quarta-feira, 26 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1927 – Nasce Matateu

E, uma vez mais, ainda e sempre, Matateu...

Não pode de maneira alguma caber nas nossas concepções que uma(s) quaisquer(s) Divindade(s), naturalmente universais e imparciais, possam ser invocadas ou “metidas ao barulho” para decidir a sorte de um jogo, onde dois grupos de jogadores e, portanto, de adeptos, querem a vitória e, inerentemente, a derrota do outro.

Deixa-nos na maior perplexidade a tendência de jogadores para dizer “Graças a Deus ganhámos” ou “Graças a Deus, marquei”, como se Deus – a existir um tal Deus que fosse interveniente nos pequenos assuntos do mundo, a hver o Absoluto que assim se tornasse tão relativo – pudesse querer que os “outros” sofressem a tristeza da derrota ou do golo que não puderam evitar. Já nem entro na questão de saber como é que, com tantas rezas e implorações de sentido oposto, Deus ou alguma Entidade Superior decidiria a quem atender...

E, no entanto, ao pensar em Matateu, nas infindáveis narrativas das suas jogadas, dos seus golos, dos seus golpes de génio, fica-nos a sensação de que, durante uma década, Deus esteve entre nós, no Belenenses...

Certo, certo, é que um deus do futebol mundial envergou a camisola do Belenenses, durante 13 anos!


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Em outros artigos, sobretudo no texto admirável e tão completo que o Álvaro Antunes elaborou à data da sua morte (27 de Janeiro de 2000), fizemos muitas afirmações sobre Matateu. Decerto, ficará ainda sempre algo por dizer; mas, hoje, em vez de afirmações, deixamos antes, preferencialmente, algumas perguntas...

Qual foi o maior jogador de sempre da história do Belenenses? É difícil dizê-lo. A nosso ver, sem desprimor para os gigantes que foram, por exemplo, Amaro e Vicente, há quatro fortes candidatos.

Temos, desde logo, o nosso ilustre Fundador, o grande, o enorme e incomparável Artur José Pereira. Um quarto de século passado sobre o fim da sua carreira, ele era ainda venerado como “o melhor jogador português de todos os tempos”.

Não podemos deixar de ter em conta o grande Augusto Silva, três vezes Campeão de Portugal (e mais tarde, Campeão como treinador), durante 16 anos o jogador Português com mais internacionalizações, o discípulo perfeito do Mestre Artur José Pereira, a garra, a raça e o talento infindáveis (Como é possível que Artur José Pereira e Augusto Silva não tenham a Cruz de Ouro???!!!).

E é impossível esquecer Pepe, que com 19 anos já arrebatava multidões, que 75 anos depois é o jogador com mais golos marcados num só jogo, que deixou um entranhado perfume de génio, na sua, não obstante, tão breve carreira, interrompida pela morte brutal (Pepe morreu aos 23 anos; Matateu chegou ao Belenenses aos 24. Com mais dez anos de Pepe, com mais cinco anos de Matateu, quantos Campeonatos mais não adornariam o nosso palmarés?).


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E depois, há Matateu. Foi o único que não foi Campeão mas, mesmo assim, talvez tenha sido o maior. Quase todos nós nascemos a ouvir falar de Matateu. Mesmo hoje, em que para grande parte dos nossos sócios, os nomes Artur José Pereira e Augusto Silva (e tantas outras figuras imensas) nada dizem; mesmo hoje, em que é possível um ignorante da televisão dizer que Pepe jogou no Belenenses e no Porto (!!!) e em que o speaker no nosso próprio Estádio diz que ele foi jogador mas pára aí, por mais nada saber (!!!!!!) – talvez desconhecesse que ele jogou no Belenenses e na Selecção – mesmo hoje, não há ninguém que não saiba quem foi Matateu.

Se o Belenenses, com todas as desventuras por que tem passado, ainda é um clube muito popular, deve-o, numa parte importante, indubitavelmente, a Matateu.

E agora, perguntamos: quem foi o maior jogador português de sempre? Dir-se-ia, no status quo vigente e talvez pouco parcial, que foi indiscutivelmente Eusébio; e talvez se acrescentasse que, entretanto, Figo se assumou ao segundo lugar. Mas....será mesmo assim?

Não está em causa o imenso valor futebolístico de Eusébio mas supomos que, se, por exemplo, Eusébio tivesse jogado no Belenenses, e Matateu no Benfica, a questão se pusesse.

Ouvimos de pessoas insuspeitas, por não serem adeptas do Belenenses, que o génio e o valor de Matateu em nada ficava atrás do de Eusébio; simplesmente, este último, teve circunstâncias muito mais favoráveis para a sua consagração nacional e internacional.

Em 1987, Alexandre Pais, hoje Director do jornal “Record”, relatava os esforços do nosso antigo jogador e treinador Carlos Silva (ao tempo, Chefe do Departamento do Futebol do Belenenses e hoje amplamente envolvido na Selecção Nacional) para fazer Matateu voltar a Portugal, vindo do Canadá, onde viveu as últimas décadas da sua vida. Já falámos dessa visita, que efectivamente se concretizou, em outras ocasiões.


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Reproduzimos algumas passagens:
Falo-vos desta vez de Carlos Silva e faço-o não exclusiva, mas especialmente, para me referir de seguida à missão impossível a que aderiu com o empenho azul de sempre: trazer Matateu a Lisboa!

Não que eu acredite assim, tout-court, na vinda do Lucas, mesmo que de passagem para o torrão natal, ainda que no início de uma viagem triunfal à terra que o viu nascer e o aguarda para o receber em triunfo. Como o fez a Coluna, Eusébio e Vicente, todos moçambicanos, todos tocados pelo génio da bola. É que, mais cedo, existiu Matateu, não o melhor jogador português, antes seguramente um dos quatro melhores, com Pinga, Travaços e Eusébio; não ‘um dos dez melhores jogadores do Mundo de todos os tempos’ como proclamou a veneração apologética de Carlos Silva, embora indubitavelmente um dos 20 ou 30 melhores jogadores do Mundo de sempre; mas sem nenhuma hesitação, O MELHOR JOGADOR DE GRANDE ÁREA E DE POTÊNCIA DE REMATE DO FUTEBOL PORTUGUÊS e, nessas qualidades (aí sim) um dos dez melhores do Mundo desde que o futebol nasceu para a competição e para o espectáculo (...)

Salvé, Matateu! Os que te esperaram em manhã de nevoeiro, entre pequenas tricas de irmãos, finalmente te saúdam. Com o coração em sangue pelos tempos que não voltam, com o espírito decepcionado pelos golos que ninguém poderá repetir. E dizem-te enfim: OBRIGADO!


Penso que ninguém poderá acusar Alexandre Pais de pecar por excesso nas suas apreciações sobre Matateu. Pelo contrário: elas pecarão eventualmente por defeito, sem nenhum desprimor para o portista Pinga e o sportinguista Travaços, indiscutivelmente grandíssimas figuras do futebol Português (e, já agora, lembremos que Cândido de Oliveira considerava Artur José Pereira superior a Artur Sousa “Pinga”).

E, enfim, ficam as perguntas: porque é que hoje em dia, o Belenenses já não descobre um Matateu, nem um Vicente, nem sequer um Yaúca, nem ao menos alguém que se lhes assemelhe, apesar de ainda haver partes do mundo onde é possível encontrar grandes talentos a preços muito acessíveis? E pior: se hoje descobríssemos um Matateu, passado dois meses, não estaria ele ferrado com direitos de preferência, e passados seis meses não o venderíamos – quiçá o empurraríamos - para o Dragão a Luz ou Alvalade, perante o delírio de muitos dos “filhos da decadência”?



1966 – José Pereira presente no jogo com a Inglaterra para a meia-final do Campeonato do Mundo de 1966

Nesta data, no mítico estado de Wembley, em Londres, Portugal tentava chegar à Final do Campeonato do Mundo.

A tarefa apresentava-se muito difícil, desde logo por defrontarmos a selecção do país anfitriã. Somou-se uma cansativa viagem de comboio de Liverpool para Londres. E, depois, lesionado, o nosso Vicente não pôde jogar. A realidade é que a sua falta fez-se sentir e, com ele, talvez não tivéssemos sofrido um dos golos, não obstante, no resto do jogo, o substituto José Carlos ter estado bem.

Assim, em vez dos dois jogadores dos desafios anteriores, José Pereira foi o único atleta do Belenenses presente no Onze Nacional.

Portugal perdeu por 2-1 e não conseguiu chegar à final. A Inglaterra marcou aos 31 e 79 minutos, Portugal reduziu aos 82 minutos, através de um penalty transformado por Eusébio. A nossa selecção continuou a atacar, remetendo os ingleses a uma defesa a todo custo mas, apesar de uma grande oportunidade perdida a dois minutos do fim, já não chegámos ao empate.




2003 – Belenenses conquista Torneio do Guadiana, ultrapassando Benfica na Final

A época de 2003/2004 foi de péssima memória. Uma das piores classificações de sempre (15º lugar, entre 18 clubes) e uma manutenção assegurada a cerca de um quarto de hora do fim dos jogos da última jornada. A diferença para o 16º classificado (o Alverca, que desceu de divisão) cifrou-se apenas em um golo na diferença dos confrontos directos. Magro e inaceitável pecúlio para um Clube com os pergaminhos do Belenenses e para uma gestão de SAD, que nos escusamos de adjectivar, que apontava como objectivo um dos quatro primeiros lugares. Mais palavras para quê.

A época até começou razoavelmente bem sob a orientação de Manuel José. No entanto a sua saída para o Egipto, pouco tempo depois de iniciado o campeonato, precipitou um descalabro classificativo que só teve paralelo nos tristes anos de descida de divisão.

Na pré-época, foram realizados alguns jogos de preparação que até prometiam um pouco mais que a mediocridade que em épocas anteriores apenas tinham sido quebradas em 2001/2002 com a obtenção do quinto lugar no campeonato, sob a orientação de Marinho Peres, mau-grado não ter dado acesso às competições europeias.

Assim aparecia o Troféu do Guadiana e logo frente a um forte adversário como uma forma de testar o estado da equipa.


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O jogo, disputado em Vila Real de Santo António, decorreu sob intenso calor apesar de ter sido disputado já no final da tarde. Esse factor aliado ao facto de as equipas se encontrarem no início da preparação da época, levaria a crer que o jogo seria disputado num ritmo mais pausado. Não foi o que aconteceu.

O Belenenses entrou de rompante, marcando por duas vezes no primeiro quarto de hora da partida, surpreendendo totalmente o seu adversário. Aos 12 minutos, por Antchouet e, aos 14 por Verona, ainda mal tinham cessado os festejos do primeiro golo.

Depois de oito substituições operadas (contra apenas duas por parte do Belenenses em toda a partida), o adversário conseguiu equilibrar as operações não sem que o Belenenses dispusesse de algumas oportunidades de avolumar o resultado para lá do alcance da recuperação do adversário. Não as converteu, também com mérito do guarda-redes adversário e assim abriu terreno à recuperação da equipa benfiquista. Esta viria a empatar a partida na sequência de dois lances de bola parada. O segundo deles foi mesmo pacientemente aguardado pelo árbitro da partida, que além do tempo compensatório anunciado quando findos os 90 minutos regulamentares, prolongou o jogo o tempo necessário até poder assinalar o livre do qual resultaria o golo do empate.

Assim, a atribuição do Troféu foi decidida imediatamente na marcação de grandes penalidades. Por linhas tortas escreveu-se a justiça da vitória do Belenenses, alcançada pela conversão de duas grandes penalidades contra apenas uma pelo adversário. Marcaram, pelo Belenenses, Sousa e Marco Paulo.

Alinharam pelo Belenenses: Marco Aurélio, Sousa, Filgueira, Wilson, Carlos Fernandes; Pelé, Marco Paulo, Fábio Rosa; Sané (Eliseu), Verona (Leonardo), Antchouet.

Uma vitória sobre um rival é sempre saborosa e motivo para festejo. O pior, nessa época, viria a seguir...

Ao menos, fica a consolação de Manuel José ter ido buscar o Pelé. Três anos depois, a sua venda foi um balão de oxigénio...

terça-feira, 25 de julho de 2006

Francisco Soares da Cunha – Um Grande Homem e um Grande Belenenses

Na data do seu nascimento, 18 de Junho de 1910, falámos aqui de Francisco Soares da Cunha, um dos maiores vultos de sempre do Belenenses.

