larga colheita de louvores; o êxito valoriza-se portanto a si próprio.
Adversários difíceis
A circunstância, porém, de o Belenenses ter sido obrigado, frequentes vezes, a fazer valer todos os seus recursos, contra adversários da sua igualha, para obter a vitória ou não comprometer moralmente o seguimento da sua senda, mais ainda categoriza o seu triunfo digamos total – expressão incorrecta julgando todas as categorias em conjunto (porque os juniores falharam o seu campeonato) mas rigorosamente exacta em relação às restantes e, claro, à primeira equipa em especial. A respeito da dificuldade dos adversários, Vasco da Gama, Conimbricense, Benfica e outros concorrentes são de lembrar.
Têm assim bastante por que estarem satisfeitos os «basketistas» belenenses, os da primeira equipa, mais que os outros – e o clube, como os seus sócios.
A primeira equipa, realmente, ganhou tudo a que concorreu: os torneios oficiais, os que contam, e vários particulares, no decurso dos quais um ou outro deslize nada queria dizer. Deve ter sido estafante, menos decerto o acto de manejar a bola e jogá-la e, enfim, a equipa praticar o desporto para que está treinada, do que o trabalho do domínio, a partir de certa altura da época, para vencer nervos e a própria saturação.
Vêm a propósito alguns números, os da equipa de honra nas suas três provas:
Camp. de Lisboa: J:14, V:12, E:00, D:02, Bolas: 524 – 399
Camp. Nacional: J:10, V:09, E:00, D:01, Bolas: 418 – 322
Taça de Honra: J: 03, V:03, E:00, D:00, Bolas: 91 – 82
Total: J:27, V:24, E:00, D:03, Bolas: 1033 – 803
É uma colecção brilhante
Capacidade real
Camp. Nacional: J:10, V:09, E:00, D:01, Bolas: 418 – 322
Taça de Honra: J: 03, V:03, E:00, D:00, Bolas: 91 – 82
Total: J:27, V:24, E:00, D:03, Bolas: 1033 – 803
É uma colecção brilhante
Capacidade real
Para uma equipa conseguir esta colecção, tem de possuir real capacidade. Alguns entendidos, cuja opinião respeitamos, afirmam que o «cinco» em conjunto não corresponderá a determinados pormenores, mas não negam a possibilidade de os seus componentes ainda maior rendimento conseguirem se tais exigências técnicas forem cumpridas. É pois, uma opinião valorizadora do grupo; e desafia até a ideia de que se na sua maneira de agora a equipa já conseguiu tanto – e tudo foi o que esteve ao seu alcance, na comprovação do valor relativo ao dos demais concorrentes – mais ainda pode alcançar, então, decerto, na expressão de todas as suas possibilidades como demonstrativo do seu próprio jogo. Desafia esta ideia, mas, claro, o Belenenses será primeiro a reconhecer que as outras equipas, por seu turno, também podem melhorar...”
E Ricardo Ornelas, continua tecendo considerações sobre as individualidades da equipa, saliento as suas “dissemelhanças” como mais-valia para o colectivo pela “constante possibilidade de «compensações» e de «complementos» as jogadas de ataque e defesa”:
“Esteves, em estatura; Valério e Natividade, em firmeza; Rómulo, em «calma adequada»; Seia e Cruz, em fulgor, o primeiro às vezes contrariado pela sua grande rapidez, que o faz precipitar lançamentos, e o segundo capaz de muito que parece «incrível» conseguir-se para se interceptar uma bola que se crê perdida em favor de um adversário ou para se mandar a bola ao cesto nas posições da maior dificuldade, à distância (em que é quasi único) ou debaixo do cesto em desequilíbrio claro. Afonso Domingues, esse, é um atleta perfeito ao serviço do «basketball». E isto para falar apenas em seis. O conjunto da equipa, em andamento, é vivíssimo no seu máximo. Esta amálgama resulta excelente – e proporciona belas noites de «basketball»”.
Perante tal descrição não há mais nada que possamos dizer. Pena é que fosse preciso esperar mais 14 anos para que se vencesse outro troféu nacional (Taça de Portugal em 1959) e, desde aí, mais nenhum foi conquistado até hoje.
Hoje os atletas são profissionais e pagos a peso de ouro. O basquetebol não é, há muito, uma modalidade amadora, pelo que inclui-la no rol do ecletismo não é correcto. O Belenenses gastou fortunas recentemente no escalão sénior da modalidade, ex-amadora, sem que de facto tivesse obtido retorno. Nem de prestígio e muito menos financeiro.
1966 – José Pereira e Vicente na vitória de Portugal sobre a Bulgária na Fase Final do Campeonato do Mundo, em Inglaterra
Em jogo que Portugal venceu categoricamente por 3-0, José Pereira e Vicente, titulares, fizeram do Belenenses o segundo clube com mais jogadores representados.
Tanto Vicente como o “Pássaro Azul” fizeram excelentes exibições neste encontro, contribuindo decisivamente para manter a baliza portuguesa inviolada. São duas grandes figuras do Belenenses, felizmente ainda vivas, embora José Pereira esteja radicado em França.
sábado, 15 de julho de 2006
sexta-feira, 14 de julho de 2006
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1929 – Inaugurada nova sede, na Rua da Junqueira, Nº 279
O Belenenses aprestava-se para as comemorações do décimo aniversário. Dez anos em que, além de notáveis resultados desportivos para um clube tão jovem, apostara fortemente na construção de instalações condignas, fossem desportivas ou de apoio aos associados. O aumento da massa associativa foi uma preocupação constante, com múltiplas iniciativas.
Havia um arreigado fervor clubista a que não era alheio o bairrismo do povo de Belém. Orgulhoso do Clube do seu bairro, aderia na medida das suas possibilidades. Era um povo, na sua esmagadora maioria, pertencente a classes de baixos recursos financeiros, trabalhadores enrijecidos pela dura labuta (ver o caso de Pepe e a forma como faleceu aos 23 anos de idade – e era uma figura importante) e não um grupinho de meninos «queque», beneficiados do sistema. É importante sublinhar e reavivar memórias pois actualmente e desde há muitos anos, assistimos a uma campanha cujo objectivo é conotar o Belenenses com o «estado novo» como querem pintar actualmente muitos, adeptos de outros clubes, de forma a desviar a atenção dos benefícios que os seus próprios clubes recebiam e ainda recebem apesar de todas as transformações sociais que ocorreram no País. É uma tentativa de reescrever a história apoiando-se na teoria de que se torna verdade uma mentira desde que muitas vezes repetida. Além do mais, pouco ou nada o Clube actual faz por repor essa verdade, contando a sua história como ela ocorreu.
O Belenenses era – e sempre foi – um Clube do povo e para o povo. Como, aliás, o prova a madrugadora preocupação de disponibilizar espaços para a prática de diversas modalidades de forma acessível a todos, com grande ênfase para a ginástica. Pense-se que então o acesso à escolaridade era muito reduzido e que mesmo aí não se dava à prática desportiva o carácter obrigatório necessário.
Como temos abordado ao longo destes apontamentos, o fomentar da prática desportiva (o que é bem diferente da profissionalização da mesma prática) foi sempre uma missão inteiramente assumida e com inevitáveis custos ao nível da competitividade do Futebol, inevitavelmente o desporto com mais projecção e objectivo principal do Clube, desde cedo consagrado em estatutos e no próprio nome do Clube.
Neste espírito, o Belenenses inaugurava, nesta data em 1929 a sua nova Sede, que passava para a Rua da Junqueira, no Nº 279, o que significou uma considerável melhoria da qualidade e dimensão das instalações.
Para se entender a dimensão do que já então representava o Belenenses, veja-se os principais factos e feitos desta primeira década:
1920
Vice-Campeão de Lisboa em Futebol. Vitórias nos primeiros jogos com Benfica e Sporting. Conquista da Taça dos Mutilados da Guerra (final, vitória 2-1 sobre o Sporting).
1921
Vitória 2-0 sobre o Sevilha, no primeiro jogo internacional de Futebol. Primeira vitória sobre o F.C.Porto (3-0). Augusto Silva ingressa no Belenenses. Conquista da Taça Belenenses / Sporting / Porto, em Futebol. Início de actividade do Atletismo. Belenenses é determinante na constituição da Associação de Atletismo de Lisboa. Início de actividade do Ciclismo.
1922
Primeiro jogador do Belenenses (Alberto Rio) na Selecção Nacional de Futebol (no 2º jogo desta). Conquista da Taça “O Século” em Futebol (final, vitória 2-1 sobre Benfica). Último jogo de Artur José Pereira.
1923
Posse definitiva da imponente Taça dos Mutilados da Guerra em Futebol.
1924
Conquista da Taça Camões, em Futebol (vitória sobre o Sporting, na final).
1925
Vice Campeão de Lisboa em Futebol. Início da actividade da Natação.
1926
Campeão de Lisboa em Futebol. Vice Campeão de Portugal, em Futebol. Campeão de Lisboa de Infantis, em Futebol. Início da actividade do Pólo Aquático. Um dos mais famosos “quartos de hora à Belenenses” (de 1-4 para 5-4 em jogo com Benfica), em Futebol. Início da actividade do Ciclismo Feminino. Primeiro praticante do Belenenses (Severo Tiago) a integrar a Selecção Nacional em Atletismo. Primeiro praticante do Belenenses (Matos Henriques) a bater um Recorde Nacional de Atletismo. João da Silva Marques vence Travessia do Tejo, em Natação. Posse dos Terrenos das Salésias. Clube tem 1659 sócios.
1927
Campeão de Portugal de Futebol. Vice-Campeão de Lisboa, em Futebol. Pepe marca 2 golos na vitória da selecção nacional sobre a França e é levado em ombros no final. Início da Actividade do Basquetebol. Início da Actividade do Ténis de Mesa. Ciclistas do Belenenses participam na Primeira Volta a Portugal em Bicicleta. Começo das obras de construção do Estádio nas Salésias. Nova sede na Rua da Junqueira. Surgem as duas primeiras filiais do Belenenses.
1928
O Belenenses é o clube mais representado na Selecção Nacional de Futebol que brilhou nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, com Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos. Realiza-se o primeiro jogo nas Salésias. Vice-Campeão de Lisboa de Pólo Aquático. António Augusto Carvalho ganha Campeonato Nacional de Fundo, em ciclismo. Primeiro jogo de Basquetebol. Início da actividade do Râguebi (primeiro jogo, vitória 11-0 sobre o Benfica). Início da Actividade do Hóquei em Campo.
1929
Campeão de Portugal em Futebol. Campeão de Lisboa em Futebol. Pepe marca 10 golos num jogo do Campeonato de Lisboa, o que constitui record de todos os Campeonatos. Primeiro jogo do Belenenses disputado fora de Portugal. O Belenenses passa a ser o clube com mais jogadores representados na selecção nacional de Futebol, o que manterá até 1935. Augusto Silva torna-se Capitão da Selecção Nacional. Vice-Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Masculinas.
Honrando este fantástico palmarés obtido em tão pouco tempo e que guindara o Belenenses aos postos cimeiros do futebol português, entendeu a Direcção presidida por João Luis de Moura, realizar um extenso programa de comemorações, que se estendeu de 15 a 23 de Setembro, Dia da Fundação.
Como relata, Acácio Rosa, no seu «Factos Nomes e Números, 1919-60», no programa constaram duas provas de Ciclismo, vários jogos de Futebol, Râguebi, Basquetebol, Hóquei em Campo e Ténis de Mesa para o que foram convidados vários clubes portugueses, destacados representantes de cada dessas modalidades.
As comemorações, que foram uma demonstração cabal de todo o prestígio alcançado em tão pouco tempo, seriam encerradas no dia da Fundação, com a realização de um jantar comemorativo e, simultaneamente, de homenagem a todos os representantes do Clube.
1966 – Vicente no primeiro jogo da Selecção Nacional numa fase final de um Campeonato do Mundo
Nesta data, Portugal estreou-se finalmente numa Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol. E começou bem, vencendo, com alguma surpresa, a então poderosa e conceituada Hungria por 3-1.
Foram convocados para esta presença em Inglaterra dois jogadores do Belenenses: José Pereira e Vicente. Foram ambos titulares na maioria dos jogos. José Pereira só ficou no banco no primeiro jogo, sendo titular nos restantes, e Vicente esteve sempre no Onze até se lesionar, só por isso não participando nos dois últimos encontros.
