quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Neste dia, em . . .

1942 – Américo Tomás é distinguido como sócio Honorário

Nesta data, Américo Tomás foi tornado Sócio Honorário do Belenenses (no mesmo dia que Acácio Rosa, Armando Filipe da Silva e Henrique Costa, este um dos 3 ou 4 principais Fundadores do clube). Desde 1935, era sócio de mérito. Mais tarde, em 1953, viria a receber o galardão máximo do clube, a Cruz de Ouro.

Américo Tomás foi, como é do conhecimento generalizado, uma figura relevante do Regime deposto com a Revolução do 25 de Abril: foi Presidente da República entre 1958 e 1974 e, antes disso, desde 1944, fora Ministro da Marinha. (Na verdade, só entre 1969 e 1974 teve realmente muita importância pois, até aí, Salazar sobrepunha-se a todos, incluindo os Presidentes da República).

Não discutimos aqui as opções ideológicas, políticas ou quaisquer outras, dos sócios e adeptos do Belenenses. No Artigo 6º dos nossos Estatutos dispõe-se que “O C.F.B. é alheio a todas as doutrinas políticas e a todos os credos religiosos”. Convém não esquecer.

Não vamos, pois, pronunciar-nos sobre as ideias e acções políticas do Almirante Américo Tomás, como não discutimos as de outras que se posicionaram ou situam em áreas bem diferentes. Falamos dele aqui, somente, como alguém que serviu o Belenenses e que lhe era dedicado. No entanto, a referência que fizemos era necessária para responder a “piadas” recorrentes segundo as quais o Belenenses teria beneficiado do facto de Américo Tomás ter sido seu sócio durante o Regime anterior a 1974. Sobre isto, cumpre esclarecer:

1. No Belenenses, clube plural, de implantação nacional, de que, ao longo de quase nove décadas, terão sido adeptos cerca de um milhão de pessoas, há gente de todas as proveniências e condições geográficas, culturais, sociais e económicas e de todas as ideologias políticas, filosóficas ou religiosas. Basta lembrar Américo Tomás e Mariano Amaro, para ver quão diferentes posicionamentos sempre existiram.

2. Desde que em Portugal existe uma República, diferentes Presidentes da República foram simpatizantes de diferentes clubes; o mesmo acontece, naturalmente, com Primeiros-Ministros, Ministros, Presidentes de Câmara, etc. De acordo com a sua dimensão e popularidade relativas, o Belenenses tem, naturalmente, a sua própria parte.

3. Américo Tomás não foi o único Presidente da República simpatizante do Belenenses; Teixeira Gomes, Presidente em 1924 – no tempo, pois, da Primeira República –, foi-o igualmente.

4. Obviamente, no Estado Novo, havia em todos os clubes, à escala, simpatizantes desse regime, incluindo pessoas com cargos governativos.

5. Américo Tomás foi Sócio de Mérito, Sócio Honorário e Presidente da Direcção do Belenenses e recebeu a Cruz de Ouro antes de ser Presidente da República. Aliás, foi Presidente da Direcção num breve período, em 1944, e deixou essa função ao ser convidado para Ministro da Marinha. Foi distinguido não por ser Presidente da República, ou sequer Ministro (e para, assim, o Belenenses beneficiar-se dessa condição) mas pela dedicação ao clube anteriormente demonstrada. Note-se que se tornou sócio do Belenenses em 1924, antes do Estado Novo, antes de Salazar, antes de algum dia poder imaginar que seria Presidente da República.

6. Ninguém, com conhecimento de causa, pode afirmar que o Belenenses foi beneficiado durante o regime que foi derrubado em 1974. Pelo contrário, todo o processo referente às Salésias e ao Restelo, conforme já aqui demonstrado inúmeras vezes, mostra que, pela Câmara Municipal de Lisboa, o Belenenses foi clara e brutalmente discriminado relativamente ao Benfica e Sporting, impedindo-o de com eles rivalizar em igualdade de condições.

7. Quando, no fim da década de 60, o Belenenses lutava para reaver a posse do Estádio do Restelo, Américo Tomás, como sócio e adepto do clube, empenhou-se, naturalmente, não em que o Belenenses fosse beneficiado, mas em que se pusesse termo aos vexames e ao tratamento discriminatório que a Câmara Municipal de Lisboa nos impusera. Em parte por esse motivo, numa opção seguramente discutível, o Estádio do Restelo teve o seu nome entre 1970 e 1974. (Nada de especial: o estádio utilizado pelo Braga, era o 28 de Maio...).

8. Em pleno Regime Democrático, nós assistimos a que três clubes do Estado (Benfica, Sporting e Porto) recebem todo o tipo de benefícios e privilégios, tanto da Administração central, como das respectivas Câmaras Municipais. Autarquias, incluindo as Regiões Autónomas, sustentam grande parte dos encargos e projectos do clube da sua terra (exemplo recente: quem construiu e pagou o Estádio que o Gil Vicente utiliza?). Nisto, o Belenenses continua a ser o parente pobre, lutando em desigualdade de condições.

9. Até jornalistas assumidamente opositores do Regime político em que Américo Tomás foi Presidente da República reconheceram: 1) A sua afabilidade desportiva; 2) Que o Belenenses não foi beneficiado pelas funções ministeriais ou presidenciais por ele exercidas.

10. Américo Tomás foi um sócio e adepto dedicado do Belenenses, que do seu bolso – não do Estado – contribuiu abundantemente (como muitos outros) para minorar as dificuldades económicas do Belenenses.

11. Nunca o Belenenses beneficiou de escândalos e manobras vergonhosas, como outros clubes têm beneficiado – veja-se, entre outros exemplos, a arbitragem tendenciosa que nos impediu de ser Campeões em 1955, para não aludir ainda a outros Campeonatos; o caso Inocêncio Calabote; a arbitragem de 1982 no Sporting-Belenenses, por um árbitro que acompanhava o Sporting em digressões; o caso Mapuata; o caso N´Dinga; os casos Francisco Silva, José Guímaro, Carlos Calheiros, etc; os “Pedros Henriques” que nos sonegam três penalties ou que assinalam contra nós golos que não entraram na baliza; o processo Apito Dourado; as incríveis trapaças com que, no «Caso Mateus», se tenta fazer prevalecer quem prevaricou (os dirigentes do Gil Vicente), à custa, mais uma vez do Belenenses... enfim, um nunca acabar!



1975 – Conquista da Taça Intertoto (Série IX)

Em rigor, o Belenenses já conquistou uma competição europeia de futebol. Desse modo, é um dos 5 clubes portugueses com vitórias em taças europeias de futebol: F.C.Porto, Benfica, Sporting, Belenenses e CUF.

Na verdade, nesta data, o Belenenses concluía a sua participação, na disputadíssima nona das dez séries da Taça Intertoto, em primeiro lugar. E, assim, como os outros primeiros classificados nas restantes séries, foi considerado vencedor da Taça Intertoto (tal como actualmente, todos os que ganham qualquer uma das três finais da mesma prova são considerados vencedores).

Poder-se-á objectar que então as regras de participação e de declaração dos vencedores eram diferentes das actuais. E daí? Também a Taça das Cidades com Feira começou por ter regras de participação diferentes da sua sucessora Taça UEFA, e nem por isso deixam de ser listados todos os vencedores, desde a primeira edição. Também ninguém põe em causa que o Sporting ganhou uma Taça das Taças só porque esta se extinguiu.

Portanto, o “seu a seu dono”: o Belenenses integra o lote restrito dos clubes portugueses que já venceram taças europeias – mesmo se sabemos que a Taça Intertoto não tem o mesmo relevo que as restantes Taças Europeias! E quase que bisou esse triunfo na Taça Intertoto, no ano seguinte, ficando em segundo lugar no seu, mais uma vez, disputadíssimo grupo.

Em 1975, o Belenenses teve como adversários o F.C. Amsterdão (Amsterdamsche FC), da Holanda, o Spartak Tranava, da Checoslováquia, e o KB Copenhaga, da Dinamarca.

Destas equipas, a mais poderosa era o Spartak Tranava. Como se sabe, é uma equipa da Eslováquia, que integrava então a Checoslováquia (na altura, uma grande potência futebolística; foi Campeã Europeia em 1976). Do seu palmarés, constam cinco Campeonatos e cinco Taças da Checoslováquia (uma das Taças tendo sido conquistada, precisamente, nesse ano de 1975), cinco Taças da Eslováquia e uma Supertaça da Eslováquia. Em 1968/69, foi semifinalista da Taça dos Campeões Europeus (prova em que tem o excelente score de 13 vitórias, 7 empates e 4 derrotas, com 42-20 em golos), baqueando ante o Real Madrid.

Quanto ao KB, embora na altura o futebol dinamarquês tivesse pouca expressão, o seu palmarés é de grande qualidade. Na verdade, este clube, que desde 1992, como resultado de uma fusão com o B1903 Copenhaga, passou a designar-se por FC Copenhaga, ganhou 28 Campeonatos e 5 Taças da Dinamarca.

Face a estes adversários, o Belenenses registou os seguintes resultados:

28 de Junho de 1975: Belenenses, 1 – F.C. Amsterdão, 0 (um grande golo de Gonzalez, de livre directo)
5 de Julho de 1975 – Spartak Tranava, 2 – Belenenses – 2
12 de Julho de 1975 – Belenenses, 1 – KB, 0
19 de Julho de 1975 – Belenenses, 2 – Spartak Tranava, 1
26 de Julho de 1975 – F.C. Amsterdão, 1 – Belenenses, 0
2 de Agosto de 1975 – KB, 1 – Belenenses, 0

(Nota: nos livros de Acácio Rosa há alguma confusão quanto a estes jogos e seus resultados. Acontece – e em nada essa, ou outras imprecisões, tira o enorme mérito do Autor. Os dados aqui apresentados foram objectos de confirmação).

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Como já dissemos, o grupo foi muito, muito equilibrado; mas, com três vitórias, um empate e duas derrotas, o Belenenses, sagrou-se vencedor, igualando assim os feitos já anteriormente conseguidos por duas outras equipas portuguesas, o Sporting e a CUF (hoje denominada Fabril e bem longe dos seus tempos áureos até metade da década de 70).

De resto, o Belenenses, treinado por Peres Bandeira, estava assim embalado para uma época bastante positiva, tendo terminado o Campeonato Nacional em terceiro lugar.

No Verão seguinte, o Belenenses voltou àquela mesma competição, nesse ano, pontualmente, denominada Taça Internacional. O comportamento foi novamente bastante positivo mas, dessa vez, ficámos em segundo lugar na nossa série.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Comissão de Disciplina da LPFP relega Gil Vicente para a Liga de Honra

Por unanimidade, três votos a favor, nenhuma abstenção e nenhum voto contra, a Comissão de Disciplina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional relegou hoje o Gil Vicente, no âmbito do processo mais conhecido como "Caso Mateus", para a Liga de Honra. O Clube de Barcelos pode agora recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol.

O BelenensesSempre congratula-se com a decisão tomada, fundamentalmente por duas razões:

- As leis foram cumpridas no nosso país e fez-se justiça num caso que já poderia, e deveria, estar resolvido há mais tempo.

- O C.F. "Os Belenenses" mantém-se assim na Liga Principal do futebol português, por mérito e justiça, pois merece ficar na 1ª Liga quem ganha os jogos dentro de campo cumprindo as leis e os regulamentos que aprova.

No entanto não nos esquecemos dos motivos pelos quais foi preciso esperar por este desfecho, nem do sofrimento e dor na última jornada, bem como durante toda a época, dos VERDADEIROS DONOS do Clube, os seus Sócios e Adeptos.


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Neste dia, em . . .

