domingo, 28 de agosto de 2005

BELENENSES, 3 - União de Leiria, 1

20 Minutos de Excelência, 20 Minutos de Excrecência, 40 Minutos de Dormência

Numa primeira nota, gostava de dizer que fiquei descansado ao chegar ao nosso Estádio. Afinal, ao contrário do que eu receava, o Restelo estava inteiro. Talvez não estejam a entender as razões do meu temor mas elas são bem simples e tinham razão de ser: é que, num período de férias, comprei a Revista do Jogo. E lá dizia que a lotação do nosso Estádio era de 20.000! Ora, face a isto, é normal que eu tivesse pensado que cerca metade do Estádio do Restelo tivesse ruído. Afinal, não: é mesmo ignorância e estupidez natural. Só assim se justifica que alguém, olhando para a imensidade do Estádio do Restelo, tenha julgado que ele só pode comportar 20.000 pessoas.

Já agora, na mesma revista, diz-se que temos 19.500 sócios. Desconfio que este número tenha sido fornecido pelos nossos serviços; e se foi, como é de calcular, é caso para dizer como os espanhóis: “Vaya tontería!”. Ou seja, que informação mais estúpida! Qualquer pessoa minimamente inteligente e que se preocupasse com a IMAGEM do clube saberia que, psicologicamente, há uma grande diferença entre 19.500 e 20.000. Ora, como se arredondou (disse-se 19.500 e não 19.492 ou 19.527), porque não arredondar para 20.000 (tanto mais que alguns com as quotas em atraso as podem entretanto regularizar)? Um preciosismo pateta, este dos 19.500, que faz exactamente o contrário do que se deveria fazer, se houvesse um mínimo de preocupação com a imagem que de nós projectamos. Mas não há. E, por isto, continuo a lamentar a ausência da, por mim proposta, Vice-Presidência de Projecção e Imagem.

Ah...e as BANDEIRAS? Dentro das expectativas. Claro que prevaleceu o aburguesamento e o comodismo ou até a vontade de contrariar; mas sempre houve para aí mais uma dúzia ou dúzia e meia a mais do que o costume, dando um pouco mais de colorido. Prometemos: vamos insistir, até serem centenas a mais.

Ficha do Jogo:

Estádio do Restelo. Assistência: 2.200 espectadores (transmissão televisiva pela Sport TV).

O Belenenses alinhou com:

Marco Aurélio;
Amaral, Rolando, Pelé e Djurdjevic;
Sandro
Ahmada, Pinheiro, Silas e Zé Pedro;
Meyong

No seu primeiro jogo em casa para o Campeonato, o Belenenses cumpriu o que se exigia, averbando os três pontos; ficou, porém, a dever a si próprio uma vitória muito mais folgada.

A nossa equipa entrou da melhor maneira. Logo aos 5 minutos, Meyong, a nosso ver o melhor em campo, abriu o marcador, com um remate na meia esquerda, que ainda foi desviado por Costinha, antes de ultrapassar a linha de golo.

Quando se esperava que, assim moralizado, o Belenenses embalasse para uma exibição convincente, a equipa desnorteou-se e tudo lhe passou a sair mal, atabalhoado, um jogo deplorável, sem ponta de fio. Ainda assim, aos 15m, Meyong logrou isolar-se e por um triz não assinou o 2º golo.

No minuto seguinte, o empate, por Lourenço, que conseguiu fazer-nos o que não fez em toda a época passada: um golo de bola corrida. Tal facto, para nós, confirma o que sempre defendemos: o problema não era Lourenço mas a incompatibilidade com o Belenenses profundo, que ainda existe, que é ter um Lourenço (ou qualquer outro jogador de um clube português) emprestado na nossa equipa. Quem quiser entender, que entenda...

A jogar aos repelões, o Belenenses não lograva assentar jogo. Mesmo assim, aos 22 minutos, o árbitro, que por várias vezes prejudicou o Belenenses, deixou por assinalar uma grande penalidade a nosso favor: na sequência de um canto, Pélé foi travado à margem da lei dentro da área leiriense.

Quando nada o fazia esperar, eis que o Belenenses embala para 20 minutos verdadeiramente de luxo, que nos valeram dois golos, 3 ou 4 oportunidades flagrantes não concretizadas, uma série de lances de belo recorte e o domínio total do jogo até ao Intervalo. As próprias bancadas se empolgaram e os aplausos quentes e o grito “Belém! Belém! Belém” fizeram ouvir-se com insistência.

Aos 33 minutos, Zé Pedro, solicitado na sequência de jogada de Silas do lado esquerdo, remata junto ao bico da área. A bola bate num defensor leiriense e, ”enrolada”, anicha-se nas redes.