Aliás, o historial de presenças da Selecção de Portugal nos grandes palcos do futebol mundial dá-nos a noção do que tem sido o percurso do Belenenses:
Em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amsterdão (então um autêntico Campeonato do Mundo, pois não havia nenhuma limitação, etária ou outra, à presença de jogadores), o Belenenses teve quatro jogadores seleccionados, Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos, dos quais os três primeiros foram habituais titulares. O Belenenses era a equipa mais representada.
Em 1966, neste Campeonato do Mundo de Inglaterra – a meio da, para nós, terrível década de 60 –, o Belenenses, apesar dos momentos difíceis que viveu, teve dois jogadores convocados e habituais titulares. Foi o terceiro clube com mais jogadores titularess e, aliás, num dos jogos, foi mesmo o segundo.
Em 1984, no Europeu de França, a recuperar da primeira queda, não tivemos nenhum jogador convocado, embora, logo a seguir, tenhamos contratado um dos presentes, o guarda-redes Jorge Martins.
Em 1986, para o Campeonato do Mundo do México, fomos o quarto clube com mais jogadores convocados, três em 22: Jorge Martins, Sobrinho e José António. Só este último chegou a jogar, nos escassos três encontros que disputámos, mas tal mostrava um Belenenses, de Mário Rosa Freire, José da Silva e Henry Depireux, a reerguer a cabeça. (Henry Depireux acaba de se tornar Seleccionador do Congo, ele que já foi Vice-Campeão de África. Para alguns de nós, era o homem ideal para tutelar todo o futebol do Belenenses: vive apaixonadamente os projectos, mas é metódico e pragmático; tem o Belenenses no coração; Chegava ao clube de manhã cedo e saía às tantas da noite; conhece bem o futebol africano, onde nos poderia encontrar bons jogadores acessíveis. Era muito caro, dirão alguns... Duvidemos que fosse inacessível; mas não é muito mais caro ir buscar gente que nos “espeta” na Segunda Divisão?).
Depois, nas participações em Fases Finais do Europeu de 1996, 2000, 2002, 2004 e 2006, nem um jogador do Belenenses convocado. Significativo, não? E mais triste é que, se em 1996 Fernando Mendes, Paulo Madeira, Tulipa e Neves foram hipóteses, de então para cá, que dizer? Nem soubemos ir buscar o Rui Jorge em devido tempo...
Sobre a exibição de Vicente contra a Hungria, escreveu-se: “Uma das grandes exibições da equipa” (Aurélio Márcio no Diário Popular); “É de elementar justiça salientar os que realmente se distinguiram: Eusébio, Vicente e Carvalho” (Francisco Mata no Século). O nosso grande Vicente fez, pois, um excelente jogo, cabendo-lhe aliás marcar Bene, a grande vedeta da Hungria).
O Belenenses aprestava-se para as comemorações do décimo aniversário. Dez anos em que, além de notáveis resultados desportivos para um clube tão jovem, apostara fortemente na construção de instalações condignas, fossem desportivas ou de apoio aos associados. O aumento da massa associativa foi uma preocupação constante, com múltiplas iniciativas.
Havia um arreigado fervor clubista a que não era alheio o bairrismo do povo de Belém. Orgulhoso do Clube do seu bairro, aderia na medida das suas possibilidades. Era um povo, na sua esmagadora maioria, pertencente a classes de baixos recursos financeiros, trabalhadores enrijecidos pela dura labuta (ver o caso de Pepe e a forma como faleceu aos 23 anos de idade – e era uma figura importante) e não um grupinho de meninos «queque», beneficiados do sistema. É importante sublinhar e reavivar memórias pois actualmente e desde há muitos anos, assistimos a uma campanha cujo objectivo é conotar o Belenenses com o «estado novo» como querem pintar actualmente muitos, adeptos de outros clubes, de forma a desviar a atenção dos benefícios que os seus próprios clubes recebiam e ainda recebem apesar de todas as transformações sociais que ocorreram no País. É uma tentativa de reescrever a história apoiando-se na teoria de que se torna verdade uma mentira desde que muitas vezes repetida. Além do mais, pouco ou nada o Clube actual faz por repor essa verdade, contando a sua história como ela ocorreu.
O Belenenses era – e sempre foi – um Clube do povo e para o povo. Como, aliás, o prova a madrugadora preocupação de disponibilizar espaços para a prática de diversas modalidades de forma acessível a todos, com grande ênfase para a ginástica. Pense-se que então o acesso à escolaridade era muito reduzido e que mesmo aí não se dava à prática desportiva o carácter obrigatório necessário.
Como temos abordado ao longo destes apontamentos, o fomentar da prática desportiva (o que é bem diferente da profissionalização da mesma prática) foi sempre uma missão inteiramente assumida e com inevitáveis custos ao nível da competitividade do Futebol, inevitavelmente o desporto com mais projecção e objectivo principal do Clube, desde cedo consagrado em estatutos e no próprio nome do Clube.
Neste espírito, o Belenenses inaugurava, nesta data em 1929 a sua nova Sede, que passava para a Rua da Junqueira, no Nº 279, o que significou uma considerável melhoria da qualidade e dimensão das instalações.
Para se entender a dimensão do que já então representava o Belenenses, veja-se os principais factos e feitos desta primeira década:
1920
Vice-Campeão de Lisboa em Futebol. Vitórias nos primeiros jogos com Benfica e Sporting. Conquista da Taça dos Mutilados da Guerra (final, vitória 2-1 sobre o Sporting).
1921
Vitória 2-0 sobre o Sevilha, no primeiro jogo internacional de Futebol. Primeira vitória sobre o F.C.Porto (3-0). Augusto Silva ingressa no Belenenses. Conquista da Taça Belenenses / Sporting / Porto, em Futebol. Início de actividade do Atletismo. Belenenses é determinante na constituição da Associação de Atletismo de Lisboa. Início de actividade do Ciclismo.
1922
Primeiro jogador do Belenenses (Alberto Rio) na Selecção Nacional de Futebol (no 2º jogo desta). Conquista da Taça “O Século” em Futebol (final, vitória 2-1 sobre Benfica). Último jogo de Artur José Pereira.
1923
Posse definitiva da imponente Taça dos Mutilados da Guerra em Futebol.
1924
Conquista da Taça Camões, em Futebol (vitória sobre o Sporting, na final).
1925
Vice Campeão de Lisboa em Futebol. Início da actividade da Natação.
1926
Campeão de Lisboa em Futebol. Vice Campeão de Portugal, em Futebol. Campeão de Lisboa de Infantis, em Futebol. Início da actividade do Pólo Aquático. Um dos mais famosos “quartos de hora à Belenenses” (de 1-4 para 5-4 em jogo com Benfica), em Futebol. Início da actividade do Ciclismo Feminino. Primeiro praticante do Belenenses (Severo Tiago) a integrar a Selecção Nacional em Atletismo. Primeiro praticante do Belenenses (Matos Henriques) a bater um Recorde Nacional de Atletismo. João da Silva Marques vence Travessia do Tejo, em Natação. Posse dos Terrenos das Salésias. Clube tem 1659 sócios.
1927
Campeão de Portugal de Futebol. Vice-Campeão de Lisboa, em Futebol. Pepe marca 2 golos na vitória da selecção nacional sobre a França e é levado em ombros no final. Início da Actividade do Basquetebol. Início da Actividade do Ténis de Mesa. Ciclistas do Belenenses participam na Primeira Volta a Portugal em Bicicleta. Começo das obras de construção do Estádio nas Salésias. Nova sede na Rua da Junqueira. Surgem as duas primeiras filiais do Belenenses.
1928
O Belenenses é o clube mais representado na Selecção Nacional de Futebol que brilhou nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, com Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos. Realiza-se o primeiro jogo nas Salésias. Vice-Campeão de Lisboa de Pólo Aquático. António Augusto Carvalho ganha Campeonato Nacional de Fundo, em ciclismo. Primeiro jogo de Basquetebol. Início da actividade do Râguebi (primeiro jogo, vitória 11-0 sobre o Benfica). Início da Actividade do Hóquei em Campo.
1929
Campeão de Portugal em Futebol. Campeão de Lisboa em Futebol. Pepe marca 10 golos num jogo do Campeonato de Lisboa, o que constitui record de todos os Campeonatos. Primeiro jogo do Belenenses disputado fora de Portugal. O Belenenses passa a ser o clube com mais jogadores representados na selecção nacional de Futebol, o que manterá até 1935. Augusto Silva torna-se Capitão da Selecção Nacional. Vice-Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Masculinas.
Honrando este fantástico palmarés obtido em tão pouco tempo e que guindara o Belenenses aos postos cimeiros do futebol português, entendeu a Direcção presidida por João Luis de Moura, realizar um extenso programa de comemorações, que se estendeu de 15 a 23 de Setembro, Dia da Fundação.
Como relata, Acácio Rosa, no seu «Factos Nomes e Números, 1919-60», no programa constaram duas provas de Ciclismo, vários jogos de Futebol, Râguebi, Basquetebol, Hóquei em Campo e Ténis de Mesa para o que foram convidados vários clubes portugueses, destacados representantes de cada dessas modalidades.
As comemorações, que foram uma demonstração cabal de todo o prestígio alcançado em tão pouco tempo, seriam encerradas no dia da Fundação, com a realização de um jantar comemorativo e, simultaneamente, de homenagem a todos os representantes do Clube.
1966 – Vicente no primeiro jogo da Selecção Nacional numa fase final de um Campeonato do Mundo
Nesta data, Portugal estreou-se finalmente numa Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol. E começou bem, vencendo, com alguma surpresa, a então poderosa e conceituada Hungria por 3-1.
Foram convocados para esta presença em Inglaterra dois jogadores do Belenenses: José Pereira e Vicente. Foram ambos titulares na maioria dos jogos. José Pereira só ficou no banco no primeiro jogo, sendo titular nos restantes, e Vicente esteve sempre no Onze até se lesionar, só por isso não participando nos dois últimos encontros.
Aliás, o historial de presenças da Selecção de Portugal nos grandes palcos do futebol mundial dá-nos a noção do que tem sido o percurso do Belenenses:
Em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amsterdão (então um autêntico Campeonato do Mundo, pois não havia nenhuma limitação, etária ou outra, à presença de jogadores), o Belenenses teve quatro jogadores seleccionados, Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos, dos quais os três primeiros foram habituais titulares. O Belenenses era a equipa mais representada.
Em 1966, neste Campeonato do Mundo de Inglaterra – a meio da, para nós, terrível década de 60 –, o Belenenses, apesar dos momentos difíceis que viveu, teve dois jogadores convocados e habituais titulares. Foi o terceiro clube com mais jogadores titularess e, aliás, num dos jogos, foi mesmo o segundo.
Em 1984, no Europeu de França, a recuperar da primeira queda, não tivemos nenhum jogador convocado, embora, logo a seguir, tenhamos contratado um dos presentes, o guarda-redes Jorge Martins.
Em 1986, para o Campeonato do Mundo do México, fomos o quarto clube com mais jogadores convocados, três em 22: Jorge Martins, Sobrinho e José António. Só este último chegou a jogar, nos escassos três encontros que disputámos, mas tal mostrava um Belenenses, de Mário Rosa Freire, José da Silva e Henry Depireux, a reerguer a cabeça. (Henry Depireux acaba de se tornar Seleccionador do Congo, ele que já foi Vice-Campeão de África. Para alguns de nós, era o homem ideal para tutelar todo o futebol do Belenenses: vive apaixonadamente os projectos, mas é metódico e pragmático; tem o Belenenses no coração; Chegava ao clube de manhã cedo e saía às tantas da noite; conhece bem o futebol africano, onde nos poderia encontrar bons jogadores acessíveis. Era muito caro, dirão alguns... Duvidemos que fosse inacessível; mas não é muito mais caro ir buscar gente que nos “espeta” na Segunda Divisão?).
Depois, nas participações em Fases Finais do Europeu de 1996, 2000, 2002, 2004 e 2006, nem um jogador do Belenenses convocado. Significativo, não? E mais triste é que, se em 1996 Fernando Mendes, Paulo Madeira, Tulipa e Neves foram hipóteses, de então para cá, que dizer? Nem soubemos ir buscar o Rui Jorge em devido tempo...
Sobre a exibição de Vicente contra a Hungria, escreveu-se: “Uma das grandes exibições da equipa” (Aurélio Márcio no Diário Popular); “É de elementar justiça salientar os que realmente se distinguiram: Eusébio, Vicente e Carvalho” (Francisco Mata no Século). O nosso grande Vicente fez, pois, um excelente jogo, cabendo-lhe aliás marcar Bene, a grande vedeta da Hungria).