1903 – Nasce Francisco Mega

Nasceu nesta data (vindo a morrer em 1972) o homem que durante mais tempo presidiu à Direcção do Belenenses: nove anos. Segue-se Mário Rosa Freire com 8 anos. Só que, enquanto Rosa Freire as exerceu ininterruptamente, Francisco Mega desempenhou tais funções em três períodos distintos:

* Entre 1935 e 1938
* Entre 1939 e 1941
* Entre 1950 e 1954

Antes disso, fora o Vice-Presidente (na altura, só havia um) entre 1932 e 1934, sendo então Presidente José Rosa. Foi ainda Presidente do Conselho Fiscal em 1938.

Francisco Mega é, pois, uma grande figura no dirigismo do Belenenses. Esses méritos foram-lhe plenamente reconhecidos: em 18 de Agosto de 1940, foi aprovado como sócio honorário; em 6 de Fevereiro de 1947 foi-lhe conferida a o mais alto galardão do Clube, a Cruz de Ouro. Foi no mesmo dia que a recebeu Acácio Rosa. Antes deles, só quatro sócios tinham sido assim distinguidos. Curiosamente, Francisco Mega e Acácio Rosa tiveram por vezes ferozes divergências e discussões, nomeadamente nos anos 50. No entanto, nem por isso deixavam de se abraçar no final. Bons tempos, como sinais de vitalidade de um grande clube, esses em que não se procuravam unanimidades absurdas e impossíveis (excepto se narcotizar tudo e todos) mas em que se conservava a dignidade.

Durante o tempo em que foi Vice-Presidente, o Belenenses foi Campeão de Portugal em 1933 (Vice-Campeão no ano anterior) e Campeão de Lisboa em 1932 (Vice-Campeão no ano seguinte). Foi também inaugurado, nas Salésias, o monumento a Pepe.

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As suas Presidências foram, em grande medida, tempos de transição.

Desta forma, a primeira Presidência caracteriza-se pelas obras que transformaram as Salésias no melhor complexo desportivo de Portugal.

Em 1936, verificou-se a inauguração da cobertura das bancadas e a aquisição dos terrenos para um campo de treinos (o primeiro em Portugal) e sua construção nas Salésias.

Em 1937, as Salésias tornaram-se no primeiro campo relvado de Portugal. Lembremos que, 17 anos depois, o campo do Benfica ainda era pelado!

E, assim, naturalmente, em 1938, o Estádio das Salésias é pela primeira vez palco de jogo da Selecção Nacional de futebol, que ali disputará todos os encontros realizados em Portugal até 1942.

Apesar destes investimentos, o Belenenses foi Vice-Campeão de Portugal em 1936, e Vice-Campeão Nacional em 1937.

Além disso, deram-se os seguintes factos relevantes:

1935
Quarto lugar no primeiro Campeonato da 1ª Liga de Futebol (lutando pelo título até à última jornada, e registando o melhor Ataque e o melhor Goal-Average).
O Belenenses continua a ser o clube mais representado na Selecção Nacional de Futebol, desde o início da sua actividade.
Início da actividade do Basquetebol Feminino.
Atinge-se o número de 33 filiais e delegações.

1936
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Campeão de Lisboa, em Basquetebol Feminino.
Campeão de Lisboa de Corta Mato, por Equipas.
João da Silva Marques, recordista Ibérico, em Natação.
Joaquim Manique ganha o Campeonato Nacional de Fundo, em Ciclismo.
Início de actividade do Hóquei em Campo Feminino.
Clube ultrapassa os 4.000 sócios.

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1937
Segundo Lugar no Campeonato da 1ª Liga de Futebol.
Melhor conjunto de pontos nas quatro categorias do Campeonato de Lisboa de Futebol.
Semifinalista do Campeonato de Portugal, em Futebol.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino.
Vice-Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino.
Vice-Campeão de Lisboa em Pólo Aquático.
Vice-Campeão de Lisboa em Hóquei em Campo.
Campeão de Lisboa em Ténis de Mesa.
João da Silva Marques, recordista nacional de 100, 200 e 400 metros bruços.
Lucília Silva, campeã nacional em Basquetebol e Atletismo.
Maria Júlia Silva, campeã nacional em Atletismo e Natação.

1938
Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino.
Início da actividade do Voleibol.
O Belenenses é determinante na fundação da Associação de Voleibol de Lisboa.
Campeão de Lisboa de Ténis de Mesa.
Vice-Campeão de Lisboa em Hóquei em Campo.
Campeão Nacional de Corta-Mato por Equipas.
Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta Mato.
Manuel Nogueira, Campeão de Lisboa de Corta Mato.
Manuel Nogueira, Campeão Nacional de 1500 e 5000 metros
Lucília Silva, campeã nacional de Atletismo em três provas.
Atletas do clube detêm cinco recordes nacionais de Atletismo.
Belenenses ganha a estafeta Cascais-Lisboa em Atletismo.
Joaquim Manique, Campeão Nacional de Fundo, em Ciclismo.


Na segunda vez que foi Presidente (após o breve interregno de um ano), destaca-se o reconstruir de uma grande equipa de Futebol, depois do período de um pouco menos fulgor em seguida ao termo da carreira de jogadores de primeiríssimo plano e aos grandes investimentos nas Salésias. Embora, nesses dois anos, não tivéssemos conquistado nenhuma competição oficial de futebol (embora tenhamos estado perto), adivinham-se os títulos que chegariam logo a seguir: a Taça de Portugal em 1942; os Campeonatos de Lisboa em 1943 e 1945; o Campeonato Nacional em 1946.

Entre 1939 e 1941, foram os seguintes os acontecimentos mais relevantes na vida do Belenenses:

1939
Vice-Campeão de Lisboa em Futebol.
Quarto Lugar no primeiro Campeonato Nacional de Futebol.
Campeão de Portugal, em Basquetebol Masculino.
Vice-Campeão de Lisboa, em Basquetebol Masculino.
Campeão de Portugal, em Basquetebol Feminino.
Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino (pela terceira vez consecutiva).
Campeão Nacional de Corta-Mato por equipas.
Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta-Mato.
Estádio das Salésias aumenta capacidade para 21.000 pessoas.
Final da primeira Taça de Portugal disputa-se nas Salésias.
Clube tem 26 filiais e delegações.

1940
Terceiro lugar no Campeonato Nacional de Futebol.
Melhor Defesa no Campeonato Nacional de Futebol.
Finalista da Taça de Portugal em Futebol.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Campeão de Lisboa de Andebol (de 11).
Vice-Campeão de Lisboa de Hóquei em Campo.
Campeão Nacional e de Lisboa de Corta-Mato por Equipas.
Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta-Mato.
Manuel Nogueira, Campeão Nacional de 5.000 metros (pela terceira vez) e 10.000 metros (pela segunda vez) em Pista.
Inicia-se publicação de Boletim mensal.
Beneficiação da pista de Atletismo nas Salésias.

1941
Terceiro lugar no Campeonato Nacional de Futebol.
Melhor Ataque no Campeonato Nacional de Futebol.
Melhor Defesa (segunda vez consecutiva) no Campeonato Nacional de Futebol.
Melhor Goal-Average no Campeonato Nacional de Futebol.
Finalista da Taça de Portugal, em Futebol.
Campeão de Lisboa de Andebol (de 11).
Vice-Campeão Nacional de Andebol (de 11).
Campeão de Lisboa, em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Corta-Mato, por equipas.
Vice-Campeão de Lisboa, em Basquetebol.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol.
Lucília Silva, Campeã Nacional em quatro diferentes provas de Atletismo.
Iluminação do Campo de Basquetebol nas Salésias.
Clube tem 33 filiais e delegações.

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Desde o fim de 1950 até 1954, Francisco Mega reassumiu a Presidência. Foi um novo tempo de transição, num duplo sentido.
Por um lado, terminada que foi a carreira da maior parte dos jogadores da extraordinária equipa da década de 40, houve que ir em busca de novos elementos de grande valor. Vieram, assim, Matateu, Vicente, Di Pace, Perez e Benitez (entre outros), além dos que emergiam da formação. Por várias vezes estivemos bem perto do título, nomeadamente em 1951/52 e, sobretudo, como se sabe, em 1954/55 (época ainda preparada na sua Presidência).
Por outro lado, havia que deixar as Salésias (por imposição da Câmara Municipal de Lisboa) e obter fundos e meter mãos à construção do novo Estádio, o do Restelo. Francisco Mega não poupou esforços nem repetidos apelos vibrantes à dedicação dos belenenses para conseguirmos os objectivos em vista.

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No dia em que o Restelo foi inaugurado, Francisco Mega, embora resguardado dos grandes planos (já não era dirigente), chorou de alegria e comoção. Uma parte importante do mérito pela construção do Restelo cabe-lhe indiscutivelmente; e, assim, foi com toda a justiça que foi um dos que recebeu a medalha “Os Que Mais Serviram”.

Entre 1950 e 1954, último período em que foi Presidente do Belenenses, destacam-se os seguintes factos na vida do nosso clube:

1950
Augusto Silva ainda é o mais internacional de todos os jogadores portugueses de Futebol.
Vitória por 2-1 sobre o Borússia de Dortmund, em casa deste.
Vitória por 4-1 sobre o Deportivo da Corunha.
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa, em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol.
Vice-Campeão de Lisboa, em Andebol.
Clube atinge 761 praticantes.
Governo Francês concede medalha de ouro a Acácio Rosa.

1951
Semifinalista da Taça de Portugal, em Futebol.
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Matateu ingressa no Belenenses, marca 2 golos no seu primeiro jogo oficial (vitória 4-3 sobre Sporting) e é levado em ombros no final (no dia em que o clube completa 32 anos).
O Belenenses é o segundo clube com mais jogadores representados na Selecção Nacional de Futebol desde o início da sua actividade.
Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão Nacional de Juniores de Atletismo, em Equipas Masculinas.
Campeão de Lisboa de Corta Mato, em Equipas Seniores Masculinos.
Campeão de Portugal de Corta Mato em Equipas Seniores Masculinos.
Campeão de Portugal de Corta Mato em Equipas Seniores Femininas.
Campeão de Portugal de Corta Mato em Equipas Juniores Masculinos.
Joaquim Branco detém oito recordes nacionais, em Atletismo.
Vice-Campeão de Lisboa em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol (segunda vez consecutiva).
Abertura de delegação na Avenida da Liberdade (Lisboa), com serviços médicos e de secretaria.
O arquitecto Carlos Ramos é contratado para elaborar o projecto do Estádio do Restelo.

1952
Invicto os jogos em casa do Campeonato Nacional de Futebol.
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Di Pace ingressa no Belenenses.
Campeão de Lisboa, em Râguebi.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol ( terceira vez consecutiva).
Campeão Infantil de Lisboa, em Basquetebol.
Campeão de Portugal de Atletismo, em Equipas Femininas (sexto título, e quinto consecutivo).
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Homenagem à atleta Georgete Duarte.
Rui Ramos faz 15,54 no triplo salto, segunda melhor marca europeia e terceira mundial da época, terceira europeia de sempre e record nacional pelo longo período de 14 anos.
Rui Ramos participa nos Jogos Olímpicos, disputando o Triplo Salto (12º lugar).
Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.
Fundação da Tertúlia do Belenenses, no Porto.

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1953
Terceiro lugar no Campeonato Nacional de Futebol.
Matateu é o melhor marcador no Campeonato Nacional de Futebol.
Conquista da Taça “Lisboa” em Futebol, em disputa com Benfica, F.C. do Porto e Sporting.
Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Vice-Campeão Nacional de Juniores, em Futebol.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Em Atletismo, são batidos seis recordes nacionais masculinos e um feminino, por atletas do Belenenses durante o ano.
Festa de homenagem a Joaquim Branco.
Vice-Campeão Nacional de Juniores, em Andebol (de 7).
Vice-Campeão de Lisboa de Andebol (de 7).
Vice-Campeão de Lisboa em Voleibol Feminino.
Começo da construção do Estádio do Restelo.
Morte de Henrique Costa, o Sócio Nº 1.