O apontamento foi relativamente breve, ficando muito para dizer sobre um Homem a quem o nosso clube tanto deve.

Com base em elementos adicionais que nos foram amavelmente facultados, cumprimos hoje o dever de falar um pouco mais sobre esta notável Figura.



* * *


Francisco Dias Soares da Cunha nasceu em Mafra, no dia 18 de Junho de 1910, sendo filho do Capitão de Infantaria Francisco Augusto da Cunha e de Hermínia do Nascimento Soares da Cunha. Veio a falecer em 19 de Fevereiro de 1975.

Por ser filho de Oficial, desde o seu nascimento, sofreu bastante com os afastamentos resultantes das diversas comissões de serviço de seu Pai no Ultramar (Timor, Angola e Moçambique), o qual acabou por ser feito prisioneiro dos alemães em Negomano – Moçambique, tendo apenas sido liberto após a capitulação dos germânicos em 1918. Assim, foi crescendo só com o apoio de sua Mãe, tendo realizado em diversas escolas os estudos relativos ao ensino primário, que terminou com um “Bom” na Escola das Caldas da Rainha em 4 de Julho de 1919 – justamente o ano da fundação do Belenenses.

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Após este período, um pouco difícil, estabilizou a sua vida e os seus estudos, já com a presença de seu Pai, entrando no Colégio Militar, onde fez o seu curso liceal com bom aproveitamento. Ingressou, então, no Exército, na Arma de Cavalaria.

Em 18 de Junho de 1935 – justamente quando completava 25 anos – foi promovido a Alferes. Em 1 de Dezembro de 1940 foi promovido a Tenente e a 28 de Janeiro de 1946 (um ano feliz para o nosso Clube) foi novamente promovido, desta vez a Capitão de Cavalaria.

Durante a sua permanência nas fileiras foi alvo de diversas honrarias, recebendo reiterados elogios devidos à forma como sempre se conduziu e trabalhou.

Prestou serviço no RC7, em Lisboa, no RC 4, em Santarém, no Regimento de Lanceiros 2, em Lisboa, e na GNR – Regimento de Cavalaria ( 2º e 3º Esquadrões). Em 1942, foi prestar serviço na Polícia Municipal de Lisboa, a convite do então Presidente da Câmara e Ministro das Obras Públicas, Engº Duarte Pacheco.

Nestas últimas funções, há a realçar a sua acção na Comissão dos Bairros Municipais onde consolidou, com a colaboração dos restantes elementos, uma obra social muito importante naquela época.

Em 19 de Dezembro de 1952 passou à situação de reserva, tendo sido convidado para o Conselho de Administração da Sociedade Agrícola do Cassequel, pelos reconhecidos méritos verificados nas diversas acções que até aí prestara ao longo da sua vida de trabalho.

Posteriormente fez também parte dos Conselhos de Administração da Sociedade Agrícola do Incomati e da SORES, tendo sido, nesta última qualidade, elemento preponderante na construção e montagem da sua Refinaria de Açúcar em Santa Iria de Azóia. Esta sua excelente acção foi reconhecida pelos seus colaboradores nos conturbados tempos de 1975, já quase no fim da sua vida.

Pelas suas qualidades de trabalho, foi também convidado a fazer parte da Administração da PHILIPS PORTUGUESA, SARL., o que lhe mereceu, à hora do seu falecimento, palavras de grande apreço, consideração e saudade, por todos que com ele trabalharam.

Ao longo da sua vida foi sempre tido como elemento muito activo, o que levou a que todos – seus superiores, seus colegas e seus colaboradores – lhe prodigalizassem os maiores elogios. Com a sua dinâmica, impulsionava todos que com ele privavam. Era um Líder.

Com o seu casamento em Belém e as suas colocações no Regimento de Cavalaria 7 e depois em Lanceiros 2 e, ainda, com a colocação do seu Pai na Companhia de Infantaria, todas essas unidades situadas na Calçada da Ajuda, ficou-lhe o gosto pelas agremiações belenenses – Clube de Futebol “Os Belenenses” e Belém Clube – onde também se distinguiu sobremaneira pelas suas qualidades. Assim, acabou mesmo por se radicar em Belém, onde passou a maior parte da sua vida.

Em relação à sua prestação na vida Belenense, é suficientemente impressivo o seguinte resumo, da autoria do Major Baptista da Silva (o qual, de resto, o conheceu muito bem, visto que chegou ao dirigismo do Belenenses, na Direcção de 57/58, pela mão de Francisco Soares da Cunha, que também trouxe para o nosso clube muitos outros bons e dedicados elementos):

“Sem qualquer exagero o Estádio do Restelo é obra gigantesca que o Clube deve ao Capitão Soares da Cunha. A magnificência, a riqueza e o enquadramento paisagístico em que se transformou aquela pedreira no mais bonito Estádio de Portugal, foi obra desse homem de excepção.

O seu talento, capacidade de trabalho e de organização, dinamismo, coragem e ambição foram postos ao serviço do Clube na construção do Estádio, inaugurado, em 23 de Setembro de 1956, pelo Chefe do Estado, General Craveiro Lopes, em cerimónia grandiosa e inesquecível e por si idealizada.

Buscando meios financeiros que sustentassem o projecto do Arquitecto Carlos ramos, a organização do ‘Grande Sorteio de 1954’ foi marco do êxito dessa luta, pela contribuição material conseguida e pelo reforço do fervor clubista.

Toda a sua capacidade de dirigente ímpar voltou a revelar-se como Presidente da Direcção em 1957/58, projectando o Clube não só pelo Futebol como pelas Modalidades Amadoras.

No Futebol, saliente-se ter sido o BELENENSES uma das quatro equipas europeias – com o Sevilha, a Lázio e o Dínamo de Zagreb – a participar no Torneio de inauguração do Estádio Morumbi, em São Paulo e ter participado no ‘Troféu Carranza’ em Espanha.

Nas Modalidades Amadoras, destaca-se a criação do lugar de Secretário – Técnico para coordenar toda a actividade e a valorização do Hóquei em Patins e do Ténis, a par das outras secções.

De referir ainda que foi na sua gerência que o Clube contratou Helénio Herrera, um dos maiores treinadores de futebol do Mundo. E foi graças à sua actividade febril que, no mesmo período, entre outros (Abdul, Adelino; Ramin, Suarez, Cunha Velho, etc,), veio da Catumbela (Angola) para o Belenenses o famoso Yaúca. Foi também interveniente na vinda de Matateu e do seu irmão Vicente Lucas.

Nessa actividade febril, levada até à exaustão da sua saúde, foi ainda adquirido o primeiro autocarro do Clube para os seus atletas.

O Belenenses, até ao fim da sua vida, foi uma paixão e também uma preocupação, expressas nos seus últimos dias a amigos e antigos colaboradores do Clube.”

Por todas estas razões foi-lhe concedida a “Cruz de Cristo de Ouro” a 30 de Março de 1960. Dez anos antes, já havia sido consagrado como Sócio Honorário.

A atribuição do mais alto galardão do nosso clube justifica-se além de qualquer discussão. Francisco Soares da Cunha foi “O Homem do Estádio”, expressão da autoria de Albano Homem de Mello, depois consagrada nos livros de Acácio Rosa; foi elemento determinante na vinda para o Belenenses de jogadores da grandeza de Matateu, Vicente e Yaúca; foi um homem de visão e pioneiro em muitos aspectos; foi um dirigente de rara capacidade, o que aliás, foi publicamente reconhecido, muitos anos depois, por Helénio Herrera, uma grande figura do futebol mundial.

Como definição excelente da grandeza de alma de Francisco Soares da Cunha, transcreve-se uma notícia de um jornal da época:

ACÇÃO DIGNA DE REGISTO – Em Março último começou a ser demolida em Chelas, entre outras, a residência de uma viúva que ali reside com uma sua filha, em precárias circunstâncias. Aflita, a infeliz procurou descobrir uma solução para o seu caso. Foi nessa altura que o Comandante da Polícia Municipal, Capitão Soares da Cunha, condoído da sua triste sorte, tomou espontaneamente o encargo de interceder, junto das entidades competentes no sentido de que a demolição se não fizesse, o que, de facto, conseguiu.

Procurou-nos agora aquela senhora para nos pedir que apontemos tão generosa e humana atitude de quem, ainda por cima, vem custeando do seu próprio bolso uma grande parte das rendas da referida casa, suavizando, assim, os encargos da sua existência
”.

Aliás, muitos sócios de “Os Belenenses”, mais carenciados, viam as suas cotas pagas por este homem. Eram assim os Dirigentes do nosso Clube. Grandes homens fazem grandes instituições.

“Um forte rei faz forte a fraca gente, e um rei fraco faz fraca a forte gente”.

Francisco Soares da Cunha foi um dos nossos Maiores. Ainda hoje existem seus companheiros e colaboradores que o lembram e o exaltam. Aqui lhe deixamos também a nossa homenagem e gratidão, reafirmada cada vez que entramos na Casa de todos os belenenses, o Estádio do Restelo.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1921 – Belenenses inicia a prática do Atletismo

A secção de Atletismo do Belenenses que, como se vê, existe praticamente desde a fundação do Clube. Possui um palmarés riquíssimo e uma história recheada de títulos e de nomes sonantes do panorama nacional. A muitos desses nomes nos referimos nestes apontamentos. Nomes como os de Rui Ramos, Joaquim Branco, José Pinto, Lucília Silva, Francelina Moita, Georgete Duarte, Maria José Sobral e tantos, tantos, outros.

O Belenenses participou de forma activa na fundação da Associação de Atletismo de Lisboa e mais tarde também na Federação Portuguesa de Atletismo.

Atente-se à seguinte passagem do livro de Acácio Rosa, «Factos, Nomes e Números, 1919-60», que alude à primeira competição em que o Belenenses participou:


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Atente-se ao texto final constante da figura e que nela está realçado. «Ecletismo útil e necessário».

E porquê útil e necessário? Necessário, porque permitia ao Belenenses projectar-se como Clube proporcionador de condições para a práctica de diversas modalidades aos seus sócios e a quantos se quisessem tornar sócios (quando esta não era proporcionada de outra forma – por exemplo escolar) cumprindo a sua missão social e, simultaneamente, útil porque não só permitia a práctica competitiva com benefícios de imagem e projecção pelos títulos obtidos, o que somando ás condições criadas para a população em geral propulsionava a adesão de novos sócios e adeptos. Algo que hoje em dia não só já não sucede como a despesa que é feita a sustentar inúmeras modalidades profissionais se tornou incomportável para o (não) retorno que traz.

Hoje o Atletismo no Belenenses manterá a capacidade de descoberta e de formação de talentos, a par com a posse de excelentes condições de treino de que é exemplo a pista sintética do Estádio do Restelo, mas a verdade é que, quase 90 anos depois, o Belenenses não é mais que um prospector de valores que vão emergir e atingir o “estrelato” noutros clubes, ficando para estes a capitalização da projecção que os atletas proporcionam. Exemplos disto mesmo são os ex-atletas Francis Obikwelo (Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de 2004) e Naide Gomes. E são apenas os mais sonantes ou mais recentes na nossa memória.



2005 – Carlos Campos sagra-se Penta-Campeão Nacional Absoluto de Pentatlo Moderno

Carlos Campos é um nome a que, nestes apontamentos já nos referimos algumas vezes. Coisa natural se pensarmos que se trata de um Campeão Nacional de Pentatlo Moderno. Neste dia comemora-se a obtenção do Penta-Campeonato. Cinco anos consecutivos como valor máximo absoluto da modalidade em Portugal.

Em 2005 o campeonato decidiu-se em Idanha-a-Nova, no seu Meeting Internacional. Além de Carlos Campos estiveram em prova mais quatro atletas do Belenenses: o internacional André Pereira e três representantes de escalões de formação: Carlota Godinho, Francisca Moncada e Pedro Oliveira.