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1942 – Belenenses vence a Taça de Portugal pela primeira vez
Desde 1933, quando tinha sido Campeão de Portugal pela terceira vez e se elevara à posição do mais poderoso e mais bem sucedido clube de futebol do nosso país, que o Belenenses buscava voltar a ganhar uma grande competição. Foram nove anos em que vários grandes jogadores acabaram a sua carreira, enquanto emergia uma nova vaga de talentos; nove anos de grandes investimentos nas Salésias; nove anos em que, por várias vezes, os títulos se nos escaparam por uma unha negra.
Foi assim no Campeonato de Portugal de 1935/36, que perdemos na final; foi assim no Campeonato Nacional de 1936/37, em que fomos Vice-Campeões, a um escasso ponto do primeiro; foi assim nas Taças de Portugal de 1939/40 e 1940/41, em que estivemos presentes nas finais mas não vencemos; foi assim, ainda (hoje pode parecer pouco relevante mas, na altura, era uma competição de primeiríssima importância), no Campeonato de Lisboa de 1938/39, em que fomos Vice-Campeões, a um ponto do Sporting, com que, aliás, nem sequer perdemos (3-2 nas Salésias e 2-2 no Lumiar).
Adivinhava-se, pois, um novo troféu. E, enfim, o Belenenses conquistou-o nesta Taça de Portugal de 1942. Constituiria, aliás, o primeiro de uma série importante entre 1942 e 1946.
O percurso para a final começou de forma brilhante: o Belenenses venceu o F.C. Porto por 5-1. De resto, nessa época, os portistas passaram muito mal connosco: para o Campeonato também perderam, por 7-3 nas Salésias e por 3-2 na Constituição. Ou seja, 15-6, em três jogos e três vitórias do Belenenses. De resto, no Campeonato Nacional, em que foi terceiro classificado, o Belenenses não poupou os seus maiores rivais: Nas Salésias ganhou 4-0 ao Benfica e 3-1 ao Sporting e, fora, ainda venceu o Sporting por 4-1.
Nos Quartos de Final, empatámos 1-1 com o Olhanense. Houve, assim, necessidade de um jogo de desempate, que o Belenenses ganhou por 3-0.
Depois, nas meias-finais, vencemos os Unidos de Lisboa. por 5-0. Pode parecer um adversário fácil mas a verdade é que tinha sido sétimo classificado no Campeonato da Primeira Divisão. Enquanto isso, clubes como o Boavista ou o Braga andavam nas divisões secundárias.
O nosso adversário, na final, seria o Vitória de Guimarães que, no jogo anterior, superara o Sporting.
No livro "Vinte Anos de Football em Torneios da Federaçăo 1922-1941", de Ricardo Ornelas – que nos foi facultado pelo excelente amigo Álvaro Antunes – fazia-se a antevisão do jogo.
Reproduzem-se em imagem as considerações tecidas em duas páginas. Nelas, destaca-se a maneira como o Belenenses era referido – “baluarte do football português” – e o facto de se considerar conjuntamente a Taça de Portugal e o anterior Campeonato de Portugal, sendo apenas questão de mudança de nome.
De resto, os primeiros troféus da Taça de Portugal, incluindo este de 1942, têm a inscrição de “Campeonato de Portugal”. Independentemente da nossa opinião, já antes manifestada de que até 1933/34, inclusive, os vencedores do Campeonato de Portugal deveriam ser adicionados aos vencedores do Campeonato Nacional – pois aquelas competições eram a forma de apurar o melhor do nosso país -, o facto é que isto confirma que é uma completa indecência ignorar-se nas contagens os Campeonatos de Portugal.
O Belenenses apresentou-se no Lumiar com uma massiva falange de apoio que, no final, celebraria entusiasticamente o triunfo, e com o seguinte Onze:
Salvador; Simões e Feliciano; Amaro, Gomes e Serafim; Quaresma, Elói, Gilberto, José Pedro e Franklin.
Dominando o jogo, e com golos de Artur Quaresma e Gilberto, o Belenenses ganhou por 2-0 e conquistou o troféu.
Assim, ao fim de quatro edições da Taça de Portugal, Académica, Belenenses, Benfica e Sporting repartiam entre si os troféus. O F.C.Porto só em 1956 conquistaria a sua primeira vitória. Entretanto, no que toca a presenças na Final, o Belenenses levava a palma, com três, seguido do Benfica com duas, e de Sporting, Vitória de Guimarães e Académica com uma.
Note-se que o nosso treinador era Rodolfo Faroleiro. Juntava assim esta Taça de Portugal aos títulos que, como jogador, tinha conquistado ao serviço do Belenenses: três Campeonatos de Portugal e quatro Campeonatos de Lisboa. É mais um nome a letras de ouro na história do Belenenses.
O Presidente da Direcção, como podemos ver na imagem do Jornal «Os Sports» de 15 de Julho de 1942, era Salvador do Carmo.
Desde 1933, quando tinha sido Campeão de Portugal pela terceira vez e se elevara à posição do mais poderoso e mais bem sucedido clube de futebol do nosso país, que o Belenenses buscava voltar a ganhar uma grande competição. Foram nove anos em que vários grandes jogadores acabaram a sua carreira, enquanto emergia uma nova vaga de talentos; nove anos de grandes investimentos nas Salésias; nove anos em que, por várias vezes, os títulos se nos escaparam por uma unha negra.
Foi assim no Campeonato de Portugal de 1935/36, que perdemos na final; foi assim no Campeonato Nacional de 1936/37, em que fomos Vice-Campeões, a um escasso ponto do primeiro; foi assim nas Taças de Portugal de 1939/40 e 1940/41, em que estivemos presentes nas finais mas não vencemos; foi assim, ainda (hoje pode parecer pouco relevante mas, na altura, era uma competição de primeiríssima importância), no Campeonato de Lisboa de 1938/39, em que fomos Vice-Campeões, a um ponto do Sporting, com que, aliás, nem sequer perdemos (3-2 nas Salésias e 2-2 no Lumiar).
Adivinhava-se, pois, um novo troféu. E, enfim, o Belenenses conquistou-o nesta Taça de Portugal de 1942. Constituiria, aliás, o primeiro de uma série importante entre 1942 e 1946.
O percurso para a final começou de forma brilhante: o Belenenses venceu o F.C. Porto por 5-1. De resto, nessa época, os portistas passaram muito mal connosco: para o Campeonato também perderam, por 7-3 nas Salésias e por 3-2 na Constituição. Ou seja, 15-6, em três jogos e três vitórias do Belenenses. De resto, no Campeonato Nacional, em que foi terceiro classificado, o Belenenses não poupou os seus maiores rivais: Nas Salésias ganhou 4-0 ao Benfica e 3-1 ao Sporting e, fora, ainda venceu o Sporting por 4-1.
Nos Quartos de Final, empatámos 1-1 com o Olhanense. Houve, assim, necessidade de um jogo de desempate, que o Belenenses ganhou por 3-0.
Depois, nas meias-finais, vencemos os Unidos de Lisboa. por 5-0. Pode parecer um adversário fácil mas a verdade é que tinha sido sétimo classificado no Campeonato da Primeira Divisão. Enquanto isso, clubes como o Boavista ou o Braga andavam nas divisões secundárias.
O nosso adversário, na final, seria o Vitória de Guimarães que, no jogo anterior, superara o Sporting.
No livro "Vinte Anos de Football em Torneios da Federaçăo 1922-1941", de Ricardo Ornelas – que nos foi facultado pelo excelente amigo Álvaro Antunes – fazia-se a antevisão do jogo.
Reproduzem-se em imagem as considerações tecidas em duas páginas. Nelas, destaca-se a maneira como o Belenenses era referido – “baluarte do football português” – e o facto de se considerar conjuntamente a Taça de Portugal e o anterior Campeonato de Portugal, sendo apenas questão de mudança de nome.
De resto, os primeiros troféus da Taça de Portugal, incluindo este de 1942, têm a inscrição de “Campeonato de Portugal”. Independentemente da nossa opinião, já antes manifestada de que até 1933/34, inclusive, os vencedores do Campeonato de Portugal deveriam ser adicionados aos vencedores do Campeonato Nacional – pois aquelas competições eram a forma de apurar o melhor do nosso país -, o facto é que isto confirma que é uma completa indecência ignorar-se nas contagens os Campeonatos de Portugal.
O Belenenses apresentou-se no Lumiar com uma massiva falange de apoio que, no final, celebraria entusiasticamente o triunfo, e com o seguinte Onze:
Salvador; Simões e Feliciano; Amaro, Gomes e Serafim; Quaresma, Elói, Gilberto, José Pedro e Franklin.
Dominando o jogo, e com golos de Artur Quaresma e Gilberto, o Belenenses ganhou por 2-0 e conquistou o troféu.
Assim, ao fim de quatro edições da Taça de Portugal, Académica, Belenenses, Benfica e Sporting repartiam entre si os troféus. O F.C.Porto só em 1956 conquistaria a sua primeira vitória. Entretanto, no que toca a presenças na Final, o Belenenses levava a palma, com três, seguido do Benfica com duas, e de Sporting, Vitória de Guimarães e Académica com uma.
Note-se que o nosso treinador era Rodolfo Faroleiro. Juntava assim esta Taça de Portugal aos títulos que, como jogador, tinha conquistado ao serviço do Belenenses: três Campeonatos de Portugal e quatro Campeonatos de Lisboa. É mais um nome a letras de ouro na história do Belenenses.
O Presidente da Direcção, como podemos ver na imagem do Jornal «Os Sports» de 15 de Julho de 1942, era Salvador do Carmo.
terça-feira, 11 de julho de 2006
Neste dia em . . . (6 de Abril de 1974)
Referimos hoje, 11 de Julho, um facto ocorrido num dia 6 de Abril. A razão é simples: só há dias, ao ler um jornal, relembrámos este facto. E achámos que valia a pena contar.
1974 – Belenenses tenta contratar treinador Rinus Michels
Nesta data, o dirigente do Belenenses Hermínio Simões, que integrava o elenco presidido por Fernando Baptista da Silva, deslocou-se a Barcelona para tentar contratar o treinador Rinus Michels. Não o conseguiu, ficando bastante contrariado, porque, nesse mesmo dia, o holandês voltou a assinar com o colosso catalão (ver edição do jornal “A Bola”).
Este episódio mostra a que distância o Belenenses de então estava do Belenenses de hoje que, com dirigentes impantes de vaidade, contrata coveiros...e nem é capaz de fazer mea culpa.
O curriculum de Rinus Michels é verdadeiramente impressionante, conforme se pode ver por extracto do jornal “Diário de Notícias”, de 5 de Julho de 2006.
Como jogador, foi duas vezes Campeão da Holanda. Mas, como treinador, foi muitíssimo mais longe e escassíssimos treinadores de toda a história do futebol mundial têm um palmarés tão imenso.
Entre muitos outros feitos, destaque-se, enquanto treinador de clubes, que ganhou Campeonatos e Taças em três países e que venceu a Taça dos Campeões Europeus; enquanto treinador da Holanda, foi Campeão Europeu em 1988 e Vice-Campeão Mundial, neste caso, justamente nesse ano de 1974. Se tivesse vindo para o Belenenses, teríamos um treinador que, em 8 anos de carreira, tinha ganho cinco Campeonatos em dois países, que tinha sido Campeão Europeu de Clubes e que tinha sido Vice-Campeão Mundial de países.
Entretanto, 14 anos depois, os destinos do Belenenses e de Rinus Michels haveriam de se cruzar. Na época de 88/89, era ele o treinador do Bayer Leverkusen, detentor da Taça UEFA, que dessa mesma prova foi eliminado pela nossa equipa. Vimos há semanas atrás a repetição do jogo na Alemanha – e que grande equipa tínhamos! Uma vez mais, que diferença abismal entre esse Belenenses e o de hoje... E já agora, registe-se a elegância das declarações do treinador holandês, que se referiu ao Belenenses com todo o respeito. Que diferença dos coveiros que nos tratam como uma porcaria qualquer!
1974 – Belenenses tenta contratar treinador Rinus Michels
Nesta data, o dirigente do Belenenses Hermínio Simões, que integrava o elenco presidido por Fernando Baptista da Silva, deslocou-se a Barcelona para tentar contratar o treinador Rinus Michels. Não o conseguiu, ficando bastante contrariado, porque, nesse mesmo dia, o holandês voltou a assinar com o colosso catalão (ver edição do jornal “A Bola”).
Este episódio mostra a que distância o Belenenses de então estava do Belenenses de hoje que, com dirigentes impantes de vaidade, contrata coveiros...e nem é capaz de fazer mea culpa.