1954
Semifinalista da Taça de Portugal, em Futebol.
Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.
Vicente ingressa no Belenenses.
Fernando Riera torna-se treinador principal do Belenenses.
Festa de despedida de Feliciano.
Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.
Campeão de Lisboa, em Basquetebol.
Campeão de Lisboa de Infantis, em Basquetebol.
Vice-Campeão de Lisboa, em Voleibol Feminino.
Belenenses é sócio fundador da Federação Portuguesa de Badminton.
Fernando Stock e Manuel Palma, Campeões Nacionais e Ibéricos de Motorismo.
Rui Ramos chega à final de Triplo Salto dos Campeonatos Europeus de Atletismo e é considerado o melhor atleta português pelo jornal “World Sports”.
Jornal do clube é semanal, com 16 páginas.
Clube tem 45 filiais.

Infelizmente, nos últimos anos, temos assistido ao surgimento de vários candidatos a “o pior Presidente de sempre do Belenenses” (com erros e aaplausos que parecem recorrentes); pelo contrário, Francisco Mega é um dos candidatos a “o melhor Presidente de sempre do Belenenses”...



1926 – Severo Tiago torna-se primeiro representante do Clube a ganhar título Nacional de Atletismo (salto em comprimento)

Já nos referimos a este grande atleta belenense por ocasião do seu nascimento em 10 de Fevereiro de 1903. Praticante de Futebol e de Atletismo, foi neste último que atingiu a maior notoriedade desde que a modalidade foi criada no Belenenses, em 1921.

Reconhecido como especialista em provas de velocidade e no salto em comprimento, seria Severo Tiago a conquistar o primeiro título nacional para o Belenenses. Nesta data, em 1926, com apenas 23 anos, Severo Tiago saltava 6,05 metros conquistando o título de Campeão Nacional.

Nestes campeonatos nacionais participaram, pelo Belenenses, além de Severo Tiago (que também foi quinto classificado nos 100 metros e terceiro nos 200 metros planos), Belém Rodrigues, Pedro Pinto, António Carvalho (quarto classificado nos 400 metros barreiras), Joaquim de Almeida (terceiro classificado nos 400 metros barreiras), Mário Lopes, Ruy Nunes, Jerónimo Morais, Armando Rodrigues, Luís Teixeira, António Bazílio dos Santos, Manuel Correia Neto, Clodomiro Alves e Jorge Sousa.

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Este atleta, que foi o primeiro internacional português do atletismo do Belenenses, dois anos volvidos tornaria a ser Campeão, desta vez na corrida de 200 metros.

Pela sua dedicação ao Clube e pelos seus feitos enquanto atleta, a Severo Tiago foi atribuída a categoria de Sócio de Mérito, em 8 de Agosto de 1927. Nesse mesmo dia foram também elevados a esta categoria: Henrique Costa, Artur José Pereira, Francisco Pereira, Romualdo Bogalho, Manuel Veloso, Carlos Sobral, Alberto Rio, Mário Duarte, Joaquim Rio (fundadores); Joaquim de Almeida, Eduardo Azevedo, Arnaldo Cruz, Francisco Ferreira, Fernando António da Conceição, Raul Azevedo, Júlio Marques, José Pires, Alfredo Ramos, Augusto Silva, Bernardo Soares, César
de Matos, Severo Tiago, José Viriato, Raul Francisco da Silva, Carlos Luís Branco, José Manuel Soares, Leonor Alaiz, Rodolfo Faroleiro, Francisco Assis, Francisco Silva Marques, Francisco de Matos, Olívia Ferreira, Faraó R. Pereira, Mário da Silva Marques e João da Silva Marques, pelo seu contributo enquanto dirigentes ou atletas em vários títulos conquistados.



1988 – Belenenses vence Vasco da Gama (do Brasil) por 1-0, e conquista torneio em Angola

Na época de 1987/88, o Belenenses havia voltado ao pódio do Campeonato Português, terminando em terceiro lugar.

O defeso deixou-nos no ar alguma indefinição. Apesar de se ter falado em muitas transferências, registou-se apenas, em termos significativos, a saída de Mapuata (a nosso ver, uma má decisão de Marinho Peres) e a entrada de dois bons reforços o internacional português Adão (contratado ao Vitória de Guimarães) e o brasileiro Macaé. Vieram também dois jovens promissores: o guarda-redes Pedro Espinha (que mais tarde seria internacional e Campeão – mas não no Belenenses, pois... foi dispensado!) e o avançado Paulo Sérgio (descoberto no Vilafranquense).

Entretanto, Marinho Peres, alegando problemas familiares, decidiu não continuar (voltaria a meio da época, a tempo de ganhar a Taça de Portugal). Para o seu lugar, foi contratado o inglês John Mortimore, que cerca de dez anos antes estivera no Benfica, onde ganhara um Campeonato.

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Seja como for, a equipa estava bem oleada. Ganhámos em Chaves um torneio, triunfando sobre o Marítimo e os espanhóis do Valladolid. Depois, como tinha acontecido dos anos antes, fizemos uma deslocação a Angola (salvo erro, graças aos bons ofícios e contactos em Angola do antigo Vice-Presidente Manuel Miguel, um dirigente com provas dadas, e possivelmente do próprio Presidente da Direcção de então, Mário Rosa Freire).

Aí, depois de vencermos uma equipa local, defrontámos na final os brasileiros do Vasco da Gama. Ganhámos por 1-0 e arrebatámos um valiosíssimo troféu.

Foi uma vitória muitíssimo meritória, apesar do facto ter sido quase ignorada pela Comunicação Social portuguesa, num comportamento vergonhoso. E, no entanto, dias antes o Vasco da Gama empatara nas Antas e, no relato radiofónico, o locutor nortenho dizia entusiasmado que eram as duas melhores equipas do mundo: o F.C. Porto por ser o detentor da Taça Intercontinental, o Vasco da Gama porque não perdia há quase 30 jogos. Afinal, foi o Belenenses a quebrar a invencibilidade dos brasileiros… mas, no espaço de uma semana, no entendimento de alguns jornalistas, o Vasco da Gama deixara de ser uma das duas melhores equipas do mundo para ser uma equipa vulgar. (Na altura, o nosso protesto veio pela boca de Barcínio Pinto: “O terceiro lugar da época passada foi rapidamente metido na geleira pelo Belenenses; mas o Belenenses da nova época vem ainda mais forte!”).

Nessa mesma época, o Vasco da Gama foi campeão brasileiro, o que ajuda a compreender ainda melhor o significado do nosso triunfo. De resto, a força do Vasco da Gama é conhecida em todo o mundo. Esse clube, que também ostenta no seu emblema a Cruz de Cristo, é, juntamente com o Flamengo, o Palmeiras e o Corinthians, um dos que possui mais Campeonatos do Brasil, quatro ao todo (o Campeonato do Brasil só se começou a disputar em 1971; até aí, havia apenas os Campeonatos Estaduais); ganhou 22 Campeonatos do Rio de Janeiro (contra 31 do Fluminense, 27 do Flamengo, 17 do Botafogo e 7 do América); conquistou a Taça dos Libertadores da América (o equivalente à liga dos Campeões na Europa) em 1998, e ganhou a sua antecessora, o Torneio Sul-Americano de Clubes, em 1948.

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Vestiram aquela camisola grandes vedetas mundiais como Romário, Bebeto, Roberto Dinamite, Edmundo, Vavá, Ademir da Guia, Mauro Galvão, etc, etc. Está cotado como o terceiro clube mais poderoso do Brasil.

Apesar deste poderio do Vasco da Gama, nos quatro jogos disputados entre as duas equipas, o Belenenses leva vantagem com três vitórias e uma derrota. Em Portugal, ganhámos por 2-1, tanto em 1955, como em 1984; Em Angola, ganhámos por 1-0, neste ano de 1988; no Brasil, perdemos por 6-1, em 1957 (o que levou ao imediato despedimento no nosso treinador Fernando Riera).

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Expectativas . . .

Com tudo o que se tem passado e com o muito que não tem sido feito, como serão as assistências dos jogos em 2006/07?

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domingo, 30 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1957 – Início da actividade do Hóquei em Patins

Na Presidência de Francisco Soares da Cunha, o Belenenses supria uma lacuna, que era o facto de não ter actividade naquele que foi, durante muitos anos, a segunda modalidade mais popular em Portugal. Tempos houve em que o país literalmente parava e as famílias ficavam suspensas dos relatos do Portugal-Espanha.

Já antes o dissemos, e não nos vamos alargar sobre isso: não obstante ter tido, entre os seus sócios e adeptos, alguns dos maiores jogadores do Mundo desta modalidade, incluindo o maior de todos os tempos, António Livramento, o Belenenses nunca apostou muito na modalidade (que acabou por ser suspensa, não no tempo de Mário Rosa Freire, como por vezes se diz, mas, sim, pouco depois). Em contrapartida, por exemplo, vem gastando – e, escandalosamente, vai ainda continuar a gastar – rios de dinheiro numa modalidade (o Basquetebol) que há muito perdeu a sua tradição no clube, que há 47 anos que não ganha nem um Campeonato nem uma Taça de Portugal no escalão Sénior e que nunca nos poderia ter dado o que o Hóquei em Patins, com relativa acessibilidade, nos teria proporcionado: uma taça europeia. Quanto a nós, houve uma falta de sentido competitivo e de opção inteligente e sagaz que nos confrange.

Dizem alguns: pois, mas que prestígio internacional nos daria uma Taça Europeia de Hóquei em Patins, se essa modalidade só tem projecção em Portugal, na Argentina, e em limitadas regiões de Espanha e Itália? Quem nos dera que essa objecção fizesse sentido! Infelizmente, hoje por hoje, o problema do Belenenses não é a sua projecção internacional mas o seu prestígio nacional. Dos Campeões Nacionais de Futebol, Benfica, Porto e Sporting já conquistaram competições europeias colectivas; o Belenenses, não. Se não se percebe onde queremos chegar, não vale a pena insistirmos...

De qualquer forma, vamos aclarar duas coisas: defende-se aqui o fim do Basquetebol no Belenenses? Resposta: no escalão sénior, defende-se, sim senhor. Imediatamente!

E teimamos no relançamento do Hóquei em Patins? Resposta: a situação actual do Belenenses é tão grave que, neste momento, têm é que se extinguir modalidades e não criar outras adicionais. O problema de um modelo eclético caquético e insustentável, não é apenas o dos custos declarados. Há muitas outras vertentes: custos invisíveis (por exemplo, com departamentos médicos e necessidades correlacionadas); espaço ocupado nos terrenos do Restelo; descaracterização do clube, com a entrada, por esse via, de pessoas que pouco ou nada têm de belenensismo e que vão subindo até chegarem... ao topo do dirigismo; pulverização do clube em quintas e quintinhas, com incapacidade de hierarquizar prioridades e de as defender custe o que custar; estado de alienação de umas escassas centenas ou até mesmo dezenas de consócios – considerados importantes, somente, por constituírem o séquito do status-quo vigente – que perdem todo o sentido da realidade, delirando com feitos que nada dizem à opinião pública (incluindo 95% ou mais dos belenenses) e que levam a que dois ou três dias depois de descermos de divisão no Futebol se tente tapar o sol com a peneira de outras modalidades.