A revalidação do título nacional não começou da melhor forma para o então tetra-campeão. Muito por força da má prestação na prova de tiro que o relegou para a nona posição da classificação geral até esse momento. No entanto, as excelentes provas na Esgrima (20 vitórias em 23 combates – segundo classificado), na Natação (de novo segundo classificado) e no Hipismo (quinto lugar), permitiram a Carlos Campos recuperar e gerir a vantagem na prova final – a corrida – atingindo assim o mais alto lugar no podium.


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Como prova que apesar de toda a qualidade de Carlos Campos, o Pentatlo Moderno no Belenenses não é apenas Carlos Campos sendo o resto simples cenário, André Pereira classificou-se numa honrosa quarta posição nacional e sexta na geral do Meeting Internacional. E poderia ter sido melhor não fora um engano no percurso da prova de hipismo.

Apesar de ser uma modalidade com projecção olímpica, o Pentatlo Moderno sofre, em Portugal, com grandes dificuldades organizativas. Prova disto mesmo, foi dada na organização deste Meeting, para mais Internacional, e apesar de servir para o apuramento do Campeão Nacional Absoluto. Faltaram árbitros, sendo que foi graças à boa vontade dos treinadores presentes que se realizou a prova, embora disso resultasse um menor apoio aos atletas e às equipas. Algo imcompreensível e que demonstra bem o tipo de apoios de que carece a modalidade, o que só salienta a importância do papel dos clubes no panorama da modalidade a nível nacional.

Para dar uma ideia do estado da modalidade fica registado o valor dos prémios atribuídos no Campeonato Nacional de 2006:

Pontuação Masculina:
Até 5.600 -> 400 €
Até 5.550 -> 300 €
Até 5.500 -> 250 €
Até 5.450 -> 120 €
Até 5.400 -> 75 €

Pontuação Feminina:
Até 5.450 -> 400 €
Até 5.400 -> 300 €
Até 5.350 -> 250 €
Até 5.300 -> 120 €
Até 5.250 -> 75 €

Valores irrisórios que demonstram bem o carácter perfeitamente amador da modalidade.


Nota: Recorremos para a elaboração deste apontamento, do site da Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno (em www.fppm.pt) e do Portal Oficial do Belenenses (em www.osbelenenses.com).


Post-Scriptum: Ontem, Carlos Campos sagrou-se Campeão Nacional de Pentatlo Moderno, pela 6ª vez consecutiva. Os nossos parabéns!

domingo, 23 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1966 – Vicente e José Pereira presentes na vitória de Portugal sobre a Coreia do Norte no Mundial de 1966. Vicente atinge 20ª internacionalização pela Selecção A

Depois de ultrapassada a fase de grupos, com vitórias sobre a Hungria, a Bulgária e o Brasil (como temos vindo a lembrar), Portugal, no jogo seguinte, para os Quartos de Final, deparou-se com a Coreia do Norte.

Portugal reunia consenso em termos de favoritismo. Os coreanos, aparentemente, constituíam um adversário mais acessível que os anteriores – pelo menos, em termos de nome firmado no futebol mundial. Mas a verdade é que os coreanos também já tinham feita história neste Mundial, ao venceram a poderosa Itália.

E o facto é que o jogo começou da pior maneira para Portugal. Aos 2 minutos, já perdíamos. Aos 22 e 23 minutos, com dois golos de rajada, a Coreia do Norte adiantou-se para 3-0. Tudo parecia perdido.

Veio, então, a extraordinária reacção dos portugueses. Até ao intervalo, já havíamos reduzido para 2-3, com golos de Eusébio aos 28 e 43 minutos (o segundo dos quais de grande penalidade). O mesmo jogador marcou aos 56 (empatando) e aos 60 minutos (colocando-se Portugal em vantagem). Aos 80 minutos, Portugal chegou aos 5-3, consumando uma extraordinária reviravolta. Este último golo foi apontado por José Augusto, que confessava que o seu modelo de jogador e ídolo da infância fora o belenensíssimo Mariano Amaro.

No onze Nacional estiveram uma vez mais presentes dois jogadores do Belenenses, José Pereira e Vicente. Embora sofrendo três golos, José Pereira esteve, neles, isento de culpa. Quanto a Vicente, participou do desacerto colectivo inicial - dos primeiros 25 minutos -, voltando, depois, ao seu normal.

No entanto, este jogo marcou o começo das infelicidades para Vicente. Aos 30 anos (completaria 31 dois meses depois), estava no auge da sua fama. Um jornal inglês, o “Daily Mail” classificava-o como o defesa mais elegante da última dúzia de anos. Também o “France FootBall” o distinguiu. No entanto, lesionado, não pôde participar nos dois derradeiros jogos de Portugal. Pior ainda: pouco depois do início da época seguinte, teve um acidente de automóvel, e foi obrigado a pôr termo à sua carreira. Uma infelicidade para Vicente, para o Belenenses e para o futebol Português!

Assim, neste jogo constitui a 20ª e última internacionalização de Vicente pela Selecção A.

Quanto a José Pereira, atingia aqui a sua 12ª internacionalização. Realizaria ainda os dois últimos jogos deste Mundial e, em 13 de Novembro de 1966, num jogo contra a Suécia, despedia-se da Selecção Nacional com 15 jogos realizados.

sábado, 22 de julho de 2006

Não deixem morrer esta força

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Comunicado oficial sobre a pouca vergonha no "Caso Mateus"

Sobre o chamado “Caso Mateus”, entenderam “Os Belenenses” S.A.D. e o Clube de Futebol “Os Belenenses”, prestarem as seguintes informaçőes:

1. A forma como desde início de Maio decorre o chamado “Caso Mateus” é demonstrativo da total incapacidade dos Órgăos que superintendem o Futebol Nacional.

2. Assistimos durante a ultima semana ŕ utilizaçăo de processos que julgávamos há muito erradicados da Sociedade portuguesa.

3. As manobras vergonhosas, os conluios, os compadrios utilizados durante estes cerca de 2 meses e meio, ficaram totalmente a nu no decorrer desta semana.

4. Os protagonistas deste caso, nomeadamente o Desembargador Gomes da Silva e o Advogado Domingos Lopes, independentemente da sua eventual responsabilidade disciplinar e criminal, demonstraram claramente năo possuírem condiçőes éticas e morais para integrar qualquer cargo a nível nacional de índole desportiva.

5. Na sequęncia da estratégia definida para este caso e já amplamente divulgada, “Os Belenenses” S.A.D. văo, de imediato, informar os Organismos Internacionais dos recentes desenvolvimentos, de modo a habilita-los a intervir em prol da celeridade da decisăo deste caso.

6. Atendendo a que a FIFA tem seguido com muita atençăo a evoluçăo do chamado “Caso Mateus”, certamente irá proceder em conformidade.

7. Em casos semelhantes a FIFA actuou suspendendo a participaçăo dos clubes e das selecçőes dos respectivos países nas competiçőes internacionais.

8. Se tal vier a acontecer “Os Belenenses” SAD năo se sentirăo minimamente responsáveis pelos enormes prejuízos que virăo a ser causados ao Futebol Portuguęs, à sua Federaçăo e clubes.

9. A Responsabilidade caberá, por inteiro, a quem, objectivamente, obstruiu a justiça, alimentando manobras dilatórias, ridículas, tendo em vista o entorpecimento da Justiça.

10. Também săo responsáveis os que, pelos cargos que ocupam, podiam e deviam exigir celeridade neste processo e năo desenvolveram nenhum esforço nesse sentido, continuando a agir como se nada se passasse e que tudo estivesse a ser transparente e claro.


Lisboa, 21 de Julho de 2006

A Administraçăo dos Belenenses SAD

A Direcçăo do Clube de Futebol «Os Belenenses»

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

Após longos anos de espera, atrasos recuos, atropelos e outras peripécias, era inaugurado o Complexo de Piscinas do Belenenses. Na inauguração, feita com pompa e circunstância, esteve presente o Presidente da República, Mário Soares, tendo sido descerrada lápide comemorativa. Era o concretizar, finalmente, de um sonho com mais de 25 anos.

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A natação do Belenenses começou em 1925, num velho tanque, carinhosamente apelidado de “caldo verde”, na parte Norte do Jardim Colonial, na Calçada do Galvão. Aliás, nele se apoiou durante décadas a fio. Aí aprenderam a nadar e treinaram muitos belenenses que deixariam o seu nome marcado na natação nacional, como Delfim da Cunha, João da Silva Marques, Ana Linheiro e tantos outros. O Belenenses foi pioneiro e uma dos clubes fundadores da Associação de Natação de Lisboa, em 1930 e que viria a substituir a Delegação de Lisboa da Liga Portuguesa dos Amadores de Natação" e o "Núcleo de Lisboa da Federação Portuguesa de Natação".

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No final da década de 60, com o Estádio do Restelo e restante complexo desportivo do Belenenses resgatado pela Câmara Municipal de Lisboa, Portugal candidatara-se à organização da «Universíada». Na posse da Câmara Municipal de Lisboa os terrenos do Restelo foram seleccionados para a construção das piscinas que albergariam a importante competição. Iniciaram-se as obras mas a organização portuguesa viria a ser cancelada.

Apesar de estarem já em avançado estado de construção e de todo o investimento até aí feito, as obras pararam. Durante cerca de vinte anos as piscinas, ou o que delas já estava construído, ficaram a apodrecer. Com o Restelo devolvido ao Belenenses em 1969, quis o Belenenses recuperar esta obra. A Câmara nem se dignara a responder.

Em 24 de Outubro de 1973, o Diário Popular, vespertino lisboeta, publicava o seguinte texto, que Acácio Rosa cita no seu «Factos Nomes e Números, 1960-84»:

PISCINAS A APODRECER NA ZONA DO RESTELO!

(...) A Universíada (portuguesa) foi cancelada e as obras em curso paralizadas: nesse lote – a abater – ficaram as piscinas do Restelo. Todavia, dado o vultuoso empate de capital já aplicado, a opção de parar talvez tenha sido tomada um tanto precipitadamente. Hoje enterrada paredes-meias com um estádio cheio de gente, um envergonhado complexo desportivo... que não chegou a nascer. Desportivo e, sobretudo, de cultura física.


Apelo à Câmara Municipal

Não se sabe bem porque a obra estacou... perto do fim. Fala-se em falta de disponibilidades financeiras mas o certo é que o dinheiro já gasto bem justifica o ressurgimento dos trabalhos, aliás único processo de a população tirar o juro do capital empatado.

Ora, «Os Belenenses» já se mostraram interessados na exploração daquele complexo ginasta, para o que endereçaram ao Município de Lisboa o respectivo pedido. Porém, até hoje, nem resposta, nem recado. Entretanto, o equipamento deteriora-se dia a dia – está exposto ao rigor do tempo e já lá vão vários Invernos... – e as instalações danificam-se, num total desprezo pelo adiantadíssimo estado da construção, certamente agora na arrancada mais fácil! E se a Câmara não quer dar-se ao trabalho de administrar as piscinas, pois que as entregue a «Os Belenenses», necessariamente com a condição de o público ter acesso ao recinto dispondo o clube de tempo limitado para treino dos seus atletas. Sim, porque nós não queremos acreditar que haja qualquer «Guerra do Alecrim e da Manjerona» por detrás de tão insólita paralização... E mesmo que haja mais do que uma colectividade a candidatar-se à concessão do empreendimento, das duas uma: ou se atendem compromissos assumidos, ou se reparte o mal pelas aldeias – o que deverá figurar como axioma é que os dinheiros públicos jamais poderão ser desaproveitados de modo tão flagrantemente chocante.

«Os Belenenses», por exemplo, treinam no tanque do Jardim do Ultramar e em Algés, e as gentes do populoso bairro do Restelo continuam sem piscinas. E o dinheiro já está quase todo gasto e, espantosamente, a apodrecer à vista do público, impotente!
”.

No final de 1973, o Clube é praticamente obrigado a suspender a natação, visto estar impedido de utilizar o velho “Caldo Verde” por questões de higiene e saúde e pelo caro da solução de recorrer a piscinas alheias. E lembrar que as piscinas apodreciam no próprio Restelo…

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Cresce então um movimento pela construção das piscinas, como atesta outro texto transcrito por Acácio Rosa no mesmo livro. Desta vez um texto do Jornal «A Bola», publicado em 1974, escrito por Vítor Serpa, no tempo em que ainda parecia ser do Belenenses:

Um sonho ... hoje nado eu!
Por Vítor Serpa


Hoje nado eu ... mas em seco. Não que não saiba nadar. Até poderia fazer o auto-elogio dos meus dotes natatórios, pois não seria o primeiro. No entanto, apenas direi que aprendi a dar as primeiras braçadas (quando ainda era um rechonchudo menino de 7 anos) no já naquela altura insuficiente tanque do Jardim do Ultramar - no tal que serviu de mostruário de crocodilos quando da exposição do Mundo Português. E como de lá tiraram os bichinhos, nele consegui iniciar-me na natação e, até cheguei a ganhar inchadamente, as minhas medalhas.