O curriculum de Rinus Michels é verdadeiramente impressionante, conforme se pode ver por extracto do jornal “Diário de Notícias”, de 5 de Julho de 2006.
Como jogador, foi duas vezes Campeão da Holanda. Mas, como treinador, foi muitíssimo mais longe e escassíssimos treinadores de toda a história do futebol mundial têm um palmarés tão imenso.
Entre muitos outros feitos, destaque-se, enquanto treinador de clubes, que ganhou Campeonatos e Taças em três países e que venceu a Taça dos Campeões Europeus; enquanto treinador da Holanda, foi Campeão Europeu em 1988 e Vice-Campeão Mundial, neste caso, justamente nesse ano de 1974. Se tivesse vindo para o Belenenses, teríamos um treinador que, em 8 anos de carreira, tinha ganho cinco Campeonatos em dois países, que tinha sido Campeão Europeu de Clubes e que tinha sido Vice-Campeão Mundial de países.
Entretanto, 14 anos depois, os destinos do Belenenses e de Rinus Michels haveriam de se cruzar. Na época de 88/89, era ele o treinador do Bayer Leverkusen, detentor da Taça UEFA, que dessa mesma prova foi eliminado pela nossa equipa. Vimos há semanas atrás a repetição do jogo na Alemanha – e que grande equipa tínhamos! Uma vez mais, que diferença abismal entre esse Belenenses e o de hoje... E já agora, registe-se a elegância das declarações do treinador holandês, que se referiu ao Belenenses com todo o respeito. Que diferença dos coveiros que nos tratam como uma porcaria qualquer!
segunda-feira, 10 de julho de 2006
domingo, 9 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1997 – Sócios aprovam constituição da SAD para o Futebol
Tudo começa, mais ou menos com a publicação do "DL 67/97". Ou seja, o Decreto Lei nº67/97 de 3 de Abril, que estabelece o regime jurídico das sociedades desportivas.
Neste apontamento não se pretende dar uma explicação sobre o que é uma Sociedade Anónima Desportiva (vulgo, SAD) nem das suas vantagens do ponto de vista financeiro ou em que modelo preferencialmente deve ser implementada.
Cabe, no entanto, no objectivo do apontamento a avaliação de factos objectivos. Tanto quanto possível. E isso no âmbito do que devia ser o principal objectivo da constituição de uma SAD ou de qualquer outra acção iniciada pelo Clube. O de crescer, em meios, humanos e materiais, e em popularidade e massa associativa. A SAD deveria ser tão só um meio de o atingir. Não faz sentido de outra forma.
Factos.
Apenas quatro meses passados sobre a aprovação do referido “DL”, um Belenenses saído de mais um período de desastrosa gestão, agarrou-se à criação de uma SAD como um náufrago sortudo ao tronco que passa na corrente.
A razão é simples: pela alienação da própria participação inicial (obviamente 100%) um clube ao constituir uma Sociedade Anónima Desportiva potencia a entrada de dinheiro “fresco”. Relembrando o debilitado estado financeiro do Clube em 1997 não é de estranhar a velocidade com que aderiu a esta «solução».
Em Assembleia-Geral os sócios votavam neste dia, em 1997, pela constituição da que se viria a denominar “OS BELENENSES” - SOCIEDADE DESPORTIVA DE FUTEBOL, SAD.
Por circunstâncias várias, a SAD do Belenenses só viria a ser formalmente constituida em 18 de Novembro de 1999, ou seja mais de dois anos depois. Pelo meio o Belenenses desceu de divisão no final da época de 1997/98 – se se recordam, foi uma descida interiorizada por muitos como de “limpeza”, de “saneamento” (aqui ficaria bem perguntar de quê face ao que quase dez anos passados ainda se vê) – o que deverá ter retardado a constituição formal.
A nova sociedade, pessoa colectiva 504 510 436, matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa sob o nº 9922, ficou com sede no Estádio do Restelo e com um Capital Social (inicial) de 200.000.000 PTE (o equivalente a € 1.000.000). Mais tarde viria a sofrer aumento de capital para 1.000.000.000 PTE (€ 5.000.000) por OPS (Oferta Pública de Subscrição), que decorreu entre 30 de Novembro de 2001 e 14 de Dezembro de 2001.
Seria normal assumir que a constituição de tal sociedade, além da vantagem inicial de encaixe de pelo menos metade do Capital Social (o Clube não pode – segundo o “DL” – deter mais de 40% das acções), seria muito mais que isso. Seria aspiração natural, a criação de uma verdadeira estrutura profissional de gestão do futebol, na vertente técnica mas também de negócio (pela venda de activos – entenda-se: jogadores –, pela criação de uma rede de prospecção de jogadores nos vários níveis etários, pela potenciação das receitas de publicidade, de bilheteira, transmissões televisivas, etc. No fundo uma gestão profissional que aliasse os métodos e o rigor de uma gestão de empresa ao emocional, ao místico e à partilha de um ideal comum que encerra um equilibrado fervor clubista. Quanto mais adeptos e sócios maior a visibilidade e maior o mercado e a capacidade de gerar receitas externas – seria lema expectável. Nada disso se viu.
Além da inexistência da tal estrutura e gestão verdadeiramente profissionais, viradas para a criação de talentos e para a promoção do espectáculo futebol, viram-se os seguintes resultados (de 2001/02 a 2005/06):
Classificações
2001/2002 – 5º lugar (sem acesso às provas da UEFA)
2002/2003 – 9º lugar
2003/2004 – 15º lugar (não desceu de divisão por mais um golo marcado que o clube então 16º classificado)
2004/2005 – 9º lugar
2005/2006 – 15º lugar (desceu de divisão – campeonato ainda não homologado devido ao caso «Mateus»).
Nestes cinco anos obtivemos duas das piores classificações de sempre. Numa delas, com o maior orçamento de sempre. O que permite avaliar a (in)capacidade de gestão de que tem enfermado a SAD e o Clube.
Mas há mais...
Passes vendidos
César Peixoto ao F.C. Porto (a preço de saldo)
E, sem ter formalmente a ver com a performance da SAD, mas com grandes responsabilidades do Clube e da performance da equipa de futebol...
Evolução da Massa Associativa
24.056 (13.044 contribuintes), no final de 2001;
22.551 (11.972 contribuintes), no final de 2002 (-1.500 geral e -1050 contribuintes);
21.176 (9.966 contribuintes), no final de 2003 (-1.400 geral e -2.000 contribuintes);
19.156 (9.439 contribuintes), no final de 2004 (-2.000 geral e -500 contribuintes);
18.149 (7.979 contribuintes), no final de 2005 (-1.000 geral e -1.500 contribuintes).
De notar que não se reflete nestes números o impacto da descida de divisão (mesmo que não homologada no momento de escrita do apontamento) ocorrida em Maio de 2006.
Mesmo assim, é fácil verificar que em cinco anos (exercícios de 2001 até 2005) o Belenenses perdeu, sem esboçar qualquer reacção, por mínima que fosse, cerca de 6.000 sócios – 25% do total (!!!), dos quais 5.000 contribuintes – 83% do total de sócios perdidos).
Em linguagem comum, sem contar com o impacto da época de 2005/06 (não desprezável de todo) UM EM CADA QUATRO SÓCIOS DEIXARAM DE O SER.
Os números falam por si.
Nunca as proféticas palavras de Acácio Rosa, que nos deixou em testemunho, em 1991, tiveram tanta adequação à realidade:
Concluindo: criar a SAD foi uma forma de angariar capital e limpar dívidas, que outros erros não corrigidos não tardaram em criar de novo e aumentar com consequências temidas mas ainda não totalmente estimadas.
No final da leitura deste apontamento é natural que se pense que quem o escreveu é contra a existência de SAD’s. Não necessariamente. Certamente será contra a não realização dos seus objectivos primários e será também contra a adulteração total desses mesmos objectivos. Embora esteja convicto que a sua existência não deveria ter-se tornado praticamente obrigatória, mas o panorama do futebol português não deixou grandes alternativas.
Ficam algumas questões. Se não serviu os sócios do Clube (logo, não serviu o Clube), serviu a alguém? Ajuda olhar para a estrutura accionista em 2006? A quem interessa a gestão amadora?
A ninguém? Se não interessa a ninguém – verdadeiramente – então porque passa o Belenenses por «isto»? Porque continua a ser gerido desta forma? Porque se sujeitam os sócios «resistentes» a «isto»?
2003 – Primeira prova na Pista Sintética de Atletismo do Restelo
Inaugurada a 25 de Maio, mês e meio foi pela primeira vez utilizada numa prova oficial. O evento, denominado «4ª Jornada de Verão», organizado pela Associação de Atletismo de Lisboa, era destinado a atletas dos escalões de Juvenis, Juniores e Seniores, masculinos e femininos, com o seguinte programa:
18h30 – Salto em Comprimento (masculinos)
18h30 – Lançamento do Dardo (femininos)
18h40 – Corrida de 400 metros ( femininos )
18h50 – Corrida de 400 m ( masculinos )
19h05 – Corrida de 800 metros (femininos)
19h15 – Corrida de 800 metros (masculinos)
19h30 – Corrida de 100 metros (femininos)
19h30 – Lançamento do Dardo (masculinos)
19h30 – Salto em Comprimento (femininos)
19h40 – Corrida de 100 metros (masculinos)
20h00 – Corrida de 5000 metros (masculinos)
Registou-se forte adesão de atletas, querendo participar na estreia da única pista semelhante em Lisboa.
As medalhas, a premiar os melhores atletas, foram entregues pelo então Secretário de Estado do Desporto, Herminio Loureiro.
Para a história ficará a atleta Valinho Frazão, juvenil vencedora da prova de 4X200 metros, da Juventude Vidigalense, que será recordada, por ser a primeira atleta a cortar a meta da nova pista do Restelo.
Tudo começa, mais ou menos com a publicação do "DL 67/97". Ou seja, o Decreto Lei nº67/97 de 3 de Abril, que estabelece o regime jurídico das sociedades desportivas.
Neste apontamento não se pretende dar uma explicação sobre o que é uma Sociedade Anónima Desportiva (vulgo, SAD) nem das suas vantagens do ponto de vista financeiro ou em que modelo preferencialmente deve ser implementada.
Cabe, no entanto, no objectivo do apontamento a avaliação de factos objectivos. Tanto quanto possível. E isso no âmbito do que devia ser o principal objectivo da constituição de uma SAD ou de qualquer outra acção iniciada pelo Clube. O de crescer, em meios, humanos e materiais, e em popularidade e massa associativa. A SAD deveria ser tão só um meio de o atingir. Não faz sentido de outra forma.
Factos.
Apenas quatro meses passados sobre a aprovação do referido “DL”, um Belenenses saído de mais um período de desastrosa gestão, agarrou-se à criação de uma SAD como um náufrago sortudo ao tronco que passa na corrente.
A razão é simples: pela alienação da própria participação inicial (obviamente 100%) um clube ao constituir uma Sociedade Anónima Desportiva potencia a entrada de dinheiro “fresco”. Relembrando o debilitado estado financeiro do Clube em 1997 não é de estranhar a velocidade com que aderiu a esta «solução».
Em Assembleia-Geral os sócios votavam neste dia, em 1997, pela constituição da que se viria a denominar “OS BELENENSES” - SOCIEDADE DESPORTIVA DE FUTEBOL, SAD.
Por circunstâncias várias, a SAD do Belenenses só viria a ser formalmente constituida em 18 de Novembro de 1999, ou seja mais de dois anos depois. Pelo meio o Belenenses desceu de divisão no final da época de 1997/98 – se se recordam, foi uma descida interiorizada por muitos como de “limpeza”, de “saneamento” (aqui ficaria bem perguntar de quê face ao que quase dez anos passados ainda se vê) – o que deverá ter retardado a constituição formal.
A nova sociedade, pessoa colectiva 504 510 436, matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa sob o nº 9922, ficou com sede no Estádio do Restelo e com um Capital Social (inicial) de 200.000.000 PTE (o equivalente a € 1.000.000). Mais tarde viria a sofrer aumento de capital para 1.000.000.000 PTE (€ 5.000.000) por OPS (Oferta Pública de Subscrição), que decorreu entre 30 de Novembro de 2001 e 14 de Dezembro de 2001.
