segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

"QUARTO DE HORA À BELENENSES"

U. Leiria - 2 BELENENSES - 2
Isto foi assim:

Nós entrámos “bem”, ou melhor, “bemzinho”. Estivemos ali oito minutos a trocar a bolinha ou, como se costuma dizer, “instalados no meio campo do adversário”. Não que estivéssemos propriamente a “atacar” e eles estivessem preocupado com isso. Estivemos, por assim dizer, “no ataque”.

Ora, aos nove, eles começaram a trocar a bola no nariz dos nossos defesas e os nossos defesas não fizeram nada. Eles tanto a trocaram, que ela sobrou para um tal de Paulo César que encheu o pé e a meteu dentro da nossa baliza.

As nossas “agradáveis” trocas de bola no meio campo do adversário, foi “um ar que lhes deu”.
Começou o pesadelo.
Continuámos a ir para o meio campo deles trocar a bola, mas de forma tão descrente, tão frágil, tão má, tão anedótica, que eles se limitavam (até algo enfastiados) a esperar que nós a perdêssemos para lançarem os seus contra-ataques.

Como nós, no meio campo deles, em vez de os desequilibramos a eles, nos desequilibrávamos a nós, cada contra-ataque deles era um martírio. O nosso meio campo, coitado. A nossa defesa, ai Jesus!

Num desses tomámos o segundo. Já se adivinhava.
Desaparecemos de campo.
Eles também.
Chegou o intervalo.

O árbitro deu 60 minutos.

Durante o intervalo, o Sousa rematou espectacularmente ao poste.

Acabou o intervalo

Logo no reatamento, desfrutámos de um livre. A barreira demorou 5 minutos a ser formada. O Silas parecia muito nervoso e refilava com o Romeu, que refilava com os defesas do Leiria, que refilavam com ele. O árbitro acabou com aquilo e mostrou o amarelo ao Romeu e a um deles.

O árbitro apitou, o Silas saltou por cima da bola, um outro nosso, que eu já não lembro também saltou por cima da bola e o Pelé chutou a bola. O Costinha (um dos meus guarda redes preferidos) defendeu para o poste, a bola ficou ali no ar e apareceu o Sousa, o Amorim, o Romeu, o Rolando, o Rui Jorge e o Marco Aurélio, todos isolados em frente ao Costinha.
Fugiram todos da bola, menos o Sousa, que a meteu lá dentro.

O Belém começou a dar na televisão. O “Belém”, aquela equipa aguerrida que nunca desiste naqueles minutos finais. A tal do “quarto de hora à Belenenses”
Começámos a cair em cima deles. Eles, coitados, começaram a ver a vida a andar para trás e a pensar “isto ainda vai dar chatice!”
.
O Ahmada ficou isolado e fez o mais difícil, ou seja, não conseguiu desviar a bola do Costinha.

O Romeu fez-se ao penalty, mas não deu.

Até que o Silas (aquele jogador caro que contratámos precisamente para estas coisas), chateado por já ir na sexta tentativa, pegou na bola fintou dois, desviou a bola de outro e rematou rasteiro e certeiro.

Estávamos empatados.

Delirei como nunca pensei que pudesse delirar por um empate.
Ainda tínhamos mais dois minutos de “q-h.b.” para gastar. Cheguei a acreditar, mas já não deu.
Acabámos em cima deles, com um canto.
Não do cisne. O do contrário, o daquele que começa como cisne e só deixa de ser durante o ... "quarto de hora à Belenenses"

Trouxemos de lá um ponteco.
Mas precisamos desesperadamente de jogar mais do que quinze minutos.

Demos um saltito para fora da linha de água.

Nada mau, nada mau!!!


Pontuações individuais (0 a 5)

Marco Aurélio (2) – Não teve culpa nos golos, mas também não os defendeu. Teve alguns bons “golpes de vista”. Em geral, nada a apontar, mas também nenhuma proeza a registar.

Sousa (4) – Jogou tudo o que sabia. Correu e lutou. Acreditou e marcou. O nosso melhor em campo. Mais uma vez, Obrigado Sousa.

Pelé (2) – Em geral, desacerto, mas lá foi colmatando com poder de recuperação e de emenda. Mas, nem sempre. Em duas dessas, sofremos os golos.
A estampa física ajuda muito, mas a concentração, a atitude e a garra, ou, simplesmente, a dedicação total ao jogo, também. Faltando estas …

Rolando - (2) Idem, idem, aspas, aspas

Amaral – (0) Desidratado, ultrapassado, desconcentrado, coitado. E de nós também.

Ricardo Araújo – (0) Esteve perdido, fizeram-se buscas, mas, segundo consta, graças a Deus, foi encontrado com vida.

Sandro – (1) Não os conseguiu apanhar. Passaram por ele como manteiga, enquanto ele não passou por ninguém e só passou a bola aos nossos quando não estava lá ninguém deles num raio de dez metros. O problema é que o futebol administrativo não ganha meios-campos. Das duas. Uma: ou já sabia pouco, ou aprendeu muito com o Pinheiro.

Amorim – (1) Com a cabeça em Rio Maior.

Paulo Sérgio - (1) Esforçou-se, mas foi inconsequente.

Silas – (3) Recebeu aí umas cinco ou seis bolas e, em todas elas, tentou o lance individual (a sua classe faz-lhe perceber que não há outro meio de tentar chegar ao golo com esta equipa). À sexta, fez o golo do empate, com classe.

Romeu - (3) Não sei porquê, mas gostei. Falta-lhe profundidade, contudo sinto-o a recuperar algum instinto. Está pesado, porém aguentou os defesas ali no lombo e fez muitas tabelas, além de um remate à meia volta que quase entrava. Força, Romeu

Ahmada - (0) Na minha modestíssima opinião, é uma anedota. Mas, posso estar enganado.

Januário – (0) Não deu para fazer nada, a não ser um mau cruzamento.

Dady – (0) Não deu para fazer nada, mas continuo a dizer que gosto do estilo.

Couceiro – (0) É zero desde que disse mal de mim, de nós, e independentemente da exibição da equipa. Hoje, a perda não é grande. Só algumas perguntinhas: Mas, agora, o nosso meio campo é como aqueles futebois da malta do escritório, em que joga um à vez em cada semana? E o fio-de-jogo? E os “automatismos”? e a confiança? E a personalidade da equipa? e os 60 minutos de intervalo?
O Tipo Que, Supostamente, Deveria Ser o Preparador Físico Desta Equipa – (-20) Desculpe lá também a pergunta: o que é tem andado a fazer neste últimos sete meses?