Não defendemos, é claro que se acabe com tudo (modalidades extra-Futebol) – e não autorizamos a que se diga que defendemos tal – mas, entre muitos outros aspectos, é preciso ter em conta:

– Os fundadores criaram o Clube de Futebol “os Belenenses” e, no Artigo 2º dos Estatutos, consta que ele “tem por objectivos o desenvolvimento e a prática da Educaçăo Física, a promoçăo e fomento de todos os desportos em geral e do futebol em especial, bem como de outras actividades de cultura e recreio” (sublinhados nossos, obviamente).

– É impensável que já haja quem expresse publicamente (porque, no fundo, não faltava quem desde há anos o desejasse) que o melhor é acabar com o Futebol ou, pelo menos, não o distinguir de outras modalidades. Note-se que, na última Assembleia-Geral, o Presidente da Direcção afirmou que está tudo bem, só numa modalidade (“o raio do Futebol”) é que não. Falamos aqui, é claro, da Assembleia-Geral ordinária de Abril último. Com efeito, tão imensa é a desmotivação da massa associativa do clube, que só se reuniram duzentas e tal assinaturas para uma AG extraordinária na sequência da descida de divisão (só por falta de discernimento ou por sobreposição de vaidades ou amiguismos ao superior interesse do Belenenses, pode alguém rejubilar com isso); os defensores acérrimos (com que interesse, cabe perguntar) da actual Direcção, nem metade disso conseguiriam reunir (o que, tirando a proporção, em nada nos alegra, pelo contrário); e uma AG anunciada pela Direcção ficará não se sabe para quando...

– O ecletismo Bingo-dependente nada tem a ver com o ecletismo de outros tempos.

– Desde que começou esse regime de bingo-dependência, só ganhámos um Campeonato e uma Taça da Liga de Andebol e um Campeonato de Râguebi, e não voltámos a ter atletas nos Jogos Olímpicos (compare-se com o passado sem rios de dinheiro...).

– Interessa manter aquilo que verdadeiramente traga prestígio ao clube – mas prestígio a sério (esqueça-se as palmadinhas nas costas da “sociedade civil lisboeta” que permanecerá benfiquista e sportinguista, apesar de – ou fingindo – respeitar-nos muito), prestígio que nos dê popularidade e granjeie adeptos ou, pelo menos, verdadeiro entusiasmo nos que ainda temos.

– Há que concentrar recursos e energias e utilizá-los com razoabilidade e visão de futuro ou, em breve, nada nos diferenciará do Ginásio Clube Português ou do Lisboa-Ginásio.

– Se eu estou endividado para com quem me fornece a comida, como posso estar a pensar em férias numa ilha do Pacífico?

sábado, 29 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1978 – Conquista da segunda Taça de Portugal em Andebol

A meio da década de 70, o Belenenses viveu um período verdadeiramente auspicioso no Andebol.

Cingindo-nos unicamente ao Escalão Sénior, foram conquistadas as seguintes competições:

1974 – Campeonato Nacional. Campeonato Metropolitano. Taça de Portugal.
1975 – Campeão de Lisboa (Equipas Femininas).
1976 – Campeão Nacional. Taça de Portugal (Sector Feminino; neste ano, o Belenenses foi a primeira equipa feminina a participar em competições europeias de Andebol, na Taça dos Vencedores de Taça).
1977 – Campeão Nacional (pela segunda vez consecutiva; depois, na Taça dos Campeões Europeus, foi a primeira equipa portuguesa a ganhar fora).
1978 – Taça de Portugal.

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Todos estes resultados eram o corolário lógico da grande aposta na Formação, criando uma poderosa Escola. Na década de 60 e princípio dos anos 70, os títulos nacionais e regionais sucederam-se em catadupa nos escalões jovens.

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Neste ano de 1978, em que foi Vice-Campeão, o Belenenses conquistou assim a sua segunda Taça de Portugal, que juntava aos quatro títulos de Campeão Nacional que já detinha (o primeiro, fora obtido em 1948, ainda na variante de Onze).

Na final, a nossa equipa venceu o Oriental por folgados 33-14.
O Belenenses apresentou os seguintes jogadores (entre parêntesis, estão os golos obtidos): José António (Xavier); José Manuel (2), Branco Lopes (3), Franco (3), António Ferreira (2), Espadinha (6), Sousa (1), Armando (3), Ricardo (1), Hernâni (11) e Costa (1).

Nomes como José António, Espadinha, Franco, José Manuel, Hernâni e Ferreira têm o seu nome escrito a letras de ouro na história do nosso Andebol.

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Foi a sétima edição da Taça de Portugal. Os troféus estavam assim distribuídos: Sporting, 3; F.C.Porto, 2; Belenenses, 2.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1923 – Nasce Marcelino Marques (antigo Presidente)

Joaquim Dias Marcelino Marques, Coronel, foi Presidente do Belenenses no biénio de 1975 e 1976, sucedendo a Baptista da Silva. Foi um período de grande mudança no País, iniciada com a Revolução de 25 de Abril de 1974. Inevitavelmente essas mudanças reflectiram-se também no Belenenses.


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Marcelino Marques esteve ligado ao próprio Movimento das Forças Armadas, albergando, em sua casa, reuniões do próprio movimento, mais especificamente da sua Comissão Coordenadora, meses antes da revolução sair à rua. Anteriormente, estivera ligado ao movimento das Caldas e sofrera represálias por isso. Em 1975 foi Administrador do Diário de Notícias e comandou a Escola Prática de Administração Militar. Ao referir estes factos não se procura tomar partido nas questões sociais e política da época, apenas situar a figura de Marcelino Marques nesse contexto da sociedade portuguesa e do Belenenses em particular. Serve também o objectivo de demonstrar que no Belenenses coexistem e devem coexistir pessoas, associados e adeptos de todos os quadrantes políticos e credos religiosos. O Artigo Nº2 dos Estatutos do Clube de Futebol «Os Belenenses» assim o determina, da mesma forma que veda, em nome do Clube, manifestações da mesma natureza. É e sempre foi, um Clube Democrático. Pelo menos no que respeita à letra dos seus Estatutos.

Como referimos, o mandato de Marcelino Marques coincidiu com um período bastante agitado no País. Ficaram bem vincadas (e sempre disso fez questão Marcelino Marques) a sua oposição à dependência do Clube de «mecenas». Defendia a auto-sustentabilidade do Clube e a dependência, sim, de todos os sócios. Que estes, no seu todo, deviam ser responsáveis e com eles devia o Clube poder contar nos seus momentos difíceis. Sábias palavras – acrescente-se – e perfeitamente actuais.

Em entrevista concedida ao jornal «Mundo Desportivo» em 21 de Março de 1975, afirmava:
... Ora, uma das formas do Belenenses ser democrata, quanto a mim, é ser de toda a gente. Portanto, o Belenenses não pode daqui para o futuro apoiar-se no Sr. A ou no Sr. B; tem antes que se apoiar em todos os seus sócios e simpatizantes. Quando tal acontecer, o Clube está efectivamente na via da democracia e de certeza que então irá conhecer muito melhores tempos pois as pessoas sentem muito mais as obrigações dos seus dirigentes e estão até muito mais atentos à fórmula como esses dirigentes estragam, ou utilizam os dinheiros que toda a gente dá.”. Era bom que assim fosse. Um desígnio por realizar, ainda hoje, mais de 30 anos depois.

Apenas seis anos após a Junta Directiva que recuperou o Clube no período de 1967 a 1969 em termos financeiros e associativos (de 7.932 para 16.919 sócios) o Clube caíra de novo para cerca de 12.000 sócios e acumulava um prejuízo próximo dos 30.000 contos. Esta direcção foi impotente para deter o acumular de prejuízos e, apesar de uma melhoria no segundo ano de mandato, o passivo cifrava-se em cerca de 38.000 contos. Como referência tenha-se que no final de 1970 o mesmo passivo se cifrava nos 7.200 contos.

No campo desportivo estes foram os acontecimentos mais relevantes ocorridos na Presidência de Marcelino Marques:

1975
Vencedor da Taça Intertoto (Série IX), em Futebol. Semifinalista da Taça de Portugal, em Futebol. Vice-Campeão de Lisboa de Juvenis, em Futebol. Vice-Campeão de Lisboa de Iniciados, em Lisboa. Vitória no Torneio de Santander (adversários: Honved e Racing de Santander). Campeão Nacional de Ténis, por Equipas. Campeão de Lisboa de Andebol Feminino. Campeão Nacional de Juvenis, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Ténis de Mesa. João Sequeira presente no Campeonatos Mundial de Xadrez, em Juniores. Início das Obras do Pavilhão Gimnodesportivo (actualmente, Pavilhão Acácio Rosa).

1976
Terceiro lugar no Campeonato Nacional de Futebol. Invicto nos jogos em Casa do Campeonato Nacional de Futebol. Segundo lugar na Série da Taça Internacional (Intertoto) de Futebol. Campeão Nacional de Andebol. Vencedor da Taça de Portugal em Andebol Feminino. Estreia na Taça das Taças, em Andebol Feminino (primeiro Clube português em competições europeias femininas). Vencedor da Taça de Portugal, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol. Campeão Nacional de Iniciados de Atletismo, em Equipas Masculinas.



1951 – Belenenses ganha Campeonato Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas, pela quinta vez (e quarta consecutiva)

Pois é. Nestes tempos, a que hoje nos referimos, o Belenenses tinha uma pista de Atletismo. Na verdade, a actual, no Restelo, é melhor. Sem ironias. Mas, infelizmente, não temos atletas de nível para a trilhar (em treinos, porque quanto a competições, pura e simplesmente não funciona). Não há ninguém ao nível do que, naquele tempo, representavam Joaquim Branco e Rui Ramos, Georgete Duarte e Francelina Moita.

Em termos colectivos, o Belenenses deu cartas no Sector Feminino nas décadas de 40 e 50. Como já referimos, entre 1944 e 1958, o Belenenses foi 10 vezes Campeão Nacional e 13 vezes Campeão de Lisboa.

Sempre liderada por Georgete Duarte, a nossa Equipa Sénior Feminina conquistava, nesta data, o seu quinto Campeonato Nacional e quarto consecutivo. Os outros Campeonatos foram conquistados em 1944, 1948, 1949, 1950, 1952 (ou seja, sexto título consecutivo), 1955, 1956, 1957 e 1958.

Neste mesmo ano, o Belenenses foi também Campeão de Lisboa em Equipas Femininas.
E além disso, foi Campeão Nacional de Juniores de Atletismo, em Equipas Masculinas; Campeão de Lisboa de Corta Mato, em Equipas Seniores Masculinos; Campeão de Portugal de Corta Mato, em Equipas Seniores Masculinos; Campeão de Portugal de Corta Mato, em Equipas Seniores Femininas; Campeão de Portugal de Corta Mato, em Equipas Juniores Masculinos. Na mesma altura, Joaquim Branco detinha oito Recordes Nacionais.



1966 – José Pereira presente na vitória sobre a URSS no jogo de apuramento do terceiro classificado do Campeonato do Mundo

Nesta data, ao vencer por 2-1 a União Soviética, Portugal assegurou aquela que continua a ser a sua melhor classificação de sempre no Campeonato do Mundo de Futebol: o terceiro lugar.

Vicente continuava lesionado, não podendo, pois, dar o seu contributo à equipa, como nos quatro primeiros jogos.

Em contrapartida, José Pereira manteve a titularidade.

Portugal adiantou-se no marcador aos 13 minutos, sofreu o empate a um minuto do intervalo e concretizou o 2-1 final aos 88 minutos.

Os jogadores do Belenenses, José Pereira (cinco encontros no total de seis) e Vicente (quatro jogos), deram assim um contributo assinalável para a bela campanha dos “Magriços” (ver quadro publicado no jornal “Record” de 11 de Julho de 2006).