Pois não fui o único indígena belenense que aprendeu a nadar nesse tal tanque dos crocodilos que hoje é domicílio de dezenas de peixinhos assustados que se escondem debaixo da ponte a cada mergulho humano. Não senhor. Nessa fingida piscina, aprendem a nadar, todos os anos, várias dezenas de miúdos porque ali têm as suas escolas e ainda se treina o Clube de Futebol «Os Belenenses», que, até na própria natação, possui os seus pergaminhos, pois costumava, pelo menos no meu tempo, ser o grupo que mais se aproximava do Algés e Dafundo, o monopolista dos bons nadadores. Só lhes digo que tinha a sua graça ver a força de vontade de atletas e treinadores que, afincadamente, se batiam por se manter à frente de alguns donos de piscinas a sério.

Porém, os «carolas» acabaram ou, pelo menos, passaram a um número reduzido e certo é que a natação em Belém não mais conquistou lugar de projecção.

Há cerca de dois anos, no entanto, renasceu a esperança. E os jornais deram a notícia, com toque de sensação: «Uma piscina municipal no Restelo». Lá se foi construindo a piscina nos próprios terrenos do estádio precisamente no local do velho ringue de patinagem. Aconteceu, então, que, já em fase adiantada da obra, os trabalhos cessaram e deles apenas ficou um enorme buraco, que só tem água por altura das grandes chuvadas... que, mesmo assim, não chegaria para tapar os tornozelos dos mais pequeninos. E, francamente, aprender a nadar em seco é capaz de não dar muito resultado.

Já agora, quero acrescentar que a construção da piscina não só poderia beneficiar o clube, mas também muita gente da zona ocidental de Lisboa.

Ora, numa altura que as pessoas são comandadas por «slogans», parece-me oportuno evocar dois deles, todavia, com certas emendas : «Há mar e mar, há ir e voltar»... mas voltarão? Isso já não está na nossa mão. Que se façam as piscinas porque todos lucrarão.
”.

Foram dez anos em que a actividade da natação esteve praticamente interrompida. Apenas no final de 1983 foi retomada.

No entanto apenas no final dessa década, ainda na presidência de Mário Rosa Freire, o projecto das piscinas ressurgiu.

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Mesmo assim passou por muitas peripécias que não cabe aqui reportar, apenas que muito dinheiro chama muitas atenções... Quem tanto se preocupa com «abutres» é capaz de os ter mesmo à frente da cara, ou sentados ao lado, e não os vislumbra. Ou com a casa roubada nem gritam pela polícia...

O Complexo de piscinas, acrescente-se que uma delas é Olímpica, foi visto desde sempre como uma oportunidade de não só providenciar aos nadadores do Belenenses condições
ímpares de treino e competição, mas também uma oportunidade de aumentar a massa associativa e de potenciar o aumento de receitas.

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Treze anos depois é possível dizer que tal aconteceu. Mesmo encerrando pontos negativos, como por exemplo a ilusão do número de sócios que são apenas clientes e não adeptos belenenses e que permite camuflar o esvaziamento apesar de plenamente patente nas assistências do verdadeiro motor do Clube – o seu Futebol. Nada nos move contra estes sócios, habitualmente apelidados de «piscineiros», antes pelo contrário. Move-nos sim o efeito pernicioso da sua utilização como trunfo falacioso. E, não esquecer, se nada mais os liga ao Clube, facilmente o abandonarão no dia em que houver um local no qual que lhes seja mais propícia a sua prática (ou de seus filhos). Um local, por exemplo, onde estão a nascer as piscinas municipais do Restelo., mais modernas e adequadas às necessidades actuais da população.

É precisamente na questão da modernidade e adequação dos equipamentos que se debatem as piscinas do Belenenses. Essencialmente porque tendo sido construídas sobre uma estrutura já existente (problemas de impermeabilização, rachas, etc.) e, durante mais de vinte anos, abandonada e degradada, a que se juntou a utilização de equipamentos complementares antigos (maquinaria vária como a de aquecimento e reciclagem da água), sofre actualmente de graves problemas de rentabilidade. São frequentes os problemas com a sua cobertura “temporária”, pela acção do clima ou pela própria maquinaria de suporte.

Em 2004 e 2005 a exploração das piscinas já deu prejuízo. E se nada for feito continuará a dar cada vez mais.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1944 – Morte de José Simões (dez vezes internacional)

José Simões jogou pela primeira vez pelo Belenenses em 5 de Maio de 1929, na equipa de infantis (escalão actualmente designada como Juniores), onde se manteve na época seguinte embora fosse utilizado como Sénior noutras categorias.

Chegaria à primeira categoria (a de Honra) em 1931/32 e logo a tempo de sagrar Campeão de Lisboa e Vice-Campeão de Portugal. Na época seguinte, 1932/33, o título de Campeão de Portugal não voltaria a fugir-lhe. Nessa época foi também Vice-Campeão de Lisboa.

Quanto a títulos não ficou por aqui, fazendo parte da equipa que, após duas finais anteriores sem vencer o troféu, conquistou a Taça de Portugal em 1942.

Foi Internacional pela Selecção Portuguesa em dez ocasiões, como o retrata a figura seguinte, extraída do livro «Factos, Nomes e Números – 1919/60» de Acácio Rosa.

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No ano em que faleceu, apenas com 31 anos de idade, José Simões tinha também conquistado mais um Campeonato de Lisboa, o de 1943-44.

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Foi o seu último título. Falecia com apenas 31 anos de idade. Acácio rosa escreveu então:
José Simões atingido por uma dessas doenças, ainda mal conhecidas, desapareceu inesperadamente. O Clube perde um dos seus maiores valores. Devotado belenense, a sua acção foi fulgurante e a sua carreira excepcional, tanto em representação do próprio Clube como na equipa nacional. (...)”



2005 – Vitória sobre o Mónaco, por 2-1, em Anglet (França)

Após um estágio em Coverciano – centro de estágios da Federação Italiana de Futebol (através do protocolo que permitiu à selecção italiana estagiar no Restelo na sua participação no Campeonato da Europa de 2004, a que nos referimos em 5 de Junho), o Belenenses deslocou-se a França para realizar dois jogos particulares de preparação para a época de 2005/2006.

Em Anglet, nesta data, o Belenenses realizava o primeiro jogo de preparação, contra um Mónaco, muito mais adiantado na preparação, que ainda no ano anterior tinha sido finalista (derrotado pelo F.C. Porto) da Liga dos Campeões.

Foi uma grande vitória, especialmente pelo facto dos franceses terem marcado primeiro e forçado uma equipa em início de preparação a uma recuperação no marcador. Marcaram, pelo Belenenses, Fábio Januário e Pinheiro.

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Ainda em território francês e três dias depois, o Belenenses jogaria ainda com o Toulouse, encontro que terminaria com um empate a uma bola, depois do Belenenses se ter adiantado no marcador.

Do restante da época, que contou com o mais alto orçamento de sempre do Clube, só há más recordações. No final da disputa das 34 jornadas do campeonato, o Belenenses classificou-se em 15º lugar. Umas das piores classificações de sempre, em lugar de descida de divisão e num ano de redução do número de clubes nos vários escalões. Uma época desastrosa e de consequências ainda imprevisíveis.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1966 – Vicente e José Pereira na Selecção Nacional que venceu o Brasil na Fase Final do Campeonato do Mundo

Foi uma vitória histórica: era a primeira vez que Portugal e o Brasil se defrontavam numa Fase Final do Campeonato do Mundo. Aliás, era a primeira vez que Portugal ali estava presente.

Antes do Campeonato, ao perspectivar-se este confronto, ninguém poria em causa o favoritismo do Brasil. Portugal tinha o “futebol de tamancos”, como diziam os brasileiros; o nosso adversário era nada mais nem menos que o bi-campeão mundial (tinha conquistado os Campeonatos de 1958, na Suécia e de 1962, no Chile; neste último, a equipa da casa, comandada pelo nosso antigo treinador Francisco Riera, ficou em terceiro lugar).

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No entanto, o facto é que, ao chegar este jogo, face ao resultados anteriores do grupo, era o Brasil que estava em situação difícil: para seguir em frente, tinha que ganhar, e por margem folgada.

Portugal impôs-se categoricamente, vencendo por 3-1, com 2-0 ao Intervalo.

Para esta vitória, contribuíram decisivamente os dois jogadores do Belenenses, José Pereira e Vicente. Sobre o primeiro, escreveu-se no jornal “O Século”:
Foi um guarda-redes terrivelmente calmo mas meteoricamente rápido. Teve duas intervenções de grande categoria...”.

Quanto a Vicente, como era de costume, pura e simplesmente “secou” Pelé. A tal ponto assim foi, que o “Rei” – o melhor jogador do mundo de todos os tempos – foi deslocado para a extrema-esquerda. Ali apanhou com Morais. Segundo se conta, Pelé terá começado por lhe ameaçar partir uma perna mas acabou por ter que sair na sequência de duas entradas bastante duras do jogador sportinguista e português. Vicente, esse, desarmava com uma souplesse surpreendente...

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O jogo teve lugar em Liverpool, e Portugal marcou aos 15 minutos, por Simões, e aos 26 minutos, e 85 minutos, por Eusébio. O golo do Brasil foi apontado por Rildo, aos 73 minutos.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1932 – Belenenses disputa finalíssima do Campeonato de Portugal

Vimos a 3 de Julho como, nesta época, terrivelmente iniciada com a morte de Pepe, o Belenenses reagiu com uma força extraordinária. Foi Campeão de Lisboa. Chegou à final do Campeonato de Portugal. Naquela data, depois de estar a perder por 4-1 com o F.C.Porto, conseguiu, no último quarto de hora, com uma recuperação notável, que a todos encheu de assombro e respeito, chegar ainda ao empate, e quase ganhou o jogo no prolongamento.

Duas semanas depois, disputou-se a finalíssima, novamente em Coimbra.

No meio de grande expectativa, o jogo voltou a ser marcado por grande competitividade. No final, entretanto, o F.C.Porto venceu por 2-1. O nosso golo foi apontado por Bernardo Soares. Os golos dos portistas foram marcados por Acácio Mesquita e, antes disso, de grande penalidade, por Pinga, outra grande legenda do futebol português.

Recordemos que Belenenses e F.C. Porto chegaram aqui com a possibilidade de se destacarem na liderança do maior número de títulos de Campeão – juntamente com o Benfica tinham dois Campeonatos cada um. O F.C.Porto chegou primeiro aos três mas, como também já vimos (2 de Julho), logo no ano seguinte, o Belenenses igualou-o e tendo até a vantagem de ter sido mais vezes finalista.

Grandes tempos, Grande Belenenses...

Hoje, descemos de divisão e (dirigentes, supomos) vêm-nos dizer que devemos estar satisfeitos porque fomos a equipa despromovida com mais pontos...

Como nos pôde suceder isto? Onde começou a cadeia de traições e de menoridades que têm destroçado o Belenenses?



2005 – Sebastião Cunha e Diogo Mateus sagram-se Campeões Europeus de Sevens (Râguebi)

Pouco depois de se sagraram Campeões Nacionais de Sevens, como referimos em 25 de Junho, Sebastião Cunha e Diogo Mateus foram seleccionados por Tomaz Morais para o Campeonato da Europa de Sevens, em Râguebi, a decorrer em Moscovo.

A selecção portuguesa já tri-campeã pelas vitórias obtidas em 2001/2002, 2002/2003, 2003/2004, apresentava-se como natural favorita à revalidação do título.

Na meia-final, disputada no mesmo dia, a outra finalista – a Rússia – afastara a Itália por concludentes 17-0, enquanto Portugal se qualificava batendo a França por 22-7, com quatro ensaios e transformação contra apenas um ensaio e uma transformação dos franceses.