Seria normal assumir que a constituição de tal sociedade, além da vantagem inicial de encaixe de pelo menos metade do Capital Social (o Clube não pode – segundo o “DL” – deter mais de 40% das acções), seria muito mais que isso. Seria aspiração natural, a criação de uma verdadeira estrutura profissional de gestão do futebol, na vertente técnica mas também de negócio (pela venda de activos – entenda-se: jogadores –, pela criação de uma rede de prospecção de jogadores nos vários níveis etários, pela potenciação das receitas de publicidade, de bilheteira, transmissões televisivas, etc. No fundo uma gestão profissional que aliasse os métodos e o rigor de uma gestão de empresa ao emocional, ao místico e à partilha de um ideal comum que encerra um equilibrado fervor clubista. Quanto mais adeptos e sócios maior a visibilidade e maior o mercado e a capacidade de gerar receitas externas – seria lema expectável. Nada disso se viu.
Além da inexistência da tal estrutura e gestão verdadeiramente profissionais, viradas para a criação de talentos e para a promoção do espectáculo futebol, viram-se os seguintes resultados (de 2001/02 a 2005/06):
Classificações
2001/2002 – 5º lugar (sem acesso às provas da UEFA)
2002/2003 – 9º lugar
2003/2004 – 15º lugar (não desceu de divisão por mais um golo marcado que o clube então 16º classificado)
2004/2005 – 9º lugar
2005/2006 – 15º lugar (desceu de divisão – campeonato ainda não homologado devido ao caso «Mateus»).
Nestes cinco anos obtivemos duas das piores classificações de sempre. Numa delas, com o maior orçamento de sempre. O que permite avaliar a (in)capacidade de gestão de que tem enfermado a SAD e o Clube.
Mas há mais...
Passes vendidos
César Peixoto ao F.C. Porto (a preço de saldo)
E, sem ter formalmente a ver com a performance da SAD, mas com grandes responsabilidades do Clube e da performance da equipa de futebol...
Evolução da Massa Associativa
24.056 (13.044 contribuintes), no final de 2001;
22.551 (11.972 contribuintes), no final de 2002 (-1.500 geral e -1050 contribuintes);
21.176 (9.966 contribuintes), no final de 2003 (-1.400 geral e -2.000 contribuintes);
19.156 (9.439 contribuintes), no final de 2004 (-2.000 geral e -500 contribuintes);
18.149 (7.979 contribuintes), no final de 2005 (-1.000 geral e -1.500 contribuintes).
De notar que não se reflete nestes números o impacto da descida de divisão (mesmo que não homologada no momento de escrita do apontamento) ocorrida em Maio de 2006.
Mesmo assim, é fácil verificar que em cinco anos (exercícios de 2001 até 2005) o Belenenses perdeu, sem esboçar qualquer reacção, por mínima que fosse, cerca de 6.000 sócios – 25% do total (!!!), dos quais 5.000 contribuintes – 83% do total de sócios perdidos).
Em linguagem comum, sem contar com o impacto da época de 2005/06 (não desprezável de todo) UM EM CADA QUATRO SÓCIOS DEIXARAM DE O SER.
Os números falam por si.
Nunca as proféticas palavras de Acácio Rosa, que nos deixou em testemunho, em 1991, tiveram tanta adequação à realidade:
«O que mais me confrange é que a maioria dos beléns só pensa na bola que vai à trave, no “penalty” marcado ou deixado por marcar.»
«Pensem que nascemos pobres.» (...)
«Pensem como foram construídas as Salésias, como surge o Restelo.» (...)
«Pensem que o Bingo não é eterno.» (...)
«Estamos a ser ultrapassados por clubes que têm menos de metade do que nós temos.»
«Não podemos ser subservientes. Temos a nossa independência.» (...)
«Belém: ACORDA! Pensa que o clube está em perigo.»
«Tem-se clara impressão (da minha parte, certeza) que, nos últimos anos, a grande maioria dos nossos dirigentes (sem mística clubística), apenas desejam ser directores, misturando-se de apoiantes e colaboradores em campanhas eleitorais ou em séquito de aduladores do presidente para deambularem nas sessões solenes... nos camarotes, nos jogos de futebol.
São estes ‘beléns’, os culpados da inércia.» (...)
«... que os Belenenses do Futuro amem o Belenenses como o vi ser amado pelos ‘rapazes da praia’ e que façamos a perpetuidade do clube, através dos nossos filhos e netos, mantendo viva a necessidade do aumento associativo.»
«Meu Deus! Somos tão poucos…»
«Pensem que nascemos pobres.» (...)
«Pensem como foram construídas as Salésias, como surge o Restelo.» (...)
«Pensem que o Bingo não é eterno.» (...)
«Estamos a ser ultrapassados por clubes que têm menos de metade do que nós temos.»
«Não podemos ser subservientes. Temos a nossa independência.» (...)
«Belém: ACORDA! Pensa que o clube está em perigo.»
«Tem-se clara impressão (da minha parte, certeza) que, nos últimos anos, a grande maioria dos nossos dirigentes (sem mística clubística), apenas desejam ser directores, misturando-se de apoiantes e colaboradores em campanhas eleitorais ou em séquito de aduladores do presidente para deambularem nas sessões solenes... nos camarotes, nos jogos de futebol.
São estes ‘beléns’, os culpados da inércia.» (...)
«... que os Belenenses do Futuro amem o Belenenses como o vi ser amado pelos ‘rapazes da praia’ e que façamos a perpetuidade do clube, através dos nossos filhos e netos, mantendo viva a necessidade do aumento associativo.»
«Meu Deus! Somos tão poucos…»
Concluindo: criar a SAD foi uma forma de angariar capital e limpar dívidas, que outros erros não corrigidos não tardaram em criar de novo e aumentar com consequências temidas mas ainda não totalmente estimadas.
No final da leitura deste apontamento é natural que se pense que quem o escreveu é contra a existência de SAD’s. Não necessariamente. Certamente será contra a não realização dos seus objectivos primários e será também contra a adulteração total desses mesmos objectivos. Embora esteja convicto que a sua existência não deveria ter-se tornado praticamente obrigatória, mas o panorama do futebol português não deixou grandes alternativas.
Ficam algumas questões. Se não serviu os sócios do Clube (logo, não serviu o Clube), serviu a alguém? Ajuda olhar para a estrutura accionista em 2006? A quem interessa a gestão amadora?
A ninguém? Se não interessa a ninguém – verdadeiramente – então porque passa o Belenenses por «isto»? Porque continua a ser gerido desta forma? Porque se sujeitam os sócios «resistentes» a «isto»?
2003 – Primeira prova na Pista Sintética de Atletismo do Restelo
Inaugurada a 25 de Maio, mês e meio foi pela primeira vez utilizada numa prova oficial. O evento, denominado «4ª Jornada de Verão», organizado pela Associação de Atletismo de Lisboa, era destinado a atletas dos escalões de Juvenis, Juniores e Seniores, masculinos e femininos, com o seguinte programa:
18h30 – Salto em Comprimento (masculinos)
18h30 – Lançamento do Dardo (femininos)
18h40 – Corrida de 400 metros ( femininos )
18h50 – Corrida de 400 m ( masculinos )
19h05 – Corrida de 800 metros (femininos)
19h15 – Corrida de 800 metros (masculinos)
19h30 – Corrida de 100 metros (femininos)
19h30 – Lançamento do Dardo (masculinos)
19h30 – Salto em Comprimento (femininos)
19h40 – Corrida de 100 metros (masculinos)
20h00 – Corrida de 5000 metros (masculinos)
Registou-se forte adesão de atletas, querendo participar na estreia da única pista semelhante em Lisboa.
As medalhas, a premiar os melhores atletas, foram entregues pelo então Secretário de Estado do Desporto, Herminio Loureiro.
Para a história ficará a atleta Valinho Frazão, juvenil vencedora da prova de 4X200 metros, da Juventude Vidigalense, que será recordada, por ser a primeira atleta a cortar a meta da nova pista do Restelo.
sábado, 8 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1923 – Belenenses conquista pela segunda vez consecutiva a Taça «Mutilados da Guerra», que assim fica na sua posse
Como vimos em 19 de Junho, o Belenenses, vencendo o Sporting, conquistara este troféu em 1921.
Entretanto, foi decidido que o troféu ficaria definitivamente na posse do clube que o conquistasse duas vezes.
Ora, foi isso que aconteceu na edição seguinte, justamente essa que se realizou em 1923. O Belenenses voltou a sair vencedor e o troféu ficou definitivamente como sua propriedade. Pode ser admirado na nossa imensa Sala de Troféus (no caso, a meio do 1º Piso, onde estão as taças mais significativas do Futebol).
Para chegar à vitória, o Belenenses venceu o Internacional por 3-1; depois, nas meias-finais, afastou o Império por 3-0. Por sua vez, na outra meia-final, o Carcavelinhos superou o Sporting por 2-1.
Na final, disputada nesta data, o Belenenses venceu o Carcavelinhos por 3-1. Ao intervalo o resultado estava em 1-1 e os golos do Belenenses foram marcados por Joaquim Rio e Veloso (no caso, os dois da segunda parte).
Na imagem, retirada da História do Belenenses 1919-1960 (de Acácio Rosa), pode ver-se a nossa equipa, os nomes e fotografia dos conquistadores desta conquista que, na época, deu brado e ajudou a continuar a projectar o clube.
2003 – Inauguração do Campo Polidesportivo, no Restelo
A partir desta data, passou a estar disponível mais uma infraestrutura de apoio às modalidades de pavilhão. Esta estrutura, inicialmente apenas coberta no topo recebeu entretanto protecções laterais que permitem abrigar um pouco melhor do vento e da chuva a chuva no Inverno. Não é um espaço para a competição mas serve de suporte aos treinos e a escalões etários de formação.
Na inauguração esteve presente Pedro Feist, Vereador responsável pelo pelouro do desporto da Câmara Municipal de Lisboa e adepto Belenense.
Após a inauguração do campo, realizou-se nesse mesmo espaço a apresentação dos novos equipamentos para a época de 2003/04.
Como vimos em 19 de Junho, o Belenenses, vencendo o Sporting, conquistara este troféu em 1921.
Entretanto, foi decidido que o troféu ficaria definitivamente na posse do clube que o conquistasse duas vezes.
Ora, foi isso que aconteceu na edição seguinte, justamente essa que se realizou em 1923. O Belenenses voltou a sair vencedor e o troféu ficou definitivamente como sua propriedade. Pode ser admirado na nossa imensa Sala de Troféus (no caso, a meio do 1º Piso, onde estão as taças mais significativas do Futebol).
Para chegar à vitória, o Belenenses venceu o Internacional por 3-1; depois, nas meias-finais, afastou o Império por 3-0. Por sua vez, na outra meia-final, o Carcavelinhos superou o Sporting por 2-1.
Na final, disputada nesta data, o Belenenses venceu o Carcavelinhos por 3-1. Ao intervalo o resultado estava em 1-1 e os golos do Belenenses foram marcados por Joaquim Rio e Veloso (no caso, os dois da segunda parte).
Na imagem, retirada da História do Belenenses 1919-1960 (de Acácio Rosa), pode ver-se a nossa equipa, os nomes e fotografia dos conquistadores desta conquista que, na época, deu brado e ajudou a continuar a projectar o clube.
2003 – Inauguração do Campo Polidesportivo, no Restelo
A partir desta data, passou a estar disponível mais uma infraestrutura de apoio às modalidades de pavilhão. Esta estrutura, inicialmente apenas coberta no topo recebeu entretanto protecções laterais que permitem abrigar um pouco melhor do vento e da chuva a chuva no Inverno. Não é um espaço para a competição mas serve de suporte aos treinos e a escalões etários de formação.
Na inauguração esteve presente Pedro Feist, Vereador responsável pelo pelouro do desporto da Câmara Municipal de Lisboa e adepto Belenense.
Após a inauguração do campo, realizou-se nesse mesmo espaço a apresentação dos novos equipamentos para a época de 2003/04.
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1940 – Belenenses disputa pela primeira vez a Final da Taça de Portugal, na sua segunda edição
Algumas pessoas, olhando para a efeméride deste dia, poderão achar que aconteceu, nesta Final da Taça de Portugal, o que era de esperar, presumindo que o favoritismo seria do Benfica.
No entanto, não era realmente assim. No Campeonato Nacional, o Belenenses, terceiro classificado, ficara à frente do Benfica, quarto classificado, situação que se repetiria exactamente no Campeonato seguinte.
Acresce que, em ambos os Campeonatos, o Belenenses teve a melhor Defesa (em 1940/41, também o melhor ataque...).