Note-se que o treinador era Otto Glória, que, ao serviço do Belenenses, ganhou a Taça de Portugal e a Taça de Honra de 1960 (ele que era o treinador do Benfica no, para nós, trágico Campeonato de 1954/55; também treinou o Sporting e, finalmente, o F.C.Porto); que o Coordenador-Geral das Selecções era um ilustre belenenses, José Gomes da Silva; e que, como médico e massagista, lá estavam o Dr. Silva Rocha e João Silva.


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quinta-feira, 27 de julho de 2006

Porque não nos esquecemos e somos Homens de palavra!

Deliberação tomada em reunião de Direcção do Clube de Futebol “Os Belenenses” em 29 de Maio de 2006 e publicada no Site Oficial em 30 de Maio:

"Na sequência da reunião da Direcção do dia 29.05.2006, a Direcção do Clube de Futebol «Os Belenenses» emitiu o seguinte comunicado:

COMUNICADO:

Reunião de Direcção de 29.05.2006.

Tomou a Direcção do clube defutebol osbelenenses conhecimento do parecer emitido pelo Senhor Presidente da Assembleia Geral relativo à convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária, promovida por um grupo de sócios.

Esta Direcção nunca se esquivou a prestar esclarecimentos e defender as suas propostas junto dos sócios em Assembleia Geral no momento que entende mais oportuno para os superiores interesses do Clube, pelo que decidiu solicitar ao Senhor Presidente da Assembleia Geral a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária a realizar em data a anunciar oportunamente.

A Direcção deliberou proceder através dos meios disponíveis, nomeadamente o Site Oficial, à divulgação a curto prazo do Plano de Acção Imediato, que permitirá aos associados identificarem-se com a estratégia delineada e em alguns pontos já em execução.


A Direcção do clube defutebol osbelenenses
Estádio do Restelo, 29 de Maio de 2006"


Já passaram 59 dias desde esta deliberação e até agora NADA! Sabendo nós que pelos estatutos do C.F.B. o Presidente da A.G. tem 20 dias úteis para a marcação de uma A.G., chegamos à conclusão que nenhuma Assembleia foi solicitada. E que o curto prazo é superior a dois meses.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1927 – Nasce Matateu

E, uma vez mais, ainda e sempre, Matateu...

Não pode de maneira alguma caber nas nossas concepções que uma(s) quaisquer(s) Divindade(s), naturalmente universais e imparciais, possam ser invocadas ou “metidas ao barulho” para decidir a sorte de um jogo, onde dois grupos de jogadores e, portanto, de adeptos, querem a vitória e, inerentemente, a derrota do outro.

Deixa-nos na maior perplexidade a tendência de jogadores para dizer “Graças a Deus ganhámos” ou “Graças a Deus, marquei”, como se Deus – a existir um tal Deus que fosse interveniente nos pequenos assuntos do mundo, a hver o Absoluto que assim se tornasse tão relativo – pudesse querer que os “outros” sofressem a tristeza da derrota ou do golo que não puderam evitar. Já nem entro na questão de saber como é que, com tantas rezas e implorações de sentido oposto, Deus ou alguma Entidade Superior decidiria a quem atender...

E, no entanto, ao pensar em Matateu, nas infindáveis narrativas das suas jogadas, dos seus golos, dos seus golpes de génio, fica-nos a sensação de que, durante uma década, Deus esteve entre nós, no Belenenses...

Certo, certo, é que um deus do futebol mundial envergou a camisola do Belenenses, durante 13 anos!


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Em outros artigos, sobretudo no texto admirável e tão completo que o Álvaro Antunes elaborou à data da sua morte (27 de Janeiro de 2000), fizemos muitas afirmações sobre Matateu. Decerto, ficará ainda sempre algo por dizer; mas, hoje, em vez de afirmações, deixamos antes, preferencialmente, algumas perguntas...

Qual foi o maior jogador de sempre da história do Belenenses? É difícil dizê-lo. A nosso ver, sem desprimor para os gigantes que foram, por exemplo, Amaro e Vicente, há quatro fortes candidatos.

Temos, desde logo, o nosso ilustre Fundador, o grande, o enorme e incomparável Artur José Pereira. Um quarto de século passado sobre o fim da sua carreira, ele era ainda venerado como “o melhor jogador português de todos os tempos”.

Não podemos deixar de ter em conta o grande Augusto Silva, três vezes Campeão de Portugal (e mais tarde, Campeão como treinador), durante 16 anos o jogador Português com mais internacionalizações, o discípulo perfeito do Mestre Artur José Pereira, a garra, a raça e o talento infindáveis (Como é possível que Artur José Pereira e Augusto Silva não tenham a Cruz de Ouro???!!!).

E é impossível esquecer Pepe, que com 19 anos já arrebatava multidões, que 75 anos depois é o jogador com mais golos marcados num só jogo, que deixou um entranhado perfume de génio, na sua, não obstante, tão breve carreira, interrompida pela morte brutal (Pepe morreu aos 23 anos; Matateu chegou ao Belenenses aos 24. Com mais dez anos de Pepe, com mais cinco anos de Matateu, quantos Campeonatos mais não adornariam o nosso palmarés?).


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E depois, há Matateu. Foi o único que não foi Campeão mas, mesmo assim, talvez tenha sido o maior. Quase todos nós nascemos a ouvir falar de Matateu. Mesmo hoje, em que para grande parte dos nossos sócios, os nomes Artur José Pereira e Augusto Silva (e tantas outras figuras imensas) nada dizem; mesmo hoje, em que é possível um ignorante da televisão dizer que Pepe jogou no Belenenses e no Porto (!!!) e em que o speaker no nosso próprio Estádio diz que ele foi jogador mas pára aí, por mais nada saber (!!!!!!) – talvez desconhecesse que ele jogou no Belenenses e na Selecção – mesmo hoje, não há ninguém que não saiba quem foi Matateu.

Se o Belenenses, com todas as desventuras por que tem passado, ainda é um clube muito popular, deve-o, numa parte importante, indubitavelmente, a Matateu.

E agora, perguntamos: quem foi o maior jogador português de sempre? Dir-se-ia, no status quo vigente e talvez pouco parcial, que foi indiscutivelmente Eusébio; e talvez se acrescentasse que, entretanto, Figo se assumou ao segundo lugar. Mas....será mesmo assim?

Não está em causa o imenso valor futebolístico de Eusébio mas supomos que, se, por exemplo, Eusébio tivesse jogado no Belenenses, e Matateu no Benfica, a questão se pusesse.

Ouvimos de pessoas insuspeitas, por não serem adeptas do Belenenses, que o génio e o valor de Matateu em nada ficava atrás do de Eusébio; simplesmente, este último, teve circunstâncias muito mais favoráveis para a sua consagração nacional e internacional.

Em 1987, Alexandre Pais, hoje Director do jornal “Record”, relatava os esforços do nosso antigo jogador e treinador Carlos Silva (ao tempo, Chefe do Departamento do Futebol do Belenenses e hoje amplamente envolvido na Selecção Nacional) para fazer Matateu voltar a Portugal, vindo do Canadá, onde viveu as últimas décadas da sua vida. Já falámos dessa visita, que efectivamente se concretizou, em outras ocasiões.


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Reproduzimos algumas passagens:
Falo-vos desta vez de Carlos Silva e faço-o não exclusiva, mas especialmente, para me referir de seguida à missão impossível a que aderiu com o empenho azul de sempre: trazer Matateu a Lisboa!

Não que eu acredite assim, tout-court, na vinda do Lucas, mesmo que de passagem para o torrão natal, ainda que no início de uma viagem triunfal à terra que o viu nascer e o aguarda para o receber em triunfo. Como o fez a Coluna, Eusébio e Vicente, todos moçambicanos, todos tocados pelo génio da bola. É que, mais cedo, existiu Matateu, não o melhor jogador português, antes seguramente um dos quatro melhores, com Pinga, Travaços e Eusébio; não ‘um dos dez melhores jogadores do Mundo de todos os tempos’ como proclamou a veneração apologética de Carlos Silva, embora indubitavelmente um dos 20 ou 30 melhores jogadores do Mundo de sempre; mas sem nenhuma hesitação, O MELHOR JOGADOR DE GRANDE ÁREA E DE POTÊNCIA DE REMATE DO FUTEBOL PORTUGUÊS e, nessas qualidades (aí sim) um dos dez melhores do Mundo desde que o futebol nasceu para a competição e para o espectáculo (...)

Salvé, Matateu! Os que te esperaram em manhã de nevoeiro, entre pequenas tricas de irmãos, finalmente te saúdam. Com o coração em sangue pelos tempos que não voltam, com o espírito decepcionado pelos golos que ninguém poderá repetir. E dizem-te enfim: OBRIGADO!


Penso que ninguém poderá acusar Alexandre Pais de pecar por excesso nas suas apreciações sobre Matateu. Pelo contrário: elas pecarão eventualmente por defeito, sem nenhum desprimor para o portista Pinga e o sportinguista Travaços, indiscutivelmente grandíssimas figuras do futebol Português (e, já agora, lembremos que Cândido de Oliveira considerava Artur José Pereira superior a Artur Sousa “Pinga”).

E, enfim, ficam as perguntas: porque é que hoje em dia, o Belenenses já não descobre um Matateu, nem um Vicente, nem sequer um Yaúca, nem ao menos alguém que se lhes assemelhe, apesar de ainda haver partes do mundo onde é possível encontrar grandes talentos a preços muito acessíveis? E pior: se hoje descobríssemos um Matateu, passado dois meses, não estaria ele ferrado com direitos de preferência, e passados seis meses não o venderíamos – quiçá o empurraríamos - para o Dragão a Luz ou Alvalade, perante o delírio de muitos dos “filhos da decadência”?



1966 – José Pereira presente no jogo com a Inglaterra para a meia-final do Campeonato do Mundo de 1966

Nesta data, no mítico estado de Wembley, em Londres, Portugal tentava chegar à Final do Campeonato do Mundo.

A tarefa apresentava-se muito difícil, desde logo por defrontarmos a selecção do país anfitriã. Somou-se uma cansativa viagem de comboio de Liverpool para Londres. E, depois, lesionado, o nosso Vicente não pôde jogar. A realidade é que a sua falta fez-se sentir e, com ele, talvez não tivéssemos sofrido um dos golos, não obstante, no resto do jogo, o substituto José Carlos ter estado bem.

Assim, em vez dos dois jogadores dos desafios anteriores, José Pereira foi o único atleta do Belenenses presente no Onze Nacional.

Portugal perdeu por 2-1 e não conseguiu chegar à final. A Inglaterra marcou aos 31 e 79 minutos, Portugal reduziu aos 82 minutos, através de um penalty transformado por Eusébio. A nossa selecção continuou a atacar, remetendo os ingleses a uma defesa a todo custo mas, apesar de uma grande oportunidade perdida a dois minutos do fim, já não chegámos ao empate.




2003 – Belenenses conquista Torneio do Guadiana, ultrapassando Benfica na Final

A época de 2003/2004 foi de péssima memória. Uma das piores classificações de sempre (15º lugar, entre 18 clubes) e uma manutenção assegurada a cerca de um quarto de hora do fim dos jogos da última jornada. A diferença para o 16º classificado (o Alverca, que desceu de divisão) cifrou-se apenas em um golo na diferença dos confrontos directos. Magro e inaceitável pecúlio para um Clube com os pergaminhos do Belenenses e para uma gestão de SAD, que nos escusamos de adjectivar, que apontava como objectivo um dos quatro primeiros lugares. Mais palavras para quê.