A final foi muito disputada e decidida apenas no último minuto de forma dramática. A apenas quatro minutos do final, a selecção russa vencia por 26-7 fruto de quatro ensaios e três transformações, contra um ensaio apenas de Portugal e a sua respectiva transformação. Foi aliás a capacidade total de converter as transformações que se viria a revelar vantagem decisiva nesta final. Nos quatro minutos finais, Tomaz Morais opera alterações na equipa que resultam em melhor eficácia ofensiva. De tal forma que neste curto período de tempo, a Selecção Portuguesa consegue converter três ensaios, dois pelo belenense Sebastião Cunha e um por Frederico Sousa. Encarregado das respectivas transformações Pedro Leal não falharia passando Portugal definitivamente para a frente do marcador.

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Como se pode ver, Sebastião Cunha, jogador do Belenenses que também já tinha participado na vitória europeia de 2002/2003 (além de se ter sagrado campeão nacional de Râguebi também nessa época, assim como o seu companheiro de selecção David Mateus), teve prestação que se revelou determinante na vitória final e na conquista do tetra-campeonato europeu.

Uma demonstração mais da grande qualidade do Râguebi do Belenenses, do seu fervor clubista mas também da sua extraordinária capacidade de formação, gestão desportiva e não só. São um exemplo de como deve ser gerida uma modalidade.



2005 – Bruno Pais conquista o terceiro lugar em Etapa da Taça do Mundo de Triatlo

Em Corner Brook no Canadá, disputava-se mais uma prova a contar para a Taça do Mundo de Triatlo, Bruno Pais, fruto de uma excelente prova, terminava a etapa em terceiro lugar.

Não podia, no entanto, ter começado pior. A primeira prova da etapa, a de natação correu mal ao belenense. Não desanimando, Bruno Pais viria a recuperaria bastante no ciclismo, prova em que realizou o menor tempo absoluto da etapa.

Na prova de atletismo, Bruno Pais conseguiu, embora com grande luta, resistir à perseguição movida pelos tri-atletas Frank Bignet (França) e Marko Alberto (Estónia).

Assim mesmo, Bruno Pais ficou na terceira posição e a 46 segundos de Tim Don, tri-atleta britânico que ocupava então o primeiro lugar do ranking mundial. Com esta presença no podium, feito até então inédito no triatlo português, Bruno Pais ascendeu também ao 14º lugar do Ranking mundial e terceiro no ranking europeu.

domingo, 16 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1944 – Nasce Alfredo Quaresma

Tempos houve em que o nome Quaresma fazia história no Belenenses.

Não vimos jogar o grande Artur Quaresma, embora mais tarde tivéssemos a grata ventura de o conhecer; mas, vimos, sim, jogar um outro Quaresma, também ele jogador de relevo do nosso Belenenses, nas décadas de 60 e de 70.

Alfredo Quaresma está mesmo entre os primeiros nomes de jogadores do Belenenses que nos lembramos de fixar. Não sei se estamos a ser injustos para alguém mas o Belenenses da minha meninice tinha dois rostos, de jogadores que vestiam a sua camisola, que o representavam por excelência: Quaresma e Godinho. Não esquecemos, certamente, a idêntica ou, até, porventura maior valia futebolística de Murça, Pietra, Gonzalez, Freitas ou mesmo Félix Mourinho (o pai de José Mourinho, que antes fora Guarda-Redes do Vitória de Setúbal e que pediu – sim, pediu! – para ingressar no Belenenses, apesar do Vitória passar então pelo maior período da sua história); mas Godinho e Quaresma eram jogadores em quem víamos um verdadeiro e nunca traído amor ao clube. Foram dos últimos assim. Sabemos que esses tempos acabaram, e que, desde há décadas, o que podemos e devemos exigir é que os jogadores sejam bons profissionais. Tal não nos impede, contudo, de afirmar que o futebol tinha então um outro encanto.

Significativa desta ligação afectiva, entre Alfredo Quaresma e o Belenenses, é a entrevista que lhe foi efectuada por Alberto Ferreira para o jornal “O Mundo Desportivo”, em 1973. É um documento de grande valor, não só pelas declarações de Quaresma mas, também, pela bela e significativa prosa de Alberto Ferreira – já não há jornalistas destes!... Reproduzimo-lo, por isso, a partir da citação que dele faz Acácio Rosa na História do Belenenses de 1960 a 1984:

Temos Belenenses. Não temos Belenenses. Os ‘pastéis’ para a direita e para a esquerda. Pastéis, canela e açúcar. ‘Matateu, cravo e canela’. Acácio Rosa, saudosista, Di Pace e Perez. Campeonato perdido no último minuto. Lágrimas nas Salésias, uma raiva tremenda do Martins, do Sporting. Fernando Vaz, Palico e Peres. A bola chutada da bandeirola de canto e que deu a volta ao Tejo antes de entrar na baliza do Benfica. Recordam-se? E foi golo ou não foi, a bola saiu ou não saiu?

Até há relativamente pouco tempo, o Belenenses, a gente Belenenses, vivia destas coisas, para distrair, para ajudar a ‘esquecer’. Quando Carlos Serafim [um jovem jogador que parecia destinado a ser um fora de série] partiu a perna, adeptos dos ‘azuis’ morderam os lábios para não chorar. Era de mais. A família ‘azul’ vive destas coisas. Lamúrias e fatalismos. Um dia, um motorista de táxi declarou-me: ‘Eu já disse a um amigo meu que é do Belenenses: vocês, adeptos dos ‘pastéis’, mereciam uma estátua. Não ganham campeonatos mas continuam. Isto assim é bestial, é mesmo gostar, caramba!’.

Era uma homenagem rudemente proferida mas de uma verdade transcendente, serena, poética e nobre. A gente do Belenenses não merece uma estátua: merece que a respeitem e isso representa um poema. Aprendê-lo-ão as crianças. O poema andará na boca do porvir.

Estas reflexões estou a fazê-las e, a espaços, também, a escrevê-las já em Belém, nesta manhã de terça-feira. Belém é um património curioso, multifacetado. A Torre. Os Jerónimos. O rio. O Restelo, o estádio, dispõe-se nas pontas dos pés, nessa pequena colina atrás dos Jerónimos. A Torre faz-me pensar em Capela, Vasco, Feliciano e Serafim. O Gomes também era alto. Só o Amaro destoava um pouco. Esse grande jogador em talento, em técnica de execução. Vi-o há dias, ao fim da tarde, no Rossio. O Amaro, com cabelos brancos.

Estas ruas, algumas delas estreitas, sinuosas, cheiram a navegação e ao esforço de viver de muitas pessoas. São ruas que a ‘malta’ do Belenenses trilha sem cessar. Passam por aqui os jogadores. Os miúdos apontam-nos. Nem sempre é cómodo ser-se jogador do Belenenses. Há piadas. Os risinhos. Mas, é-se qualquer coisa quando se é jogador do Belenenses. Estranha sensação que muitos jogadores, quase todos, têm dificuldade em explicar.

O Belenenses teve sempre jogadores com os quais o seu público se metia indevida e injustamente. O Narciso e a Teixeira da Silva aguentaram muita piada. Ultimamente, muitos adeptos entendiam que a culpa era do Quaresma, o defesa central, hoje na linha média.

Vejo daqui a Junqueira. Penso nas Salésias. Nos defesas e nos médios que o Belenenses tem tido. Vasco Oliveira, não virava a cara a ninguém. Nem nas Salésias, nem em parte alguma. Frade, Pinto de Almeida, o Rebelo, o Diamantino, jogaram na linha média. Feliciano, marcava as grandes penalidades com o pé esquerdo: era uma salva de canhão que podia ser utilizada em cerimónias militares. O Belenenses devia estar agradecido ao Quaresma. Porquê? Pensem só na maneira como o Belenenses vinha jogando nos últimos anos. Mais sobre a defesa que outra coisa. Quaresma ‘esteve’ em muitos golos sofridos? Esteve, deve ter estado em alguns. Mas, evitou muitos. Foram mais os golos que evitou. Foram mais as tardes em que a sua presença na equipa belenense, no eixo da defesa, resultou positiva.

Quaresma está à minha frente:

- Eu? Nasci precisamente aqui em Belém. Chamo-me Alfredo.
- Logo em Belém, Quaresma! – disse-lhe eu.
- Nasci na Rua do Galvão. Sou mesmo daqui.

Era de perguntar. E perguntei.

- Quaresma, o que é que se sente quando se é jogador do Belenenses?

O jogador ‘sentiu’ a pergunta. E disse:

- Ser jogador do Belenenses é ter a alegria de ser do Belenenses. Por vezes, essa alegria desaparece para deixar passar grandes tristezas. Não é muito fácil ser-se jogador do Belenenses mas é bom ser do Belenenses.

Quaresma pensa e abandona o tema:

- Muitas vezes experimentei no Belenenses a imensa tristeza de não oferecer alegrias aos seus adeptos.

- Ouviu falar do êxito do Belenenses no campeonato nacional de 1946?

- Nessa ocasião eu só tinha dois anos mas depois lá fui ficando a conhecer a história desse título que o clube deseja ardentemente voltar a conquistar...

- Apenas quatro minutos! Eu sei, sei! Por isso mesmo o maior desejo que guardo dentro de mim é não sair do Belenenses sem que o tenha ajudado a ser novamente campeão nacional. Sei que muitos sócios, adeptos e jogadores do Belenenses choraram de dor quando perdemos esse encontro com o Sporting a poucos minutos do final
”.

Pois é, os tempos são outros. Mas no Belenenses, deixámo-nos cair demais. Qualquer coveiro ou rebenta-canelas ou jornalista semi-letrado fala de nós como se fôssemos uma coisa qualquer. E calamos, admitimos, e alguns até aplaudem. Perdemos a mística que embelezava o Belenenses.
Não, não são só os maus resultados que afastam gente. É todo um discurso, toda uma maneira de (não) estar que não contagia ninguém – pelo contrário, só afasta.

Quaresma passou uma vida no Belenenses. Veio das camadas jovens. Em 20 de Abril de 1962, estreou-se na Selecção Nacional de Juniores, no primeiro de quatro encontros que disputou nessa qualidade.

No ano seguinte, subiu à equipa principal do Belenenses. A partir de 1966, começou a fixar-se como titular.

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O Belenenses vivia então os piores momentos dos seus, na altura, quase 50 anos de vida. Com uma terrível crise financeira, via, um após outro, partir os seus melhores jogadores, em fim de carreira. De um hábito de ser terceiro, - a classificação que ainda hoje é, de longe, a que mais vezes obtivemos -, às vezes indo mais além, outras vezes ficando (só) um pouco mais embaixo (o quarto lugar é a segunda classificação mais vezes obtida), o Belenenses andava agora pelos sétimos e oitavos lugares.

Foi ainda em sétimo lugar que, em 1971/72, sob o comando de Zezé Moreira, ficámos situados; mas foi já um sétimo lugar bem mais em cima dos primeiros, e com a equipa em crescendo, depois de um péssimo início de Campeonato.

Então, em 1972/73, veio Alejandro Scopelli (e vieram alguns bons reforços, como já vimos, e alguns jogadores chegavam à maturidade, e Manuel Bulhousa ajudava financeiramente o clube, e a direcção de Baptista da Silva queria devolver o Belenenses ao topo); e, com ele, e com todos os outros factores conjugados que indicámos entre parêntesis, o Belenenses ressurgiu. Fomos, nessa época, Vice-Campeões (infelizmente, não havia então a Champions League...).

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E, no entanto, a época começou de forma que deixou Alfredo Quaresma muito apreensivo. Ele que, aos 28 anos, tinha sido sempre Defesa Central, era agora colocado a médio por Scopelli. Alfredo chegou a temer que fosse uma forma de o queimar. Mas não. Scopelli, um grande senhor, tinha razão.

Quaresma atingiu na nova posição um brilho que nunca alcançara como defesa. Se, por um lado, transmitiu ao meio campo azul maior capacidade de recuperação de bola, encontrou também a sua veia goleadora. Tanto em 1972/73 (Belenenses em segundo lugar), como em 1973/74 (Belenenses em quinto lugar), Quaresma marcou quase uma dezena de golos no Campeonato.