Para além disto, na Taça de Portugal, o percurso do Belenenses até à final fora bem mais difícil do que o do seu adversário, revelando, aliás, muito mérito. Se não, vejamos:
Nos Oitavos de Final, o Belenenses vencera o Vila Real por 7-0 e 6-0. Na mesma altura, o Benfica ganhara ao Casa Pia por 9-0 e 2-1.
Nos Quartos de Final, o Benfica superou o Carcavelinhos com triunfos por 6-1 e 2-1. Enquanto isso, o Belenenses teve um tremendo duelo com o Sporting – a vitória por 4-1 nas Salésias, permitiu que a derrota Fora por 3-1 não o impedisse de seguir em frente.
Enfim, nas Meias-Finais o Benfica ganhou ao Barreirense por 5-2 e 2-1. Mais uma dura peleja se deparou ao Belenenses: face ao Bi-Campeão F.C.Porto, só um terceiro jogo decidiu a questão. Depois de empates por 1-1 e 4-4, o Belenenses, no jogo de desempate, derrotou os portistas por 2-0.
Por isso, a haver algum favorito, ele seria mais o Belenenses do que o Benfica.
Nessa tarde, porém, no Campo do Lumiar, as coisas não nos correram como todos os nossos esperavam. O Benfica ganhou por 3-1. O Belenenses teve que esperar mais 2 anos e ir a mais 2 finais, para, enfim, inscrever o seu nome nos vencedores da Taça de Portugal.
O nosso Onze, nesta Final, foi o seguinte: Salvador Jorge; Francisco Gatinho e Tárrio; Amaro, Gomes e Alberto; Perfeito Rodrigues, Artur Quaresma, Horácio Tellechea, Scopelli e Rafael Correia.
O nosso golo foi apontado por Perfeito Rodrigues. Tanto quanto sabemos, foi uma oportunidade perdida, porque a nossa equipa era francamente superior.
Algumas pessoas, olhando para a efeméride deste dia, poderão achar que aconteceu, nesta Final da Taça de Portugal, o que era de esperar, presumindo que o favoritismo seria do Benfica.
No entanto, não era realmente assim. No Campeonato Nacional, o Belenenses, terceiro classificado, ficara à frente do Benfica, quarto classificado, situação que se repetiria exactamente no Campeonato seguinte.
Acresce que, em ambos os Campeonatos, o Belenenses teve a melhor Defesa (em 1940/41, também o melhor ataque...).
Para além disto, na Taça de Portugal, o percurso do Belenenses até à final fora bem mais difícil do que o do seu adversário, revelando, aliás, muito mérito. Se não, vejamos:
Nos Oitavos de Final, o Belenenses vencera o Vila Real por 7-0 e 6-0. Na mesma altura, o Benfica ganhara ao Casa Pia por 9-0 e 2-1.
Nos Quartos de Final, o Benfica superou o Carcavelinhos com triunfos por 6-1 e 2-1. Enquanto isso, o Belenenses teve um tremendo duelo com o Sporting – a vitória por 4-1 nas Salésias, permitiu que a derrota Fora por 3-1 não o impedisse de seguir em frente.
Enfim, nas Meias-Finais o Benfica ganhou ao Barreirense por 5-2 e 2-1. Mais uma dura peleja se deparou ao Belenenses: face ao Bi-Campeão F.C.Porto, só um terceiro jogo decidiu a questão. Depois de empates por 1-1 e 4-4, o Belenenses, no jogo de desempate, derrotou os portistas por 2-0.
Por isso, a haver algum favorito, ele seria mais o Belenenses do que o Benfica.
Nessa tarde, porém, no Campo do Lumiar, as coisas não nos correram como todos os nossos esperavam. O Benfica ganhou por 3-1. O Belenenses teve que esperar mais 2 anos e ir a mais 2 finais, para, enfim, inscrever o seu nome nos vencedores da Taça de Portugal.
O nosso Onze, nesta Final, foi o seguinte: Salvador Jorge; Francisco Gatinho e Tárrio; Amaro, Gomes e Alberto; Perfeito Rodrigues, Artur Quaresma, Horácio Tellechea, Scopelli e Rafael Correia.
O nosso golo foi apontado por Perfeito Rodrigues. Tanto quanto sabemos, foi uma oportunidade perdida, porque a nossa equipa era francamente superior.
quinta-feira, 6 de julho de 2006
BELENENSES: Comunicado Oficial sobre o «Caso Mateus»
Na sequência da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, a direcção do Belenenses emitiu, através do Portal Oficial, o seguinte comunicado que publicamos em seguida.
Há decisões oficiais. Há reacção do Clube. Finalmente há factos, razão pela qual publicamos.
«CASO MATEUS»: Comunicado Oficial
06-07-2006 21:33
Face ao teor do acordão do Conselho de Justiça da FPF, «Os Belenenses» Soc. Desp. Futebol, SAD e a Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses» entendem informar do seguinte:
1. Tendo o CJ da Federação Portuguesa de Futebol concluído pela irregularidade da intervenção do Dr. Domingos Lopes no Acordão da Comissão Disciplinar da LPFP, em clara violação da legislação aplicável, não se admite outra posição do Juiz Desembargador Gomes da Silva que não seja o seu imediato pedido de demissão.
2. A conclusão lógica que se extrai do Acordão do CJ da FPF é que, não tivesse havido um gravíssimo atropelo à legalidade, mesmo contando com a incrível e bizarra mudança de opinião do Dr. Juiz Gomes da Silva, a decisão teria sido favorável ao Belenenses.
3. Em sede própria, «Os Belenenses» responsabilizarão pelos graves prejuízos causados quem, ao atropelo da Lei e conforme referido no Acordão do Conselho de Justiça da FPF, permitiu a ilegal votação no seio da CD da Liga, adulterando a decisão face aos factos provados.
4. «Os Belenenses» reafirmam a sua posição de levar este assunto, se as circunstâncias a isso obrigarem, até às mais altas instâncias internacionais do futebol.
5. Face à gravidade deste processo para «Os Belenenses» e para o futebol português, foram de imediato solicitadas audiências com carácter de urgência ao Secretário de Estado do Desporto, ao Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ao Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Lisboa, 6 de Julho de 2006.
A Administração de «Os Belenenses» SAD
A Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses»
Há decisões oficiais. Há reacção do Clube. Finalmente há factos, razão pela qual publicamos.
«CASO MATEUS»: Comunicado Oficial
06-07-2006 21:33
Face ao teor do acordão do Conselho de Justiça da FPF, «Os Belenenses» Soc. Desp. Futebol, SAD e a Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses» entendem informar do seguinte:
1. Tendo o CJ da Federação Portuguesa de Futebol concluído pela irregularidade da intervenção do Dr. Domingos Lopes no Acordão da Comissão Disciplinar da LPFP, em clara violação da legislação aplicável, não se admite outra posição do Juiz Desembargador Gomes da Silva que não seja o seu imediato pedido de demissão.
2. A conclusão lógica que se extrai do Acordão do CJ da FPF é que, não tivesse havido um gravíssimo atropelo à legalidade, mesmo contando com a incrível e bizarra mudança de opinião do Dr. Juiz Gomes da Silva, a decisão teria sido favorável ao Belenenses.
3. Em sede própria, «Os Belenenses» responsabilizarão pelos graves prejuízos causados quem, ao atropelo da Lei e conforme referido no Acordão do Conselho de Justiça da FPF, permitiu a ilegal votação no seio da CD da Liga, adulterando a decisão face aos factos provados.
4. «Os Belenenses» reafirmam a sua posição de levar este assunto, se as circunstâncias a isso obrigarem, até às mais altas instâncias internacionais do futebol.
5. Face à gravidade deste processo para «Os Belenenses» e para o futebol português, foram de imediato solicitadas audiências com carácter de urgência ao Secretário de Estado do Desporto, ao Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ao Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Lisboa, 6 de Julho de 2006.
A Administração de «Os Belenenses» SAD
A Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses»
Neste dia, em . . .
1959 – Belenenses vence Benfica e conquista Taça de Portugal em Basquetebol pela segunda vez
Nestes apontamentos em que relatamos o muito do que o Belenenses representa no panorama desportivo nacional, a verdade é que não temos oportunidade de relatar muitos triunfos ou feitos relativos ao Basquetebol. Embora seja uma modalidade muito popular noutras latitudes, em Portugal apenas em anos mais recentes se pode dizer que o é verdadeiramente. E muito por força da popularização da competição rainha ao nível mundial – a NBA, a liga norte-americana.
Apesar de grande evolução sofrida pelo basquetebol europeu a verdade é que a espectacularidade da modalidade nos Estados Unidos da América do Norte ainda não foi alcançada no velho continente. E a sua popularidade também não. Portugal não foge à regra.
Não obstante, no Belenenses pratica-se o Basquetebol desde 1927. Quanto a títulos principais no primeiro escalão e no âmbito nacional apenas três: os Campeonatos Nacionais de 1938/39 e 1944/45, as Taças de Portugal de 1944/45 e, a edição a que nos referimos nesta data, a de 1958/59.
No Basquetebol Feminino dois títulos nacionais 1954/55 e sete de Lisboa.
A referência máxima do Basquetebol do Belenenses é ainda Rómulo Trindade, a quem nos referimos por ocasião da sua festa de despedida em 9 de Maio de 1948.
No Campeonato, o Belenenses não fora além da quarta posição. Tinha na Taça de Portugal a sua oportunidade de brilhar, após eliminar, nas meias-finais, a equipa do F.C. Porto por 57-52.
Na final disputada frente ao Benfica viria a vencer por margem curta (um cesto apenas) mas foi o suficiente. Desde então e no principal escalão mais nenhum título voltaria a ser conquistado.
Neste dia, na final, estiveram presentes: Fernando Fernandes, João Franco, Francisco Neves, José Guerreiro, João Almeida, Alberto Patinho, Jacinto Boavista, José Delgado, Carlos Brito e Carlos Ribeiro.
Nestes apontamentos em que relatamos o muito do que o Belenenses representa no panorama desportivo nacional, a verdade é que não temos oportunidade de relatar muitos triunfos ou feitos relativos ao Basquetebol. Embora seja uma modalidade muito popular noutras latitudes, em Portugal apenas em anos mais recentes se pode dizer que o é verdadeiramente. E muito por força da popularização da competição rainha ao nível mundial – a NBA, a liga norte-americana.
Apesar de grande evolução sofrida pelo basquetebol europeu a verdade é que a espectacularidade da modalidade nos Estados Unidos da América do Norte ainda não foi alcançada no velho continente. E a sua popularidade também não. Portugal não foge à regra.
Não obstante, no Belenenses pratica-se o Basquetebol desde 1927. Quanto a títulos principais no primeiro escalão e no âmbito nacional apenas três: os Campeonatos Nacionais de 1938/39 e 1944/45, as Taças de Portugal de 1944/45 e, a edição a que nos referimos nesta data, a de 1958/59.
No Basquetebol Feminino dois títulos nacionais 1954/55 e sete de Lisboa.
A referência máxima do Basquetebol do Belenenses é ainda Rómulo Trindade, a quem nos referimos por ocasião da sua festa de despedida em 9 de Maio de 1948.
No Campeonato, o Belenenses não fora além da quarta posição. Tinha na Taça de Portugal a sua oportunidade de brilhar, após eliminar, nas meias-finais, a equipa do F.C. Porto por 57-52.
Na final disputada frente ao Benfica viria a vencer por margem curta (um cesto apenas) mas foi o suficiente. Desde então e no principal escalão mais nenhum título voltaria a ser conquistado.
Neste dia, na final, estiveram presentes: Fernando Fernandes, João Franco, Francisco Neves, José Guerreiro, João Almeida, Alberto Patinho, Jacinto Boavista, José Delgado, Carlos Brito e Carlos Ribeiro.
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Recordando 1927: PORTUGAL, 4 - França, 0
(Parte do artigo publicado a 16 de Março, na rúbrica «Neste dia, em ...»)
1927 – Pepe marca 2 golos na vitória de Portugal sobre a França. É levado em ombros, em triunfo
José Manuel Soares (Pepe) foi um dos maiores jogadores de sempre, e porventura o maior mito da história do Belenenses e do futebol português. O seu talento genial e precoce, o fulgor da sua breve carreira, a sua veia goleadora ao serviço do Belenenses (10 golos num só encontro, continua a constituir record nacional num jogo oficial) e da selecção de Portugal e, por fim, a sua morte trágica aos 23 anos, conducente a um funeral multitudinário e a uma imensa dor colectiva, não podem jamais ser apagadas.