Aos 41 minutos, surge o 3-1, de forma espectacular: arrancada fulgurante de Amaral, a passar por vários adversários e a deixar para Meyong que, com um belo remate, assina o seu 2º golo e faz o 3-1.

Ao intervalo, Vasco Faísca substituiu o apagado Ahmada, fixando-se na lateral esquerda, passando Djurdjevic para médio ala esquerdo e adiantando-se Silas mais para próximo de Meyong.

O Belenenses entrou bem e Zé Pedro, logo no primeiro minuto, quase fez o 4-1.

A parir daí, o Belenenses pareceu anestesiado e com vontade de anestesiar o jogo. Ficou-nos a nítida sensação de que, houvesse mais pressão ofensiva, teríamos feito mais golos. Em vez disso, o Belenenses enveredou por um futebol de contenção, que tornou o jogo desinteressante.

O único destaque a sério, até ao fim do jogo, foi uma magnífica defesa de Marco Aurélio, a remate de um avançado leiriense, na sequência de uma falha de Rolando (das poucas que teve).

Aos 80 e 81 minutos, Paulo Sérgio e Fábio Januário substituíram, respectivamente, Silas e Djurdjevic.

E assim tendeu o jogo para o final. Foi pena que o Belenenses, no 2º tempo, optasse por esta dormência, não dando continuidade ao futebol de excelência dos últimos 15/20 minutos da 1ª parte. Em resumo, diríamos que o Belenenses dos 5 aos 25 minutos, lutaria para não descer; o dos 25 aos 45 minutos, lutaria para ser campeão; o da 2ª parte, lutaria para que...não houvesse jogos.

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Apreciação Individual dos Jogadores, com notas de 0 a 5:

Marco Aurélio – Sem culpas no golo, pareceu-nos apesar de tudo menos seguro que o habitual. Já assim nos parecera no início da época passada. No entanto, foi mais uma vez imperial em duas excelentes defesas no decorrer da 2ª parte. Nota 3.

Amaral – Em termos globais, não fez um grande jogo, como seria de esperar depois da excelente prestação de Alvalade; mas a jogada de que resultou o 3º golo foi verdadeiramente soberba e decidiu o jogo. Nota 3

Rolando – Teve uma ou duas falhas mas vê-se que está em forma e confiante. Um central de futuro. Será titular toda a época? Nota 3

Pelé – Esteve bem sem ser brilhante. Não parece nada afectado pelas especulações que existiram à volta da sua hipotética saída. Nota 3

Djurdjevic – Não é um fora de série mas é um jogador de qualidade e muita utilidade. Esteve francamente bem no lado esquerdo, tanta a defesa como a médio. Nota 4

Sandro – Embora útil a recuperar bolas, pareceu-nos bastante trapalhão a desfazer-se da bola. Não comprometeu mas esperávamos mais. Nota 2

Pinheiro – Segurou o meio campo no nosso período mau da 1ª parte. Decaiu no 2º tempo. Ainda assim, damos-lhe nota positiva. Nota 3

Silas – Tem o tal toque extra de classe. No entanto, certamente por indicação táctica do treinador, esteve quase sempre fora do seu lugar natural de nº 10, e, apesar de ter estado no 2º golo, ficou aquém do que pode fazer. Nota 2

Zé Pedro – O seu golo foi decisivo para o desenrolar do jogo. A sua actuação, globalmente positiva, mostrou a alternância habitual: ora apresenta recortes técnicos acima da média, magníficos, ora se parece alhear do jogo, com uma atitude displicente. Nota 3

Ahamada – Desiludiu-nos francamente. Pode fazer muito melhor. Só se mostrou no fim da 1ª parte, ao falhar uma oportunidade clamorosa, e ao fazer um bom cruzamento que Meyong quase concretizava em golo. Nota 2

Meyong – O melhor em campo. Actuação soberba, não só pelos 2 golos mas, também, pela maneira com segurou a bola, como se desmarcou, como combinou com os colegas, como se movimentou em todo o espaço do meio para a frente. Foi pena na 2ª parte não ter mais apoio ofensivo. Era bem capaz de facturar mais uma ou duas vezes... Nota 5

Vasco Faísca – Não comprometeu mas esteve longe de nos entusiasmar. Estamos certos de que pode fazer muito melhor – mas... a lateral ou a central? Nota 2

Paulo Sérgio – Quase não tocou na bola (e a primeira vez que o tentou sofreu falta não assinalada). Não teve oportunidade para chegar a ter qualquer relevância. Nota 0

Fábio Januário – Também com pouco tempo para jogar, ainda teve alguns pormenores que mostram a sua “pinta” de bom jogador. Nota 1