Chegou, assim à Selecção Principal. A sua estreia teve lugar em 3 de Março de 1973, como já vimos. Com outro jogador nosso, Freitas, a titular, Portugal bateu a França, em Paris, por 2-1. Fez ainda mais dois jogos pela Selecção Nacional, ambos com a Bulgária. No último dos jogos, curiosamente disputado oito anos depois do Portugal-Bulgária da Fase Final do Mundial de 1966 (ver apontamento a seguir deste mesmo dia), Alfredo Quaresma marcou um golo, estabelecendo o resultado final de 2-2. Era um jogo para a Fase Prévia do Campeonato do Mundo.

Na época de 1973/74, Quaresma estreou-se na Taça UEFA. O Belenenses foi eliminado pelo então poderoso Wolverhampton.

Em 1975/76, fez parte da nossa equipa que ganhou a Taça Intertoto – Série IX e que ficou em terceiro lugar no Campeonato Nacional (sendo, aliás, a única equipa invicta em casa – ver tabela e melhores marcadores publicada no jornal “A Bola”, de 31 de Maio de 1976).

Com esta classificação, o Belenenses voltou à Taça UEFA em 1976/77. Com muito azar, capitulámos ante o poderoso Barcelona de Cruijf, Neeskens e Herédia (entre muitas outras vedetas), com 2-2 no Restelo e 2-3 na Catalunha. Em ambos os jogos, o Barça marcou mesmo nos últimos minutos.
No fim do segundo jogo, Quaresma, desesperado, queixava-se da nossa pouca sorte e confessava que, quando viu o árbitro apontar para o centro do terreno, após o golo decisivo dos espanhóis, lhe apeteceu esmurrá-lo. Apeteceu-lhe...mas não o fez.

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Entretanto, em 1977/78, António Medeiros torna-se treinador do Belenenses. Foi com generalizado espanto que dispensou Quaresma e Godinho. Ficou a saudade, esse sentimento tão português...e tão belenense!

E hoje, um seu sobrinho-neto brilha nos relvados. Tristemente, porém, não joga nem nunca jogou no Belenenses...

Bons tempos, em que os grandes Quaresmas eram do Belenenses...



1945 – Conquista do segundo Campeonato Nacional de Basquetebol

A propósito do primeiro jogo internacional de Basquetebol disputado pelo Belenenses, ocorrido a 21 de Abril de 1946, já nos tínhamos referido à extraordinária época de 1944/45. De novo a 9 de Maio, pela despedida de Rómulo Trindade, em 1948.

Foi uma época de facto gloriosa. Não se ficando pelo “simples” repetir de 1939, ano em que o Belenenses conquistou pela primeira vez o Campeonato de Portugal, nesta época de 1944/45 o Belenenses arrebatou tudo o que havia para arrebatar no que a competições oficiais diz respeito.

Campeão de Lisboa: nas três categorias Seniores e em Juniores.
Taça de Honra: primeira categoria.
Campeão Nacional da Primeira Divisão: primeira categoria.

Valemo-nos de Acácio Rosa e do seu inestimável registo para referir os muitos jogadores que contribuíram para este avolumar de títulos:

Primeira Categoria:
Adriano Natividade, Afonso Domingues, António Esteves, Carlos Câmara e Sousa, João da Cruz, João Mendes, José Domingues, Manuel Ceia, Natálio Pereira, Rómulo Trindade e Valério Pacheco.

Segunda Categoria:
Alberto Marvanejo, Augusto Correia, Artur Gomes Carlos Veloso, Carlos Casaca, Jerónimo Soares, José Domingues, Manuel Cardoso, Natálio Pereira, Octávio Pisabarro e Rómulo Trindade.

Terceira Categoria:
Amador Duran, António Lucas, Artur Gomes, Bernardo Câmara e Sousa, Carlos Carvalho, Carlos Casaca, Jorge Marques, José Bicho, Joaquim Varela Marques, João Marques e Jerónimo Soares.

Juniores:
Alberto Coelho, Américo Vaz, António Jacinto, Aventando Inglês, Carlos Sequeira, Eduardo Câmara e Sousa, João Barradas, João Espada Duarte, Mário Charrua e Victor Rosa.

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Acácio Rosa, no seu livro «Factos, Nomes e Números, 1919-60», cita Ricardo Ornelas, “crítico imparcial e sereno, jornalista do Diário Popular:

A extraordinária proeza do Belenenses na Época do Basket-Ball. Parece que mais ganharia se mais provas houvesse.

Terminou ontem a época de 1944-45 do «basketball» e com ela a temporada mais extraordinária que um clube, na modalidade, até agora conseguiu.

O clube que cometeu essa proeza, já se sabe, foi o Clube de Football «Os Belenenses», que chamou a si os seguintes campeonatos:

Divisão de Honra de Lisboa: 1.ª, 2.ª e 3.ª categorias e juniores.
Campeonato Nacional da 1ª. Divisão: 1º. lugar.
Taça de Honra: vencedor.

Quer dizer: o único título ao alcance dos representantes do Belenenses por ele não ganho foi o nacional de juniores!
Nunca se fez semelhante!
E é necessário muita capacidade, muito esforço, resistência férrea e a indispensável sorte (a sorte que favorece os campeões) para se chegar a tão larga colheita de louvores; o êxito valoriza-se portanto a si próprio.

Adversários difíceis

A circunstância, porém, de o Belenenses ter sido obrigado, frequentes vezes, a fazer valer todos os seus recursos, contra adversários da sua igualha, para obter a vitória ou não comprometer moralmente o seguimento da sua senda, mais ainda categoriza o seu triunfo digamos total – expressão incorrecta julgando todas as categorias em conjunto (porque os juniores falharam o seu campeonato) mas rigorosamente exacta em relação às restantes e, claro, à primeira equipa em especial. A respeito da dificuldade dos adversários, Vasco da Gama, Conimbricense, Benfica e outros concorrentes são de lembrar.

Têm assim bastante por que estarem satisfeitos os «basketistas» belenenses, os da primeira equipa, mais que os outros – e o clube, como os seus sócios.

A primeira equipa, realmente, ganhou tudo a que concorreu: os torneios oficiais, os que contam, e vários particulares, no decurso dos quais um ou outro deslize nada queria dizer. Deve ter sido estafante, menos decerto o acto de manejar a bola e jogá-la e, enfim, a equipa praticar o desporto para que está treinada, do que o trabalho do domínio, a partir de certa altura da época, para vencer nervos e a própria saturação.

Vêm a propósito alguns números, os da equipa de honra nas suas três provas:

Camp. de Lisboa: J:14, V:12, E:00, D:02, Bolas: 524 – 399
Camp. Nacional: J:10, V:09, E:00, D:01, Bolas: 418 – 322
Taça de Honra: J: 03, V:03, E:00, D:00, Bolas: 91 – 82
Total: J:27, V:24, E:00, D:03, Bolas: 1033 – 803

É uma colecção brilhante


Capacidade real

Para uma equipa conseguir esta colecção, tem de possuir real capacidade. Alguns entendidos, cuja opinião respeitamos, afirmam que o «cinco» em conjunto não corresponderá a determinados pormenores, mas não negam a possibilidade de os seus componentes ainda maior rendimento conseguirem se tais exigências técnicas forem cumpridas. É pois, uma opinião valorizadora do grupo; e desafia até a ideia de que se na sua maneira de agora a equipa já conseguiu tanto – e tudo foi o que esteve ao seu alcance, na comprovação do valor relativo ao dos demais concorrentes – mais ainda pode alcançar, então, decerto, na expressão de todas as suas possibilidades como demonstrativo do seu próprio jogo. Desafia esta ideia, mas, claro, o Belenenses será primeiro a reconhecer que as outras equipas, por seu turno, também podem melhorar...


E Ricardo Ornelas, continua tecendo considerações sobre as individualidades da equipa, saliento as suas “dissemelhanças” como mais-valia para o colectivo pela “constante possibilidade de «compensações» e de «complementos» as jogadas de ataque e defesa”:
Esteves, em estatura; Valério e Natividade, em firmeza; Rómulo, em «calma adequada»; Seia e Cruz, em fulgor, o primeiro às vezes contrariado pela sua grande rapidez, que o faz precipitar lançamentos, e o segundo capaz de muito que parece «incrível» conseguir-se para se interceptar uma bola que se crê perdida em favor de um adversário ou para se mandar a bola ao cesto nas posições da maior dificuldade, à distância (em que é quasi único) ou debaixo do cesto em desequilíbrio claro. Afonso Domingues, esse, é um atleta perfeito ao serviço do «basketball». E isto para falar apenas em seis. O conjunto da equipa, em andamento, é vivíssimo no seu máximo. Esta amálgama resulta excelente – e proporciona belas noites de «basketball»”.

Perante tal descrição não há mais nada que possamos dizer. Pena é que fosse preciso esperar mais 14 anos para que se vencesse outro troféu nacional (Taça de Portugal em 1959) e, desde aí, mais nenhum foi conquistado até hoje.

Hoje os atletas são profissionais e pagos a peso de ouro. O basquetebol não é, há muito, uma modalidade amadora, pelo que inclui-la no rol do ecletismo não é correcto. O Belenenses gastou fortunas recentemente no escalão sénior da modalidade, ex-amadora, sem que de facto tivesse obtido retorno. Nem de prestígio e muito menos financeiro.



1966 – José Pereira e Vicente na vitória de Portugal sobre a Bulgária na Fase Final do Campeonato do Mundo, em Inglaterra

Em jogo que Portugal venceu categoricamente por 3-0, José Pereira e Vicente, titulares, fizeram do Belenenses o segundo clube com mais jogadores representados.

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Tanto Vicente como o “Pássaro Azul” fizeram excelentes exibições neste encontro, contribuindo decisivamente para manter a baliza portuguesa inviolada. São duas grandes figuras do Belenenses, felizmente ainda vivas, embora José Pereira esteja radicado em França.

sábado, 15 de julho de 2006

sexta-feira, 14 de julho de 2006

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1929 – Inaugurada nova sede, na Rua da Junqueira, Nº 279

O Belenenses aprestava-se para as comemorações do décimo aniversário. Dez anos em que, além de notáveis resultados desportivos para um clube tão jovem, apostara fortemente na construção de instalações condignas, fossem desportivas ou de apoio aos associados. O aumento da massa associativa foi uma preocupação constante, com múltiplas iniciativas.

Havia um arreigado fervor clubista a que não era alheio o bairrismo do povo de Belém. Orgulhoso do Clube do seu bairro, aderia na medida das suas possibilidades. Era um povo, na sua esmagadora maioria, pertencente a classes de baixos recursos financeiros, trabalhadores enrijecidos pela dura labuta (ver o caso de Pepe e a forma como faleceu aos 23 anos de idade – e era uma figura importante) e não um grupinho de meninos «queque», beneficiados do sistema. É importante sublinhar e reavivar memórias pois actualmente e desde há muitos anos, assistimos a uma campanha cujo objectivo é conotar o Belenenses com o «estado novo» como querem pintar actualmente muitos, adeptos de outros clubes, de forma a desviar a atenção dos benefícios que os seus próprios clubes recebiam e ainda recebem apesar de todas as transformações sociais que ocorreram no País. É uma tentativa de reescrever a história apoiando-se na teoria de que se torna verdade uma mentira desde que muitas vezes repetida. Além do mais, pouco ou nada o Clube actual faz por repor essa verdade, contando a sua história como ela ocorreu.

O Belenenses era – e sempre foi – um Clube do povo e para o povo. Como, aliás, o prova a madrugadora preocupação de disponibilizar espaços para a prática de diversas modalidades de forma acessível a todos, com grande ênfase para a ginástica. Pense-se que então o acesso à escolaridade era muito reduzido e que mesmo aí não se dava à prática desportiva o carácter obrigatório necessário.

Como temos abordado ao longo destes apontamentos, o fomentar da prática desportiva (o que é bem diferente da profissionalização da mesma prática) foi sempre uma missão inteiramente assumida e com inevitáveis custos ao nível da competitividade do Futebol, inevitavelmente o desporto com mais projecção e objectivo principal do Clube, desde cedo consagrado em estatutos e no próprio nome do Clube.