O Belenenses deve-lhe muito e tributou-lhe a sua homenagem dando o seu nome ao Estádio das Salésias, de que fomos espoliados pela Câmara Municipal de Lisboa, e erguendo-lhe o monumento que ainda hoje está no Estádio do Restelo (obra de Mestre Leopoldo de Almeida).
Entretanto, como já dissemos, quantos Campeonatos mais não teria conquistado o Belenenses nos 10 ou 12 anos que, normalmente, Pepe teria ainda de carreira? Ainda assim, com uma morte tão jovem, Pepe foi, pelo Belenenses, 2 vezes Campeão de Portugal e 3 vezes Campeão de Lisboa.
A Selecção Nacional, que representou por 14 vezes, deve-lhe também alguns dias de glória.
Lembramos que Pepe esteve nos Jogos Olímpicos de 1928, a primeira grande competição em que a Selecção Nacional participou; de resto, com Pepe, Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, o Belenenses era, nela, o clube mais representado.
Foi justamente neste jogo com a França, que Pepe, com 19 anos acabados de fazer, se estreou. E fê-lo de forma auspiciosa e apoteótica. Marcou dois dos sete golos que apontou ao serviço da selecção portuguesa foi levado em ombros, pelo público, no final. O desafio teve lugar no Porto, Portugal ganhou por 4-0, e estiveram presentes mais três outros jogadores do Belenenses (ver gravura). Também neste caso, éramos o clube a dar mais jogadores à Selecção.
Curiosamente, cerca de três anos mais tarde, em 23 de Fevereiro de 1930, no mesmo local, Pepe também marcou por duas vezes à França (e o Belenenses continuava a ser o clube mais representado). Só que, no caso, os golos de Pepe foram os únicos do desafio.
Foi a última vez que envergou a camisola nacional.
Pepe marcou também dois golos na vitória por 4-2 sobre o Chile, para os Jogos Olímpicos de 1928, e o golo da vitória 1-0 sobre a Checoslováquia em 12 de Janeiro de 1930.
1927 – Pepe marca 2 golos na vitória de Portugal sobre a França. É levado em ombros, em triunfo
José Manuel Soares (Pepe) foi um dos maiores jogadores de sempre, e porventura o maior mito da história do Belenenses e do futebol português. O seu talento genial e precoce, o fulgor da sua breve carreira, a sua veia goleadora ao serviço do Belenenses (10 golos num só encontro, continua a constituir record nacional num jogo oficial) e da selecção de Portugal e, por fim, a sua morte trágica aos 23 anos, conducente a um funeral multitudinário e a uma imensa dor colectiva, não podem jamais ser apagadas.
O Belenenses deve-lhe muito e tributou-lhe a sua homenagem dando o seu nome ao Estádio das Salésias, de que fomos espoliados pela Câmara Municipal de Lisboa, e erguendo-lhe o monumento que ainda hoje está no Estádio do Restelo (obra de Mestre Leopoldo de Almeida).
Entretanto, como já dissemos, quantos Campeonatos mais não teria conquistado o Belenenses nos 10 ou 12 anos que, normalmente, Pepe teria ainda de carreira? Ainda assim, com uma morte tão jovem, Pepe foi, pelo Belenenses, 2 vezes Campeão de Portugal e 3 vezes Campeão de Lisboa.
A Selecção Nacional, que representou por 14 vezes, deve-lhe também alguns dias de glória.
Lembramos que Pepe esteve nos Jogos Olímpicos de 1928, a primeira grande competição em que a Selecção Nacional participou; de resto, com Pepe, Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, o Belenenses era, nela, o clube mais representado.
Foi justamente neste jogo com a França, que Pepe, com 19 anos acabados de fazer, se estreou. E fê-lo de forma auspiciosa e apoteótica. Marcou dois dos sete golos que apontou ao serviço da selecção portuguesa foi levado em ombros, pelo público, no final. O desafio teve lugar no Porto, Portugal ganhou por 4-0, e estiveram presentes mais três outros jogadores do Belenenses (ver gravura). Também neste caso, éramos o clube a dar mais jogadores à Selecção.
Curiosamente, cerca de três anos mais tarde, em 23 de Fevereiro de 1930, no mesmo local, Pepe também marcou por duas vezes à França (e o Belenenses continuava a ser o clube mais representado). Só que, no caso, os golos de Pepe foram os únicos do desafio.
Foi a última vez que envergou a camisola nacional.
Pepe marcou também dois golos na vitória por 4-2 sobre o Chile, para os Jogos Olímpicos de 1928, e o golo da vitória 1-0 sobre a Checoslováquia em 12 de Janeiro de 1930.
UM APELO
A título excepcional, face à atitude previamente tomada pelos editores deste blog, fazemos o eco possível deste caso que nos chegou à atenção, através do nosso companheiro belenense Alfredo Azinheira e do seu blog Belenenses Timor.
Trata-se de um caso real, uma situação grave e muito triste, que se está a passar com o nosso antigo jogador Abdul (1956/57 a 1959/60).
Pedimos por isso a vossa atenção para o texto publicado no Blog BELENENSES TIMOR e ajude como puder.
Para o Alfredo Azinheira enviamos o nosso especial abraço e o nosso obrigado por nos chamar a atenção para este caso.
Trata-se de um caso real, uma situação grave e muito triste, que se está a passar com o nosso antigo jogador Abdul (1956/57 a 1959/60).
Pedimos por isso a vossa atenção para o texto publicado no Blog BELENENSES TIMOR e ajude como puder.
Para o Alfredo Azinheira enviamos o nosso especial abraço e o nosso obrigado por nos chamar a atenção para este caso.
Neste dia, em . . .
1936 – Belenenses disputa final do Campeonato de Portugal pela sexta vez
Depois do brilhante período que vai de 1926 a 1933, no qual o Belenenses foi três vezes Campeão de Portugal (e duas vezes Vice-Campeão) e quatro vezes Campeão de Lisboa (e três vezes Vice Campeão), o Belenenses entrou numa fase de menos fulgor.
Isso deveu-se, por um lado, ao final de carreira de grandes jogadores como os olímpicos Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, sem falar já na morte de Pepe; por outro lado, aos grandes investimentos que estavam a ser feitos nas Salésias, dos quais já aqui abundantemente se falou, e que nos puseram na vanguarda das instalações desportivas do nosso país.
Mesmo assim, em 1934/35, no primeiro dos Campeonatos da Liga, estivemos a um passo de ser Campeões. O quarto lugar final, a quatro pontos do F.C.Porto, a dois do Sporting e a um do Benfica, é enganador. Com efeito, a três jornadas do fim, o Belenenses liderava, com uma vantagem de um ponto sobre o Sporting e dois sobre o F.C.Porto e o Benfica. Uma derrota com os encarnados tornou as coisas mais difíceis mas, à entrada da última jornada, o Belenenses ainda podia ser campeão, encontrando-se a um ponto do Porto e do Sporting. No entanto, a vitória do F.C.Porto e a nossa derrota nessa última jornada deitaram tudo a perder. Mesmo assim, tivemos o melhor Ataque e a melhor diferença de golos.
Também no Campeonato de Lisboa podíamos ter triunfado: chegámos ao fim empatados em pontos com Sporting e Benfica, acabando, porém, por ceder nos jogos de desempate.
Em 1935/36, o Campeonato de Lisboa terminou com a nossa equipa numa decepcionante terceira posição. O quarto lugar no Campeonato da Liga – embora somente a um ponto do Sporting, a três do Porto e a quatro do Benfica – não nos trouxe qualquer satisfação: um quarto lugar era bastante frustrante para o Belenenses de então; na verdade, era quase visto como um último lugar.
Já no Campeonato de Portugal, as coisas foram bem diferentes.
Nos oitavos de final, ultrapassámos o Leixões, graças à concludente diferença entre uma vitória caseira por 7-0 e uma derrota fora por 1-0.
Nos quartos de final, o adversário era o F.C. Porto. Tínhamos atravessada a derrota por 9-1 sofrida para o Campeonato da Liga, só compensada nas Salésias por um triunfo de 2-1.Pois bem, para o Campeonato de Portugal, foi o Belenenses a superiorizar-se: depois de empates 1-1 e 0-0, em Casa e Fora, respectivamente, vencemos o jogo de desempate por 1-0 (o Belenenses de então, não era mesmo de se ficar perante um mau resultado: no Campeonato da Liga da época seguinte, em que ficámos em segundo lugar a um ponto do Campeão Benfica, ganhámos 2-1 no Porto e 3-0 nas Salésias).
Nas meias-finais, tínhamos outro adversário forte, o Benfica. No entanto, depois de empatarmos Fora por 2-2, resolvemos a questão nas Salésias, ganhando a segunda-mão por 2-1. Apurámo-nos, assim, para a final, a disputar com o Sporting, que tivera um percurso mais fácil, desembaraçando-se do União de Lisboa, do Carcavelinhos e do Marítimo.
O Belenenses alcançava, deste modo, a sua sexta presença na final em dez edições!
Se ganhássemos, passaríamos a ser a equipa com mais vitórias: até aqui, Belenenses e F.C.Porto tinham três, o Benfica, dois. De qualquer modo, ao assegurar esta presença na Final, pusemo-nos de algum modo à frente dos portistas, visto que chegávamos mais vezes (seis contra cinco) ao jogo derradeiro.
Infelizmente, a vitória não foi do Belenenses. O Sporting ganhou por 3-1 à nossa equipa, que alinhou assim: José Reis; José Simões e João belo; Mariano Amaro, Jaime Viegas e Rodrigues Alves; Prefeito dos Santos, Elias, Varela Marques, Bernardo Soares e Rafael Correia.
O jogo foi disputado no campo do Lumiar, habitualmente utilizado pelo nosso adversário. O nosso golo foi apontado por Rafael.
Depois do brilhante período que vai de 1926 a 1933, no qual o Belenenses foi três vezes Campeão de Portugal (e duas vezes Vice-Campeão) e quatro vezes Campeão de Lisboa (e três vezes Vice Campeão), o Belenenses entrou numa fase de menos fulgor.
Isso deveu-se, por um lado, ao final de carreira de grandes jogadores como os olímpicos Augusto Silva, César de Matos e Alfredo Ramos, sem falar já na morte de Pepe; por outro lado, aos grandes investimentos que estavam a ser feitos nas Salésias, dos quais já aqui abundantemente se falou, e que nos puseram na vanguarda das instalações desportivas do nosso país.
Mesmo assim, em 1934/35, no primeiro dos Campeonatos da Liga, estivemos a um passo de ser Campeões. O quarto lugar final, a quatro pontos do F.C.Porto, a dois do Sporting e a um do Benfica, é enganador. Com efeito, a três jornadas do fim, o Belenenses liderava, com uma vantagem de um ponto sobre o Sporting e dois sobre o F.C.Porto e o Benfica. Uma derrota com os encarnados tornou as coisas mais difíceis mas, à entrada da última jornada, o Belenenses ainda podia ser campeão, encontrando-se a um ponto do Porto e do Sporting. No entanto, a vitória do F.C.Porto e a nossa derrota nessa última jornada deitaram tudo a perder. Mesmo assim, tivemos o melhor Ataque e a melhor diferença de golos.
Também no Campeonato de Lisboa podíamos ter triunfado: chegámos ao fim empatados em pontos com Sporting e Benfica, acabando, porém, por ceder nos jogos de desempate.
Em 1935/36, o Campeonato de Lisboa terminou com a nossa equipa numa decepcionante terceira posição. O quarto lugar no Campeonato da Liga – embora somente a um ponto do Sporting, a três do Porto e a quatro do Benfica – não nos trouxe qualquer satisfação: um quarto lugar era bastante frustrante para o Belenenses de então; na verdade, era quase visto como um último lugar.
Já no Campeonato de Portugal, as coisas foram bem diferentes.
Nos oitavos de final, ultrapassámos o Leixões, graças à concludente diferença entre uma vitória caseira por 7-0 e uma derrota fora por 1-0.
Nos quartos de final, o adversário era o F.C. Porto. Tínhamos atravessada a derrota por 9-1 sofrida para o Campeonato da Liga, só compensada nas Salésias por um triunfo de 2-1.Pois bem, para o Campeonato de Portugal, foi o Belenenses a superiorizar-se: depois de empates 1-1 e 0-0, em Casa e Fora, respectivamente, vencemos o jogo de desempate por 1-0 (o Belenenses de então, não era mesmo de se ficar perante um mau resultado: no Campeonato da Liga da época seguinte, em que ficámos em segundo lugar a um ponto do Campeão Benfica, ganhámos 2-1 no Porto e 3-0 nas Salésias).