A época até começou razoavelmente bem sob a orientação de Manuel José. No entanto a sua saída para o Egipto, pouco tempo depois de iniciado o campeonato, precipitou um descalabro classificativo que só teve paralelo nos tristes anos de descida de divisão.

Na pré-época, foram realizados alguns jogos de preparação que até prometiam um pouco mais que a mediocridade que em épocas anteriores apenas tinham sido quebradas em 2001/2002 com a obtenção do quinto lugar no campeonato, sob a orientação de Marinho Peres, mau-grado não ter dado acesso às competições europeias.

Assim aparecia o Troféu do Guadiana e logo frente a um forte adversário como uma forma de testar o estado da equipa.


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O jogo, disputado em Vila Real de Santo António, decorreu sob intenso calor apesar de ter sido disputado já no final da tarde. Esse factor aliado ao facto de as equipas se encontrarem no início da preparação da época, levaria a crer que o jogo seria disputado num ritmo mais pausado. Não foi o que aconteceu.

O Belenenses entrou de rompante, marcando por duas vezes no primeiro quarto de hora da partida, surpreendendo totalmente o seu adversário. Aos 12 minutos, por Antchouet e, aos 14 por Verona, ainda mal tinham cessado os festejos do primeiro golo.

Depois de oito substituições operadas (contra apenas duas por parte do Belenenses em toda a partida), o adversário conseguiu equilibrar as operações não sem que o Belenenses dispusesse de algumas oportunidades de avolumar o resultado para lá do alcance da recuperação do adversário. Não as converteu, também com mérito do guarda-redes adversário e assim abriu terreno à recuperação da equipa benfiquista. Esta viria a empatar a partida na sequência de dois lances de bola parada. O segundo deles foi mesmo pacientemente aguardado pelo árbitro da partida, que além do tempo compensatório anunciado quando findos os 90 minutos regulamentares, prolongou o jogo o tempo necessário até poder assinalar o livre do qual resultaria o golo do empate.

Assim, a atribuição do Troféu foi decidida imediatamente na marcação de grandes penalidades. Por linhas tortas escreveu-se a justiça da vitória do Belenenses, alcançada pela conversão de duas grandes penalidades contra apenas uma pelo adversário. Marcaram, pelo Belenenses, Sousa e Marco Paulo.

Alinharam pelo Belenenses: Marco Aurélio, Sousa, Filgueira, Wilson, Carlos Fernandes; Pelé, Marco Paulo, Fábio Rosa; Sané (Eliseu), Verona (Leonardo), Antchouet.

Uma vitória sobre um rival é sempre saborosa e motivo para festejo. O pior, nessa época, viria a seguir...

Ao menos, fica a consolação de Manuel José ter ido buscar o Pelé. Três anos depois, a sua venda foi um balão de oxigénio...

terça-feira, 25 de julho de 2006

Francisco Soares da Cunha – Um Grande Homem e um Grande Belenenses

Na data do seu nascimento, 18 de Junho de 1910, falámos aqui de Francisco Soares da Cunha, um dos maiores vultos de sempre do Belenenses.

O apontamento foi relativamente breve, ficando muito para dizer sobre um Homem a quem o nosso clube tanto deve.

Com base em elementos adicionais que nos foram amavelmente facultados, cumprimos hoje o dever de falar um pouco mais sobre esta notável Figura.



* * *


Francisco Dias Soares da Cunha nasceu em Mafra, no dia 18 de Junho de 1910, sendo filho do Capitão de Infantaria Francisco Augusto da Cunha e de Hermínia do Nascimento Soares da Cunha. Veio a falecer em 19 de Fevereiro de 1975.

Por ser filho de Oficial, desde o seu nascimento, sofreu bastante com os afastamentos resultantes das diversas comissões de serviço de seu Pai no Ultramar (Timor, Angola e Moçambique), o qual acabou por ser feito prisioneiro dos alemães em Negomano – Moçambique, tendo apenas sido liberto após a capitulação dos germânicos em 1918. Assim, foi crescendo só com o apoio de sua Mãe, tendo realizado em diversas escolas os estudos relativos ao ensino primário, que terminou com um “Bom” na Escola das Caldas da Rainha em 4 de Julho de 1919 – justamente o ano da fundação do Belenenses.

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Após este período, um pouco difícil, estabilizou a sua vida e os seus estudos, já com a presença de seu Pai, entrando no Colégio Militar, onde fez o seu curso liceal com bom aproveitamento. Ingressou, então, no Exército, na Arma de Cavalaria.

Em 18 de Junho de 1935 – justamente quando completava 25 anos – foi promovido a Alferes. Em 1 de Dezembro de 1940 foi promovido a Tenente e a 28 de Janeiro de 1946 (um ano feliz para o nosso Clube) foi novamente promovido, desta vez a Capitão de Cavalaria.

Durante a sua permanência nas fileiras foi alvo de diversas honrarias, recebendo reiterados elogios devidos à forma como sempre se conduziu e trabalhou.

Prestou serviço no RC7, em Lisboa, no RC 4, em Santarém, no Regimento de Lanceiros 2, em Lisboa, e na GNR – Regimento de Cavalaria ( 2º e 3º Esquadrões). Em 1942, foi prestar serviço na Polícia Municipal de Lisboa, a convite do então Presidente da Câmara e Ministro das Obras Públicas, Engº Duarte Pacheco.

Nestas últimas funções, há a realçar a sua acção na Comissão dos Bairros Municipais onde consolidou, com a colaboração dos restantes elementos, uma obra social muito importante naquela época.

Em 19 de Dezembro de 1952 passou à situação de reserva, tendo sido convidado para o Conselho de Administração da Sociedade Agrícola do Cassequel, pelos reconhecidos méritos verificados nas diversas acções que até aí prestara ao longo da sua vida de trabalho.

Posteriormente fez também parte dos Conselhos de Administração da Sociedade Agrícola do Incomati e da SORES, tendo sido, nesta última qualidade, elemento preponderante na construção e montagem da sua Refinaria de Açúcar em Santa Iria de Azóia. Esta sua excelente acção foi reconhecida pelos seus colaboradores nos conturbados tempos de 1975, já quase no fim da sua vida.

Pelas suas qualidades de trabalho, foi também convidado a fazer parte da Administração da PHILIPS PORTUGUESA, SARL., o que lhe mereceu, à hora do seu falecimento, palavras de grande apreço, consideração e saudade, por todos que com ele trabalharam.

Ao longo da sua vida foi sempre tido como elemento muito activo, o que levou a que todos – seus superiores, seus colegas e seus colaboradores – lhe prodigalizassem os maiores elogios. Com a sua dinâmica, impulsionava todos que com ele privavam. Era um Líder.

Com o seu casamento em Belém e as suas colocações no Regimento de Cavalaria 7 e depois em Lanceiros 2 e, ainda, com a colocação do seu Pai na Companhia de Infantaria, todas essas unidades situadas na Calçada da Ajuda, ficou-lhe o gosto pelas agremiações belenenses – Clube de Futebol “Os Belenenses” e Belém Clube – onde também se distinguiu sobremaneira pelas suas qualidades. Assim, acabou mesmo por se radicar em Belém, onde passou a maior parte da sua vida.

Em relação à sua prestação na vida Belenense, é suficientemente impressivo o seguinte resumo, da autoria do Major Baptista da Silva (o qual, de resto, o conheceu muito bem, visto que chegou ao dirigismo do Belenenses, na Direcção de 57/58, pela mão de Francisco Soares da Cunha, que também trouxe para o nosso clube muitos outros bons e dedicados elementos):

“Sem qualquer exagero o Estádio do Restelo é obra gigantesca que o Clube deve ao Capitão Soares da Cunha. A magnificência, a riqueza e o enquadramento paisagístico em que se transformou aquela pedreira no mais bonito Estádio de Portugal, foi obra desse homem de excepção.

O seu talento, capacidade de trabalho e de organização, dinamismo, coragem e ambição foram postos ao serviço do Clube na construção do Estádio, inaugurado, em 23 de Setembro de 1956, pelo Chefe do Estado, General Craveiro Lopes, em cerimónia grandiosa e inesquecível e por si idealizada.

Buscando meios financeiros que sustentassem o projecto do Arquitecto Carlos ramos, a organização do ‘Grande Sorteio de 1954’ foi marco do êxito dessa luta, pela contribuição material conseguida e pelo reforço do fervor clubista.

Toda a sua capacidade de dirigente ímpar voltou a revelar-se como Presidente da Direcção em 1957/58, projectando o Clube não só pelo Futebol como pelas Modalidades Amadoras.

No Futebol, saliente-se ter sido o BELENENSES uma das quatro equipas europeias – com o Sevilha, a Lázio e o Dínamo de Zagreb – a participar no Torneio de inauguração do Estádio Morumbi, em São Paulo e ter participado no ‘Troféu Carranza’ em Espanha.

Nas Modalidades Amadoras, destaca-se a criação do lugar de Secretário – Técnico para coordenar toda a actividade e a valorização do Hóquei em Patins e do Ténis, a par das outras secções.

De referir ainda que foi na sua gerência que o Clube contratou Helénio Herrera, um dos maiores treinadores de futebol do Mundo. E foi graças à sua actividade febril que, no mesmo período, entre outros (Abdul, Adelino; Ramin, Suarez, Cunha Velho, etc,), veio da Catumbela (Angola) para o Belenenses o famoso Yaúca. Foi também interveniente na vinda de Matateu e do seu irmão Vicente Lucas.

Nessa actividade febril, levada até à exaustão da sua saúde, foi ainda adquirido o primeiro autocarro do Clube para os seus atletas.

O Belenenses, até ao fim da sua vida, foi uma paixão e também uma preocupação, expressas nos seus últimos dias a amigos e antigos colaboradores do Clube.”

Por todas estas razões foi-lhe concedida a “Cruz de Cristo de Ouro” a 30 de Março de 1960. Dez anos antes, já havia sido consagrado como Sócio Honorário.

A atribuição do mais alto galardão do nosso clube justifica-se além de qualquer discussão. Francisco Soares da Cunha foi “O Homem do Estádio”, expressão da autoria de Albano Homem de Mello, depois consagrada nos livros de Acácio Rosa; foi elemento determinante na vinda para o Belenenses de jogadores da grandeza de Matateu, Vicente e Yaúca; foi um homem de visão e pioneiro em muitos aspectos; foi um dirigente de rara capacidade, o que aliás, foi publicamente reconhecido, muitos anos depois, por Helénio Herrera, uma grande figura do futebol mundial.

Como definição excelente da grandeza de alma de Francisco Soares da Cunha, transcreve-se uma notícia de um jornal da época:

ACÇÃO DIGNA DE REGISTO – Em Março último começou a ser demolida em Chelas, entre outras, a residência de uma viúva que ali reside com uma sua filha, em precárias circunstâncias. Aflita, a infeliz procurou descobrir uma solução para o seu caso. Foi nessa altura que o Comandante da Polícia Municipal, Capitão Soares da Cunha, condoído da sua triste sorte, tomou espontaneamente o encargo de interceder, junto das entidades competentes no sentido de que a demolição se não fizesse, o que, de facto, conseguiu.

Procurou-nos agora aquela senhora para nos pedir que apontemos tão generosa e humana atitude de quem, ainda por cima, vem custeando do seu próprio bolso uma grande parte das rendas da referida casa, suavizando, assim, os encargos da sua existência
”.

Aliás, muitos sócios de “Os Belenenses”, mais carenciados, viam as suas cotas pagas por este homem. Eram assim os Dirigentes do nosso Clube. Grandes homens fazem grandes instituições.

“Um forte rei faz forte a fraca gente, e um rei fraco faz fraca a forte gente”.