Neste espírito, o Belenenses inaugurava, nesta data em 1929 a sua nova Sede, que passava para a Rua da Junqueira, no Nº 279, o que significou uma considerável melhoria da qualidade e dimensão das instalações.

Para se entender a dimensão do que já então representava o Belenenses, veja-se os principais factos e feitos desta primeira década:

1920
Vice-Campeão de Lisboa em Futebol. Vitórias nos primeiros jogos com Benfica e Sporting. Conquista da Taça dos Mutilados da Guerra (final, vitória 2-1 sobre o Sporting).

1921
Vitória 2-0 sobre o Sevilha, no primeiro jogo internacional de Futebol. Primeira vitória sobre o F.C.Porto (3-0). Augusto Silva ingressa no Belenenses. Conquista da Taça Belenenses / Sporting / Porto, em Futebol. Início de actividade do Atletismo. Belenenses é determinante na constituição da Associação de Atletismo de Lisboa. Início de actividade do Ciclismo.

1922
Primeiro jogador do Belenenses (Alberto Rio) na Selecção Nacional de Futebol (no 2º jogo desta). Conquista da Taça “O Século” em Futebol (final, vitória 2-1 sobre Benfica). Último jogo de Artur José Pereira.

1923
Posse definitiva da imponente Taça dos Mutilados da Guerra em Futebol.

1924
Conquista da Taça Camões, em Futebol (vitória sobre o Sporting, na final).

1925
Vice Campeão de Lisboa em Futebol. Início da actividade da Natação.

1926
Campeão de Lisboa em Futebol. Vice Campeão de Portugal, em Futebol. Campeão de Lisboa de Infantis, em Futebol. Início da actividade do Pólo Aquático. Um dos mais famosos “quartos de hora à Belenenses” (de 1-4 para 5-4 em jogo com Benfica), em Futebol. Início da actividade do Ciclismo Feminino. Primeiro praticante do Belenenses (Severo Tiago) a integrar a Selecção Nacional em Atletismo. Primeiro praticante do Belenenses (Matos Henriques) a bater um Recorde Nacional de Atletismo. João da Silva Marques vence Travessia do Tejo, em Natação. Posse dos Terrenos das Salésias. Clube tem 1659 sócios.

1927
Campeão de Portugal de Futebol. Vice-Campeão de Lisboa, em Futebol. Pepe marca 2 golos na vitória da selecção nacional sobre a França e é levado em ombros no final. Início da Actividade do Basquetebol. Início da Actividade do Ténis de Mesa. Ciclistas do Belenenses participam na Primeira Volta a Portugal em Bicicleta. Começo das obras de construção do Estádio nas Salésias. Nova sede na Rua da Junqueira. Surgem as duas primeiras filiais do Belenenses.

1928
O Belenenses é o clube mais representado na Selecção Nacional de Futebol que brilhou nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, com Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos. Realiza-se o primeiro jogo nas Salésias. Vice-Campeão de Lisboa de Pólo Aquático. António Augusto Carvalho ganha Campeonato Nacional de Fundo, em ciclismo. Primeiro jogo de Basquetebol. Início da actividade do Râguebi (primeiro jogo, vitória 11-0 sobre o Benfica). Início da Actividade do Hóquei em Campo.

1929
Campeão de Portugal em Futebol. Campeão de Lisboa em Futebol. Pepe marca 10 golos num jogo do Campeonato de Lisboa, o que constitui record de todos os Campeonatos. Primeiro jogo do Belenenses disputado fora de Portugal. O Belenenses passa a ser o clube com mais jogadores representados na selecção nacional de Futebol, o que manterá até 1935. Augusto Silva torna-se Capitão da Selecção Nacional. Vice-Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Masculinas.


Honrando este fantástico palmarés obtido em tão pouco tempo e que guindara o Belenenses aos postos cimeiros do futebol português, entendeu a Direcção presidida por João Luis de Moura, realizar um extenso programa de comemorações, que se estendeu de 15 a 23 de Setembro, Dia da Fundação.

Como relata, Acácio Rosa, no seu «Factos Nomes e Números, 1919-60», no programa constaram duas provas de Ciclismo, vários jogos de Futebol, Râguebi, Basquetebol, Hóquei em Campo e Ténis de Mesa para o que foram convidados vários clubes portugueses, destacados representantes de cada dessas modalidades.

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As comemorações, que foram uma demonstração cabal de todo o prestígio alcançado em tão pouco tempo, seriam encerradas no dia da Fundação, com a realização de um jantar comemorativo e, simultaneamente, de homenagem a todos os representantes do Clube.



1966 – Vicente no primeiro jogo da Selecção Nacional numa fase final de um Campeonato do Mundo

Nesta data, Portugal estreou-se finalmente numa Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol. E começou bem, vencendo, com alguma surpresa, a então poderosa e conceituada Hungria por 3-1.

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Foram convocados para esta presença em Inglaterra dois jogadores do Belenenses: José Pereira e Vicente. Foram ambos titulares na maioria dos jogos. José Pereira só ficou no banco no primeiro jogo, sendo titular nos restantes, e Vicente esteve sempre no Onze até se lesionar, só por isso não participando nos dois últimos encontros.

Aliás, o historial de presenças da Selecção de Portugal nos grandes palcos do futebol mundial dá-nos a noção do que tem sido o percurso do Belenenses:

Em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amsterdão (então um autêntico Campeonato do Mundo, pois não havia nenhuma limitação, etária ou outra, à presença de jogadores), o Belenenses teve quatro jogadores seleccionados, Augusto Silva, Pepe, César de Matos e Alfredo Ramos, dos quais os três primeiros foram habituais titulares. O Belenenses era a equipa mais representada.

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Em 1966, neste Campeonato do Mundo de Inglaterra – a meio da, para nós, terrível década de 60 –, o Belenenses, apesar dos momentos difíceis que viveu, teve dois jogadores convocados e habituais titulares. Foi o terceiro clube com mais jogadores titularess e, aliás, num dos jogos, foi mesmo o segundo.

Em 1984, no Europeu de França, a recuperar da primeira queda, não tivemos nenhum jogador convocado, embora, logo a seguir, tenhamos contratado um dos presentes, o guarda-redes Jorge Martins.

Em 1986, para o Campeonato do Mundo do México, fomos o quarto clube com mais jogadores convocados, três em 22: Jorge Martins, Sobrinho e José António. Só este último chegou a jogar, nos escassos três encontros que disputámos, mas tal mostrava um Belenenses, de Mário Rosa Freire, José da Silva e Henry Depireux, a reerguer a cabeça. (Henry Depireux acaba de se tornar Seleccionador do Congo, ele que já foi Vice-Campeão de África. Para alguns de nós, era o homem ideal para tutelar todo o futebol do Belenenses: vive apaixonadamente os projectos, mas é metódico e pragmático; tem o Belenenses no coração; Chegava ao clube de manhã cedo e saía às tantas da noite; conhece bem o futebol africano, onde nos poderia encontrar bons jogadores acessíveis. Era muito caro, dirão alguns... Duvidemos que fosse inacessível; mas não é muito mais caro ir buscar gente que nos “espeta” na Segunda Divisão?).

Depois, nas participações em Fases Finais do Europeu de 1996, 2000, 2002, 2004 e 2006, nem um jogador do Belenenses convocado. Significativo, não? E mais triste é que, se em 1996 Fernando Mendes, Paulo Madeira, Tulipa e Neves foram hipóteses, de então para cá, que dizer? Nem soubemos ir buscar o Rui Jorge em devido tempo...

Sobre a exibição de Vicente contra a Hungria, escreveu-se: “Uma das grandes exibições da equipa” (Aurélio Márcio no Diário Popular); “É de elementar justiça salientar os que realmente se distinguiram: Eusébio, Vicente e Carvalho” (Francisco Mata no Século). O nosso grande Vicente fez, pois, um excelente jogo, cabendo-lhe aliás marcar Bene, a grande vedeta da Hungria).

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1942 – Belenenses vence a Taça de Portugal pela primeira vez

Desde 1933, quando tinha sido Campeão de Portugal pela terceira vez e se elevara à posição do mais poderoso e mais bem sucedido clube de futebol do nosso país, que o Belenenses buscava voltar a ganhar uma grande competição. Foram nove anos em que vários grandes jogadores acabaram a sua carreira, enquanto emergia uma nova vaga de talentos; nove anos de grandes investimentos nas Salésias; nove anos em que, por várias vezes, os títulos se nos escaparam por uma unha negra.

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Foi assim no Campeonato de Portugal de 1935/36, que perdemos na final; foi assim no Campeonato Nacional de 1936/37, em que fomos Vice-Campeões, a um escasso ponto do primeiro; foi assim nas Taças de Portugal de 1939/40 e 1940/41, em que estivemos presentes nas finais mas não vencemos; foi assim, ainda (hoje pode parecer pouco relevante mas, na altura, era uma competição de primeiríssima importância), no Campeonato de Lisboa de 1938/39, em que fomos Vice-Campeões, a um ponto do Sporting, com que, aliás, nem sequer perdemos (3-2 nas Salésias e 2-2 no Lumiar).

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Adivinhava-se, pois, um novo troféu. E, enfim, o Belenenses conquistou-o nesta Taça de Portugal de 1942. Constituiria, aliás, o primeiro de uma série importante entre 1942 e 1946.

O percurso para a final começou de forma brilhante: o Belenenses venceu o F.C. Porto por 5-1. De resto, nessa época, os portistas passaram muito mal connosco: para o Campeonato também perderam, por 7-3 nas Salésias e por 3-2 na Constituição. Ou seja, 15-6, em três jogos e três vitórias do Belenenses. De resto, no Campeonato Nacional, em que foi terceiro classificado, o Belenenses não poupou os seus maiores rivais: Nas Salésias ganhou 4-0 ao Benfica e 3-1 ao Sporting e, fora, ainda venceu o Sporting por 4-1.

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Nos Quartos de Final, empatámos 1-1 com o Olhanense. Houve, assim, necessidade de um jogo de desempate, que o Belenenses ganhou por 3-0.

Depois, nas meias-finais, vencemos os Unidos de Lisboa. por 5-0. Pode parecer um adversário fácil mas a verdade é que tinha sido sétimo classificado no Campeonato da Primeira Divisão. Enquanto isso, clubes como o Boavista ou o Braga andavam nas divisões secundárias.

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O nosso adversário, na final, seria o Vitória de Guimarães que, no jogo anterior, superara o Sporting.

No livro "Vinte Anos de Football em Torneios da Federaçăo 1922-1941", de Ricardo Ornelas – que nos foi facultado pelo excelente amigo Álvaro Antunes – fazia-se a antevisão do jogo.

Reproduzem-se em imagem as considerações tecidas em duas páginas. Nelas, destaca-se a maneira como o Belenenses era referido – “baluarte do football português” – e o facto de se considerar conjuntamente a Taça de Portugal e o anterior Campeonato de Portugal, sendo apenas questão de mudança de nome.

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De resto, os primeiros troféus da Taça de Portugal, incluindo este de 1942, têm a inscrição de “Campeonato de Portugal”. Independentemente da nossa opinião, já antes manifestada de que até 1933/34, inclusive, os vencedores do Campeonato de Portugal deveriam ser adicionados aos vencedores do Campeonato Nacional – pois aquelas competições eram a forma de apurar o melhor do nosso país -, o facto é que isto confirma que é uma completa indecência ignorar-se nas contagens os Campeonatos de Portugal.

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O Belenenses apresentou-se no Lumiar com uma massiva falange de apoio que, no final, celebraria entusiasticamente o triunfo, e com o seguinte Onze:
Salvador; Simões e Feliciano; Amaro, Gomes e Serafim; Quaresma, Elói, Gilberto, José Pedro e Franklin.

Dominando o jogo, e com golos de Artur Quaresma e Gilberto, o Belenenses ganhou por 2-0 e conquistou o troféu.

Assim, ao fim de quatro edições da Taça de Portugal, Académica, Belenenses, Benfica e Sporting repartiam entre si os troféus. O F.C.Porto só em 1956 conquistaria a sua primeira vitória. Entretanto, no que toca a presenças na Final, o Belenenses levava a palma, com três, seguido do Benfica com duas, e de Sporting, Vitória de Guimarães e Académica com uma.