Nas meias-finais, tínhamos outro adversário forte, o Benfica. No entanto, depois de empatarmos Fora por 2-2, resolvemos a questão nas Salésias, ganhando a segunda-mão por 2-1. Apurámo-nos, assim, para a final, a disputar com o Sporting, que tivera um percurso mais fácil, desembaraçando-se do União de Lisboa, do Carcavelinhos e do Marítimo.
O Belenenses alcançava, deste modo, a sua sexta presença na final em dez edições!
Se ganhássemos, passaríamos a ser a equipa com mais vitórias: até aqui, Belenenses e F.C.Porto tinham três, o Benfica, dois. De qualquer modo, ao assegurar esta presença na Final, pusemo-nos de algum modo à frente dos portistas, visto que chegávamos mais vezes (seis contra cinco) ao jogo derradeiro.
Infelizmente, a vitória não foi do Belenenses. O Sporting ganhou por 3-1 à nossa equipa, que alinhou assim: José Reis; José Simões e João belo; Mariano Amaro, Jaime Viegas e Rodrigues Alves; Prefeito dos Santos, Elias, Varela Marques, Bernardo Soares e Rafael Correia.
O jogo foi disputado no campo do Lumiar, habitualmente utilizado pelo nosso adversário. O nosso golo foi apontado por Rafael.
terça-feira, 4 de julho de 2006
Neste dia, em . . .
1948 – Belenenses disputa a final da Taça de Portugal pela quarta vez
A época de 1947/48 foi de bastante bom nível para o Belenenses, embora, a dizer a verdade, tenha ficado aquém das expectativas que se chegaram a criar.
Com efeito, no Campeonato ficámos em terceiro lugar mas o facto é que, à 18ª de 26 jornadas, liderávamos a classificação. E acabámos com a melhor Defesa, pela terceira vez consecutiva.
Na Taça de Portugal, outra oportunidade de conquista se nos ofereceu. E realmente, ficámos novamente a um passo de arrebatar o troféu, perdendo a final para o Sporting.
No caminho para a final, eliminámos sucessivamente o Leixões, por 3-1; a CUF, por 1-0; a Oliveirense, por 8-1 e, nas meias-finais, o Barreirense (que eliminara o F.C.Porto) por 5-1. Na outra meia-final, o Sporting superou o Benfica por 3-0.
Vivendo a melhor fase da sua história, a meio da sua série de quatro Campeonatos, com os famosos cinco Violinos – um dos quais, Jesus Correia, curiosamente, era adepto...do Belenenses – o nosso adversário detinha algum favoritismo. O Belenenses, porém, tinha creditado a seu favor, além da sua valia, o facto de para o Campeonato ter ganho um dos jogos (3-2, nas Salésias) e empatado o outro (4-4, Fora).
Infelizmente, o Belenenses apresentou-se bastante desfalcado, tendo que jogar vários jovens. Quatro dos habituais titulares não poderam alinhar. Mas, de todas as faltas, o grande golpe veio da ausência do capitão Amaro que, por doença, tinha sabido na véspera que, tinha de pôr termo à sua carreira.
Assim, esta final iria ditar a nossa única derrota com o Sporting na época. Perdemos por 3-1, com o nosso golo a ser apontado por Teixeira da Silva. Para mais, na segunda parte, ficámos reduzidos a 10 unidades, por lesão de um jogador nosso (embora isso, de alguma forma, compensasse a inferioridade física de Azevedo, o valoroso guarda-redes sportinguista). Note-se, já agora, que foi anulado um golo a ambas as equipas.
Para terminar, aqui fica o registo dos jogadores que, vestidos de azul, alinharam nessa tarde no Estádio Nacional:
Sério; Vasco e Serafim; Figueiredo, Feliciano e Castela; Matos, Nunes, Teixeira da Silva, Pinto de Almeida e Artur Quaresma.
Apesar desta derrota, o facto é que, em nove edições da prova, o Belenenses tinha estado presente em quatro finais!
1955 – Belenenses vence Vasco da Gama (Brasil), por 2-1
Desengane-se quem julgar que estes jogos eram a feijões e que estas vitórias que o Belenenses obteve sobre grandes equipas do futebol mundial pouca importância tinham. Antes pelo contrário. Eram encontros rijamente disputados como daremos conta mais adiante.
O Vasco da Gama que fora campeão em 1950 com o famoso «expresso da vitória» e a base da selecção brasileira no mundial desse ano (de triste memória para o Brasil) era uma equipa poderosa e conceituada internacionalmente. Dessa geração já poucos restavam, Ademir (o artilheiro do mundial de 1950) e pouco mais, em virtude da profunda renovação que se iniciara em 1953.
Surgiram então jogadores como Vavá, Belini, Sabará e outros de talento e força. Se estes três disputaram este encontro com o Belenenses, os dois primeiros viriam a sagrar-se Campeões do Mundo pelo Brasil em 1958. Belini era o Capitão do «escrete» e o seu gesto de levantar a Taça (a Jules Rimet) acima da cabeça ficou famoso e viria a ser sempre repetido a partir daí.
Era, assim, uma poderosa equipa vascaína que se apresentava nas Salésias nesta data em 1955, com: Gonzalez; Paulino e Bellini; Eli, Orlando e Coronel; Sabará, Vavá, Alvinho, Pinga e Parodi.
O Belenenses recuperava ainda da perda do campeonato a quatro minutos do fim do último jogo. Mas a vida continua. O Belenenses alinhou com José Pereira; Pires e Serafim; Carlos Silva, Figueiredo e Vicente; Pellejero, Dimas, Perez, Vaccari e Tito.
O jogo começou com a equipa brasileira a dominar, obtendo o seu golo quando estavam decorridos apenas 5 minutos. Uma jogada de Sabará que tirou vários jogadores belenenses da jogada e centrou para Parodi que não falhou.
Na segunda parte assistiu-se ao mesmo mas para o lado do Belenenses. Via-se uma equipa em busca do empate e pouco demorou a obter o seu golo. Após uma jogada pelo lado direito, Tito centrou para a área descobrindo Perez que aplicou uma cabeçada imparável. Estava feito o empate.
Aos 35 minutos da segunda parte, por Pires, o Belenenses coloca-se em vantagem, na sequência de um livre no meio campo do Vasco da Gama, o guardião do «Vasco» entrou pela baliza dentro com a bola evitando a carga de Perez. O golo foi muito contestado, embora limpo e a atitude da equipa brasileira mudou tornando-se violenta. Até final do jogo não se voltou a ver futebol. Isto só ilustra o que começámos por dizer. Estes não eram jogos a brincar, apesar de serem particulares.
Ainda mais um pormenor quanto a este jogo. Disputou-se à noite. De facto, o Estádio das Salésias não tinha iluminação artificial permanente. Mas o jogo não foi iluminado a lampiões. Não. Foi através de uma instalação eléctrica provisória. A um ano da inauguração do moderno Estádio do Restelo este jogo só evidenciou as vantagens dos novos estádios de então em possuírem iluminação para jogos nocturnos. As competições europeias começariam pouco depois.
A época de 1947/48 foi de bastante bom nível para o Belenenses, embora, a dizer a verdade, tenha ficado aquém das expectativas que se chegaram a criar.
Com efeito, no Campeonato ficámos em terceiro lugar mas o facto é que, à 18ª de 26 jornadas, liderávamos a classificação. E acabámos com a melhor Defesa, pela terceira vez consecutiva.
Na Taça de Portugal, outra oportunidade de conquista se nos ofereceu. E realmente, ficámos novamente a um passo de arrebatar o troféu, perdendo a final para o Sporting.
No caminho para a final, eliminámos sucessivamente o Leixões, por 3-1; a CUF, por 1-0; a Oliveirense, por 8-1 e, nas meias-finais, o Barreirense (que eliminara o F.C.Porto) por 5-1. Na outra meia-final, o Sporting superou o Benfica por 3-0.
Vivendo a melhor fase da sua história, a meio da sua série de quatro Campeonatos, com os famosos cinco Violinos – um dos quais, Jesus Correia, curiosamente, era adepto...do Belenenses – o nosso adversário detinha algum favoritismo. O Belenenses, porém, tinha creditado a seu favor, além da sua valia, o facto de para o Campeonato ter ganho um dos jogos (3-2, nas Salésias) e empatado o outro (4-4, Fora).
Infelizmente, o Belenenses apresentou-se bastante desfalcado, tendo que jogar vários jovens. Quatro dos habituais titulares não poderam alinhar. Mas, de todas as faltas, o grande golpe veio da ausência do capitão Amaro que, por doença, tinha sabido na véspera que, tinha de pôr termo à sua carreira.
Assim, esta final iria ditar a nossa única derrota com o Sporting na época. Perdemos por 3-1, com o nosso golo a ser apontado por Teixeira da Silva. Para mais, na segunda parte, ficámos reduzidos a 10 unidades, por lesão de um jogador nosso (embora isso, de alguma forma, compensasse a inferioridade física de Azevedo, o valoroso guarda-redes sportinguista). Note-se, já agora, que foi anulado um golo a ambas as equipas.
Para terminar, aqui fica o registo dos jogadores que, vestidos de azul, alinharam nessa tarde no Estádio Nacional:
Sério; Vasco e Serafim; Figueiredo, Feliciano e Castela; Matos, Nunes, Teixeira da Silva, Pinto de Almeida e Artur Quaresma.
Apesar desta derrota, o facto é que, em nove edições da prova, o Belenenses tinha estado presente em quatro finais!
1955 – Belenenses vence Vasco da Gama (Brasil), por 2-1
Desengane-se quem julgar que estes jogos eram a feijões e que estas vitórias que o Belenenses obteve sobre grandes equipas do futebol mundial pouca importância tinham. Antes pelo contrário. Eram encontros rijamente disputados como daremos conta mais adiante.
O Vasco da Gama que fora campeão em 1950 com o famoso «expresso da vitória» e a base da selecção brasileira no mundial desse ano (de triste memória para o Brasil) era uma equipa poderosa e conceituada internacionalmente. Dessa geração já poucos restavam, Ademir (o artilheiro do mundial de 1950) e pouco mais, em virtude da profunda renovação que se iniciara em 1953.
Surgiram então jogadores como Vavá, Belini, Sabará e outros de talento e força. Se estes três disputaram este encontro com o Belenenses, os dois primeiros viriam a sagrar-se Campeões do Mundo pelo Brasil em 1958. Belini era o Capitão do «escrete» e o seu gesto de levantar a Taça (a Jules Rimet) acima da cabeça ficou famoso e viria a ser sempre repetido a partir daí.
Era, assim, uma poderosa equipa vascaína que se apresentava nas Salésias nesta data em 1955, com: Gonzalez; Paulino e Bellini; Eli, Orlando e Coronel; Sabará, Vavá, Alvinho, Pinga e Parodi.
O Belenenses recuperava ainda da perda do campeonato a quatro minutos do fim do último jogo. Mas a vida continua. O Belenenses alinhou com José Pereira; Pires e Serafim; Carlos Silva, Figueiredo e Vicente; Pellejero, Dimas, Perez, Vaccari e Tito.
O jogo começou com a equipa brasileira a dominar, obtendo o seu golo quando estavam decorridos apenas 5 minutos. Uma jogada de Sabará que tirou vários jogadores belenenses da jogada e centrou para Parodi que não falhou.
Na segunda parte assistiu-se ao mesmo mas para o lado do Belenenses. Via-se uma equipa em busca do empate e pouco demorou a obter o seu golo. Após uma jogada pelo lado direito, Tito centrou para a área descobrindo Perez que aplicou uma cabeçada imparável. Estava feito o empate.
Aos 35 minutos da segunda parte, por Pires, o Belenenses coloca-se em vantagem, na sequência de um livre no meio campo do Vasco da Gama, o guardião do «Vasco» entrou pela baliza dentro com a bola evitando a carga de Perez. O golo foi muito contestado, embora limpo e a atitude da equipa brasileira mudou tornando-se violenta. Até final do jogo não se voltou a ver futebol. Isto só ilustra o que começámos por dizer. Estes não eram jogos a brincar, apesar de serem particulares.
Ainda mais um pormenor quanto a este jogo. Disputou-se à noite. De facto, o Estádio das Salésias não tinha iluminação artificial permanente. Mas o jogo não foi iluminado a lampiões. Não. Foi através de uma instalação eléctrica provisória. A um ano da inauguração do moderno Estádio do Restelo este jogo só evidenciou as vantagens dos novos estádios de então em possuírem iluminação para jogos nocturnos. As competições europeias começariam pouco depois.
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