Francisco Soares da Cunha foi um dos nossos Maiores. Ainda hoje existem seus companheiros e colaboradores que o lembram e o exaltam. Aqui lhe deixamos também a nossa homenagem e gratidão, reafirmada cada vez que entramos na Casa de todos os belenenses, o Estádio do Restelo.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1921 – Belenenses inicia a prática do Atletismo

A secção de Atletismo do Belenenses que, como se vê, existe praticamente desde a fundação do Clube. Possui um palmarés riquíssimo e uma história recheada de títulos e de nomes sonantes do panorama nacional. A muitos desses nomes nos referimos nestes apontamentos. Nomes como os de Rui Ramos, Joaquim Branco, José Pinto, Lucília Silva, Francelina Moita, Georgete Duarte, Maria José Sobral e tantos, tantos, outros.

O Belenenses participou de forma activa na fundação da Associação de Atletismo de Lisboa e mais tarde também na Federação Portuguesa de Atletismo.

Atente-se à seguinte passagem do livro de Acácio Rosa, «Factos, Nomes e Números, 1919-60», que alude à primeira competição em que o Belenenses participou:


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Atente-se ao texto final constante da figura e que nela está realçado. «Ecletismo útil e necessário».

E porquê útil e necessário? Necessário, porque permitia ao Belenenses projectar-se como Clube proporcionador de condições para a práctica de diversas modalidades aos seus sócios e a quantos se quisessem tornar sócios (quando esta não era proporcionada de outra forma – por exemplo escolar) cumprindo a sua missão social e, simultaneamente, útil porque não só permitia a práctica competitiva com benefícios de imagem e projecção pelos títulos obtidos, o que somando ás condições criadas para a população em geral propulsionava a adesão de novos sócios e adeptos. Algo que hoje em dia não só já não sucede como a despesa que é feita a sustentar inúmeras modalidades profissionais se tornou incomportável para o (não) retorno que traz.

Hoje o Atletismo no Belenenses manterá a capacidade de descoberta e de formação de talentos, a par com a posse de excelentes condições de treino de que é exemplo a pista sintética do Estádio do Restelo, mas a verdade é que, quase 90 anos depois, o Belenenses não é mais que um prospector de valores que vão emergir e atingir o “estrelato” noutros clubes, ficando para estes a capitalização da projecção que os atletas proporcionam. Exemplos disto mesmo são os ex-atletas Francis Obikwelo (Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de 2004) e Naide Gomes. E são apenas os mais sonantes ou mais recentes na nossa memória.



2005 – Carlos Campos sagra-se Penta-Campeão Nacional Absoluto de Pentatlo Moderno

Carlos Campos é um nome a que, nestes apontamentos já nos referimos algumas vezes. Coisa natural se pensarmos que se trata de um Campeão Nacional de Pentatlo Moderno. Neste dia comemora-se a obtenção do Penta-Campeonato. Cinco anos consecutivos como valor máximo absoluto da modalidade em Portugal.

Em 2005 o campeonato decidiu-se em Idanha-a-Nova, no seu Meeting Internacional. Além de Carlos Campos estiveram em prova mais quatro atletas do Belenenses: o internacional André Pereira e três representantes de escalões de formação: Carlota Godinho, Francisca Moncada e Pedro Oliveira.

A revalidação do título nacional não começou da melhor forma para o então tetra-campeão. Muito por força da má prestação na prova de tiro que o relegou para a nona posição da classificação geral até esse momento. No entanto, as excelentes provas na Esgrima (20 vitórias em 23 combates – segundo classificado), na Natação (de novo segundo classificado) e no Hipismo (quinto lugar), permitiram a Carlos Campos recuperar e gerir a vantagem na prova final – a corrida – atingindo assim o mais alto lugar no podium.


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Como prova que apesar de toda a qualidade de Carlos Campos, o Pentatlo Moderno no Belenenses não é apenas Carlos Campos sendo o resto simples cenário, André Pereira classificou-se numa honrosa quarta posição nacional e sexta na geral do Meeting Internacional. E poderia ter sido melhor não fora um engano no percurso da prova de hipismo.

Apesar de ser uma modalidade com projecção olímpica, o Pentatlo Moderno sofre, em Portugal, com grandes dificuldades organizativas. Prova disto mesmo, foi dada na organização deste Meeting, para mais Internacional, e apesar de servir para o apuramento do Campeão Nacional Absoluto. Faltaram árbitros, sendo que foi graças à boa vontade dos treinadores presentes que se realizou a prova, embora disso resultasse um menor apoio aos atletas e às equipas. Algo imcompreensível e que demonstra bem o tipo de apoios de que carece a modalidade, o que só salienta a importância do papel dos clubes no panorama da modalidade a nível nacional.

Para dar uma ideia do estado da modalidade fica registado o valor dos prémios atribuídos no Campeonato Nacional de 2006:

Pontuação Masculina:
Até 5.600 -> 400 €
Até 5.550 -> 300 €
Até 5.500 -> 250 €
Até 5.450 -> 120 €
Até 5.400 -> 75 €

Pontuação Feminina:
Até 5.450 -> 400 €
Até 5.400 -> 300 €
Até 5.350 -> 250 €
Até 5.300 -> 120 €
Até 5.250 -> 75 €

Valores irrisórios que demonstram bem o carácter perfeitamente amador da modalidade.


Nota: Recorremos para a elaboração deste apontamento, do site da Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno (em www.fppm.pt) e do Portal Oficial do Belenenses (em www.osbelenenses.com).


Post-Scriptum: Ontem, Carlos Campos sagrou-se Campeão Nacional de Pentatlo Moderno, pela 6ª vez consecutiva. Os nossos parabéns!

domingo, 23 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1966 – Vicente e José Pereira presentes na vitória de Portugal sobre a Coreia do Norte no Mundial de 1966. Vicente atinge 20ª internacionalização pela Selecção A

Depois de ultrapassada a fase de grupos, com vitórias sobre a Hungria, a Bulgária e o Brasil (como temos vindo a lembrar), Portugal, no jogo seguinte, para os Quartos de Final, deparou-se com a Coreia do Norte.

Portugal reunia consenso em termos de favoritismo. Os coreanos, aparentemente, constituíam um adversário mais acessível que os anteriores – pelo menos, em termos de nome firmado no futebol mundial. Mas a verdade é que os coreanos também já tinham feita história neste Mundial, ao venceram a poderosa Itália.

E o facto é que o jogo começou da pior maneira para Portugal. Aos 2 minutos, já perdíamos. Aos 22 e 23 minutos, com dois golos de rajada, a Coreia do Norte adiantou-se para 3-0. Tudo parecia perdido.

Veio, então, a extraordinária reacção dos portugueses. Até ao intervalo, já havíamos reduzido para 2-3, com golos de Eusébio aos 28 e 43 minutos (o segundo dos quais de grande penalidade). O mesmo jogador marcou aos 56 (empatando) e aos 60 minutos (colocando-se Portugal em vantagem). Aos 80 minutos, Portugal chegou aos 5-3, consumando uma extraordinária reviravolta. Este último golo foi apontado por José Augusto, que confessava que o seu modelo de jogador e ídolo da infância fora o belenensíssimo Mariano Amaro.

No onze Nacional estiveram uma vez mais presentes dois jogadores do Belenenses, José Pereira e Vicente. Embora sofrendo três golos, José Pereira esteve, neles, isento de culpa. Quanto a Vicente, participou do desacerto colectivo inicial - dos primeiros 25 minutos -, voltando, depois, ao seu normal.

No entanto, este jogo marcou o começo das infelicidades para Vicente. Aos 30 anos (completaria 31 dois meses depois), estava no auge da sua fama. Um jornal inglês, o “Daily Mail” classificava-o como o defesa mais elegante da última dúzia de anos. Também o “France FootBall” o distinguiu. No entanto, lesionado, não pôde participar nos dois derradeiros jogos de Portugal. Pior ainda: pouco depois do início da época seguinte, teve um acidente de automóvel, e foi obrigado a pôr termo à sua carreira. Uma infelicidade para Vicente, para o Belenenses e para o futebol Português!

Assim, neste jogo constitui a 20ª e última internacionalização de Vicente pela Selecção A.

Quanto a José Pereira, atingia aqui a sua 12ª internacionalização. Realizaria ainda os dois últimos jogos deste Mundial e, em 13 de Novembro de 1966, num jogo contra a Suécia, despedia-se da Selecção Nacional com 15 jogos realizados.

sábado, 22 de julho de 2006

Não deixem morrer esta força

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Comunicado oficial sobre a pouca vergonha no "Caso Mateus"

Sobre o chamado “Caso Mateus”, entenderam “Os Belenenses” S.A.D. e o Clube de Futebol “Os Belenenses”, prestarem as seguintes informaçőes:

1. A forma como desde início de Maio decorre o chamado “Caso Mateus” é demonstrativo da total incapacidade dos Órgăos que superintendem o Futebol Nacional.

2. Assistimos durante a ultima semana ŕ utilizaçăo de processos que julgávamos há muito erradicados da Sociedade portuguesa.

3. As manobras vergonhosas, os conluios, os compadrios utilizados durante estes cerca de 2 meses e meio, ficaram totalmente a nu no decorrer desta semana.

4. Os protagonistas deste caso, nomeadamente o Desembargador Gomes da Silva e o Advogado Domingos Lopes, independentemente da sua eventual responsabilidade disciplinar e criminal, demonstraram claramente năo possuírem condiçőes éticas e morais para integrar qualquer cargo a nível nacional de índole desportiva.

5. Na sequęncia da estratégia definida para este caso e já amplamente divulgada, “Os Belenenses” S.A.D. văo, de imediato, informar os Organismos Internacionais dos recentes desenvolvimentos, de modo a habilita-los a intervir em prol da celeridade da decisăo deste caso.

6. Atendendo a que a FIFA tem seguido com muita atençăo a evoluçăo do chamado “Caso Mateus”, certamente irá proceder em conformidade.

7. Em casos semelhantes a FIFA actuou suspendendo a participaçăo dos clubes e das selecçőes dos respectivos países nas competiçőes internacionais.

8. Se tal vier a acontecer “Os Belenenses” SAD năo se sentirăo minimamente responsáveis pelos enormes prejuízos que virăo a ser causados ao Futebol Portuguęs, à sua Federaçăo e clubes.

9. A Responsabilidade caberá, por inteiro, a quem, objectivamente, obstruiu a justiça, alimentando manobras dilatórias, ridículas, tendo em vista o entorpecimento da Justiça.

10. Também săo responsáveis os que, pelos cargos que ocupam, podiam e deviam exigir celeridade neste processo e năo desenvolveram nenhum esforço nesse sentido, continuando a agir como se nada se passasse e que tudo estivesse a ser transparente e claro.


Lisboa, 21 de Julho de 2006

A Administraçăo dos Belenenses SAD

A Direcçăo do Clube de Futebol «Os Belenenses»

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1993 – Inauguração das Piscinas Olímpicas

Após longos anos de espera, atrasos recuos, atropelos e outras peripécias, era inaugurado o Complexo de Piscinas do Belenenses. Na inauguração, feita com pompa e circunstância, esteve presente o Presidente da República, Mário Soares, tendo sido descerrada lápide comemorativa. Era o concretizar, finalmente, de um sonho com mais de 25 anos.

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A natação do Belenenses começou em 1925, num velho tanque, carinhosamente apelidado de “caldo verde”, na parte Norte do Jardim Colonial, na Calçada do Galvão. Aliás, nele se apoiou durante décadas a fio. Aí aprenderam a nadar e treinaram muitos belenenses que deixariam o seu nome marcado na natação nacional, como Delfim da Cunha, João da Silva Marques, Ana Linheiro e tantos outros. O Belenenses foi pioneiro e uma dos clubes fundadores da Associação de Natação de Lisboa, em 1930 e que viria a substituir a Delegação de Lisboa da Liga Portuguesa dos Amadores de Natação" e o "Núcleo de Lisboa da Federação Portuguesa de Natação".