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Note-se que o nosso treinador era Rodolfo Faroleiro. Juntava assim esta Taça de Portugal aos títulos que, como jogador, tinha conquistado ao serviço do Belenenses: três Campeonatos de Portugal e quatro Campeonatos de Lisboa. É mais um nome a letras de ouro na história do Belenenses.

O Presidente da Direcção, como podemos ver na imagem do Jornal «Os Sports» de 15 de Julho de 1942, era Salvador do Carmo.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Neste dia em . . . (6 de Abril de 1974)

Referimos hoje, 11 de Julho, um facto ocorrido num dia 6 de Abril. A razão é simples: só há dias, ao ler um jornal, relembrámos este facto. E achámos que valia a pena contar.


1974 – Belenenses tenta contratar treinador Rinus Michels

Nesta data, o dirigente do Belenenses Hermínio Simões, que integrava o elenco presidido por Fernando Baptista da Silva, deslocou-se a Barcelona para tentar contratar o treinador Rinus Michels. Não o conseguiu, ficando bastante contrariado, porque, nesse mesmo dia, o holandês voltou a assinar com o colosso catalão (ver edição do jornal “A Bola”).

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Este episódio mostra a que distância o Belenenses de então estava do Belenenses de hoje que, com dirigentes impantes de vaidade, contrata coveiros...e nem é capaz de fazer mea culpa.

O curriculum de Rinus Michels é verdadeiramente impressionante, conforme se pode ver por extracto do jornal “Diário de Notícias”, de 5 de Julho de 2006.

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Como jogador, foi duas vezes Campeão da Holanda. Mas, como treinador, foi muitíssimo mais longe e escassíssimos treinadores de toda a história do futebol mundial têm um palmarés tão imenso.

Entre muitos outros feitos, destaque-se, enquanto treinador de clubes, que ganhou Campeonatos e Taças em três países e que venceu a Taça dos Campeões Europeus; enquanto treinador da Holanda, foi Campeão Europeu em 1988 e Vice-Campeão Mundial, neste caso, justamente nesse ano de 1974. Se tivesse vindo para o Belenenses, teríamos um treinador que, em 8 anos de carreira, tinha ganho cinco Campeonatos em dois países, que tinha sido Campeão Europeu de Clubes e que tinha sido Vice-Campeão Mundial de países.

Entretanto, 14 anos depois, os destinos do Belenenses e de Rinus Michels haveriam de se cruzar. Na época de 88/89, era ele o treinador do Bayer Leverkusen, detentor da Taça UEFA, que dessa mesma prova foi eliminado pela nossa equipa. Vimos há semanas atrás a repetição do jogo na Alemanha – e que grande equipa tínhamos! Uma vez mais, que diferença abismal entre esse Belenenses e o de hoje... E já agora, registe-se a elegância das declarações do treinador holandês, que se referiu ao Belenenses com todo o respeito. Que diferença dos coveiros que nos tratam como uma porcaria qualquer!

segunda-feira, 10 de julho de 2006

domingo, 9 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1997 – Sócios aprovam constituição da SAD para o Futebol

Tudo começa, mais ou menos com a publicação do "DL 67/97". Ou seja, o Decreto Lei nº67/97 de 3 de Abril, que estabelece o regime jurídico das sociedades desportivas.

Neste apontamento não se pretende dar uma explicação sobre o que é uma Sociedade Anónima Desportiva (vulgo, SAD) nem das suas vantagens do ponto de vista financeiro ou em que modelo preferencialmente deve ser implementada.

Cabe, no entanto, no objectivo do apontamento a avaliação de factos objectivos. Tanto quanto possível. E isso no âmbito do que devia ser o principal objectivo da constituição de uma SAD ou de qualquer outra acção iniciada pelo Clube. O de crescer, em meios, humanos e materiais, e em popularidade e massa associativa. A SAD deveria ser tão só um meio de o atingir. Não faz sentido de outra forma.

Factos.
Apenas quatro meses passados sobre a aprovação do referido “DL”, um Belenenses saído de mais um período de desastrosa gestão, agarrou-se à criação de uma SAD como um náufrago sortudo ao tronco que passa na corrente.
A razão é simples: pela alienação da própria participação inicial (obviamente 100%) um clube ao constituir uma Sociedade Anónima Desportiva potencia a entrada de dinheiro “fresco”. Relembrando o debilitado estado financeiro do Clube em 1997 não é de estranhar a velocidade com que aderiu a esta «solução».

Em Assembleia-Geral os sócios votavam neste dia, em 1997, pela constituição da que se viria a denominar “OS BELENENSES” - SOCIEDADE DESPORTIVA DE FUTEBOL, SAD.

Por circunstâncias várias, a SAD do Belenenses só viria a ser formalmente constituida em 18 de Novembro de 1999, ou seja mais de dois anos depois. Pelo meio o Belenenses desceu de divisão no final da época de 1997/98 – se se recordam, foi uma descida interiorizada por muitos como de “limpeza”, de “saneamento” (aqui ficaria bem perguntar de quê face ao que quase dez anos passados ainda se vê) – o que deverá ter retardado a constituição formal.

A nova sociedade, pessoa colectiva 504 510 436, matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa sob o nº 9922, ficou com sede no Estádio do Restelo e com um Capital Social (inicial) de 200.000.000 PTE (o equivalente a € 1.000.000). Mais tarde viria a sofrer aumento de capital para 1.000.000.000 PTE (€ 5.000.000) por OPS (Oferta Pública de Subscrição), que decorreu entre 30 de Novembro de 2001 e 14 de Dezembro de 2001.

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Seria normal assumir que a constituição de tal sociedade, além da vantagem inicial de encaixe de pelo menos metade do Capital Social (o Clube não pode – segundo o “DL” – deter mais de 40% das acções), seria muito mais que isso. Seria aspiração natural, a criação de uma verdadeira estrutura profissional de gestão do futebol, na vertente técnica mas também de negócio (pela venda de activos – entenda-se: jogadores –, pela criação de uma rede de prospecção de jogadores nos vários níveis etários, pela potenciação das receitas de publicidade, de bilheteira, transmissões televisivas, etc. No fundo uma gestão profissional que aliasse os métodos e o rigor de uma gestão de empresa ao emocional, ao místico e à partilha de um ideal comum que encerra um equilibrado fervor clubista. Quanto mais adeptos e sócios maior a visibilidade e maior o mercado e a capacidade de gerar receitas externas – seria lema expectável. Nada disso se viu.

Além da inexistência da tal estrutura e gestão verdadeiramente profissionais, viradas para a criação de talentos e para a promoção do espectáculo futebol, viram-se os seguintes resultados (de 2001/02 a 2005/06):

Classificações
2001/2002 – 5º lugar
(sem acesso às provas da UEFA)
2002/2003 – 9º lugar
2003/2004 – 15º lugar
(não desceu de divisão por mais um golo marcado que o clube então 16º classificado)
2004/2005 – 9º lugar
2005/2006 – 15º lugar
(desceu de divisão – campeonato ainda não homologado devido ao caso «Mateus»).

Nestes cinco anos obtivemos duas das piores classificações de sempre. Numa delas, com o maior orçamento de sempre. O que permite avaliar a (in)capacidade de gestão de que tem enfermado a SAD e o Clube.

Mas há mais...

Passes vendidos
César Peixoto
ao F.C. Porto (a preço de saldo)

E, sem ter formalmente a ver com a performance da SAD, mas com grandes responsabilidades do Clube e da performance da equipa de futebol...

Evolução da Massa Associativa
24.056 (13.044 contribuintes)
, no final de 2001;
22.551 (11.972 contribuintes), no final de 2002 (-1.500 geral e -1050 contribuintes);
21.176 (9.966 contribuintes), no final de 2003 (-1.400 geral e -2.000 contribuintes);
19.156 (9.439 contribuintes), no final de 2004 (-2.000 geral e -500 contribuintes);
18.149 (7.979 contribuintes), no final de 2005 (-1.000 geral e -1.500 contribuintes).

De notar que não se reflete nestes números o impacto da descida de divisão (mesmo que não homologada no momento de escrita do apontamento) ocorrida em Maio de 2006.

Mesmo assim, é fácil verificar que em cinco anos (exercícios de 2001 até 2005) o Belenenses perdeu, sem esboçar qualquer reacção, por mínima que fosse, cerca de 6.000 sócios – 25% do total (!!!), dos quais 5.000 contribuintes – 83% do total de sócios perdidos).

Em linguagem comum, sem contar com o impacto da época de 2005/06 (não desprezável de todo) UM EM CADA QUATRO SÓCIOS DEIXARAM DE O SER.

Os números falam por si.

Nunca as proféticas palavras de Acácio Rosa, que nos deixou em testemunho, em 1991, tiveram tanta adequação à realidade:

«O que mais me confrange é que a maioria dos beléns só pensa na bola que vai à trave, no “penalty” marcado ou deixado por marcar.»

«Pensem que nascemos pobres.» (...)

«Pensem como foram construídas as Salésias, como surge o Restelo.» (...)

«Pensem que o Bingo não é eterno.» (...)

«Estamos a ser ultrapassados por clubes que têm menos de metade do que nós temos.»

«Não podemos ser subservientes. Temos a nossa independência.» (...)

«Belém: ACORDA! Pensa que o clube está em perigo.»

«Tem-se clara impressão (da minha parte, certeza) que, nos últimos anos, a grande maioria dos nossos dirigentes (sem mística clubística), apenas desejam ser directores, misturando-se de apoiantes e colaboradores em campanhas eleitorais ou em séquito de aduladores do presidente para deambularem nas sessões solenes... nos camarotes, nos jogos de futebol.
São estes ‘beléns’, os culpados da inércia.» (...)

«... que os Belenenses do Futuro amem o Belenenses como o vi ser amado pelos ‘rapazes da praia’ e que façamos a perpetuidade do clube, através dos nossos filhos e netos, mantendo viva a necessidade do aumento associativo.»

«Meu Deus! Somos tão poucos…»


Concluindo: criar a SAD foi uma forma de angariar capital e limpar dívidas, que outros erros não corrigidos não tardaram em criar de novo e aumentar com consequências temidas mas ainda não totalmente estimadas.

No final da leitura deste apontamento é natural que se pense que quem o escreveu é contra a existência de SAD’s. Não necessariamente. Certamente será contra a não realização dos seus objectivos primários e será também contra a adulteração total desses mesmos objectivos. Embora esteja convicto que a sua existência não deveria ter-se tornado praticamente obrigatória, mas o panorama do futebol português não deixou grandes alternativas.

Ficam algumas questões. Se não serviu os sócios do Clube (logo, não serviu o Clube), serviu a alguém? Ajuda olhar para a estrutura accionista em 2006? A quem interessa a gestão amadora?

A ninguém? Se não interessa a ninguém – verdadeiramente – então porque passa o Belenenses por «isto»? Porque continua a ser gerido desta forma? Porque se sujeitam os sócios «resistentes» a «isto»?



2003 – Primeira prova na Pista Sintética de Atletismo do Restelo

Inaugurada a 25 de Maio, mês e meio foi pela primeira vez utilizada numa prova oficial. O evento, denominado «4ª Jornada de Verão», organizado pela Associação de Atletismo de Lisboa, era destinado a atletas dos escalões de Juvenis, Juniores e Seniores, masculinos e femininos, com o seguinte programa:

18h30 – Salto em Comprimento (masculinos)
18h30 – Lançamento do Dardo (femininos)
18h40 – Corrida de 400 metros ( femininos )
18h50 – Corrida de 400 m ( masculinos )
19h05 – Corrida de 800 metros (femininos)
19h15 – Corrida de 800 metros (masculinos)
19h30 – Corrida de 100 metros (femininos)
19h30 – Lançamento do Dardo (masculinos)
19h30 – Salto em Comprimento (femininos)
19h40 – Corrida de 100 metros (masculinos)
20h00 – Corrida de 5000 metros (masculinos)

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Registou-se forte adesão de atletas, querendo participar na estreia da única pista semelhante em Lisboa.

As medalhas, a premiar os melhores atletas, foram entregues pelo então Secretário de Estado do Desporto, Herminio Loureiro.

Para a história ficará a atleta Valinho Frazão, juvenil vencedora da prova de 4X200 metros, da Juventude Vidigalense, que será recordada, por ser a primeira atleta a cortar a meta da nova pista do Restelo.