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No final da década de 60, com o Estádio do Restelo e restante complexo desportivo do Belenenses resgatado pela Câmara Municipal de Lisboa, Portugal candidatara-se à organização da «Universíada». Na posse da Câmara Municipal de Lisboa os terrenos do Restelo foram seleccionados para a construção das piscinas que albergariam a importante competição. Iniciaram-se as obras mas a organização portuguesa viria a ser cancelada.

Apesar de estarem já em avançado estado de construção e de todo o investimento até aí feito, as obras pararam. Durante cerca de vinte anos as piscinas, ou o que delas já estava construído, ficaram a apodrecer. Com o Restelo devolvido ao Belenenses em 1969, quis o Belenenses recuperar esta obra. A Câmara nem se dignara a responder.

Em 24 de Outubro de 1973, o Diário Popular, vespertino lisboeta, publicava o seguinte texto, que Acácio Rosa cita no seu «Factos Nomes e Números, 1960-84»:

PISCINAS A APODRECER NA ZONA DO RESTELO!

(...) A Universíada (portuguesa) foi cancelada e as obras em curso paralizadas: nesse lote – a abater – ficaram as piscinas do Restelo. Todavia, dado o vultuoso empate de capital já aplicado, a opção de parar talvez tenha sido tomada um tanto precipitadamente. Hoje enterrada paredes-meias com um estádio cheio de gente, um envergonhado complexo desportivo... que não chegou a nascer. Desportivo e, sobretudo, de cultura física.


Apelo à Câmara Municipal

Não se sabe bem porque a obra estacou... perto do fim. Fala-se em falta de disponibilidades financeiras mas o certo é que o dinheiro já gasto bem justifica o ressurgimento dos trabalhos, aliás único processo de a população tirar o juro do capital empatado.

Ora, «Os Belenenses» já se mostraram interessados na exploração daquele complexo ginasta, para o que endereçaram ao Município de Lisboa o respectivo pedido. Porém, até hoje, nem resposta, nem recado. Entretanto, o equipamento deteriora-se dia a dia – está exposto ao rigor do tempo e já lá vão vários Invernos... – e as instalações danificam-se, num total desprezo pelo adiantadíssimo estado da construção, certamente agora na arrancada mais fácil! E se a Câmara não quer dar-se ao trabalho de administrar as piscinas, pois que as entregue a «Os Belenenses», necessariamente com a condição de o público ter acesso ao recinto dispondo o clube de tempo limitado para treino dos seus atletas. Sim, porque nós não queremos acreditar que haja qualquer «Guerra do Alecrim e da Manjerona» por detrás de tão insólita paralização... E mesmo que haja mais do que uma colectividade a candidatar-se à concessão do empreendimento, das duas uma: ou se atendem compromissos assumidos, ou se reparte o mal pelas aldeias – o que deverá figurar como axioma é que os dinheiros públicos jamais poderão ser desaproveitados de modo tão flagrantemente chocante.

«Os Belenenses», por exemplo, treinam no tanque do Jardim do Ultramar e em Algés, e as gentes do populoso bairro do Restelo continuam sem piscinas. E o dinheiro já está quase todo gasto e, espantosamente, a apodrecer à vista do público, impotente!
”.

No final de 1973, o Clube é praticamente obrigado a suspender a natação, visto estar impedido de utilizar o velho “Caldo Verde” por questões de higiene e saúde e pelo caro da solução de recorrer a piscinas alheias. E lembrar que as piscinas apodreciam no próprio Restelo…

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Cresce então um movimento pela construção das piscinas, como atesta outro texto transcrito por Acácio Rosa no mesmo livro. Desta vez um texto do Jornal «A Bola», publicado em 1974, escrito por Vítor Serpa, no tempo em que ainda parecia ser do Belenenses:

Um sonho ... hoje nado eu!
Por Vítor Serpa


Hoje nado eu ... mas em seco. Não que não saiba nadar. Até poderia fazer o auto-elogio dos meus dotes natatórios, pois não seria o primeiro. No entanto, apenas direi que aprendi a dar as primeiras braçadas (quando ainda era um rechonchudo menino de 7 anos) no já naquela altura insuficiente tanque do Jardim do Ultramar - no tal que serviu de mostruário de crocodilos quando da exposição do Mundo Português. E como de lá tiraram os bichinhos, nele consegui iniciar-me na natação e, até cheguei a ganhar inchadamente, as minhas medalhas.

Pois não fui o único indígena belenense que aprendeu a nadar nesse tal tanque dos crocodilos que hoje é domicílio de dezenas de peixinhos assustados que se escondem debaixo da ponte a cada mergulho humano. Não senhor. Nessa fingida piscina, aprendem a nadar, todos os anos, várias dezenas de miúdos porque ali têm as suas escolas e ainda se treina o Clube de Futebol «Os Belenenses», que, até na própria natação, possui os seus pergaminhos, pois costumava, pelo menos no meu tempo, ser o grupo que mais se aproximava do Algés e Dafundo, o monopolista dos bons nadadores. Só lhes digo que tinha a sua graça ver a força de vontade de atletas e treinadores que, afincadamente, se batiam por se manter à frente de alguns donos de piscinas a sério.

Porém, os «carolas» acabaram ou, pelo menos, passaram a um número reduzido e certo é que a natação em Belém não mais conquistou lugar de projecção.

Há cerca de dois anos, no entanto, renasceu a esperança. E os jornais deram a notícia, com toque de sensação: «Uma piscina municipal no Restelo». Lá se foi construindo a piscina nos próprios terrenos do estádio precisamente no local do velho ringue de patinagem. Aconteceu, então, que, já em fase adiantada da obra, os trabalhos cessaram e deles apenas ficou um enorme buraco, que só tem água por altura das grandes chuvadas... que, mesmo assim, não chegaria para tapar os tornozelos dos mais pequeninos. E, francamente, aprender a nadar em seco é capaz de não dar muito resultado.

Já agora, quero acrescentar que a construção da piscina não só poderia beneficiar o clube, mas também muita gente da zona ocidental de Lisboa.

Ora, numa altura que as pessoas são comandadas por «slogans», parece-me oportuno evocar dois deles, todavia, com certas emendas : «Há mar e mar, há ir e voltar»... mas voltarão? Isso já não está na nossa mão. Que se façam as piscinas porque todos lucrarão.
”.

Foram dez anos em que a actividade da natação esteve praticamente interrompida. Apenas no final de 1983 foi retomada.

No entanto apenas no final dessa década, ainda na presidência de Mário Rosa Freire, o projecto das piscinas ressurgiu.

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Mesmo assim passou por muitas peripécias que não cabe aqui reportar, apenas que muito dinheiro chama muitas atenções... Quem tanto se preocupa com «abutres» é capaz de os ter mesmo à frente da cara, ou sentados ao lado, e não os vislumbra. Ou com a casa roubada nem gritam pela polícia...

O Complexo de piscinas, acrescente-se que uma delas é Olímpica, foi visto desde sempre como uma oportunidade de não só providenciar aos nadadores do Belenenses condições
ímpares de treino e competição, mas também uma oportunidade de aumentar a massa associativa e de potenciar o aumento de receitas.

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Treze anos depois é possível dizer que tal aconteceu. Mesmo encerrando pontos negativos, como por exemplo a ilusão do número de sócios que são apenas clientes e não adeptos belenenses e que permite camuflar o esvaziamento apesar de plenamente patente nas assistências do verdadeiro motor do Clube – o seu Futebol. Nada nos move contra estes sócios, habitualmente apelidados de «piscineiros», antes pelo contrário. Move-nos sim o efeito pernicioso da sua utilização como trunfo falacioso. E, não esquecer, se nada mais os liga ao Clube, facilmente o abandonarão no dia em que houver um local no qual que lhes seja mais propícia a sua prática (ou de seus filhos). Um local, por exemplo, onde estão a nascer as piscinas municipais do Restelo., mais modernas e adequadas às necessidades actuais da população.

É precisamente na questão da modernidade e adequação dos equipamentos que se debatem as piscinas do Belenenses. Essencialmente porque tendo sido construídas sobre uma estrutura já existente (problemas de impermeabilização, rachas, etc.) e, durante mais de vinte anos, abandonada e degradada, a que se juntou a utilização de equipamentos complementares antigos (maquinaria vária como a de aquecimento e reciclagem da água), sofre actualmente de graves problemas de rentabilidade. São frequentes os problemas com a sua cobertura “temporária”, pela acção do clima ou pela própria maquinaria de suporte.

Em 2004 e 2005 a exploração das piscinas já deu prejuízo. E se nada for feito continuará a dar cada vez mais.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Neste dia, em . . .

1944 – Morte de José Simões (dez vezes internacional)

José Simões jogou pela primeira vez pelo Belenenses em 5 de Maio de 1929, na equipa de infantis (escalão actualmente designada como Juniores), onde se manteve na época seguinte embora fosse utilizado como Sénior noutras categorias.

Chegaria à primeira categoria (a de Honra) em 1931/32 e logo a tempo de sagrar Campeão de Lisboa e Vice-Campeão de Portugal. Na época seguinte, 1932/33, o título de Campeão de Portugal não voltaria a fugir-lhe. Nessa época foi também Vice-Campeão de Lisboa.

Quanto a títulos não ficou por aqui, fazendo parte da equipa que, após duas finais anteriores sem vencer o troféu, conquistou a Taça de Portugal em 1942.

Foi Internacional pela Selecção Portuguesa em dez ocasiões, como o retrata a figura seguinte, extraída do livro «Factos, Nomes e Números – 1919/60» de Acácio Rosa.

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No ano em que faleceu, apenas com 31 anos de idade, José Simões tinha também conquistado mais um Campeonato de Lisboa, o de 1943-44.

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Foi o seu último título. Falecia com apenas 31 anos de idade. Acácio rosa escreveu então:
José Simões atingido por uma dessas doenças, ainda mal conhecidas, desapareceu inesperadamente. O Clube perde um dos seus maiores valores. Devotado belenense, a sua acção foi fulgurante e a sua carreira excepcional, tanto em representação do próprio Clube como na equipa nacional. (...)”



2005 – Vitória sobre o Mónaco, por 2-1, em Anglet (França)

Após um estágio em Coverciano – centro de estágios da Federação Italiana de Futebol (através do protocolo que permitiu à selecção italiana estagiar no Restelo na sua participação no Campeonato da Europa de 2004, a que nos referimos em 5 de Junho), o Belenenses deslocou-se a França para realizar dois jogos particulares de preparação para a época de 2005/2006.

Em Anglet, nesta data, o Belenenses realizava o primeiro jogo de preparação, contra um Mónaco, muito mais adiantado na preparação, que ainda no ano anterior tinha sido finalista (derrotado pelo F.C. Porto) da Liga dos Campeões.

Foi uma grande vitória, especialmente pelo facto dos franceses terem marcado primeiro e forçado uma equipa em início de preparação a uma recuperação no marcador. Marcaram, pelo Belenenses, Fábio Januário e Pinheiro.

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Ainda em território francês e três dias depois, o Belenenses jogaria ainda com o Toulouse, encontro que terminaria com um empate a uma bola, depois do Belenenses se ter adiantado no marcador.

Do restante da época, que contou com o mais alto orçamento de sempre do Clube, só há más recordações. No final da disputa das 34 jornadas do campeonato, o Belenenses classificou-se em 15º lugar. Umas das piores classificações de sempre, em lugar de descida de divisão e num ano de redução do número de clubes nos vários escalões. Uma época desastrosa e de consequências ainda imprevisíveis.